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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Tributo a Agostinho Neto - Com sons de Angola na noite de Lisboa - Poeta, Médico Pai da Nação Angolana

Jorge Trabulo Marques - Jornalista












Cidadão angolano dedilhando sons e vozes da sua amada pátria em pleno coração da cidade de Lisboa - Que mais lembram lágrimas de sentida saudade , ante a indiferença de quem passa e para cuja caixa da sua viola, nem sempre cai a desejada moeda.


Nestes dias de incerteza e de ansiedade, que antecedem a Páscoa, aqui evoco a grande figura histórica  da fundação da nacionalidade angolana, distinto dirigente do MPLA e primeiro presidente do seu país, com um dos seus belos e comoventes poemas Kinaxixi

"Gostava de estar sentado
num banco do Kinaxixi
às seis horas duma tarde muito quente
e ficar...

Alguém viria
talvez
sentar-se ao meu lado

E veria as faces negras da gente
a subir a calçada
vagarosamente
exprimindo ausência no quimbundo mestiço
das conversas.

Veria os passos fatigados
dos servos dos pais também servos
buscando aqui amor e ali glória
além de uma embriaguez em cada álcool.
Nem felicidade nem ódio.
Depois do sol posto
esconderiam as luzes e eu
iria sem rumo
a pensar que a nossa vida é simples afinal
demasiado simples
para quem está cansado e precisa de marchar.


Médico, Escritor e Político Angolano, principal figura do país no século XX - De seu nome completo, Agostinho Agostinho Neto, nasceu na aldeia de Kaxicane, região de Icolo e Bengo, a cerca de 60 km de Luanda. E faleceu, em Moscovo,  a 10 de Setembro de 1979 -  O pai era pastor e professor da Igreja Metodista e, a sua mãe, era igualmente professora.

“Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a Guerra Colonial Portuguesa. Foi preso pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), a polícia política do regime Salazarista então vigente em Portugal, e deportado para o Tarrafal, uma prisão política em Cabo Verde, sendo-lhe depois fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio. Aí assumiu a direcção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual já era presidente honorário desde 1962. Em paralelo, desenvolveu uma actividade literária, escrevendo nomeadamente poemas”- Excerto de https://pt.wikipedia.org/wiki/Agostinho_Neto




"António Agostinho, era médico de profissão, poeta por vocação e um líder por natureza. Nascido a 17 de Setembro de 1922, na aldeia de Kaxicane, freguesia de São José, no município de Ícolo e Bengo, na província de Luanda, era filho do pastor metodista, Agostinho Neto, catequista da missão metodista americana em Luanda (sendo mais tarde pastor e professor nos Dembos), e da professora Maria da Silva Neto. Após concluir o ensino primário, entrou para o Liceu “Salvador Correia”, em Luanda, onde terminou o 7º ano em 1944. Depois, partiu para Portugal para frequentar a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. 

Os seus poemas e artigos, aliados ao seu engajamento político fizeram com que fosse perseguido e preso pela PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado), órgão repressor da ditadura Salazarista que combatia os movimentos nacionalistas das colónias portuguesas de então. Foi deportado para o Tarrafal, uma prisão política em Cabo Verde. Posto em liberdade, retoma a atividade política e intelectual, fundando em Lisboa, em parceria com Amilcar Cabral, Mário de AndradeMarcelino dos Santos e Francisco José Tenreiro, o Centro de Estudos Africanos, orientado para a afirmação da nacionalidade africana. Em 1951, é indicado como representante da Juventude das colónias portuguesas junto do MUD-Juvenil (Movimento de unidade democrática-Juvenil) português.




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