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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Embaixador do Brasil, Alberto da Costa e Silva - Lisboa 1990 "Um diplomata é como um soldado! - Ele está ao serviço do seu pais onde o governo considere adequado” - E o atual orador do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Prémio Camões de 2014 com quase 89 anos, africanista, poeta, memorialista, ensaísta e historiador, um dos mais importantes intelectuais brasileiros e especialista na cultura e na história de África, com mais de duas dezenas de obras, serviu o seu pais 38 anos, em diversos cargos diplomáticos



JORGE TRABULO MARQUES - EM MEMÓRIAS DE UM REPÓRTER DA EXTINTA RÁDIO COMERCIAL-RDP -  
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Entrevista ao Embaixador Brasileiro, Alberto da Costa e Silva, que me concedeu, em 1990,   na Embaixada do Brasil, em Lisboa, para a Rádio Comercial-RDP, que hoje aqui recordo, com muito gosto, embora nalguns minutos finais, a cassete, dada a sua antiguidade,  denote alguns sinais de sobreposições anteriores, sim,   em mais uma das várias centenas de registos sonoros, com várias figuras públicas  portuguesas e dos PALOP, além de muitas outras a pessoas anónimas, bem como  entrevistas a presidiários,  assim como inumeros apontamentos de rua

 “Alberto da Costa e Silva nasceu em São Paulo no dia 12 de maio de 1931,  além da sua carreira diplomática de 38 anos e da sua vasta obra literária, representou o Brasil em numerosas reuniões internacionais, tendo sido delegado do Brasil na reunião da Comissão Económica das Nações Unidas para a África, em Adis Abeba, em 1961; representante pessoal do Ministro das Relações Exteriores nos encontros ministeriais, realizados em São Domingos, em 1984, pela Organização dos Estados Americanos, para a preparação das comemorações do V Centenário do Descobrimento da América; e representante pessoal do Ministro das Relações Exteriores na Reunião dos Ministros das Relações Exteriores do Mecanismo Permanente de Consulta e Concertação Política (Grupo do Rio), em 1991”. 
 Alberto Costa e Silva – "Não é fácil conciliar a vocação de poeta a nada!.. Acho que o mais difícil que há é a gente ser poeta!.. Qualquer poeta precisa de ócio! E, a vida profissional, o mundo contemporâneo, pouco ócio nos dão! Por isso é que eu tenho uma admiração, muito grande pelos poetas que conseguem escrever decentemente - Declarou-me, entre outras confissões, numa honrosa e amável entrevista, que me concedeu, em 1990, no seu gabinete da Embaixada do Brasil, em Lisboa,  no termo da sua missão, em Portugal, antes de partir para a Bogotá, Colômbia - 

Questionado sobre se não receava ir para um pais de conflitos, onde há problemas com os narcotraficantes, começou por me declarar ter tido “uma grande alegria! Uma grande felicidade de passar estes quatro anos e meio em Portugal! Está terminando  este período: um embaixador brasileiro, só pode ficar, por li, cinco anos num determinado pais. De uma maneira geral, até ficam menos tempo, três quatro anos: Eu tive a felicidade de ficar quatro anos e meio.

Eu estou indo para a Colômbia! E não é   isso o que Sr. está dizendo: a  Colômbia é um pais belíssimo! É uma das paisagens mais belas do mundo! A sua capital de Bogotá, sempre foi considerada, desde o século XIX,  a capital mais culta do continente americano! É a cidade com mais livrarias, depois de Londres! É uma cidade com extraordinárias tradições culturais! A Bogotá é considerado Atenas das Américas!
