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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 5 de maio de 2020

Dia Mundial da Língua Portuguesa - Mensagem do Embaixador Tito Mba Ada – “O vínculo do povo da Guiné Equatorial com a Língua Portuguesa é real,não é uma invenção política: foi um navegador português que reclamou as ilhas do Golfo da Guiné para a Coroa Portuguesa; foram portugueses a colonizar e a comerciar naquela zona de África durante séculos; foi o Português o idioma que deixou raiz na ilha de Annobon, na forma do crioulo que ainda hoje se fala. – Palavras que nos fez chegar o distinto diplomata, que é também o representante da missão permanente da Guiné Equatorial junto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) –

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) , em Nov do ano passado, oficializou o 5 de Maio, como o dia Mundial da Língua Portuguesa, data esta que,  desde 2009, já era comemorada como  o Dia da Língua e da Cultura Portuguesa, instituído pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Várias personalidades do mundo lusófono associaram-se hoje à efeméride consagrada pela UNESCO num  diversificado programa, incluindo  mensagens, concertos online, entre outras iniciativas, assinalada pelo Ministério da Cultura e pela Câmara de Lisboa. Bem como pelo Instituto Camões, que  o assinou protocolo com a FLAD para o desenvolvimento do português nos Estados Unido


O Embaixador, Tito Mba Ada, que é também representante da missão permanente da Guiné Equatorial junto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), reside em Portugal, pais pelo qual se confessa apaixonado


MENSAGEM DE TITO MBA ADA  "O Dia Mundial da Língua Portuguesa 2020 é a ocasião para reconhecer a enorme contribuição da Língua Portuguesa para a cultura universal"


"O potencial de implantação da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial está na sua juventude, naqueles que, agora, estão estudando nas Universidades de Portugal, e naqueles que, no País, irão aprender o idioma que, agora, lhes é desconhecido, embora atrativo, mas que tanta importância teve na construção do seu País, como língua de ciência e de negócio. - Diz  Sua Excelência o Embaixador Tito Mba Ada Representante Permanente da Guiné Equatorial na CPLP por ocasião do Dia Mundial da Língua Portuguesa 2020 -  Destaca o distinto diplomata na sua amistosa mensagem para com Portugal e a Mingua Portuguesa 



Fernando Pó - 1771
Tendo começado  por sublinhar que "O Dia Mundial da Língua Portuguesa 2020 é a ocasião para reconhecer a enorme contribuição da Língua Portuguesa para a cultura universal, e para renovar o nosso compromisso com o multilinguismo. É a oportunidade de comemorar a língua dos nove Estados Membros da CPLP, falada por mais de 255 milhões de pessoas em todo o mundo.

1771 - Ano Bom

No final de Março de 2020, já a Guiné Equatorial tinha em vigor medidas de contenção contra a atual pandemia, os serviços noticiosos da televisão nacional passavam blocos informativos sobre as ações necessárias para evitar o contágio. Depois da óbvia informação em língua espanhola, o mesmo bloco era transmitido em Fang, Bubi, Bisio, Annobonense e Kombe, os idiomas nativos. O bloco transmitido em Annobonense, ou Fá d’Ambó, continha várias palavras perfeitamente inteligíveis em Português – o legado do século XV fazia-se ouvir, seis séculos depois, numa altura em que era vital que toda a população entendesse o que se estava a passar.

O vínculo do povo da Guiné Equatorial com a Língua Portuguesa é real, não é uma invenção política: foi um navegador português que reclamou as ilhas do Golfo da Guiné para a Coroa Portuguesa; foram portugueses a colonizar e a comerciar naquela zona de África durante séculos; foi o Português o idioma que deixou raiz na ilha de Annobon, na forma do crioulo que ainda hoje se fala. Entretanto, o passo para a oficialização do Português foi dado há seis anos, e não há arrependimentos – cabe agora aos vários atores envolvidos a continuação e desenvolvimento do processo iniciado com a integração.

De vital importância tem sido o apoio do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, destacando, mais recentemente, a visita da sua Alta Delegação, no contexto da realização do Seminário de Capacitação aos Pontos Focais e Comissão Nacional da CPLP, evento reconhecidamente coroado de sucesso, que contou com o testemunho da Exma. Sra. Presidente do Conselho Cientiifico, Margarita Correia.


