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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

SPORTING – HOJE ÀS 17-45 – NA TURQUIA COM O BASAKSEHIR - PARA MANTER OU SUPERAR A VITÓRIA EM ALVALADE?


LEÕES COM OS TURCOS PARA  MANTER OU SUPERAR A VITÓRIA EM ALVALADE? – 3-1   Veio saber-se, depois do jogo, que, afinal, a equipa leonina desperdiçou a oportunidade de seguir em frente - Perdeu por 4-1 em Istambul e está fora da Liga Europa.  Um penálti já perto do fim do prolongamento deu a vitória ao Basaksehir. Com um resultado agregado de 5-4, o Sporting está fora da prova europeia





Diziamos, nós; Sporting defronta esta tarde,  a equipa turca, que  é um adversário a  respeitar  –– Basaksehir, lidera agora o campeonato de futebol do seu pais, depois do triunfo diante do Rizes por, por 2-1 – Espera-se, pois, que os leões mantenham a juba bem levantada para passar aos oitavos da final da liga da Europa mas a tarefa 

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Embaixador do Brasil, Alberto da Costa e Silva - Lisboa 1990 "Um diplomata é como um soldado! - Ele está ao serviço do seu pais onde o governo considere adequado” - E o atual orador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Prémio Camões de 2014 com quase 89 anos, africanista, poeta, memorialista, ensaísta e historiador, um dos mais importantes intelectuais brasileiros e especialista na cultura e na história de África, com mais de duas dezenas de obras, serviu o seu pais 38 anos, em diversos cargos diplomáticos



JORGE TRABULO MARQUES - EM MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER DA EXTINTA RÁDIO COMERCIAL-RDP -  
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Entrevista ao Embaixador Brasileiro, Alberto da Costa e Silva, que me concedeu, em 1990,   na Embaixada do Brasil, em Lisboa, para a Rádio Comercial-RDP, que hoje aqui recordo, com muito gosto, embora nalguns minutos finais, a cassete, dada a sua antiguidade,  denote alguns sinais de sobreposições anteriores, sim,   em mais uma das várias centenas de registos sonoros, com várias figuras públicas  portuguesas e dos PALOP, além de muitas outras a pessoas anónimas, bem como  entrevistas a presidiários,  assim como inumeros apontamentos de rua

 “Alberto da Costa e Silva nasceu em São Paulo no dia 12 de maio de 1931,  além da sua carreira diplomática de 38 anos e da sua vasta obra literária, representou o Brasil em numerosas reuniões internacionais, tendo sido delegado do Brasil na reunião da Comissão Económica das Nações Unidas para a África, em Adis Abeba, em 1961; representante pessoal do Ministro das Relações Exteriores nos encontros ministeriais, realizados em São Domingos, em 1984, pela Organização dos Estados Americanos, para a preparação das comemorações do V Centenário do Descobrimento da América; e representante pessoal do Ministro das Relações Exteriores na Reunião dos Ministros das Relações Exteriores do Mecanismo Permanente de Consulta e Concertação Política (Grupo do Rio), em 1991”. 
 Alberto Costa e Silva – "Não é fácil conciliar a vocação de poeta a nada!.. Acho que o mais difícil que há é a gente ser poeta!.. Qualquer poeta precisa de ócio! E, a vida profissional, o mundo contemporâneo, pouco ócio nos dão! Por isso é que eu tenho uma admiração, muito grande pelos poetas que conseguem escrever decentemente - Declarou-me, entre outras confissões, numa honrosa e amável entrevista, que me concedeu, em 1990, no seu gabinete da Embaixada do Brasil, em Lisboa,  no termo da sua missão, em Portugal, antes de partir para a Bogotá, Colômbia - 

Questionado sobre se não receava ir para um pais de conflitos, onde há problemas com os narcotraficantes, começou por me declarar ter tido “uma grande alegria! Uma grande felicidade de passar estes quatro anos e meio em Portugal! Está terminando  este período: um embaixador brasileiro, só pode ficar, por li, cinco anos num determinado pais. De uma maneira geral, até ficam menos tempo, três quatro anos: Eu tive a felicidade de ficar quatro anos e meio.