É um país extremamente culto com uma tradição artísticas, literária e filosófica extremamente importante! É um país muito rico! É um país que tem 80 relações com o Brasil! Relações que nós temos procurado, nos últimos anos, ampliar, acrescentar!  É um pais que faz fronteira com o Brasil, com o qual nós temos um importantíssimo programa  densamente fronteiriço !Um país muito importante para o Brasil e, quero querer, também para o continente americano
Referindo-se depois às relações do Brasil com Portugal, disse que as relações entre os dois países cresceram muito! Basta dizer que, nos últimos anos, o Brasil, se tornou um grande investidor em Portugal: o ano passado, nós fomos o 4º país investidor em Portugal! É possível que, no decorrer deste ano, alcancemos o terceiro lugar: nós estamos consolidando uma posição económica importante e Portugal também no Brasil!
Os investimentos em Portugal, que, tradicionalmente já eram altos, já eram importantes,  têm também crescidos! E também o crescimento do comércio! Embora o nosso comércio ainda seja modesto para a intensidade das nossa relações, na realidade, o ano passado experimentou um crescimento de quase 100%! O que é um crescimento muito considerável!
JTM – Como é que explica a vida de muitos brasileiros para a Europa,e especialmente para Portugal? A que é que se deve esse facto?
Costa e Silva -  Na realidade, o Brasil se está internacionalizando:o Brasil, até há uns poucos anos,  era um país fechado sobre si mesmo! Mas, de há uns cinco seis anos para cá, objetivamente, as empresas brasileiras foram conquistando espaço, no mundo internacional! Nos negócios, nos investimentos! Na indústria, em tudo isso! E também os brasileiros começaram a viajar e  a instalar-se no estrangeiro.
O Brasil atravessa um processo de internacionalização, muito semelhante àqueles pelo qual passaram os Estados Unidos nos anos 10 e nos anos 20 deste século
JTM – Ainda em relação a esta situação, digamos, à chamada  crise económica com que se tem debatido o Brasil, eu gostaria de me referir aqui a uma afirmação do Sr. Embaixador, que diz   – já o afirmou algum tempo – que a crise económica no Brasil é perfeitamente explicável! Diz que é conjetural! Diz que o Brasil é a 7ª potência económica  do mundo! E que, os números do envelhecimento são espantosos! – Concorda com isso?
Costa e Silva -  O Brasil continua a crescer! A crise do Brasil é mais financeira que propriamente económica! É mais uma crise monetária de que de produção! A produção brasileira continua a crescer O Brasil continua a desenvolver novos espaços!
O Brasil é o segundo país exportador de alimentos do mundo! Nós continuamos a ter o 3º   super habite comercial do mundo! E nós somos os primeiros produtores de uma séria de artigos! E os segundos produtores de outra série de artigos! Os terceiros produtores mundiais numa série  de artigos! Nós hoje produzimos aviões, desde os produtos tradicionais, como o café, o açúcar, o algodão Até aviões! Até computadores! Até produtos industriais da mais completa sofisticação!
JTM – Sr. Embaixador! Tudo isso é muito bonito mas fala-se de uma grande inflação, que afecta nomeadamente as classe s mais desfavorecidas! Como é que explica isso? – E já agora gostaria também que me desse a sua opinião do atual Presidente da República.
Costa e Silva – Acho que o Governo está fazendo todo o esforço  para conter a inflação! A inflação é o grande problema brasileiro e não é um problema novo! É um problema que já se arrasta há mais de 25 anos!  E que, nestes últimos anos, tomou contornos de realmente alarmante! O problema brasileiro é realmente o problema inflacionário! E que nós estamos procurando fazer todos os esforços  para conter! Mas isso não quer dizer que, pelo facto do Brasil ter uma grande inflação, o Brasil deixe de ter uma grande produção! Pelo contrário: a produção brasileira continua muito grande! E o Brasil continua a ser um país, economicamente muito importante no mundo! E um pais com quem se tem, necessariamente, de contar.
 JTM – Que influência considera ter recebido de seu pai, também ele um diplomata e um grande poeta?