A UNESCO oficializou o dia 5 de Maio como o Dia Mundial da Língua Portuguesa, um passo muito importante para o seu reconhecimento global. A situação geoestratégica da Guiné Equatorial e a sua inserção em várias comunidades económicas da África Ocidental dão mais força à implantação da Língua Portuguesa nessa zona. No contexto da crise mundial atual, será a primeira vez que o Dia da Língua Portuguesa será comemorado como Dia Mundial, e a importância que se atribui à prática de atividades culturais poderá não ser tão visível, mas iremos, mesmo assim, comemorar o evento, reconhecendo o contributo de todos os atores envolvidos, nomeadamente o Camões-ICP e o IILP, e o próprio Governo e Povo da Guiné Equatorial.

O potencial de implantação da Língua Portuguesa na Guiné Equatorial está na sua juventude, naqueles que, agora, estão estudando nas Universidades de Portugal, e naqueles que, no País, irão aprender o idioma que, agora, lhes é desconhecido, embora atrativo, mas que tanta importância teve na construção do seu País, como língua de ciência e de negócio. Através do planeamento eficiente do ensino deste novo idioma e do intercâmbio de estudantes universitários, dentro de anos toda esta geração e as seguintes serão multilingues, partilhando o convívio com as línguas nativas.
Dentro de anos, também, esta conjuntura de medo e insegurança será apenas uma recordação longínqua, e a pátria de que Bernardo Soares falava será um enorme Império, mas não de subjugação, e sim de compreensão e comunicação.


Jorge Marques  com o Embaixador Tito Mba Ada

Na honrosa entrevista que nos concedeu, no final do  VI Congresso Ordinário do Partido Democrático da Guiné  Equatorial (PDGE) que decorreu, em Bata, em Julho de 2017. recordou-nos o vinculo histórico que liga  Portugal e a Guiné equatorial, dizendo-nos que gostaria que muitos portugueses visitassem o seu pais, pois admite que "muitos portugueses não conhecem a Guiné Equatorial. Têm que vir conhecer a Guiné Equatorial, investir na Guiné Equatorial, conhecer os guineenses, e trabalhar juntos, porque juntos somos 
mais fortes e competitivos.




Imagens em Lisboa numa das festivas comemorações  do Dia Nacional da Guiné Equatorial


Portugal é uma potência turística, porque acolhe mais de três 
milhões de turistas, então é um dos países que sabem gerir a afluência turística. A Guiné Equatorial é um destino óptimo, um dos melhores de África, e é uma prioridade para o Governo do meu País, portanto é uma área decisiva.


Presidente Obiang
Embaixador Tito Mba Ada: “Portugal é um dos países que beneficiou da integração da Guiné Equatorial na CPLP, em termos de negócios”. “Temos muitas ligações antigas com Portugal, e a Comunidade é uma prioridade para a Guiné Equatorial, e queremos que todos os dias venham portugueses conhecer este belo país – Três séculos, possessão portuguesa, que o tratado de El Pardo separou contra a vontade do povo nativo: “convocando o Capitão Mor da sobredita Ilha, e alguns negros mais principaes, lhe propus as ordens de Sua Mag, dizendo lhes hera preciso jurarem obediencia a El Rey Catholico, me responderão que não, e que elles não conheciao senão a El Rey de Portugal, e que do de Espanha nunca ouvirão falar; ao que se sseguio hum motim geral de Homens e/ Mulheres”

 Guiné Equatorial foi admitida a 23 de Julho de 2014 como membro CPLP, na X cimeira de chefes de Estado e de Governo da organização, em Díli, na sequência de  um processo de dez anos.

Tito Mba Ada, que é também representante da missão permanente da Guiné Equatorial junto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), reside em Portugal, pais pelo qual se confessa apaixonado:


Questionado em que outras áreas, os portugueses poderiam investir no seu país,  a nível empresarial, respondeu-nos que na “agricultura, na pequena indústria, no mar e pescas, o mar tem recursos importantes para a alimentação e para a ciência, portanto Portugal tem óptima oportunidade de investimento, e também na língua portuguesa – Portugal tem que investir, aqui, na língua portuguesa, para fazer negócios em português. Gostaríamos que Portugal oferecesse bolsas de estudo para que estudantes da Guiné Equatorial possam ir estudar naquele país, sendo uma garantia da integração. Neste campo, a Guiné Equatorial não deve fazer esforços unilaterais.

