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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

UNESCO – Deveria reconhecer o Auto do Tchiloli em S. Tomé e o Auto de Floripes na Ilha do Príncipe, a Património da Humanidade – Ideia defendida por Inter-Mamata, o repórter fotográfico mais antigo das Ilhas Verdes do Equador , - Este um dos objetivos da exposição que recentemente apresentou em Lisboa, no espaço da Fundação G7+

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador










Depois de ter apresentado um conjunto de 35 fotografias, no  Centro Cultural Português e no Centro Cultural do Brasil, em S. Tomé, o repórter sénior da Agência de Notícias STP-Press, quis também apresentar a mesma exposição,  no salão nobre do G7 + na capital portuguesa,  organização internacional, intergovernamental, que tem por objetivo promover a entreajuda de alguns dos países mais vulneráveis do mundo, com a  sua sede europeia em Lisboa.
A referida exposição, que foi inaugurada no dia 21 de Dezembro, ou seja, na data em que se comemoravam quase cinco céculos e meio após a chegada dos navegadores portugueses, à Ilha de S Tomé, por João de Santarém e Pero Escobar, terminou no passado dia 30, com um conjunto de fotografias que mostram a arquitetura, o folclore e demais aspectos do património cultural de São Tomé e Príncipe.


Em declarações que nos prestou, no  dia do encerramento , Inter-Mamamata, disse-nos que a sua exposição deverá ser também apresentada no Gabão, na Guiné Equatorial, em Cabo Verde e em Angola.

Entre os objetivos, confessou-nos, que, além de ser uma forma de prestar homenagem ao grande mestre da fotografia santomense,  Ramos Costa, considerado um dos primeiros grandes repórteres de STP,  de quem recebeu valiosos ensinamentos,  extensivos também  a muitos santomenses que procuravam  instruir-se na arte da fotografia, pretende, igualmente,  com as sua exposição itenerante, chamar atenção para a importância do Património cultural  do seu país.. 
fotojornalista santomense, Inter-Mamata, defende que, depois da UNESCO,  ter declarado morna, género musical típico de Cabo Verde Património Imaterial Cultural da Humanidade,  que as representações teatrais  populares  de a tragédia do Imperador Carloto Magno e do Marquês de Mântua, bem como o  Auto de Floripes, no Príncipe, deveriam merecer igual cliassificação. .
Sem dúvida, uma das mais importantes manifestações do teatro popular em África, sendo uma  das formas signficativas de expressão da cultura santomense, que exploram,  simultaneamente,    a música, o movimento e o corpo como dispositivos de comunicação, .baseadas  no texto quinhentista do poeta madeirense Baltasar Dias, julga-se que trazidos pelos mestres dos engenhos de açúcar para aqui deslocados. No entanto, ao longo dos tempos, a população local apropriou-se destas representações, construindo um espetáculo seu, geralmente representado em pequenos terreiros das comunidades e sempre muito paricipado e apareciado.

Peças teatrais, interpretadas em português antigo e moderno por companhias locais, constituídas somente por homens, com um anacronismo assumido, colocando  em cena escravos e mestiços, mascarados e fantasiados ao estilo europeu, em movimentos, ao mesmo tempo,  compassados,  subversivos e místicos, numa  expressiva  encruzilhada de várias tradições religiosas e pagãs. .






INTER-MAMATA – UM MESTRE DA FOTOGRAFIA SANTOMENSE



47 anos de profissão e 43 de comunicação social, estes os anos dedicados à fotografia de S. Tomé e Príncipe, pelo repórter António Amaral, mais conhecido por Inter-Mamata, uma referência na fotografia e no jornalismo em S. Tomé Príncipe: sem dúvida, a sensibilidade e a humildade de um talentoso fotojornalista, que, tem feito da sua vida, um verdadeiro sacerdócio em prol da divulgação, através da imagem fotográfica, não só dos acontecimentos mais importantes do seu país, como do património paisagístico, artístico, cultural, religioso e  histórico – Ele está sempre onde o momento ou o instante deve ser perpetuado  - Os nossos parabéns por mais esta intessantissima exposição. 


Elísio Neto – Um santomense que ama a Guiné Equatorial onde viveu muitos anos
Emigrou para a Guiné Equatorial, em 1986, país onde foi empresário e desempenhou o cargo de Cônsul de S. Tomé e Príncipe, em Bata, tendo, durante os anos que ali viveu, contribuído para a fixação de muitos dos seus compatriotas, que ali foram procurar um melhor nível de vida.

Fomos encontrámo-lo em Lisboa, no dia do encerramento da exposição do fotojornalista santomense, Inter-Mamata, que apresentou, em Lisboa, no salão nobre do G7+
Falou-nos do seu sucesso naquele país do Golfo da Guiné e de algumas das suas memórias que guarda dos bons tempos que ali conheceu, bem como das suas iniciativas, a nível da agricultura, que está a desenvolver na antiga roça Água Izé, em S. Tomé
Video gravado em Novembro de 2014 -

Diálogo com Inter Mamata - Nov de 2014 – , o Jornalista e repórter fotográfico, natural da Ilha da ilha Bioko( ex-Ferando Pó), mas desde criança em S. Tomé, seu pais adotivo e sua terra muito querida – É uma figura muito estimada e muito popular nas Ilhas Verdes do Equador. Com um notável currículo jornalístico – 