Eu estou indo para a Colômbia! E não é   isso o que Sr. está dizendo: a  Colômbia é um pais belíssimo! É uma das paisagens mais belas do mundo! A sua capital de Bogotá, sempre foi considerada, desde o século XIX,  a capital mais culta do continente americano! É a cidade com mais livrarias, depois de Londres! É uma cidade com extraordinárias tradições culturais! A Bogotá é considerado Atenas das Américas!
É um país extremamente culto com uma tradição artísticas, literária e filosófica extremamente importante! É um país muito rico! É um país que tem 80 relações com o Brasil! Relações que nós temos procurado, nos últimos anos, ampliar, acrescentar!  É um pais que faz fronteira com o Brasil, com o qual nós temos um importantíssimo programa  densamente fronteiriço !Um país muito importante para o Brasil e, quero querer, também para o continente americano
Referindo-se depois às relações do Brasil com Portugal, disse que as relações entre os dois países cresceram muito! Basta dizer que, nos últimos anos, o Brasil, se tornou um grande investidor em Portugal: o ano passado, nós fomos o 4º país investidor em Portugal! É possível que, no decorrer deste ano, alcancemos o terceiro lugar: nós estamos consolidando uma posição económica importante e Portugal também no Brasil!
Os investimentos em Portugal, que, tradicionalmente já eram altos, já eram importantes,  têm também crescidos! E também o crescimento do comércio! Embora o nosso comércio ainda seja modesto para a intensidade das nossa relações, na realidade, o ano passado experimentou um crescimento de quase 100%! O que é um crescimento muito considerável!
JTM – Como é que explica a vida de muitos brasileiros para a Europa,e especialmente para Portugal? A que é que se deve esse facto?
Costa e Silva -  Na realidade, o Brasil se está internacionalizando:o Brasil, até há uns poucos anos,  era um país fechado sobre si mesmo! Mas, de há uns cinco seis anos para cá, objetivamente, as empresas brasileiras foram conquistando espaço, no mundo internacional! Nos negócios, nos investimentos! Na indústria, em tudo isso! E também os brasileiros começaram a viajar e  a instalar-se no estrangeiro.
O Brasil atravessa um processo de internacionalização, muito semelhante àqueles pelo qual passaram os Estados Unidos nos anos 10 e nos anos 20 deste século
JTM – Ainda em relação a esta situação, digamos, à chamada  crise económica com que se tem debatido o Brasil, eu gostaria de me referir aqui a uma afirmação do Sr. Embaixador, que diz   – já o afirmou algum tempo – que a crise económica no Brasil é perfeitamente explicável! Diz que é conjetural! Diz que o Brasil é a 7ª potência económica  do mundo! E que, os números do envelhecimento são espantosos! – Concorda com isso?
Costa e Silva -  O Brasil continua a crescer! A crise do Brasil é mais financeira que propriamente económica! É mais uma crise monetária de que de produção! A produção brasileira continua a crescer O Brasil continua a desenvolver novos espaços!
O Brasil é o segundo país exportador de alimentos do mundo! Nós continuamos a ter o 3º   super habite comercial do mundo! E nós somos os primeiros produtores de uma séria de artigos! E os segundos produtores de outra série de artigos! Os terceiros produtores mundiais numa série  de artigos! Nós hoje produzimos aviões, desde os produtos tradicionais, como o café, o açúcar, o algodão Até aviões! Até computadores! Até produtos industriais da mais completa sofisticação!
JTM – Sr. Embaixador! Tudo isso é muito bonito mas fala-se de uma grande inflação, que afecta nomeadamente as classe s mais desfavorecidas! Como é que explica isso? – E já agora gostaria também que me desse a sua opinião do atual Presidente da República.
Costa e Silva – Acho que o Governo está fazendo todo o esforço  para conter a inflação! A inflação é o grande problema brasileiro e não é um problema novo! É um problema que já se arrasta há mais de 25 anos!  E que, nestes últimos anos, tomou contornos de realmente alarmante! O problema brasileiro é realmente o problema inflacionário! E que nós estamos procurando fazer todos os esforços  para conter! Mas isso não quer dizer que, pelo facto do Brasil ter uma grande inflação, o Brasil deixe de ter uma grande produção! Pelo contrário: a produção brasileira continua muito grande! E o Brasil continua a ser um país, economicamente muito importante no mundo! E um pais com quem se tem, necessariamente, de contar.
 JTM – Que influência considera ter recebido de seu pai, também ele um diplomata e um grande poeta?
Costa e Silva – Não. Meu pai não foi diplomata: meu pai foi um grande poeta! Meu pai quis ser diplomata! Mas não foi diplomata porque ele era muito feio! Ele era tão feio, que, o Barão do Rio Brando, naquela época de declínio, não dava para representar os diplomatas brasileiros em lugar algum! Nem dormindo!...
(...) Então por causa dessa recusa do Barão do Rio Branco, acabei-me vingando, duplamente,  do Barão do Rio Branco: não sou apenas o filho do poeta e diplomata, como também o meu filho é diplomata!
De maneira, que nós nos vingámos duplamente! Tirámos uma desforra dupla do Barão do Rio Branco!
JTM – O Sr Embaixador já escreveu vários livros! Neste momento, disse-me que tem pronto a entregar  um livro no prelo!
Costa e Silva  - Eu entreguei, há dez dias, à “Nova Fronteira” do Rio de Janeiro, um longo livro meu que se chama  “A Enxada e a Lança” e que tem por fim o título A África e os Portugueses – Foi um livro que eu comecei a escrever quando era Embaixador do Brasil , em Lagos na Nigéria e pude, nos meus sábados e domingos, quando me era permitido, e terminar de redigir aqui em Lisboa.
É um livro no qual eu me demorei dez dez anos! Eu não tenho muito tempo para escrever; sempre levei muito a sério as minhas atividades diplomáticas! Procurei cumprir sempre o melhor que posso! De maneira que, por causa disso, tive muito pouco tempo para ir escrevendo lentamente este livro, que entreguei há dez dias à editora Nova Fronteira, no Rio de Janeiro.
JTM – O Sr. Embaixador: então não uma tarefa muito fácil conciliar a escrita, a devoção de poeta às obrigações diplomáticas?
Costa e Silva – Olha não é fácil conciliar a vocação de poeta a nada!.. Acho que o mais difícil que há é a gente ser poeta!.. Qualquer poeta precisa de ócio! E, a vida profissional, o mundo contemporâneo, pouco ócio nos dão! Por isso é que eu tenho uma admiração, muito grande pelos poetas que conseguem escrever decentemente! Porque, realmente, são pessoas extraordinárias! Que conseguem cumprir o seu dever, com uma devoção, com um devotamento mesmo nos momentos de grande cansaço! E que, às vezes, pessoas mais fracas, como é o meu caso, não conseguem.
JTM – Uma última pergunta: E então é chegada altura do diplomata dar tranquilidade ao poeta! Deixar de sofrer!  E, depois de muitos anos de exílio  fora do seu pais, continuar adiar o sonho?  - Eu digo isto, porque li  num poema seu”Aqui  estou enterrado! Jamais sinto morrer longe de casa! Mas sofri muitos anos de exílio  simultâneo! Gastei-me noutras terras! Fui de mim uma sombra emigrada! Rogo um sonho!" -  Será que esse sonho vai continuar adiado?
Costa e Silva – Eu creio que sim! Por mais uns três ou quatro anos!... Depois, quem sabe!... Se ainda há tranquilidade, o poeta renasce com mais força ou, então, simplesmente descubro que toda essa minha faina pelo trabalho, meu gosto pelo trabalho, não era uma maneira natural, desde de passar uma fraqueza natural do poeta! E não  ficar tão triste comigo mesmo, por causa disso!
JTM – “Vida cigana! De embaixada em embaixada! “ – Disse Vergilio Ferreira a seu respeito, receando, com isso, o risco de se  perder o grande poeta! – Será que, essa sua ida para a Colômbia, é o acumular de uma experiência enriquecedora ou o fracasso do Poeta? Ou, enfim, será também  uma oportunidade do poeta  de se enriquecer ou, realmente, a altura do poeta ter o seu palco?  
Costa e Silva – Não sei se o poeta se vai enriquecer! Eu sei que o homem, tem ao longo da sua vida de diplomata, enriquecido muito! Tem visto novas paisagens! Novas maneiras de viver! E conhecido novas pessoas! E eu tenho a impressão que nós vivemos para vivermos a experiência do homem!... E eu acho que essa experiência do homem, que eu tenho vivido. Eu tenho buscado viver intensamente! – Muito obrigado
BIOGRAFIA 
Alberto Vasconcelos da Costa e Silva nasceu em São Paulo no dia 12 de maio de 1931, filho de António Francisco da Costa e Silva e Creusa Vasconcelos da Costa e Silva. É poeta, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras. Um dos mais importantes intelectuais brasileiros e especialista na cultura e na história de África. Publicou diversos livros sobre o assunto, como A enxada e a lança (1992), A manilha e o libambo (2002), Um rio chamado Atlântico (2003) e Francisco Félix de Souza, mercador de escravos (2004). Escreveu Castro Alves, um poeta sempre jovem (2006), para a coleção Perfis Brasileiros, da Companhia das Letras. Também é autor de livros infantojuvenis, como Um passeio pela África (2006) e A África explicada aos meus filhos (2008). Em 2009, publicou O quadrado amarelo, que reúne textos sobre arte e literatura, cruzando referências populares e eruditas, recorrendo à memória e às suas experiências de viagem. Além dos Poemas reunidos (2000), publicou dois volumes de memórias, Espelho do Príncipe (1994) e Invenção do desenho (2007). Entre os prémios e distinções que recebeu estão os títulos de doutor honoris causa pela Universidade Obafemi Awolowo (ex-Universidade de Ifé, Nigéria, 1986) e pela Universidade Federal Fluminense (2009) e o prémio Juca Pato de Intelectual do Ano (2003) da União Brasileira de Escritores. Ao lado de Lilia Moritz Schwarcz, desde 2008 dirige a coleção das obras completas de Jorge Amado para a Companhia das Letras. Foi distinguido com o Prémio Camões de 2014https://www.wook.pt/autor/alberto-da-costa-e-silva/11446 
Carreira diplomática -Secretário na Embaixada do Brasil em Lisboa (1960-63) e na Embaixada de Caracas (1963-64); Cônsul em Caracas (1964-67);Auxiliar do Secretário-Geral de Política Exterior (1967-69); Secretário na Embaixada em Washington (1969);Oficial de Gabinete e Assessor de Coordenação do Ministro das Relações Exteriores (1970-74);Ministro-Conselheiro na Embaixada em Madri (1974-76); Ministro-Conselheiro na Embaixada em Roma (1977-79); Embaixador em Lagos, Nigéria (1979-83) e cumulativamente em Cotonu, República do Benim (1981-83); Chefe do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores (1983-84); Subsecretário-Geral de Administração do Ministério das Relações Exteriores (1984-86); Embaixador em Lisboa (1986-90);Embaixador em Bogotá (1990-93); Embaixador em Assunção (1993-95); Inspetor-Geral do Ministério das Relações Exteriores (1995-98). https://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/alberto-vasconcelos-da-costa-e-silva