Você esteve aqui, dia e noite, em qualquer lugar, com a sua câmara, esteve perto do Presidente, foi bem recebido na Guiné Equatorial, e, portanto, queremos que seja o melhor interlocutor, o melhor embaixador da Guiné Equatorial.

Recebido pelo Secretário-Geral do PDGE
E, na verdade, nos dias em que ali estivemos, sentimo-nos tranquilo e feliz – Quer em Malabo, quer em Bata, Cidade portuária da Guiné Equatorial, capital da Província continental, Mbini (antiga colónia espanhola de Río Muñi)l e  segunda maior cidade do país.- Naquela que é também classificada como a “suíça africana”  - Pelo rasgo e criatividade arquitetónica dos seus edifícios, das suas largas e belas  avenidas marginais, praias de areia fina a perderem-se de vista, a curta distância por excelentes estradas – Cremos que mais  livre e mais segura que a generalidade das capitais europeias  – Sim, nos dias em que ali estivemos, sentimo-nos tranquilo e feliz – Naquela que é também classificada como a “suíça africana”  - Pelo rasgo e criatividade arquitetónica dos seus edifícios, das suas largas e belas  avenidas marginais, praias de areia fina a perderem-se de vista, a curta distância por excelentes estradas – Cremos que mais  livre e mais segura que a generalidade das capitais europeias






 QUEM É QUE DIZ QUE A  GUINÉ EQUATORIAL NÃO DEVERIA PERTENCER À CPLP? - UM TERRITÓRIO DESCOBERTO POR PORTUGUESES E NA SUA POSSE MAIS DE TRÊS SÉCULOS? - Não foram os pobres  e humildes negros que quiseram deixar de pertencer à coroa de Portugal, bem pelo contrário, até se opuseram violentamente quando foram confrontados com as imposições régias, mas os arranjos palacianos



“Nossa Senhora da Graça, aos 30 de Novembro de 1778, fundeado em a enciada da Ilha de Anno Bom  - Attesto em como dando fundo na enciada de Anno Bom em o dia quinta feira 26 de Novembro, e dezembarcando em o dia sabado 28 para dar posse ao Commissario de Sua Mag.de Catholica da sobredita Ilha conforme as ordens de que vinha munido pela minha Soberana, dezembarcando em companhia do sobredito commissario e mais officiaes, que nos acompanhavão para Testemunhas daquelle Acto; nos dirigimos a Igreja, levando em nossa companhia vinte soldados armados, e tendo se celebrado o officio Divino da Missa acabado elle convocando o Capitão Mor da sobredita Ilha, e alguns negros mais principaes, lhe propus as ordens de Sua Mag.de Fidelíssima, para a cessão da mesma, dizendo lhes hera precizo, que juraçem obediencia a El Rey Catholico, como determinava a Nossa Soberana, ao que me responderão o não podião fazer sem convocarem o Povo, estando a este tempo ja todo junto em motim, e propondo se lhe com effeito em altas vozes, as ordens que trazia, em motim responderão todos, que não, e que elles não conheciao senão a El Rey de Portugal, e que do de Espanha nunca ouvirão falar; 

 Não foi imposição. A Guiné Equatorial solicitou entrar na CPLP, e acordou, voluntariamente, adoptar a língua portuguesa como a terceira língua. Agora, ninguém pode aprender, e falar, uma língua em dois dias. Portanto, a Guiné Equatorial, como sabe, agora está a transmitir telejornais em português, estamos a fazer esforços, e precisamos que a nossa Comunidade apoie a Guiné Equatorial, em matéria de língua portuguesa.

Temos muitas ligações antigas com Portugal, e a Comunidade é uma prioridade para a Guiné Equatorial, e queremos que todos os dias venham portugueses conhecer este belo país.


- O que acha que devia ser feito, aqui, por Portugal, para intensificar essa relação? Se, por um lado, a Guiné Equatorial já tem o seu espaço, em Lisboa, já fez esse esforço de integração, o que é que falta


fazer, por parte de Portugal, para que essa integração seja mais profícua, mais intensa?


Creio que faz falta passar da teoria à prática. Cremos que muitos portugueses não conhecem a Guiné Equatorial. Têm que vir conhecer a Guiné Equatorial, investir na Guiné Equatorial, conhecer os guineenses, e trabalhar juntos, porque juntos somos mais fortes e competitivos.





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