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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 7 de dezembro de 2019

Jaime Rocha “De quem é o mar”…Poesia dos dramas dos Pescadores da Nazaré e de Raul Brandão.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador 




O poeta, Jaime Rocha, convidado de A Cooperativa, na Rua da Emenda, , em Lisboa, para ler e falar da sua obra poética, em 5 Dezembro às 19h,  em “Quinta com Poesia”,  reconheceu que, as dramáticas narrativas do  escritor Raul Brandão, em  “Os Pescadores, exerceram uma grande influência nos seus poemas: sim, porque, melhor de que ninguém retratou a vida dura e difícil dos pescadores, quer da Nazaré, quer de outras praias portuguesas, desde  Caminha até Sagres, passando pela Foz do Douro, que era a terra de Raul Brandão,  dos naufrágios que espalhavam o luto e a dor.

Sendo,  pois,  Jaime Rocha, natural da Nazaré, terra  bem conhecida  pelas tragédias  marítimas,   filho  das  gentes que ao longo dos  tempos, sempre viveram com os olhos postos no oceano  e da sua dependência, em cujas  areias da praia  foram vertidas muitas lágrimas,  dos frágeis barcos de pesca que partiam e   não voltavam, tragados por vagas alterosas e traiçoeiras, ou dos que voltavam com menos homens a bordo e com os olhos banhados de sal e de lágrimas, naturalmente que a sua sensibilidade de poeta não podia ficar indiferente a tais dramas e vidas ceifadas – E foi justamente também do que falou à assistência que o  foi ouvir e aplaudir. 

“De quem é o mar”…Poesia aos Pescadores da Nazaré  das narrativas  Raul Brandão   

A dramatologia ajudam-nos a criar um movimento poético



O lado urbano:  a força da cidade tem uma força, uma perigosidade, uma ruina, tem uma morte, diferente da morte do mar da  Nazaré, o peso é diferente. E eu fui utilizando muito essa dualidade: Sou da cidade, posso fazer um poema sobre a cidade, sobre os becos, sobre as ruínas, sobre o lixo! Sobre os animais! Sobre as figuras!... E, de repente, está o mar: entra o oceano!  Entram as rochas!... Os rochedos!  Entram as algas , as areias!... E há um cruzamento…Só que na minha poesia, eu escrevo com uma dramatologia, crio um cenário…

Continuar dramatologia dentro da poesia, porque, cheguei a uma certa altura, em que as minhas palavras poéticas não chegavam: tive que pôr figuras: o pedreiro, o escultor, o pintor, o homem da montanha !... São figuras que nós dominamos; são figuras do dia a dia. E, ao trazê-los, ao coloca-los dentro da poesia , crio uma dramatologia que estas figuras veem coisas que o poeta não vê



Um cão esburaca a terra com as patas.
 Encontra naqueles gestos uma felicidade
inesperada,  como se não quisesse acreditar
na ausência do dono.

A mulher avista um barco com uma vela,
 sem remos, sem palavras, sem bandeiras,
 apenas uma mancha fantasma na água
a passar  junto ao horizonte, _

Ninguém grita, ninguém se despe ao cair
da noite. O destino fechou-se dentro
de si mesmo.

O cão espreguiça-se e corre a anunciar
Um tronco de madeira
Que uma onda deita para a praia.

JORNAL DE LETRAS Entrevista a Jaime Rocha a propósito do seu novo livro, Preparação para a Noite 


29-09-2017 -  São múltiplos e um só. E neles confluem o poético, o narrativo e o trágico. Nada mais natural, já que a escrita de Jaime Rocha, 68 anos, corre sempre entre três margens, a poesia, a ficção e o teatro. E a sua “poética é circular”, diz ao JL.

O seu novo livro, Preparação para a Noite, edição Relógio d’Água (72 pp, 14 euros), meia centena de poemas inéditos, escritos nos últimos dois anos, fecha precisamente uma “circunferência”, ligando –se ao inicial Do Extermínio, de 1995, em que ele assume ter encontrado a sua voz própria. É também um regresso à “cidade”, depois de ter deambulado por muitas paisagens – a Tetralogia da Assombração, A Loucura Branca, Anotação do Mal ou A Rapariga sem Carne, entre outros títulos – e memórias, como é o caso do recente romance Escola de Náufragos, em que volta ao mundo da sua infância, na Nazaré, onde nasceu.


 O escritor, poeta, dramaturgo e jornalista continua, por outro lado, a escrever os seus monólogos do homem contemporâneo, Ortof. E está a preparar a dramaturgia de O Construtor, peça que escreveu em 1998 e que só agora vai ser representada em outubro, na Quinta da Regaleira, em Sintra. É um espetáculo do Teatro Musgo, com encenação de Paulo Campos dos Reis. Mais pormenores em https://visao.sapo.pt/jornaldeletras/letras/2017-09-27-Jaime-Rocha-Poesia-Circular/

Jaime Rocha nasceu em 1949, na Nazaré, Portugal. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa. Viveu em França nos últimos anos da ditadura. Publicou o seu primeiro livro, “Melânquico” (poesia), em 1970. Tem editadas várias obras no domínio da poesia, da ficção e do teatro, na editora Relógio d’Água, Lisboa. Na poesia destaca-se “Os Que Vão Morrer”, 2000, “Zona de Caça”, 2002, “Do Extermínio”, 2003, “Lacrimatória”, 2005, “Necrophilia”, 2010, “Lâmina”, 2014 e “Preparação para a Noite”, 2017. Na prosa, os romances “A Loucura Branca”, 1990, “Os Dias de Um Excursionista”, 1996, “Anotação do Mal”, 2007, “A Rapariga Sem Carne”, 2012 e “Escola de Náufragos”, 2016. No teatro, destaca-se “O Construtor” e “O Terceiro Andar”, 1998, “Seis Mulheres Sob Escuta”, 1999, “Casa de Pássaros” e “O Jogo da Salamandra”, 2001, “Homem Branco-Homem Negro”, 2005, “O Mal de Ortov”, 2009 e “O Regresso de Ortov”, 2013.


Vencedor de prémios tais como: Grande Prémio APE de Teatro, 1998, com a peça “O Terceiro Andar”; Prémio Eixo Atlântico de Textos Dramáticos, 1999, com a peça “Seis Mulheres Sob Escuta”; Grande Prémio de Teatro SPA/Novo Grupo, 2004, com a peça “Homem Branco Homem Negro”; a peça “O Construtor” foi seleccionada para o Prémio Europeu de Teatro, 1994, Berlim; Prémio de Ficção do Pen Clube, 2008 e Prémio Ciranda, 2008, com o romance “Anotação do Mal”; Prémio de Poesia do Pen Clube, 2011, com o livro de poemas “Necrophilia”. http://palavracomum.com/jaime-rocha-o-olhar-do-poeta-e-o-primeiro-e-o-ultimo-possivel/








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