expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Quem sou eu

Minha foto
Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Hoje - Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto - A escritora Ilse Losa, – 1913-2006, filha de judeus alemães, presa pela Gestapo - A autora do Mundo em que vivi, contou-nos, falou-me do seu drama, anos 80, como logrou escapar ao campo de concentração e extermínio de Auschwitz, que lhe recordamos, no Dia internacional da lembrança das vítimas do Holocausto, o genocídio cometido pelos nazistas e seus adeptos

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - Declarou-me que “Fui presa pela Gestapo   por ter escrito, numa carta a uma amiga, que o Hitler era um criminoso


Passam hoje, 75 anos sobre o dia 27 de Janeiro de 1945, em que as tropas soviéticas descobriram o campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, o maior da Europa ocupada pela Alemanha nazi e onde foram mortos cerca de 1,1 milhões de pessoas judias, ciganas, poloneses, homossexuais, deficientes, comunistas e outras, durante a II Guerra Mundial. Para que as vítimas não sejam esquecidas, a Organização das Nações Unidas determinou que seria o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
 
Na sua intervenção, da janela do Palácio Apostólico, o  papa Francisco afirmou que é um dever  de memória lembrar o Holocausto:referindo-se ao genocídio em massa de judeus durante a II Guerra Mundial. considerando inadmissível a indiferença, ao recordar os 75 anos da libertação das pessoas detidas no campo de concentração e extermínio de Auschwitz-Birkenau, na Polónia. https://www.dn.pt/mundo/papa-apela-a-memoria-do-holocausto-contra-a-inadmissivel-indiferenca-11750745.html


Em memória de Ilse Losa  -– (1913-2006)  Escritora e tradutora, de origem alemã, de ascendência judia - Excertos de uma entrevista, registada por mim nos anos 80 – 

Não foi mais uma dos milhares de vitimas do regime nazi de Adolfo Hitler, porque logrou escapar-se da gestapo e refugiar-se depois em Portugal, onde viria a casar e a dedicar-se a uma intensa vida literária: de entre os vários livros que publicou, um deles tem por título, o “Mundo em que vivi” Escrito em 1949 ,  que fala de uma criança judia que passou parte da sua infância com os avós. Rose vive no tempo da Alemanha Hitleriana e, como é judia, é perseguida pelos nazis. O livro relata a perseguição aos judeus e o nazismo de uma forma inocente, pois é visto ao olhos de Rose, uma criança.



Na entrevista que me concedeu , em meados dos anos 80, aproveito para hoje recordar alguns excertos das suas palavras,

Declarou-me que foi  presa  por ter escrito, numa carta a uma amiga, que o Hitler era um criminoso. A carta foi intercetada pela Gestapo  e foi presa – Como era ainda jovem e bonita, teve a sorte do soldado da Gestapo, três horas depois do interrogatório, a mandar para casa, com a indicação de que, uns dias depois, seria informada do destino que lhe iam dar – Nesse entre-tempo, aproveitou para fugir para Portugal 


És judia, de facto! Tens olhos claros, cabelo louro?
Eu respondia: sou – Não sei bem explicar mas foi talvez uma questão de uma certa  simpatia, porque, de vez em quando, há alguma humanidade num homem da Gestapo.
Passados três horas, ele mandou-me assinar um papel e disse-me: daqui a seis dias, você terá noticias nossas e vamos ver para onde é que a vamos transportar: nesses dias, deu-me para fugir
Eu vim para Portugal, porque já cá estava um irmão meu e ele veio  para cá porque já estava cá um Tio, nosso

E foi em Portugal que eu escrevi o livro O MUNDO EM QUE VIVI, porque eu não escrevo só para crianças. - Ouça os excertos da entrevista neste vídeo
Ilse Lieblich Losa , de seu nome completo, nasceu em  Buer,  Melle, Alemanhana, em 20 de Março de 1913, faleceu na cidade do Porto, em 5 de Janeiro de 2006, considerada “um dos nomes mais significativos da nossa literatura juvenil, mas cuja obra se estende ao romance, ao conto e à crónica. Vivia no Porto desde 1934, ano em que chegou a Portugal, fugindo da ascensão nazi. 

