expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Quem sou eu

Minha foto
Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Ricardo Dinis – O navegador solitário, do mar sem fim, que evoca as epopeias marítimas dos bravos aventureiros portugueses das caravelas – Uma das quais a viagem de Fernão de Magalhães - Somos um pais com a tradição do maior passado histórico por mares nunca dantes navegados, todavia, no livro de “OS NAVEGADORES SOLITÁRIOS”, de Jean Merrien, que primeiramente sulcaram os oceanos, não consta nenhum valoroso nome português –


 Jorge Trabulo Marques - Jornalista




Ricardo Dinis é um exemplo singular, na atualidade, de coragem dos  portugueses que, voluntariamente,  se aventuram a grandes travessias oceânicas,  solitárias e em veleiros: nas docas portuguesas,  existem bons barcos à vela,  atracados, de excelentes linhas, bem aparelhados e equipados, contudo, mais deles, limitam-se a passeios costeiros ou de simples veraneio e não optam pela aventura solitária através das vastas extensões oceânicas: sim, como diz Jean merrien, navegador e escritor francês especializado em história marítima, “os yachtmen, os que se recreiam no mar, não são marinheiros ou desportistas: são proprietários de Yachtes, como se possuiu um automóvel”

Ricardo Dinis nasceu em Lisboa, em 3 de Fevereiro de 1977 e, certamente, logo de menino, com os olhos a postos no Tejo e a perscrutarem o sonho do rumo que tomam os barcos quando a vista deixa de os alcançar para além da linha do horizonte, partindo ao encontro de outras terras e de outros portos e de outras gentes –   Talvez na senda do que diz o poema de Fernando Pessoa, no heterónimo de Alberto Caieiro, de que  “O Tejo é o mais belo rio que corre pela minha aldeia... do tejo vai-se para o mundo... para além do Tejo há América  E a fortuna daqueles que a encontram.”


Ele em que, segundo refere a sua biografia,  “Os fins de semana eram passados na Costa da Caparica na casa da Avó Adelaide e do Avô Emídio. Com apenas cinco anos juntou-se ao Pai, que trabalhava em Londres, A sua vida lá foi feliz mas não foi fácil, até porque, “…as saudades de Portugal eram imensas e dolorosas.”

Com 8 anos a família levou-o a Greenwich, num passeio de fim de semana. A ideia era mostrar-lhe a “Cutty Sark”, um navio que décadas antes ostentara a bandeira de Portugal. Mas o jovem Ricardo não ligou muito àquela embarcação, preferindo a “Gipsy Moth IV”, ali mesmo ao lado, um pequeno veleiro com quem essa lenda da vela, Sir Francis Chichester, realizou – sozinho a bordo – a volta ao mundo à vela sozinho nos anos 60. Com a curiosidade própria de uma criança, o Ricardo quis saber tudo sobre aquele homem e seu veleiro. Enquanto regressavam para casa, o Ricardo afirmou, firme, que “um dia também vou ser navegador solitário!” - Pormenores mais à frente

Não se compreende a razão pela qual se terá perdido a paixão pela aventura marítima –  E tantos foram aqueles tragados pela fúria das vagas! - Se bem que voltássemos  a ser pioneiros nos ares.


Em 1922, Gago Coutinho e  Sacadura Cabral, depois de todas as terras terem sido descobertas, de todos os mares terem sido navegados, entenderam que chegara  a vez de explorar os ares por onde nenhum ser humano tinha estado, desafiando rotas cada vez mais longas e arriscadas. Nomeadamente a travessia Lisboa-Rio de Janeiro. a primeira em vovo aéreo do Oceano Atlântico com navegação astronómica, e primeira do Atlântico Sul.  

No entanto, o facto de não constar qualquer nome,  na lista dos pioneiros solitários,na navegação solitária,  tal não significa que não tenha havido portugueses, nomeadamente pescadores,  que, em pequenas embarcações e tendo-se afastado da costa, por força de tempestades ou mesmo do barco para onde recolhiam o pescado, não acabassem por  fazer longas travessias.Pois,  como reconhece ainda o autor de “Os Navegadores Solitários”, “ninguém  se pode vangloriar de ter sido o primeiro navegador solitário: desde que existem embarcações – de pesca ou de salvamento – têm existido marinheiro que ou sem querer, partiram ou se acharam sozinhos.

Na idade média, em Espanha, chegou uma dia à costa um “homem  vermelho e estranho” num tronco de árvore”. Segundo a descrição, que esclarece não ser um homem negro, trata-se de um americano numa piroga. Como teria chegado ali? Desviado por alguma tempestade? Como tinha subsistido? Conheceria o meio descoberto pelo Dr. Alaim Bombard de extrair água dos peixes? Esse conhecimento explicaria a descoberta e o povoamento das ilhas perdidas no pacífico, como a Ilha de Paques.

