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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Duarte Pio, Duque de Bragança - Parabéns pelo seu aniversário - Grande Amigo de São Tomé e Principe - Considera que "a ligação do homem com a terra é fundamental. É o começo da humanidade. Diz que a adesão de Portugal à UE foi uma atitude altamente irresponsável da parte de quem negociou a nossa adesão.

JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA


OS MEUS PARABÉNS E RECORDANDO UM GESTO NOBRE E CORAJOSO  - Do herdeiro da monarquia portuguesa no dia em que um colono, em São Tomé, me IMPEDIA A ENTRADA NO SEU RESTAURANTE  - Pormenores mais à ferente

DOM DUARTE DUQUE DE BRAGANÇA -  Foi o primeiro filho de D. Duarte Nuno de Bragança e de D. Maria Francisca de Orléans e Bragança. Os seus padrinhos de baptismo foram, por representação, o Papa Pio XII, a Rainha-viúva D. Amélia de Orleães e a Princesa Aldegundes de Liechtenstein.-

 O herdeiro da Casa Real Portuguesa, Nasceu em Berna, no dia 15 de Maio de 1945, na Embaixada Portuguesa, oito dias depois da rendição da Alemanha.  - 

Tenho uma grande admiração pela sua sensibilidade cultural e humanística. Conheci-o, pela primeira vez, em S. Tomé, em 1972 –  Num gesto de grande coragem, onde pretendia desenvolver um projeto agricola.  Mas inviabilizado por, nesse ano, ter sido   expulso   de Angola pelo regime fascista de  Marcelo Caetano, ao ter organizado , com um grupo multiétnico angolano, uma lista independente de candidatos à Assembleia Nacional, onde, aliás, havia cumprido   o serviço militar,  como tenente da Força Aérea Portuguesa





Conhecendo já os meus artigos na revista Semana Ilustrada, de Luanda, da qual eu era correspondente em S. Tomé e Príncipe, ao ver-me na rua, veio junto de mim para me perguntar a minha opinião: “Sei que a sua revista já me criticou mas eu não me importo de falar consigo” – Eu sou o Duarte Pio, Duque de Bragança e
  gostaria de saber  o que a acha da exploração de ananases na ilha  ou a   quem eu podia dirigir-me para me dar informações técnicas sobre esta cultura“

Tendo-me oferecido, nesse dia,  o almoço na sua mesa - E, curiosamente, devido a este inesperado facto:

Ao aperceber-se que, o dono do restaurante Palmar, me impedia de ali entrar devido a um artigo que publicara na semana Ilustrada, com o qual chamava de Exploradores, ao donos dos bares, pelo facto de a cerveja estar a ser vendida mais cara, que a margem de lucro prevista no Boletim Oficial,  dono do restaurante, ao aproximar-me da porta. veio ao meu encontro, abrindo desabridamente os braços, nestes termos: Você não entra aqui em minha casa! – Foi, então, que, de lá de dentro, ouço, numa das pessoas , a voz de  Dom Duarte Pio de Bragança, que teve um gesto à altura dos pergaminhos da sua nobreza, dizendo: Por favor, deixe entrar esse senhor, que é meu convidado.  - E lá fui sentar-me à mesa do corajoso Príncipe, para minha reconfortante surpresa e satisfação. Gesto este que acabaria por  consolidar um relacionamento muito cordial e honroso, que se prolongaria, desde então,  até aos dias de hoje 

Eu mesmo lhe confessei que tinha alguma experiência dessa cultura, quer na Brigada de Fomento-Agro-Pecuário, quer no serviço militar, como furriel miliciano, quando ali estive encarregado da Agropecuária – Trocámos impressões e aconselhei-o também a falar com alguém da Roça S. Vicente, do Eng. Salustino da Graça do Espírito Santo, na Trindade, que era a propriedade  que tinha uma das melhores explorações de ananaseiros, próximo da então Vila da Trindade.

Não  vim a saber se chegou a deslocar-se a essa propriedade  – Mas, se o fez, talvez essa até fosse uma das razões pelas quais também não lograria fixar-se em S. Tomé, dadas as conhecidas posições politicas da família Espírito Santo ao colonialismo português. – Depois desse dia, não o voltei a ver, pelo que presumi que tivesse regressado à “Metrópole”

No entanto, após ter regressado a Portugal, na sequência da minha atribulada aventura dos 38 dias, sozinho, a bordo de uma canoa, várias foram as vezes com o qual tive oportunidade de trocar diálogos muito cordiais e de até o ter entrevistado para a Rádio Comercial – Curiosamente, numa das vezes, num programa da noite, de Rui Castelar. No final da entrevistar, acompanhei-o na viatura de reportagem desta estação, na companhia do Assistente de Realização Mário Marques, e, a dada altura, quando já nos aproximávamos ad sua residência, em Sintra, ao apercebermo-nos do princípio de incêndio, que deflagra próximo da estrada, ele próprio toma a iniciativa de nos pedir para parar a viatura e irmos apagar o Inocêncio: e assim fizemos: enquanto não se extinguiu a última labareda, com ramos de  mato, ninguém arredou pé.




