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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

"São Tomé Minha Ilha Verde" - Prodigio da Natureza! - Semana Ilustrada 1972

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Memórias

Semana Ilustrada - 1972  - lhas S. Tomé, prodígio da natureza, onde o criador parece ter doado as formas  e belezas mais sublimes, caprichosas ,que em parte alguma do mundo haverá.
S. Tomé minha Ilha Verde, verde, cansativamente verde. Numa sinfonia de verdura, de luz, de muita luz e de sombras, sombras de frescura, de vida, que nasce, rebenta, espontaneamente, cresce, desordenada, exuberante, luxuriosamente, em todos os recantos, desde a baixa altitude às grandes alturas, desde a costa ribeirinha  até aos mais altos visos das suas eriçadas serras ou picos.

S. Tomé, Ilha minha, de todos que nela vivem, trabalham, labutam e engrandecem, ou simplesmente a vislumbram de passagem. Eternamente bela. Loucamente bela, todos os dias, sempre, indefinidamente. Mas ao domingo, talvez por ser o dia do Senhor, mais  encantadora alegre ,esta formosa Ilha ainda é. Estranhamente linda. De multicolores , cambiantes em profusão ,  de contrastes  e pôr do sol em alegoria irreal. E águas cristalinas. Que nascem de entranhas das escarpadas encostas e deslizam por toda a fertilidade do seu seio. Desde o coração das suas florestas de brenha densa . Equatoriais. Onde a luz se perde. Se filtra. E um outro mundo surge. O vegetal . De múltiplas espécies. Que lutam desesperadamente pelos reflexos róseos do astro-rei. Que ali tudo comanda. A ele tudo obedece. Pois é a vida. Que com a seiva arrancada, sugada, do solo ubérrimo tudo faz crescer. Em desmedidos crescimentos fortes e formas os mais estranhos.

S. Tomé, das mil águas, de mil ribeiras que correm sem parar. Em labirinto de luzes, de matizes cintilantes. Correm, correm, impetuosamente, caudalosamente, precipitadamente, ou serenamente . Para as suas mil enseadas ou baías, que recortam a sua· costa, argêntea, azulínea  , espumosa, de alvura sem igual. Nesse mar. Imenso mar. De aguas quentes, serenas, meigas, de praias lânguidas, crioulas, macias .brilhantes, excessivamente brilhantes como verdadeiras pérolas, diáfanas·, esquecidas, perdidas; ávidos de luz, os corpos manifestam desejos de repouso, de serenidade, de paz, sossego, tranquilidade, sem poluição em busca de pureza, em verdadeira descontração do corpo e do espírito.

Oh! Praias de S.Tomé! Lindas praias de S.Tomé! De coqueiros esguios e altaneiros. Debruçados, vergados. Cruzados. Verdejantes. E a beijar, quase a tocar as aguas mansas que os bordejam num constante marulhar, sem parar, perpetuamente, eternamente, enquanto este belo rincão de Deus e o mundo terra perdurarem.



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