Obras do autor - Como poeta O parque e outros poemas, 1953; O tecelão, 1962; Alberto da Costa e Silva carda, fia, doba e tece, 1962; Livro de linhagem, 1966; As linhas da mão, 1978 (Prémio Luísa Cláudio de Souza, do Pen Club do Brasil); A roupa no estendal, o muro, os pombos, 1981 Consoada, 1993; Ao lado de Vera, 1997 (Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro)
Como historiador e africanólogo - A enxada e a lança: a África antes dos Portugueses. Edições 2110/82; As relações entre o Brasil e a África Negra, de 1822 a 1° Guerra Mundial. Ed.3577; A manilha e o Libambo: A África e a Escravidão, de 1500 a 1700. Ed.2002.; Um Rio Chamado Atlântico, 2012; Francisco Félix de Sousa, Mercador de Escravos. Ed.2004
Como ensaísta -O vício da África e outros vícios, 1989; Guimarães Rosa, poeta, 1992, Mestre Dezinho de Valença do Piauí, 1999; Castro Alves: um poeta sempre jovem, 2006; Como memorialista; Espelho do Príncipe, 1994.
Como organizador de antologias - Lendas do índio brasileiro , 1957, 1969, 1980 e 1992 ; A nova poesia brasileira, Lisboa, 1960 Poesia concreta, Lisboa, 1962; Da Costa e Silva, 1997
Poemas de amor de Luís Vaz de Camões, 1998; Antologia da poesia portuguesa contemporânea, com Alexei Bueno,1999 dirigiu e foi o principal redator da parte brasileira da Enciclopédia Internacional Focus, Lisboa, 1963-1968
 Nasci numa biblioteca. Sou como Baudelaire, meu berço ficava na biblioteca. Sou um homem de letras. Um poeta. Cresci entre livros. De certa maneira, o mundo sempre me chegou pelos livros. Desde menino, tive duas paixões: a Poesia e a História. E tenho a impressão de que o poeta ajuda o historiador. O poeta intui esse muito de imaginação que você necessita para tentar restaurar um tempo que já passou." Trecho de uma entrevista de Alberto da Costa e Silva para a Revista de História da Biblioteca Nacional. O africanista, poeta, diplomata, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras, Alberto da Costa e Silva é o autor entrevistado neste Ciência e Letras, dividido em dois programas. Programa exibido em 18 de novembro de 2013. 