Dom  Henrique
DOM DUARTE DUQUE DE BRAGANÇA, TEM-SE DESLOCADO VÁRIAS VEZES A S. TOME E PRINCIPE, Uma dessas visitas, infelizmente coincidiu  com a morte de seu irmão, ,  D. Henrique de Bragança, 67  anos de idade, duque de Coimbra quando ali se encontrava em mais uma das várias iniciativas de solidariedade social

Este era o teor de uma das noticias, que dava conta do seu projeto – “O Herdeiro da Casa Real Portuguesa, após apresentar cumprimentos ao Presidente da República, Evaristo Carvalho, acompanhado pelo Bispo da Diocese de STP, D. Manuel António Mendes dos Santos,  em declarações à imprensa, falou dos objetivos da sua visita, 

Duque de Bragança cria lar de estudantes em São Tomé e Príncipe - Título de uma noticia no JN
(...) Duarte de Bragança encontra-se de visita de cinco dias ao arquipélago e foi hoje recebido em audiência pelo Presidente são-tomense, Evaristo Carvalho.

Disse a saída que esse lar destina-se a albergar os alunos do interior do país e frequentam as aulas na capital.

O duque de Bragança citou ainda a agricultura familiar como outro projeto de caráter social que pretende desenvolver em São Tomé e Príncipe, tendo dito que nesse domino já iniciou alguns expedientes.

(...) Esta é a décima visita do duque de Bragança a São Tomé e Príncipe. Duque de Bragança cria lar de estudantes em São Tomé e Príncipe


Outro curioso encontro, que aqui recordo numa fotografia,  ocorreu no antigo solar dos Visconde Banho de Almendra, correspondendo ao convite dos familiares deste belo e vetusto edifício, no qual um dos generais de Napoleão se aquartelara, na altura das invasões francesas. 

Posteriormente,  encontrámo-nos  num fantástico passeio fluvial, no Rio Tejo, com largada do cais do Parque das Nações, num dos típicos barcos amigos do ambientepara visitar as belezas naturais das margens do rio, nomeadamente os pinguins e outras aves migradoras, passeio   que eu organizei, com a imprensa estrangeira e outras personalidades, a pedido da gerência de empresa Transtroia, com a qual estabelecera relações amigas, ado se tratar de um empresário, nascido em Trancoso, próximo do meu concelho.

Era este o teor do convite  - A bordo do “Castro Júnior” - com jornalistas e várias entidades - para mostrar “cruzeiro rústico” e um novo olhar sobre a defesa de um dos mais importantes ecossistemas selvagens da Europa.


Considera que "a ligação do homem com a terra é fundamental. É o começo da humanidade. E, depois, é uma questão de sobrevivência. A única produção verdadeiramente indispensável é a de comida: pesca e agricultura é que são indispensáveis. Tudo o resto pode ser mais útil, menos útil, mas não é indispensável. Se não tivermos mais nada, continuamos a viver só com a produção alimentar. Por outro lado, desde criança percebi que a natureza estava a ser destruída, que estávamos a estragar o futuro do nosso planeta e que, se continuássemos nesta atitude irresponsável, íamos todos acabar muito mal. Para um Papa considerar que é um tema essencial para uma encíclica de facto dizer que temos de respeitar o ambiente, quer dizer que não o estamos a respeitar. E grande parte da miséria do mundo vem daí."