FOI UM CAPITÃO ALEMÃO QUE QUIS SERVIR-SE DA COSTA PORTUGUESA PARA A PRIMEIRA TRAVESSIA VOLUNTÁRIA NUM PEQUENO  CAIAQUE. – Em 1952

É  ainda o autor de “OS NAVEGADORES SOLITÁRIOS” a   bíblia dos aventureiros solitários da era moderna, a referir que  “a primeira travessia de caiaque Klepper, batizado Deutsches Spor, foi feita pelo capitão de origem alemã Franz Romer, que perseguia um objetivo científico e altruísta para demonstrar  que era possível sobreviver no mar largo, no seio do  oceano e alcançar a terra em um barco minúsculo. 


Tal como, mais tarde, em 1952, o fez num bote de borracha,  Alain Bombard, um médico francês de trinta e poucos anos, determinado a mostrar ao mundo que é possível sobreviver no mar sem comida, monido  apenas  de um sextante, uma linha de pesca, uma faca, uma rede de plâncton e algumas bugigangas.


Em 19 de outubro de 1952, Bombard iniciou sua viagem solitária, depois de visitar sua filha recém-nascida na França, através do Atlântico, para as Índias Ocidentais .  Bombard navegou em um barco inflável do Zodiac chamado l'Hérétique, que tinha apenas 4,5 metros de comprimento, exigia apenas um sextante e quase nenhuma provisão..
https://en.wikipedia.org/wiki/Alain_Bombard

A sua proeza visava afirmar que a maioria dos náufragos,  desmoralizados e afetados pelo desespero, acabam por se resignar à sua fatalidade e sucumbir, mais  por esse motivo  do que propriamente por falta dos recursos que o mar lhes  poderia oferecer: demonstrando que  a sobrevivência no mar é possível, bebendo água da chuva, um pouco de água do mar e sangue  de peixe, que não é salgado, comendo peixe cru e plâncton filtrado (fonte de combatente da vitamina C escorbuto)

Este foi também um dos meus objetivos, em Outubro  de 1975, quando fui largado numa frágil piroga, apenas munido de uma simples bússola,  um pouco a Norte da ilha de Ano Bom, localizada no Atlântico Sul, a 350 km da costa oeste do continente africano e 180 km a sudoeste da ilha de São Tomé  e Príncipe, que me levaria a uma dificil luta de sobrevivência, ao longo de 38 dias, a que já me referi  no meu site, “Odisseias nos mar”, que é justamente onde agora desejo destacar as proezas do navegador português,  Ricardo Dinis. 

RICARDO DINIS -  O SONHADOR QUE DESEJA SER EMBALADO PELA DANÇA E SONORIDADE DAS ONDAS

Em declarações a uma rubrica desportiva da TVI, Ricardo Diniz fez questão de esclarecer que não existe uma lógica desportiva no que faz. «O meu desporto são as ondas, não é a vela. Na Costa da Caparica faz-se surf ou bodyboard, não é vela e o meu pai nem sabe nadar» - Sim, mas seu pai, João Paulo Dinis (homem da Rádio e Televisão) é também é um aventureiro à sua maneira: pois foi nele em que, os militares  da Revolução de Abril,  confiaram  aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa,  a primeira senha para o arranque do Movimento das Forças Armadas que tinham como missão libertar Portugal do regime totalitário em que esteve mergulhado durante 48 anos.

A senha foi dada por João Paulo Diniz  ao colocar às 22 horas e 55 minutos do 24º dia do mês de Abril de 1974 a canção vencedora do Festival RTP,  o tema  “E Depois do Adeus, da autoria de José Niza e de José Calvário, na voz de Paulo de Carvalho.

Para o navegador Ricardo Dinis,  «Aquilo que me moveu sempre foi uma enorme paixão ao mar e a Portugal. Foi isso que me levou a encontrar formas de juntar as duas paixões de maneira útil, sempre com o objetivo de alcançar a excelência em nome de Portugal».https://tvi24.iol.pt/mais-longe-e-mais-alto/reportagem/um-miudo-sonhador-a-rescrever-a-historia-de-magalhaes-contra-ventos-e-mares
SULCANDO A VASTIDÃO DOS GRANDES OCEANOS 
"Até hoje Ricardo Diniz já navegou o equivalente a quase quatro voltas ao mundo à vela, com mais de 100.000 milhas navegadas. Fruto da sua rica criatividade, dedicação, espírito de sacrifício e capacidade de concretização, o Ricardo já desenvolveu inúmeras Expedições e Missões, confirmando a sua tremenda paixão pelo Mar e, acima de tudo, por Portugal.