OUTRAS CITAÇÕES - Nasci numa biblioteca. Sou como Baudelaire, meu berço ficava na biblioteca. Sou um homem de letras. Um poeta. Cresci entre livros. De certa maneira, o mundo sempre me chegou pelos livros. Desde menino, tive duas paixões: a Poesia e a História. E tenho a impressão de que o poeta ajuda o historiador. O poeta intui esse muito de imaginação que você necessita para tentar restaurar um tempo que já passou." Trecho de uma entrevista de Alberto da Costa e Silva para a Revista de História da Biblioteca Nacional. O africanista, poeta, diplomata, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras, Alberto da Costa e Silva é o autor entrevistado neste Ciência e Letras, dividido em dois programas. Programa exibido em 18 de novembro de 2013. . https://www.youtube.com/watch?v=-bPNCLm4jHo&t=279s

NOS ÚLTIMOS DIAS de minha infância li, como tantos meninos de meu tempo, As minas do rei Salomão e os romances de Edgard Rice Burroughs, e acompanhei as fitas de cinema e as histórias em quadrinhos de seu herói, Tarzã, e também as de Jim das Selvas e de Tim e Tom na África Oriental. Confesso que ainda guardo no centro da alma essa África onde eram possíveis todas as fantasias da aventura. Mas a outra, aquela em que se viciaram a minha curiosidade e imaginação, eu a descobriria, a caminho dos meus 16 anos, incompleta e fragmentada pela distância e pelo tempo, dentro de mim e ao meu lado, ao ler pela primeira vez Casa grande e senzala. Terminado o livro, que me parecia sem ponto final, voltei ao seu começo e o reli inteiro, num deslumbramento sem bordas. Quando contei a um professor, Herbert Parentes Fortes, o meu entusiasmo e como havia corrido para Sobrados e mocambos, esse piauiense formado na Bahia me recomendou Nina Rodrigues e Manuel Querino. Foi com esses três autores, e com Arthur Ramos, que, adolescente, me convenci de que a escravidão fora o processo mais importante de nossa história e que, como o escravo não nascia no navio negreiro, se impunha conhecer a África, se queríamos entender o Brasil. De Os africanos no Brasil, eu repetia para mim mesmo alguns parágrafos que me contavam, ademais, que as A África e eu AL http://www.scielo.br/pdf/ea/v16n46/v16n46a16.pdf




quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Guiné Equatorial e São Tomé estreitam relações de cooperação – O Chefe de Estado, HE Obiang Nguema Mbasogo, recebeu o Primeiro-Ministro de STP, no Palácio do Povo de Malabo, terça-feira - Que depois foi recebido pelo seu homologo , Francisco Pascual Obama Asue, na. sede da Presidência do Governo bem como pelo Secretário Geral do Partido Democrata da Guiné Equatorial (PDGE), Jerónimo Osa Osa Ecoro - Abordadas questões como a exploração do Petróleo, na plataforma conjunta e transportes aéreos, educação, turismo, comércio e apoio financeiro de 1,5 milhões de dólares.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 