Costa e Silva – Não. Meu pai não foi diplomata: meu pai foi um grande poeta! Meu pai quis ser diplomata! Mas não foi diplomata porque ele era muito feio! Ele era tão feio, que, o Barão do Rio Brando, naquela época de declínio, não dava para representar os diplomatas brasileiros em lugar algum! Nem dormindo!...
(...) Então por causa dessa recusa do Barão do Rio Branco, acabei-me vingando, duplamente,  do Barão do Rio Branco: não sou apenas o filho do poeta e diplomata, como também o meu filho é diplomata!
De maneira, que nós nos vingámos duplamente! Tirámos uma desforra dupla do Barão do Rio Branco!
JTM – O Sr Embaixador já escreveu vários livros! Neste momento, disse-me que tem pronto a entregar  um livro no prelo!
Costa e Silva  - Eu entreguei, há dez dias, à “Nova Fronteira” do Rio de Janeiro, um longo livro meu que se chama  “A Enxada e a Lança” e que tem por fim o título A África e os Portugueses – Foi um livro que eu comecei a escrever quando era Embaixador do Brasil , em Lagos na Nigéria e pude, nos meus sábados e domingos, quando me era permitido, e terminar de redigir aqui em Lisboa.
É um livro no qual eu me demorei dez dez anos! Eu não tenho muito tempo para escrever; sempre levei muito a sério as minhas atividades diplomáticas! Procurei cumprir sempre o melhor que posso! De maneira que, por causa disso, tive muito pouco tempo para ir escrevendo lentamente este livro, que entreguei há dez dias à editora Nova Fronteira, no Rio de Janeiro.
JTM – O Sr. Embaixador: então não uma tarefa muito fácil conciliar a escrita, a devoção de poeta às obrigações diplomáticas?
Costa e Silva – Olha não é fácil conciliar a vocação de poeta a nada!.. Acho que o mais difícil que há é a gente ser poeta!.. Qualquer poeta precisa de ócio! E, a vida profissional, o mundo contemporâneo, pouco ócio nos dão! Por isso é que eu tenho uma admiração, muito grande pelos poetas que conseguem escrever decentemente! Porque, realmente, são pessoas extraordinárias! Que conseguem cumprir o seu dever, com uma devoção, com um devotamento mesmo nos momentos de grande cansaço! E que, às vezes, pessoas mais fracas, como é o meu caso, não conseguem.
JTM – Uma última pergunta: E então é chegada altura do diplomata dar tranquilidade ao poeta! Deixar de sofrer!  E, depois de muitos anos de exílio  fora do seu pais, continuar adiar o sonho?  - Eu digo isto, porque li  num poema seu”Aqui  estou enterrado! Jamais sinto morrer longe de casa! Mas sofri muitos anos de exílio  simultâneo! Gastei-me noutras terras! Fui de mim uma sombra emigrada! Rogo um sonho!" -  Será que esse sonho vai continuar adiado?
Costa e Silva – Eu creio que sim! Por mais uns três ou quatro anos!... Depois, quem sabe!... Se ainda há tranquilidade, o poeta renasce com mais força ou, então, simplesmente descubro que toda essa minha faina pelo trabalho, meu gosto pelo trabalho, não era uma maneira natural, desde de passar uma fraqueza natural do poeta! E não  ficar tão triste comigo mesmo, por causa disso!
JTM – “Vida cigana! De embaixada em embaixada! “ – Disse Vergilio Ferreira a seu respeito, receando, com isso, o risco de se  perder o grande poeta! – Será que, essa sua ida para a Colômbia, é o acumular de uma experiência enriquecedora ou o fracasso do Poeta? Ou, enfim, será também  uma oportunidade do poeta  de se enriquecer ou, realmente, a altura do poeta ter o seu palco?  