Todos os seus projectos têm como objectivo celebrar, promover e honrar algo de muito Português. Para mencionar alguns, em 2005, fez o Lisboa-Dakar à vela, ao mesmo tempo que o famoso rally, para reforçar a importância das energias renováveies e de como Portugal precisava investir mais nesta área. Em 2006, navegou entre Portimão e Londres com uma garrafa de Vinho do Porto (Taylor’s, obviamente) para oferecer à Rainha Isabel II, para sublinhar os seus 80 anos de vida, quando se assinalavam os 250 anos da criação da Região Demarcada do Douro e para celebrar a Aliançã Mais Antiga Da História. Em 2012 circum-navegou a Zona Económica Exclusiva de Portugal, a maior da Europa e uma das maiores do mundo, estando no mar 24 dias sem nunca ver terra, para chamar a atenção para o imenso potencial daquele Mar, tão Português. Mais recentemente, em 2014, navegou sozinho entre Lisboa a Salvador da Bahia num tributo à Selecção Nacional, presente no Mundial de Futebol, a quem ofertou uma Bandeira de Portugal e uma enorme garrafa de vidro feita na http://ricardodiniz.com/bio/

DAR VOLTA AO MUNDO EM CATAMARÃ AO MUNDO COMO MAGALHÃES –RICARDO DINIS NA PEUGADA DE UM SONHO – QUE DURARÁ TRÊS ANOS

O projeto foi anunciado, em Fevereiro do ano passado, pelo que é natural que, Ricardo Dinis, já tenha zarpado com proa à sua arrojada aventura

 - 07/02/2019Cinco séculos depois de Fernão de Magalhães ter iniciado a primeira circum-navegação da Terra, outro velejador português prepara-se para dar a volta ao Mundo em homenagem ao histórico navegador. Ricardo Diniz vai partir para esta aventura a 20 de setembro de 2019, precisamente no dia em que faz 500 anos que Magalhães iniciou a viagem, então financiada pela corte espanhola

Em entrevista ao jornal “Diário de Notícias”, Diniz explica que o objetivo desta viagem em redor do Mundo tem como objetivos “dar a conhecer a história de Magalhães, promover Portugal e alertar para a importância de cuidar do mar”. A viagem vai ter início em Sevilha, ao contrário da de Magalhães que se iniciou em Sanlúcar de Barrameda, em Cádis.
A evolução dos tempos faz com que os meios sejam bem distintos da altura. Ricardo Diniz fazer esta viagem a bordo de um catamaran moderno. A viagem deverá durar cerca de três anos e será vegana, ecológica, terá yoga a bordo. O velejador português vai contar com uma tripulação internacional e com convés aberto à entrada de convidados que vão poder cumprir etapas da viagem.

Ricardo Dinis com o seu único companheiro
Ricardo Diniz deseja igualmente dar a conhecer melhor a história de Fernão de Magalhães ou, pelo menos, não a deixar cair em esquecimento, atirando que Portugal vive “obcecado” com Vasco da Gama. Sinto que ele é uma espécie de herói esquecido em Portugal. O mundo reconhece-o e aprecia-o muito mais. Magalhães é nome de marcas de roupa, de fundos de investimentos, de inúmeros barcos, de marcas de GPS e até de crateras na Lua e programas espaciais da NASA”, afirmou ao DN.
“Nós, em Portugal, vivemos muito obcecados com Vasco da Gama. Só em Lisboa tem o seu nome numa ponte, num centro comercial, num aquário, num jardim... Claro que o que ele conseguiu [descoberta da rota marítima para a Índia] foi muito importante e trouxe imensa riqueza ao país, mas por outro lado Magalhães provou muita coisa, abrindo novos caminhos, e mostrou coragem, liderança, visão e determinação até ao final da sua vida. Esses são valores essenciais ao mundo de hoje. E o exemplo de Magalhães ajuda a transmiti-los”, defendeu. https://beachcam.meo.pt/newsroom/2019/02/portugues-da-volta-ao-mundo-500-anos-depois-de-magalhaes/

COM UM APOIO DE PESO  - “3,5 milhões de euros para replicar circum-navegação de Magalhães” -  Desejo-lhe que seja bem sucedido


"Elon Reeve Musk, o patrão do Tesla, da SpaceX e da SolarCity ou uma das maiores empresárias portuguesas ou ainda a maior gestora angolana, são os possíveis sponsors de Ricardo Dinis, o navegador solitário português que se propõe reproduzir – ao longo dos próximos três anos – a rota de circum-navegação de Fernão de Magalhães e de Juan Sebastian Elcano, concretizada há 500 anos.

O mais recente almoço-debate do International Club of Portugal (ICPT) foi o palco escolhido por Ricardo Dinis, jornalista mas sobretudo navegador, que ao longo dos últimos 20 anos representou marcas que querem afirmar-se no mundo. https://www.vidaeconomica.pt/vida-economica-1/publicacoes/edicao-num-1776-do-vida-economica-de-04032019/negocios-e-empresas/135-milhoes-de-euros-para-replicar-circum-navegacao-de-magalhaes

Nenhum comentário :