O Presidente, Obiang Nguema Mbasogo recebeu, nesta última terça-feira,  o Primeiro Ministro, Chefe do Governo da República de São Tomé e Príncipe, Jorge Bom Jesus.

A imprensa oficial da Guiné Equatorial,  destaca as audiência, sublinhando que  “ambas as personalidades discutiram as estreitas relações de fraternidade e cooperação que unem suas nações em diferentes setores.

Em declarações à imprensa oficial, Jorge Bom Jesus agradeceu a política do governo que dirige com sucesso SE Obiang Nguema Mbasogo e reconheceu o apoio do Chefe de Estado na construção da sede da CISSA (Comissão de Serviços de Inteligência e Segurança) da África), graças ao espírito pan-africanista que o caracteriza.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Simeón Oyono Esono, compareceu a HE Obiang Nguema Mbasogo durante esta reunião.https://www.guineaecuatorialpress.com/noticia.php?id=14970




Por sua vez a Agência STP-Presse, também dá largo destaque à visita, referindo, que, "além de encontro com o Presidente Obieng Nguema, o chefe do governo são-tomense Jorge Bom Jesus foi também recebido por seu homólogo equato-guineense, Francisco Pascual Obama, tendo ainda, na qualidade do líder do MLSTP-PSD, visitado a sede do Partido Democrático da Guiné-Equatorial, PDGE, onde foi recebido por seu secretário-geral, Jerónimo Osa Osa Ecoro.
Quanto a questão de exploração conjunta, Jorge Bom Jesus disse a imprensa que “ nós temos uma fronteira comum que vai-nos permitir trabalhar para que através dos blocos de petróleo, possamos em conjunto fazer esta exploração para o bem dos dois Países”.

“ Na área de transporte aéreo, estamos a conversar com a Guiné-Equatorial para que a Ceiba possa entrar no capital da STP-Airways de forma que possamos formar esse consórcio” disse Jorge Bom Jesus, tendo defendido também a criação de uma linha marítima entre São Tomé, Malabo e Santo António do Príncipe através de investimento equatoguineense público e, ou privado
.
O primeiro-ministro sustentou ainda que “ a nível do transporte, isto permitiria o desenvolvimento do turismo de forma que possamos criar pacotes nesta perspectiva, triangular entre São Tomé e Príncipe, Guiné-Equatoria, Europa e outros continentes. Temos que potencializar relação sul-sul”.
Quanto a questão de exploração conjunta, Jorge Bom Jesus disse a imprensa que “ nós temos uma fronteira comum que vai-nos permitir trabalhar para que através dos blocos de petróleo, possamos em conjunto fazer esta exploração para o bem dos dois Países”.
“ Na área de transporte aéreo, estamos a conversar com a Guiné-Equatorial para que a Ceiba possa entrar no capital da STP-Airways de forma que possamos formar esse consórcio” disse Jorge Bom Jesus, tendo defendido também a criação de uma linha marítima entre São Tomé, Malabo e Santo António do Príncipe através de investimento equatoguineense público e, ou privado.
O primeiro-ministro sustentou ainda que “ a nível do transporte, isto permitiria o desenvolvimento do turismo de forma que possamos criar pacotes nesta perspectiva, triangular entre São Tomé e Príncipe, Guiné-Equatoria, Europa e outros continentes. Temos que potencializar relação sul-sul”.


 Audiência de Jerónimo Osa Osa com o Primeiro Ministro de São Tomé e Príncipe

Em 25 de fevereiro, o Secretário Geral do Partido Democrata da Guiné Equatorial (PDGE), Jerónimo Osa Osa Ecoro, recebeu na sede do Escritório Nacional do partido o Primeiro Ministro de São Tomé e Príncipe e Presidente do Movimento de Libertação da República Democrática do Congo. São Tomé e Príncipe (MLSP), Jorge Bom Jesus, em visita oficial à República da Guiné Equatorial.http://www.stp-press.st/2020/02/26/jorge-bom-jesus-recebido-por-presidente-obiang-nguema-no-acerto-do-petroleo-equato-saotomense/
  


Foi-se o Carnaval do desatino mas ficaram os esquecidos do destino e da boa vida



Neste dia e a horas altas e do alto destes penedos, cinzentos e de granito, penso e medito nos Sem Amor, Sem Carnaval, Sem Fé e Sem Abrigo, Com Fome e Frio – Mais uma noite igual a tantas outras, ante a indiferença dos pândegos, dos políticos e bem postados na vida
   





terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

António Vilar - O canto e a Voz de um dos mais famosos atores portugueses do século XX