Foi ele que testemunhou o meu agradecimento ao Presidente da Guiné Equatorial, na Cimeira da CPLP no Centro Cultural de Belém, em 2008, numa reunião da CPLP, por me ter poupado de ser condenado à forca na prisão Black Beach (Espanhol: Playa Negra, na capital de Malabo, uma das cadeias mais sinistras de África, onde havia sido encarcerado por suspeita de espionagem, quando ali aportei após os meus 38 longos e penosos dias à deriva numa piroga - 

Felizmente, acabaria por acreditar na minha versão e de me poupar a tão horrível morte. Neste brevíssimo vídeo com Inter Mamata, não cheguei , no entanto, a recordar aquele meu encontro, que ele fotografou com Obiang, senão noutro posterior momento amistoso, mas apenas para lhe prestar a minha singela homenagem a um excelente profissional e um dedicado santomense, que colaborou com a distribuição da revista Semana Ilustrada, quando eu era ali correspondente desta revista angolana, que, segundo ele, acabaria de o motivar para abraçar a carreira do jornalismo – Sendo, atualmente, além de fundador da Rádio Jubilar, jornalista e repórter fotográfico da Agência RTP-Press e colaborador do Téla Nón


Finalmente, 38 dias depois junto a frondosa Costa
Mal me arrastava de fraqueza mas sentia-me como se estivesse a viver as aventuras de um inesperado Robinson Crusoe - E, mesmo ainda hoje, não sei se sentiria vontade de sair dali tão cedo. Porém, quando me apercebi de que havia um carreiro, muito batido, que ali desembocava e que poderia ser sinal de que a praia não era totalmente selvagem (de resto, pouco depois do nascer do sol e antes de a abordar, já ali tinha visto, na pequena língua do negro areal, um homem à cata de ovos de tartaruga) pelo que não tive outro remédio senão seguir aquele mesmo careiro, que me levaria a uma finca  - à sede de uma plantação de cacau.  Tal facto, ia-me custando a vida.


Macias era mesmo um Dabo

Tomado por espião e depois de ter passado a primeira noite nos calabouços de uma esquadra, fui transferido algemado para a cadeia central, o famigerado  cárcere,  no qual foram encarcerados, torturadas até à morte  centenas de pessoas - Da minha miserável e nauseabunda cela, pessoalmente pude testemunhar os gritos lancinantes de sofrimento e de pavor de algumas dessas vitimas, ao serem espancadas  pouco antes de serem enforcadas, o que acontecia todos os dias a partir da meia-noite.stante fraco...

.Uns dias depois de ali ter sido encarcerado, fui conduzido ao edifício do Comando da Polícia e das Forças Armadas (aliás, contiguo à cadeia) onde se encontrava, Teodoro Obiang, sendo ele, então, o supremo  comandante,  que me mandou chamar ao seu gabinete - Foi o primeiro gesto de cortesia que eu encontrei a nível das autoridades policiais - Estou ainda hoje  plenamente persuadido de que foi ele que me salvou de ser condenado.  -
MAIS PORMENORES EM  HTTP://WWW.ODISSEIASNOSMARES.COM/2012/08/BIOKO-VISTA-ILHA-DO-DIABO-FRANCISCO.HTML


"Foram navegadores portugueses os primeiros europeus a explorar o golfo da Guiné, em 1471. Fernão do Pó situou a ilha de Bioco nos mapas europeus nesse ano, ao procurar uma rota para a Índia: ele baptizou a ilha Formosa (no entanto, foi no início conhecida pelo nome de seu descobridor).

Em 1493, D. João II de Portugal proclamou-se, juntamente com o resto dos seus títulos reais, como Senhor da Guiné e o primeiro Senhor de Corisco. Os Portugueses colonizaram as ilhas de Fernando Pó, Ano Bom e Corisco em 1494, e converteram-nas em postos para o tráfico de escravos.

Fernando Pó - 1771
As ilhas permaneceram em mãos portuguesas até Março de 1778. Depois do Tratado de Santo Ildefonso (1777) e do Tratado de El Pardo (1778), as ilhas foram cedidas a Espanha, juntamente com os direitos de livre-comércio num sector da costa do Golfo da Guiné entre os rios Níger e Ogoué. Em troca, Portugal recebia garantias de paz em diversas zonas de influência da América do Sul, como a retirada espanhola da Ilha de Santa Catarina e a demarcação de fronteiras no Brasil, mas renunciava à Colônia do Sacramento e aos direitos sobre as Ilhas Marianas e Filipinas. Em 1909, as colónias espanholas de Elobey, Ano Bom, Corisco, Fernando Pó e Guinea Continental Española foram unidas sob uma administração única, formando os Territorios Españoles del Golfo de Guinea ou Guinea Española. Em 1935, a colónia foi subdividida em dois distritos: Fernando Pó (a ilha de Ano Bom, com a capital Santa Isabel) e Guinea Continental (com a capital Bata, e as pequenas ilhas de Corisco e Elobey). Em 1960, os dois distritos tornaram-se províncias ultramarinas de Espanha e designadas Fernando Póo e Rio Muni. Em 1963, as províncias foram combinadas na região autónoma da Guinea Ecuatorial e, finalmente, em 12 de outubro de 1968, tornaram-se num país independente.


Foi governado por dez anos, na década de 1970, por Francisco Nguema, que assassinou milhares de opositores. Nguema usou a ignorância do povo e muita propaganda para se manter no governo pelo terror, até que foi deposto, em 1979




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