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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Poeta e escritora Maria Celestina Fernandes - A voz feminina e amorosa da poesia e da narrativa infantil da angolana

Jorge Trabulo Marques - Jornalista


Maria Celestina Fernandes, autora de mais de uma dezena de obras,  uma referência na poesia, na literatura infantil e juvenil angolano, tal como é sublinhado, “das poucas que dividem o tempo com os menores, dando-lhes manancial de informações, através de livros nos quais aborda variados temas, com realce para os aspectos sócio-culturais e ambientais do país: tradições, mitos, usos e costumes, fauna, flora, belezas naturais, entre outros.
Entre os seus muitos poemas, tomámos a liberdade de aqui lhe transcrevermos estes seus belos versos, com imagens  que lhe fizemos, há 4 anos na feira do Livro de Lisboa
Amar é dar-se
Ainda que silenciosamente
Ama-se:
Quem se quer,
Quando se quer,
Onde se quer.

Amar é sentimento livre de dois gumes,
Ora magoa,
Se incompreendido e rejeitado;
Ora reconforta,
Se retribuído e partilhado.

Amar é como alimentar da chama
Que exige constância
Para mantê-la acesa,
Senão ela se extingue
Deixando atrás de si a fria cinza
"
Poema Amar In poemas

AS CRIANÇAS SÃO TAMBÉM O FERMENTO  PARA A MAGIA DOS SEUS LIVROS E DA SUA POESIA – É o que pode depreender-se das suas palavras na entrevista que concedeu à agência angolana AGNOP /



Angop: Publicou, recentemente, “Os Padrinhos da Nazarena”, uma obra marcada por temas como a guerra, a exploração, a infidelidade, a infertilidade, a discriminação, a adopção, o preconceito e o racismo. Quem tem acompanhado o seu trabalho vai encontrar aqui uma grande viragem?
Maria Celestina Fernandes (MCF) – O livro “Os Padrinhos da Nazarena” é o meu terceiro romance. Já tenho no mercado “Os Panos Brancos e Amuxiluanda”. Porém, o meu compromisso com as crianças é eterno. Enquanto tiver forças e imaginação, vou continuar a escrever para as novas gerações. É um trabalho ao qual me dedico com amor, paixão (…).
Angop: Quem lê Maria Celestina Fernandes encontra, nas suas obras, uma espécie de toque mágico, um tónico que cativa e incentiva os leitores a continuarem a meditar. Onde vai buscar a inspiração para escrever? 
MCF – A inspiração partiu de crianças, que são os meus próprios filhos. Quando eram pequenos, eu lia para eles e, assim, incentivava-os também a gostar de ler desde muito cedo. Comentávamos depois as leituras, até que um dia me decidi a escrever algo para eles. A experiência foi bonita, e foi muito surpreendente a forma como receberam a invenção da mãe. Não só adoraram, mas também pediram que escrevesse outra estória e, a partir dali, iniciei a minha aventura pelo mundo da literatura, particularmente na vertente infantil. Escrevi o primeiro conto, o segundo e, por eles, se possível fosse, apresentar-lhes-ia um por dia.
Maria Celestina Fernandes, nasceu no Lubango, a 12 de Setembro de 1945. Fez os seus estudos primários e secundários em Luanda, tendo completado o ensino licial no liceu Salvador Correia. É Assistente Social, formada pelo Instituto de Serviço Social Pio XII e licenciada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto. Ingressou em 1975 para o quadro do Banco Nacional de Angola, onde trabalhou por mais de duas décadas, inicialmente com a função de chefe do Departamento Social e depois como Subdirectora da Direcção Jurídica, categoria em que se reformou.

Iniciou a carreira literária no início da década de oitenta, com a publicação de trabalhos no Jornal de Angola e Boletim da Organização da Mulher Angolana-OMA.

Sua maior produção é dirigida à literatura infanto-juvenil.


Era uma vez um rapazinho que um dia desejou possuir o sol. Se alguma vez olharem para o céu, a hora do pôr do sol; se por acaso descobrirem qualquer coisa, lá em cima, que lembre um menino. Pois, não se esqueçam que esse menino pode bem ser um Hossi!...

Extractos do conto "A Bola de Fogo" In: A Árvore do Gingongos, 1993,p.17.

Tem as seguintes obras editadas:

Obras Infanto-Juvenil

A Borboleta Cor de Ouro 1990, UEA;Kalimba 1992, INALD; A Árvore dos Gingongos 1993, Edições Margem; A Rainha Tartaruga, 1997 INALD;A filha do Soba 2001, Editorial Nzila: O Presente 2002, Edições Chá de Caxinde; A Estrela que Sorri 2005, UEA, É Preciso Prevenir 2006, UEA; As Três Aventureiras no Parque e a Joaninha 2006, UEA; União Arco Íris 2006, INALD; Colectânea de Contos 2006, INALD

Sonhando; A Abelha e a Flor do Campo e Kalimba; O Menino Brincalhão; Canção Para os Kandengues, Amigas em Kalandula; A Rainha Tartaruga; O Jardim do Livro


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