Jorge Trabulo Marques- Jornalista e antigo repórter da Rádio Comercial-RDP - Mais um registo sonoro - este gravado em 1981 - das várias centenas que ainda guardo no meu arquivo, que aqui recordo com muito gosto, de entre as mais diversas figuras portuguesas, além de muitos apontamentos de rua, nas cadeias e nas mais diferentes situações

Ator António Vilar -  Noites poéticas e inesquecíveis do Botequim da Liberdade de Natália Correia  -Contracenou com Brigitte Bardot-    31-10- 1912 -15-08-1995 -  Ao som do piano do maestro Vitorino de Almeida - O canto e a Voz de um dos mais famosos atores portugueses do século XX 

Lisboa – 1981  -  Ao som do piano do maestro Vitorino de Almeida - O canto e a Voz de um dos mais famosos atores portugueses do século XX - António Vilar numa das alegres tertúlias do Botequim  de Natália Correia – Registo gravado espontaneamente  num gravador de cassetes e agora recuperado para vídeo – Do  ator mais célebre do cinema português dos anos 50  - Actor português, nascido em 1912 em Lisboa e falecido em Madrid em 1995.  Contracenou com Brigitte Bardot, no filme  La Femme et le Pantin  de Julian Duvivier (1959). Mais nenhum português pode dizer que teve a Bardot nos braços.  . Foi um dos actores mais famosos do seu tempo, trabalhando tanto no país como no estrangeiro (nomeadamente em Espanha, França, Itália, Argentina e Brasil), com uma projecção internacional, numa carreira nunca igualada.

CONSIDERAVA-SE PROFUNDAMENTE CONSERVADOR - VEIO AO BOTEQUIM  PARA  "CONVERSAR COM A NATÁLIA, TOMAR UMA COPO   E DEPOIS SE IR DEITAR"  - O ator português que mais anos  passou fora do seu país.



"Foi o mais internacional galã do cinema português. Estreou-se nos palcos em 1931 na peça Romance, no Nacional e, no mesmo ano conseguiu um pequeno papel no primeiro filme sonoro português, Severa, de Leitão de Barros."

Não foi fácil arrancar-lhe algumas palavras. A voz soltava-se-lhe facilmente para cantar mas não para ser entrevistado – Não vinha ali para entrevistas:  “Vim ao Botequim da Natália para conversar um pouco com ela,  tomar uma copa e depois vou-me deitar” –Declarou-me, entre outras coisas,   que poderá ouvir no vídeo.

“Quando eu era pequenina




“Quando eu era pequenina"


“Quando eu era pequenina/ Acabada de nascer”- Composição popular, imortalizada pela Amália Rodrigues, que, o actor António Vilar, cantou naquela noite, entre outras cações populares e fados de coimbra, acompanhado ao piano pelo maestro António Vitorino, com quem ia acertando o tom do piano com o da sua voz.
 As tertúlias no boletim eram habitualmente musicadas. Os sons não perturbavam o convívio e as conversas. Bem pelo contrário, era um condimento desejável. Por isso, não faltavam improvisações musicais: umas vezes para harmonizar o ambiente, outras para acompanhar quem  se sentisse dotado ou inspirado no momento. Foi o que sucedeu na noite em que  ali encontrei o famoso ator António Vilar, expondo os seus dotes musicais , que, nalguns dos filmes e peças de teatro onde participou, também chegou a revelar o seu talento de cantor e tocador de guitarra e viola.


Com um pequeno gravador à mão, com que habitualmente fazia vários registos no exterior para a reportagem de um programa matinal na Rádio Comercial (sim, muitas das vezes, quase nem dormia, quer na procura de motivo, quer depois, em casa, nas horas gastas com a  seleção das faixas e redação dos textos), pois, ao ver cantar, António Vilar, ao lado do piano, aproveitei a oportunidade (depois de ter feito uma  divertidíssima entrevista, ao  Mestre Martins Correia, sobre a reencarnação, que ainda cobservo), sim, de juntar mais um apontamento  à minha reportagem dessa noite. .

“Você abusou, tirou partido de mim” – esta dedicada no final ao repórter

Já me tinha apercebido que ele não gostava de dar entrevistas a ninguém, e, chegou mesmo a dizer-me, que não aceitava estar a “toureá-lo, ou mesmo é dizer, a fintá-lo; a lograr os meus intentos, porém, lá o fui conseguindo,  com alguma persistência e tato, ora gravando-o a cantar ora dialogando com ele, acabando, no fim, por ser prendado com a popular cantiga brasileira, de Toquinho: Você abusou, tirou partido de mim, abusou / Você abusou / Tirou partido de mim, abusou / Tirou partido de mim, abusou / Tirou partido de mim, abusou!


