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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

domingo, 23 de fevereiro de 2020

Jorge Neto –Legenda da música pop cabo-verdiana- Tributo à voz que partiu para a eternidade aos 56 anos – Nascido em S. Tomé –

Jorge Trabulo Marques – Jornalista – Em STP, como correspondente da revista angolana, “Semana Ilustrada”, operador  de rádio no E.R. de STP, entre outras atividades anteriores e, posteriormente em Portugal.


Perdeu-se a voz do mais carismático cantor e dançarino, da música pop cabo-verdiana, Jorge Neto, mas, naturalmente, não muitos do seus discos e LPs conhecido pela sua performance no palco e pela sua emblemática frase “uau” – Estava a  recuperar de   um duplo AVC, no Hospital Egas Moniz, em Lisboa.  de que fora acometido, no passado dia 30 de Dezembro, em casa, isto depois de um outro de que havia sofrido  há 8 anos, vindo a falecer na quinta-feira passada, dia 20.


 JORGE NETO - A Morte que matou a lira cabo-verdiana  e santomense aos 56 anos
BREVE ENTREVISTA, para a Rádio Comercial-RDP, que me concedeu, em Lisboa, no principio da década de 90, num encontro casual, ainda com um sotaque mais europeu de que ilhéu  –  Com a voz inicial de Júlia Lelo, que gravei no antigo e mítico Botequim de Natalia Correia  -- Aqui lhe presto o meu singelo tributo, com este video, ilustrado com algumas imagens da sua carreira


JORGE NETO - A Morte que matou a lira cabo-verdiana  e santomense aos 56 anos





BREVE CONFISSÃO  “o meu espectáculo exige muita ginástica, tenho que fazer muita ginástica. Eu tenho um corpo realmente musculoso mas não tenho a intenção de usar o meu corpo na violência. És religioso acreditas nalgum ser sobrenatural? Eu acredito em várias coisas, não tenho uma religião propriamente dita. Mas há livros em que eu acredito: Coisas do misticismo, em que acredito que sejam realmente possíveis. Não bebo álcool nem fumo tabaco. Tenho que ter uma preparação muito grande para manter o equilíbrio para não me sentir tonto . Eu faço uma alimentação muito rigorosa para não ter problemas nem tonturas, à base de cereais e de proteínas de soja, o mais possível de alimentos naturais. Faço muita ginástica de manhã e à noite antes de me deitar 

Jorge Neto nasceu em São Tomé e Príncipe em 1964, na antiga Roça Água Izé, filho de pai santomense,  Henrique Neto, natural de Santana (também ele grande dançarino,  tal como viria a ser o  filho, ligado  grupos folclóricos), enfermeiro naquela roça da  CUF.  A mãe de Jorge Neto, era serviçal cabo-verdiana, pois, naquele tempo, os forros não trabalhavam como serviçais nas Roças: moravam nas suas aldeias ou vilas e iam trabalhar nas roças, quando queriam, em empreitadas  de capinagem, em plantações, nas colheitas de cacau, dos cocos e das pinhas do azeite e, por vezes, também do café. porém, depois de concluírem as  tarefas, que lhe eram destinadas, voltavam para suas  humildes cubatas,  não iam para as senzalas. como os contratados de Cabo verde ou como os outros serviçais -  diga-se, mais  forçados  de que contratados-  de Angola e Moçambique.  

Em Fernão Dias -  Regresso
Na roça Uba-Budo. almoço da marmita
Por exemplo, quando fui empregado de mato na Roça Uba-Budo, os forros que ali iam trabalhar, eram sobretudo de Santana: à  medida que concluíam a empreitada, iam-se embora. O empregado de mato, geralmente branco, esse, é  que só podia voltar ao terreiro da dependência ou da sede da roça, ao fim do dia; por lá andava de machim na mão, chovesse ou fizesse sol, até ao pôr-do-sol.  Acordava às 4.30 da manhã para a formatura do pessoal  no terreiro para depois dali seguir com um certo número de trabalhadores e o capataz, mesmo antes do sol se erguer do oceano. Por vezes, o capataz é que trazia o seu grupo de forros.

