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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 22 de abril de 2020

COVID 19 - BOM DIA SOLIDÃO! DOU GRAÇAS À VIDA ! AO MILAGRE DE EXISTIR




Aleluia! Aleluia! Aleluia! Celebre o seu dia!- Estas são as vozes e os sons que me fazem diariamente companhia, evitando o ruído televisivo - Apenas durmo algumas horas de dois em dois dias e sinto-me bem e tranquilo com a minha vigília na intimidade solitária de minha casa, recostado no meu leito





Deus ouve a nossa voz - E a sua Voz é a Voz da Natureza. Aprendamos pois a escutá-la.no silêncio do recolhimento, seja no mais desolado ermo ou na intimidade mais secreta da nossa casa. Para dela deciframos todos os prodígios dos seus mistérios e enigmas e nos confortarmos com aparente solidão ou ansiedade dos dias em que vivemos - Assim fala também a voz do poeta:
"Hino à Solidão" - António Feijó - 1859-1917 -

"Diz-se que a solidão torna a vida um deserto;
Mas quem sabe viver com a sua alma nunca
Se encontra só; a Alma é um mundo, um" mundo
[aberto
Cujo átrio, a nossos pés, de pétalas se junca.

Mundo vasto que mil existências povoam:
Imagens, concepções, formas do sentimento,
— Sonhos puros que nele em beleza revoam
E ficam a brilhar, sóis do seu firmamento.

Dia a dia, hora a hora, o Pensamento lavra
Esse fecundo chão onde se esconde e medra
A semente que vai germinar na Palavra,
Cantar no Som, flores na Cor, sorrir na Pedra!

Basta que certa luz de seus raios aqueça
A semente que jaz na sua leiva escondida,
Para que ela, a sorrir, desabroche e floresça,
De perfumes enchendo as estradas da Vida.

Sei que embora essa luz nem para todos tenha
O mesmo brilho, o mesmo impulso criador,
Da Glória, sempre vã, todo o asceta desdenha,
Vivendo como um deus no seu mundo interior.

E que mundo sublime, esse em que ele se agita!
Mundo que de si mesmo e em si mesmo criou,
E em cuja criação o seu sangue palpita,
Que não há deus estranho aos orbes que formou.

Nem lutas, nem paixões: ideais serenidades
Em que o Tempo se esvai sob o encanto da Hora...
O passado e o porvir são ânsias e saudades:
Só no instante que passa a plenitude mora.

Sombra crepuscular, que a Noite não atinge,
Nem a Aurora desfaz: rosicler e luar,
Meia tinta em que a Alma abre os lábios de Esfinge,
E o seu mistério ensina a quem sabe escutar.

Mas então, inundando essa penumbra doce,
De não sei que sublime esplendor sideral,
Como se a emanação dum ser divino fosse,
Deixa no nosso olhar um reflexo imortal.

Na vertigem que a vida exalta e desvaria,
Pára alguém para ouvir um coração que bate
No seio mais formoso, o olhar que se extasia
Vê o mundo que nele em ânsias se debate?

É só na solidão que a alma se revela,
Como uma flor nocturna as pétalas abrindo,
A uma luz, que é talvez o clarão duma estrela,
Talvez o olhar de Deus, de astro em astro caindo...

E dessa luz, a flor sem forma, há pouco obscura,
Recebe o seu quinhão de graça e de pureza,
Como das mãos do artista, animando a escultura,
O mármore recebe a sua alma — a Beleza

António Feijó, in 'Sol de Inverno'




António Feijó (1859-1917) foi um poeta e diplomata português. António Joaquim de Castro Feijó nasceu em Ponte de Lima em 1859. Estudou Direito em Coimbra terminando o curso em 1883, ingressando na carreira diplomática. Exerceu cargos de início no Brasil (consulados de Pernambuco e Rio Grande do Sul) e, mais tarde, a partir de 1895, na Suécia, bem como na Noruega e Dinamarca. Na Escandinávia, ficará aliás colocado até morrer em Estocolmo no ano de 1917. Casou em 1900 com Mercedes Joana Leuwem. Como poeta, António Feijó é habitualmente ligado ao Parnasianismo. Principais obras: Transfigurações, 1862 Líricas e Bucólicas, 1884 Cancioneiro Chinês, 1890 Ilha dos Amores, 1897 Bailatas, 1907 Sol de Inverno, 1922 Novas Bailatas, 1926


Poeta e diplomata português. Formou-se em Direito em Coimbra, tendo exercido a advocacia por um breve período de tempo e seguido depois a carreira diplomática. Foi cônsul no Brasil (1886) e, até à data da sua morte, ministro de Portugal na Suécia, onde veio também a casar. Poeta ligado ao parnasianismo, é considerado o representante português, por excelência, deste movimento estético. https://www.escritas.org/pt/bio/antonio-feijo



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