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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Mestre David Levy Lima, famoso pintor cabo-verdiano– “Pinto como respiro” - O mais velho de uma família de artistas plásticos, natural da ilha de Santo Antão. Veio para Portugal aos 17 anos.

Mestre David Levy Lima,  famoso pintor cabo-verdiano– “Pinto como respiro” - O mais velho de uma família de artistas plásticos, natural da ilha de Santo Antão. Veio para Portugal aos 17 anos.


Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador  - -Entrevista gravada

Mestre David Levy Lima, 74 anos,  – “A arte é uma forma de me expressar: pinto como respiro:  quando estou dois dias sem pintar, ao terceiro já estou ouriçado   para  me debruçar sobre a tela.


O artista já conta com diversos prémios e distinções. David Levy Lima já foi convidado para expor na China, em Cabo Verde e em Berlim, Alemanha. Pelas  suas obras impressionistas, passa  o homem e a natureza como unidade.

Aos 12 anos teve a sua primeira experiência,  pintando um quadro  de um moral.  Chegou a Lisboa em 1963, com intenção de acabar os estudos, em Belas  Artes, porém, não tendo  conseguido uma bolsa de estudo, teve de  tirar o curso de eletrotecnia e máquinas  mas foi a pintura a grande opção escolhida ao longo da sua vida, motivado também pelo antigo adido da Embaixada  de Cabo Verde, em Portugal, Gilberto Lopes, filho do poeta  Manuel  Lopes, natural de São Nicolau, São – 23-12-1907- 25-01-205  ficcionista, poeta e ensaísta, um dos fundadores da moderna literatura cabo-verdiana e que, com  Baltazar Lopes da Silva e Jorge Barbosa 


Aliás, a pintura, está presente na família desde sempre, começando pelo pai, funcionário público: “Na época era difícil, quase impossível, dedicar-se exclusivamente à pintura; eu fui o primeiro e depois vieram os meus irmãos, mas a arte está presente em todos os outros, mesmo quando se dedicam a profissões como agronomia”

“Três irmãos, três pintores, três artistas David Levy – Já foi tema de uma exposição na Galeria de Arte no Casino do Estoril, apresentada pelo diretor deste prestigiado espaço, o saudoso Dr. Lima de Carvalho

A breve entrevista,  ocorreu, ocasionalmente, numa tarde ensolarada de Outono, em Setembro passado, no seu atelier,  em São Pedro do Estoril  quase  debruçado sobre a imensidade do azul do atlântico, tema de inspiração para muitas das suas obras impressionistas, ou não fosse ele um cabo-verdiano, natural da Ilha de Santo Antão, radicado no concelho de Cascais,  desde há cerca de 50 anos.




David Levy Lima: "O mais importante para mim são as pessoas

Apesar de ter um estilo figurativo eclético nos seus motivos, Cabo Verde continua sendo a sua principal fonte de inspiração. “Para mim o mais importante são as pessoas, as suas vidas, o movimento também.” Temas que se cruzam em obras representativas das ilhas e mesmo de Portugal. Como é que os Cabo-verdianos e os Portugueses vêm a sua obra? “Da mesma maneira”, responde. O importante, explica, “É as pessoas identificarem-se com aquilo que estão a ver”. – Declarou numa outra entrevista a propósito de uma exposição que ia apresentar em Cabo Verdehttps://noticias.sapo.cv/actualidade/artigos/david-levy-lima-o-mais-importante-para-mim-sao-as-pessoas

Pela sua oficina, perpassaum espaço recheado de cor e memórias - sob a forma de catálogos de exposições, livros de arte, biografias de pintores, e muitas telas, sobretudo as suas próprias pinturas a óleo, umas de criação própria, outras nascidas por encomenda". – Tal como é referido no site da CM de Cascais.

Sublinhando que “retratam pedaços de paisagens, as ruas com gente, a enseada da Casa de Santa Maria, as arribas da costa, promontórios, vales e montanhas cabo-verdianas, mas também retratos de músicos, crianças em roda, a baía de Cascais com pequenos barcos, pormenores dos bairros de Lisboa antiga, os elevadores, o Terreiro do Paço visto do rio, cacilheiros…
  
Em quase todos os quadros há a constância de um azul tranquilo, em vários matizes, completado com pinceladas de cores quentes, traços espessos e finos, que
definem a sua pintura. “Pinto húmido sobre húmido, não deixo secar”, adianta. A desarrumação do espaço onde trabalha, atolado de documentação tão variada, pinceis, telas virgens, frascos, jornais, não intimida os visitantes – muitos estrangeiros - que perguntam pelo preço de um quadro ou questionam o artista sobre o paradeiro de uma tela que lhes ficara na memória. O pintor não sabe o paradeiro de muitas obras, levadas por curiosos e colecionadores que passam por Cascais.
 
 
O homem e a natureza formam uma unidade na pintura de David Levy Lima que, em 2010, integrou uma exposição de pintura de artistas de Cabo Verde, patrocinada pelo Ministério da Cultura. O artista plástico é descrito no catálogo como “um pintor de finíssima têmpera que tem trilhado a senda do impressionismo de uma forma magistral e triunfal”. Como se nas suas obras, impressionismo e abstrato funcionassem numa dialética, que advém de uma “técnica apurada e depurada expressividade”, em que uma paisagem humana vista de longe, por exemplo, emite profundidade e perspetiva em infinitos pormenores.

No currículo do pintor não têm conta as exposições individuais e coletivas, em Portugal e no estrangeiro. David Levy Lima conta ainda com diversos prémios e distinções, mas guarda com particular emoção o convite que recebeu da China como artista convidado. Durante três semanas recrearam-lhe o ateliê para que desse largas ao talento… No baú das boas memórias David Levy Lima conta a participação em “The art of tolerance” uma exposição coletiva promovida pelo município de Berlim, em que artistas de todos os países pintaram, a seu modo, o famoso urso símbolo da cidade.
 
Pintura - reforça o artista sobre a expressão das suas telas - “é emoção, sentimento, instinto. Qualquer quadro começa aqui [na mente].” Olham-se as telas e “as escritas, as grafias” do pintor são outras, ainda que o azul permaneça. No processo criativo, há, por vezes, o crivo das obras feitas por encomenda, que o artista não desdenha: “Com as encomendas há uma disciplina interior para abordar os temas que talvez não goste tanto, mas obrigam-me a investigar, a estudar”.
  
Apesar de várias obras serem vendidas a quatro dígitos, o artista plástico confessa-se “um teso” e justifica: “compro muito material, tenho pavor de não ter material!” . E, não tendo agente (não gostou das duas experiências em que teve) ele próprio trata de toda a logística da arte, passando hoje uns 25% do tempo a pintar. O método é aparentemente simples: o momento, a emoção de cada momento calibra o traço e a paleta do artista, num percurso que
o próprio diz que faz “da generalidade para a especificidade, de uma forma aberta vou traçando uma rota”. Porque o essencial, reflete, “é a determinação em fazer as coisas; porque há quem possa e não queira; e há quem faça mais do que se espera ou que pode, apenas porque quer”
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https://www.cascais.pt/pessoa/david-levy-lima





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