No dia seguinte à sua morte, o PÚBLICO, referia que, “Embora existam precedentes célebres, não é nada vulgar que alguém consiga tornar-se um autor de reconhecida relevância numa língua com a qual só contactou já na idade adulta. É esse o caso de Ilse Losa, que poucas palavras conheceria em português quando a sua condição de judia a obrigou a deixar a Alemanha e a procurar refúgio no Porto, onde desembarcou em 1934, aos 21 anos. Do tempo que viveu no seu país natal, desde a infância passada com os avós numa aldeia próxima de Osnabrück até à sua fuga de uma Alemanha que acabara de levar os nazis ao poder, deixou-nos um notável testemunho no seu romance de estreia, O Mundo em que Vivi, escrito já directamente em português e publicado em 1949. Ficção fortemente autobiográfica, o livro conta a história de uma rapariga judia, Rose Frankfurter - loura e de olhos azuis, tal como Ilse Losa -, que escapa in extremis ao horror dos campos de concentração. https://www.publico.pt/2006/01/07/jornal/ilse-losa-19132006-uma-escritora-entre-dois-mundos-57080

O Mundo em que em Vivi - Uma das várias obras escritas pela autora – Este livro conta-nos a história de uma menina que, na infância, passara a viver com seus avós na Alemanha dos Kaiser durante  a Primeira Grande Guerra Mundial  e depois com os pais até a eleição de Hitler como Chanceler do Reich. Uma menina judia perante a contradição dos costumes alemães com a tradição no seio de uma família a que pertence. Relata-nos, junto com a avó, como admirava as reuniões aos sábados na Sinagoga, e perguntava porque as mulheres ficavam separadas dos homens, nas cerimónias religiosas, também sentia-se fascinada quando liam o rolo e desfraldavam a bandeira de David na maneira de como era atraída pelas letras hebraicas. – Excerto O Mundo em Que Vivi – Wikipédia,

BIOGRAFIA - lse Lieblich Losa (Melle-Buer, 20 de março de 1913 — Porto, 6 de janeiro de 2006) foi uma escritora portuguesa de origem judaica. Nascida na Alemanha, frequentou o liceu em Osnabrück e Hildesheim e mais tarde um instituto comercial em Hannover. Ameaçada pela Gestapo de ser enviada para um campo de concentração devido à sua origem judaica, abandonou o seu país natal em 1930. Deslocou-se primeiro para Inglaterra onde teve os primeiros contactos com escolas infantis e com os problemas das crianças. Chegou a Portugal em 1934, tendo-se fixado na cidade do Porto, onde casou com o arquiteto Arménio Taveira Losa, tendo adquirido a nacionalidade portuguesa. Em 1943, publicou o seu primeiro livro "O mundo em que vivi" e desde dessa altura, dedicou a sua vida à tradução e à literatura infanto-juvenil, tendo sido galardoada em 1984 com o Grande Prémio Gulbenkian para o conjunto da sua obra dirigida às crianças. Em 1998 recebeu o Grande Prémio de Crónica, da APE (Associação Portuguesa de Escritores) devido à sua obra À Flor do Tempo. Colaborou em diversos jornais e revistas, alemães e portugueses, está representada em várias antologias de autores portugueses e colaborou na organização e traduziu antologias de obras portuguesas publicadas na Alemanha. Traduziu do alemão para português alguns dos mais consagrados autores. Segundo Óscar Lopes "os seus livros são uma só odisseia interior de uma demanda infindável da pátria, do lar, dos céus a que uma experiência vivida só responde com uma multiplicidade de mundos que tanto atraem como repelem e que todos entre si se repelem". Ilse Losa - Wook


Nenhum comentário :