Dado os profundos laços, que tinha com S. Tomé, embora tendo daqui saído aos 11 anos para Portugal, por várias vezes aqui se deslocou Tendo gravado aqui alguns dos seus temas mais populares, Felicidade e Rosinha, este na antiga Roça Rio do Oiro, Roça Agostinho Neto,onde existe uma numerosa comunidade de cabo-verdianos e onde eu também trabalhei como empregado de mato, um ano depois de ele ter nascido

A sua morte, noticia de destaque pela imprensa portuguesa e dos PALOP que “O mundo da música caboverdiana, em particular, e lusófona, globalmente, ficou mais pobre, com a morte do cantor, compositor e artista de palco, Jorge Neto.

"Jorge Neto, monstro da música pop caboverdiana, nasceu há 55 anos, em S. Tomé e Príncipe, de mãe caboverdiana e pai santomense e cresceu nos arredores de Lisboa, onde começou a dar os primeiros passos no mundo da música.
Mas, foi em Roterdão na Holanda, que com outros nomes duma nova música pop caboverdiana, com influências do reggae, kizomba ou cabolove, que Jorge Neto, se tornou o ícone da banda Livity.
Estávamos nos fins dos anos 80 começos dos anos 90, Jorge Neto, ganha o concurso Todo o Mundo Canta, na Holanda, e vai representar a diáspora caboverdiana nesse país, em 1987, no Todo o Mundo Canta, em Cabo Verde.
Sai como a grande estrela do Todo o Mundo Canta de Cabo Verde, e com os seus companheiros do Livity, vão revolucionar a música pop contemporânea, introduzindo a dança espectacular no palco, ganhando fãs, em todo o mundo lusófono.

Jorge Neto e o grupo Livity revolucionaram os palcos da Lusofonia 
De sucesso em sucesso, primeiro com os Livity, depois, com os grupos Coladance e Splash, Jorge Neto, Grace Évora ou outra grande estrela da música caboverdiana, Gil Semedo, percorrem os palcos da Holanda, Europa e de todos os países afro-lusófonos, nomeadamente, sua terra natal, S. Tomé e Príncipe.
O desaparecimento físico, de Jorge Neto, mergulhou numa profunda tristeza, não só os caboverdianos, de todas as esferas musicais, culturais e políticos, mas também de todos os lusófonos e suas diásporas espalhadas pelo mundo.

Gilyto Semedo, produtor, cantor e bailarino, que dividiu o palco várias vezes com o grande artista, Jorge Neto, recorda este seu grande amigo, com quem passou, inclusivamente, por Paris, num concerto inesquecível, no Elisée Montmartre. 
A morte de Jorge Neto, foi "um choque que entristeceu a todos e com a notícia ficámos paralisados, porque é um sentimento inexplicável", assim, reagiu, também a cantora crioula, Solange Cesarovna, Presidente da SCM, Sociedade caboverdiana da Mú

A morte de Jorge Neto, foi "um choque que entristeceu a todos e com a notícia ficámos paralisados, porque é um sentimento inexplicável", assim, reagiu, também a cantora crioula, Solange Cesarovna, Presidente da SCM, Sociedade caboverdiana da Mú

De notar enfim, que o cantor e homem de palco, Jorge Neto, dançarino, que se inspirou nos passes de James Brown e Michael Jackson, gravou discos com os Livity, mas também a solo e deixa-nos para a história cultural e musical, a sua famosa canção "Rosinha" e álbuns, como Nha Palco,  “Dja ca Da”, “Jorge Neto”, “Papia Bu Manera”, “Dia Diferente”, “Neto e Cabo Verde”; “Boca Povo", Rapaz Novo" ou "Harmonia". http://www.rfi.fr/pt/cabo-verde/20200221-morreu-jorge-neto-gigante-da-m%C3%BAsica-pop-caboverdiana

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