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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

VEJO A LUZ DA NÉVOA COMO A NÃO VIA





Sei que estes sagrados lugares
- matriz da minhas raízes que me viram nascer –
espaço aberto onde o universo se abre como verbo inicial
na vibrante transparência da densa neblina que me envolve,
onde não bole ou ondula a mais leve aragem ou frágil frémito
senão o fluído silencioso rumor que ressoa aos céus
ao voo imóvel e transparente da eternidade,
que têm a beleza e a vibração da alvura
de outro mundo e a pura graça de Deus.

JTM - Peregrino da Luz



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