A última grande tertúlia de Lisboa - que marcou cultural e politicamente várias décadas portuguesas - teve lugar no Botequim, bar do Largo da Graça criado e projetado por Natália Correia. Tive o prazer de ter sido um dos frequentadores – Quer na qualidade de repórter de rádio (onde é gravado este apontamento, entre outros), quer pela admiração que tinha pela personagem de Natália e pelo, gosto das noites que ali se viviam 

“Nele fizeram-se, desfizeram-se revoluções, governos, obras de arte, movimentos cívicos; por ele passaram presidentes da República, governantes, embaixadores, militares, juízes, revolucionários, heróis, escritores, poetas, artistas, cientistas, assassinos, loucos, amantes em madrugadas de vertigem, de desmesura.

A magia do Botequim tornava-se, nas noites de festa, feérica. Como um iate de luxo, navegava-se delirantemente em demanda de continentes venturosos, de ilhas de amores a encontrar. O futuro foi ali, como em nenhuma outra parte do País, festivamente antecipado. Nunca houve, nem por certo haverá, nada igual entre nós “ – Fernando Dacosta, na contracapa do referido livro sobre o Botequim

A magia do Botequim tornava-se, nas noites de festa, feérica. Como um iate de luxo, navegava-se delirantemente em demanda de continentes venturosos, de ilhas de amores a encontrar. O futuro foi ali, como em nenhuma outra parte do País, festivamente antecipado. Nunca houve, nem por certo haverá, nada igual entre nós “ – Fernando Dacosta, na contracapa do referido livro sobre o Botequim


Biografia de António Vilar

"Ator português, de seu nome completo António Vilar Justiniano dos Santos, nascido a 13 de outubro de 1912, em Lisboa, e falecido em Madrid a 16 de agosto de 1995. Foi um dos atores mais famosos do seu tempo, trabalhando tanto no país como no estrangeiro (nomeadamente em Espanha, França, Itália, Argentina e Brasil). Nos anos 50, tornou-se a par de Virgílio Teixeira, num dos atores nacionais com maior projeção internacional. Com apenas 18 anos, tornou-se ator amador, até que foi descoberto pelo realizador Leitão de Barros que o convidou para um pequeno papel em A Severa (1931), o primeiro filme sonoro português. Continuou a conciliar a sua carreira teatral com a cinematográfica, tendo desempenhado pequenos papéis em Feitiço do Império (1940) e Pão Nosso (1940). Mas o seu rosto só se tornou familiar do público português com a sua prestação em O Pátio das Cantigas (1942), onde desempenhou o papel do guitarrista Carlos Bonito e contracenou com Laura Alves, António Silva, Vasco Santana e Ribeirinho. Gradualmente, tornou-se num dos galãs mais requisitados do cinema nacional: foi Simão Botelho em Amor de Perdição (1943), onde fez par romântico com Carmen Dolores, e em Inês de Castro (1944) encarnou D. Pedro, o Justiceiro. Personificou Luís Vaz de Camões em Camões (1946), antes de assentar arraiais em Espanha, onde viveu até ao fim dos seus dias. Entre 1946 e 1978, protagonizou perto de 40 filmes castelhanos, dos quais se destacam La Mantilla de Beatriz (A Mantilha de Beatriz, 1946), Reina Santa (A Raínha Santa, 1947), Una Mujer Cualquiera (1949), Don Juan (1950), Alba de América (1951), El Redentor (1957), Muerte Al Amanecer (1959), Comando de Asessinos (Fim-de-Semana Com a Morte, 1967) e Disco Rojo (Sinal Vermelho, 1973). Nesse período, trabalhou também no Brasil, em Guarany (1948), em Itália, onde protagonizou Santo Vermelho, 1973). Nesse período, trabalhou também no Brasil, em Guarany (1948), em Itália, onde protagonizou Santo Disonore (Honra e Sacrifício, 1949) e Il Padrone Delle Ferriere (1959), regressou a Portugal para encabeçar o elenco de O Primo Basílio (1959) de António Lopes Ribeiro e filmou esporadicamente em França, participando ao lado de Brigitte Bardot em La Femme et le Pantin (1959). O seu último filme foi Estimado Señor Juez (1978). Nos anos seguintes, perseguiu o sonho de produzir, realizar e protagonizar um épico sobre Fernão de Magalhães, tendo gasto a sua fortuna pessoal na pré-produção do filme, após as recusas de subsídios governamentais por parte de Portugal e de Espanha. Para esse efeito, conseguiu construir uma réplica duma nau da frota de Magalhães, que foi oferecida à Comissão Nacional dos Descobrimentos Portugueses, após a sua morte.






segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

AS AMENDOEIRAS JÁ FLORIRAM POR V. FOZ CÔA E A POESIA JÁ POR AQUI RESSOA ESPALHANDO PÉTALAS DE AMOR E PERFUME À TOA AOS ENAMORADOS -

Jorge Trabulo Marques – Journalista e filho destas terras  do concelho de Vila Nova de Foz Côa
O concelho de Vila Nova de Foz Côa, embora bem longe do Mediterrâneo,  faz parte da zona da chamada terra quente e do douro vinhateiro, caraterizado por um micro-clima  que não sente os rigores das invernias de outras terras do distrito da Guarda, a que pertence, onde a Primavera é como que antecipada pelo maravilhoso espetáculo da floração das amendoeiras, que  fazem sonhar os enamorados e poetas e  também são o encanto das gentes da lavoura  e de todos quantos por aqui vivem ou visitam estas terras - 

"Nessa manhã olímpica e radiosa,
com sol iluminando altos montes.
firmei enlevos divinais, insontes,
mais belos que a epopeia gloriosa!
Cantava em mim, qual arpa misteriosa,
a natureza em flor: e a voz das fontes,
fendendo a vastidão dos horizontes,
erguia a melopeia harmoniosa.