Costa e Silva – Não sei se o poeta se vai enriquecer! Eu sei que o homem, tem ao longo da sua vida de diplomata, enriquecido muito! Tem visto novas paisagens! Novas maneiras de viver! E conhecido novas pessoas! E eu tenho a impressão que nós vivemos para vivermos a experiência do homem!... E eu acho que essa experiência do homem, que eu tenho vivido. Eu tenho buscado viver intensamente! – Muito obrigado
BIOGRAFIA 
Alberto Vasconcelos da Costa e Silva nasceu em São Paulo no dia 12 de maio de 1931, filho de António Francisco da Costa e Silva e Creusa Vasconcelos da Costa e Silva. É poeta, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras. Um dos mais importantes intelectuais brasileiros e especialista na cultura e na história de África. Publicou diversos livros sobre o assunto, como A enxada e a lança (1992), A manilha e o libambo (2002), Um rio chamado Atlântico (2003) e Francisco Félix de Souza, mercador de escravos (2004). Escreveu Castro Alves, um poeta sempre jovem (2006), para a coleção Perfis Brasileiros, da Companhia das Letras. Também é autor de livros infantojuvenis, como Um passeio pela África (2006) e A África explicada aos meus filhos (2008). Em 2009, publicou O quadrado amarelo, que reúne textos sobre arte e literatura, cruzando referências populares e eruditas, recorrendo à memória e às suas experiências de viagem. Além dos Poemas reunidos (2000), publicou dois volumes de memórias, Espelho do Príncipe (1994) e Invenção do desenho (2007). Entre os prémios e distinções que recebeu estão os títulos de doutor honoris causa pela Universidade Obafemi Awolowo (ex-Universidade de Ifé, Nigéria, 1986) e pela Universidade Federal Fluminense (2009) e o prémio Juca Pato de Intelectual do Ano (2003) da União Brasileira de Escritores. Ao lado de Lilia Moritz Schwarcz, desde 2008 dirige a coleção das obras completas de Jorge Amado para a Companhia das Letras. Foi distinguido com o Prémio Camões de 2014https://www.wook.pt/autor/alberto-da-costa-e-silva/11446 
Carreira diplomática -Secretário na Embaixada do Brasil em Lisboa (1960-63) e na Embaixada de Caracas (1963-64); Cônsul em Caracas (1964-67);Auxiliar do Secretário-Geral de Política Exterior (1967-69); Secretário na Embaixada em Washington (1969);Oficial de Gabinete e Assessor de Coordenação do Ministro das Relações Exteriores (1970-74);Ministro-Conselheiro na Embaixada em Madri (1974-76); Ministro-Conselheiro na Embaixada em Roma (1977-79); Embaixador em Lagos, Nigéria (1979-83) e cumulativamente em Cotonu, República do Benim (1981-83); Chefe do Departamento Cultural do Ministério das Relações Exteriores (1983-84); Subsecretário-Geral de Administração do Ministério das Relações Exteriores (1984-86); Embaixador em Lisboa (1986-90);Embaixador em Bogotá (1990-93); Embaixador em Assunção (1993-95); Inspetor-Geral do Ministério das Relações Exteriores (1995-98). https://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-biografico/alberto-vasconcelos-da-costa-e-silva


Obras do autor - Como poeta O parque e outros poemas, 1953; O tecelão, 1962; Alberto da Costa e Silva carda, fia, doba e tece, 1962; Livro de linhagem, 1966; As linhas da mão, 1978 (Prémio Luísa Cláudio de Souza, do Pen Club do Brasil); A roupa no estendal, o muro, os pombos, 1981 Consoada, 1993; Ao lado de Vera, 1997 (Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro)
Como historiador e africanólogo - A enxada e a lança: a África antes dos Portugueses. Edições 2110/82; As relações entre o Brasil e a África Negra, de 1822 a 1° Guerra Mundial. Ed.3577; A manilha e o Libambo: A África e a Escravidão, de 1500 a 1700. Ed.2002.; Um Rio Chamado Atlântico, 2012; Francisco Félix de Sousa, Mercador de Escravos. Ed.2004
Como ensaísta -O vício da África e outros vícios, 1989; Guimarães Rosa, poeta, 1992, Mestre Dezinho de Valença do Piauí, 1999; Castro Alves: um poeta sempre jovem, 2006; Como memorialista; Espelho do Príncipe, 1994.