Que lindo sonho - d'etereal noivado,
almas fruindo a mesma claridade,
embalando um grande amor sem igual...

Um filho no teu colo, outro a meu lado,
abrindo os olhos para a imensidade...
- Bendita sejas sempre, oh meu ideal!
"


De Orlando Marçal - "Mocidade - Natural de V. N. de Foz Côa
















Na rota da 39 edição das  amendoeira em flor  no concelho de Foz Côa – Também floresce no planalto e nas ladeiras daquela que já foi vila e sede de concelho entre 1298 e 1855. Era constituído pelas freguesias da vila e de Castelo Melhor. Tinha, em 1801, 1 206 habitantes –Atualmente, esta freguesia, com uma área de 54,51 km² de área, apenas conta com 386 habitantes – Também aqui a desertificação vai galopando no chamado país profundo  - Atualmente, esta freguesia, com uma área de 54,51 km² de área, apenas conta com 386 habitantes – Também aqui a desertificação vai galopando no chamado país profundo  -

A 39ª edição da quinzena, a decorrer entre 21 de fevereiro e 8 de março, além de proporcionar aqui vive a tradicional festa da natureza florida, que antecipa a Primavera, é também motivo de atração para os milhares de visitantes que aqui acorrem – Em qualquer das 17 freguesias do concelho de Vila Nova de foz Côa, é possivel admirar encantadores panorâmicas  de amendoeiras floridas  
.Por sua vez, além dos diversos eventos programados, o município tem outros atrativos como o impressionante Museu do Côa, os patrimónios mundiais do Vale do Côa e do Douro Vinhateiro, sem esquecer a gastronomia e o “terroir” de alguns dos melhores vinhos do mundo.
 Refere  o historial do município, que “Almendra, topónimo nitidamente árabe, quererá dizer-nos que teve, em certo período da história, fixação daquela gente infiel aos ideais cristãos? Qual o topónimo da terra antes da presumível influencia árabe? Talvez nunca o saibamos!
As origens de Almendra devem remontar à Idade do Ferro. O que é hoje a área envolvente da Igreja Matriz, deve ter-se constituído como núcleo fortificado no I milénio antes de Cristo. Numa área para Norte da mesma Igreja, no denominado «Chão do Morgado», consta ali ter existido um castelo ou fortificação que muitos dizem ser medieval ou tardo-medieval (a exemplo do castelo de Foz Côa). Muitos vestígios de pedra de aparelho, fragmentos de tégula, imbrices e dolium, certificam ali a existência de uma provável «Villa Romana» senão de uma «vicus». Outros vestígios de Villae romanas ou simples casais encontram-se espalhados pelo termo de Almendra.

(...)Em 960, o Castelo de Almendra pertencia a D. Chama ou Châmoa que o entregou à Condessa Mumadona, sua tia, fundadora do convento vimaranense. No século seguinte, em 1059, o castelo de Almendra continuava ainda a pertencer ao mesmo mosteiro. Nos fins do século XII muda de proprietário, surgindo, em 1183, entre os bens da Ordem Militar do Pereiro, numa Bula do Papa Lúcio III.No século seguinte, por volta de 1270, Almendra já era vila e foi doada a D. Gil Martins, pai de D. Martim Gil, mais tarde alferes-mor de D. Dinis.

O estatuto de vila não constituiu na época um título pacífico, uma vez que, quase de imediato, em 1298, o concelho de Castelo Rodrigo irá contestar a sua autonomia, em virtude de a considerar parte integrante do seu termo. Segue-se um período de conflito entre Castelo Rodrigo e D. Gil Martins, que irão recorrer alternadamente das sentenças do monarca. Finalmente, em 1312, Castelo Rodrigo obtém uma sentença favorável que lhe permitiu englobar de novo Almendra no seu termo. A integração no termo de Castelo Rodrigo durará, no entanto, apenas algumas décadas, pois ainda no século XIV retomará a sua condição de concelho. Em 1358, D. Pedro I confirma-o, acto repetido por D. Fernando em 1367 ao ratificar os foros e privilégios Almendrenses. O mesmo monarca, pouco depois, em 1370, reintegrará Almendra no concelho de Castelo Rodrigo, mas denominando-a, contudo, de julgado, o que pelo menos indica a existência de jurisdição própria ainda que sob juiz de nomeação régia.- Rferencias obtidas do site da Câmara Municipal de V. Nova de Foz Côa, a cujo concelho pertence