Como organizador de antologias - Lendas do índio brasileiro , 1957, 1969, 1980 e 1992 ; A nova poesia brasileira, Lisboa, 1960 Poesia concreta, Lisboa, 1962; Da Costa e Silva, 1997
Poemas de amor de Luís Vaz de Camões, 1998; Antologia da poesia portuguesa contemporânea, com Alexei Bueno,1999 dirigiu e foi o principal redator da parte brasileira da Enciclopédia Internacional Focus, Lisboa, 1963-1968
 Nasci numa biblioteca. Sou como Baudelaire, meu berço ficava na biblioteca. Sou um homem de letras. Um poeta. Cresci entre livros. De certa maneira, o mundo sempre me chegou pelos livros. Desde menino, tive duas paixões: a Poesia e a História. E tenho a impressão de que o poeta ajuda o historiador. O poeta intui esse muito de imaginação que você necessita para tentar restaurar um tempo que já passou." Trecho de uma entrevista de Alberto da Costa e Silva para a Revista de História da Biblioteca Nacional. O africanista, poeta, diplomata, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras, Alberto da Costa e Silva é o autor entrevistado neste Ciência e Letras, dividido em dois programas. Programa exibido em 18 de novembro de 2013. 





OUTRAS CITAÇÕES - Nasci numa biblioteca. Sou como Baudelaire, meu berço ficava na biblioteca. Sou um homem de letras. Um poeta. Cresci entre livros. De certa maneira, o mundo sempre me chegou pelos livros. Desde menino, tive duas paixões: a Poesia e a História. E tenho a impressão de que o poeta ajuda o historiador. O poeta intui esse muito de imaginação que você necessita para tentar restaurar um tempo que já passou." Trecho de uma entrevista de Alberto da Costa e Silva para a Revista de História da Biblioteca Nacional. O africanista, poeta, diplomata, historiador e membro da Academia Brasileira de Letras, Alberto da Costa e Silva é o autor entrevistado neste Ciência e Letras, dividido em dois programas. Programa exibido em 18 de novembro de 2013. . https://www.youtube.com/watch?v=-bPNCLm4jHo&t=279s

NOS ÚLTIMOS DIAS de minha infância li, como tantos meninos de meu tempo, As minas do rei Salomão e os romances de Edgard Rice Burroughs, e acompanhei as fitas de cinema e as histórias em quadrinhos de seu herói, Tarzã, e também as de Jim das Selvas e de Tim e Tom na África Oriental. Confesso que ainda guardo no centro da alma essa África onde eram possíveis todas as fantasias da aventura. Mas a outra, aquela em que se viciaram a minha curiosidade e imaginação, eu a descobriria, a caminho dos meus 16 anos, incompleta e fragmentada pela distância e pelo tempo, dentro de mim e ao meu lado, ao ler pela primeira vez Casa grande e senzala. Terminado o livro, que me parecia sem ponto final, voltei ao seu começo e o reli inteiro, num deslumbramento sem bordas. Quando contei a um professor, Herbert Parentes Fortes, o meu entusiasmo e como havia corrido para Sobrados e mocambos, esse piauiense formado na Bahia me recomendou Nina Rodrigues e Manuel Querino. Foi com esses três autores, e com Arthur Ramos, que, adolescente, me convenci de que a escravidão fora o processo mais importante de nossa história e que, como o escravo não nascia no navio negreiro, se impunha conhecer a África, se queríamos entender o Brasil. De Os africanos no Brasil, eu repetia para mim mesmo alguns parágrafos que me contavam, ademais, que as A África e eu AL http://www.scielo.br/pdf/ea/v16n46/v16n46a16.pdf




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