D. Duarte Pio: "Saída do euro seria um benefício económico para Portugal"
E do regresso a Portugal?- Declarou numa entrevista ao DN
Portugal, com a adesão à UE, teve de sacrificar muito da sua agricultura e das suas pescas.
Isso foi uma atitude altamente irresponsável da parte de quem negociou a nossa adesão. Em troca de alguns benefícios a curto prazo, nomeadamente dinheiro para fazer infraestruturas - que, ainda por cima, muitas vezes não eram prioritárias -, vendeu-se a nossa produção de riqueza. A agricultura e as pescas como, em parte, a indústria.
O atual Presidente da República tem responsabilidades diretas nessa realidade?Acha que foi um erro?
Foi um erro total e gravíssimo. Qualquer economista responsável, na época, explicava que não estávamos preparados economicamente para termos uma moeda muito valorizada. Mas não tiveram ainda a coragem para assumir essa responsabilidade do erro que cometeram. Os países que não entraram no euro, em geral, estão muito melhor do que os que entraram.
E acha que Portugal está preparado para uma eventual saída do euro?
Há uma mentira, creio que por ignorância, que tem sido repetida por muita gente, que é: se sairmos do euro é uma desgraça porque, se desvalorizarmos a nossa moeda digamos que 10% ou 15%, a nossa dívida externa aumenta na mesma proporção. Bem, em primeiro lugar, grande parte da nossa dívida não é externa, é nacional. Mas, por outro lado, é verdade que a dívida aumentaria mas também é verdade que toda a nossa produção industrial e agrícola e o turismo teriam um impulso muito grande, porque ficavam automaticamente 10% ou 15% mais baratos. O gravíssimo problema com que todos os governos se confrontam também ficava resolvido. Sobretudo a diminuição dos nossos custos iria favorecer um aumento de exportações e esse dinheiro serviria para pagar a dívida.
Portanto, não seria uma tragédia se saíssemos do euro.
Acho que seria, em certa medida, um benefício económico. Provavelmente, seria um benefício, parecendo que não. Aliás, alguns países, como a Grécia, já admitem que não é possível pagarem a sua dívida mantendo esta moeda e que tinham de fazer qualquer coisa. No caso de Portugal, também me parece que é muito difícil pagarmos a nossa dívida se continuarmos no euro. Excerto de  https://www.dn.pt/portugal/d-duarte-pio-saida-do-euro-seria-um-beneficio-economico-para-portugal-4713835.html


De recordar que, Duarte Pio, aquando da sua visita a S. Tomé, no âmbito da peregrinação da imagem da nossa senhora  de Fátima a estas ilhas, ofereceu ao então Presidente da República de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes, algumas armas "históricas" da sua família.

Menezes é originário de família nobre de Portugal, mais concretamente Vozela distrito de Viseu. «Estas armas já estão no edifício da família onde de vez enquanto eu costumo a ir que é perto de Viseu-Vozela», declarou o Presidente da República quando recebeu o brasão das mãos do Duque de Bragança. Fradique de Menezes tem brasão e o Duque português, disse que é um gesto bonito oferecer ao Chefe de Estado São-tomense as suas armas de família  http://www.telanon.info/politica/2011/05/11/7091/fradique-de-menezes-tem-brasao/



NA VIDA SOCIAL DAS DUAS ILHAS – A HISTÓRICA VISITA DO PRÍNCIPE LUIS FILIPE, HERDEIRO DO TRONO DA MONARQUIA PORTUGUESA – Ocorreu no dia 13 de Julho de 1907 – Esta histórica viagem é recordada, no romance Equador, por Miguel Sousa Tavares, nestes termos, quase no mesmo jeito (mas aquela coroada de êxito)  da fracassada viagem do Rei de Marrocos



Em S. Tomé deliciou-se com a vegetação tropical e foi recebido numa colónia engalanada e em festa. Em Angola os Sobas, na sua Presença, e perante expressivos arranjos musicais dos instrumentos locais, prestaram-lhe as sentidas homenagens e juraram-lhe fidelidade. Depois, em Lourenço Marques, foi recebido, a 29 de Julho, com vivas ao Príncipe e à Pátria Portuguesa e desfilou nas ruas por entre arcos enfeitados a rigor e perante uma entusiástica população que aplaudia o seu Príncipe Real. Depois foi à Rodésia e por fim à África do Sul, onde teve um acolhimento singular da comunidade local que lhe rendeu diversas homenagens.https://plataformacidadaniamonarquica.wordpress.com/2015/06/26/viagem-do-principe-real/ 

BIOGRAFIA  - (...) Duarte Pio estudou em Portugal, iniciando o seu percurso no Colégio das Caldinhas, situado nas Caldas da Saúde, em Santo Tirso, que frequentou entre 1957 e 1959. Em 1960 ingressou no Colégio Militar em Lisboa, em simultâneo com o seu irmão Miguel.[8] Mais tarde, frequentou o curso de engenharia agrónoma, contudo sem obter a licenciatura, e estudou no Instituto para o Desenvolvimento da Universidade de Genebra

Entre 1968 e 1971 cumpriu o serviço militar em Angola como tenente-piloto da Força Aérea Portuguesa, passando, em 1972, para a vida civil. Nesse mesmo ano organizou, com um grupo multiétnico angolano, uma lista independente de candidatos à Assembleia Nacional, iniciativa que terminou com a sua expulsão do território angolano por ordens de Marcello Caetano, então Presidente do Conselho de Ministros do Estado Novo (1933-1974)[carece de fontes].
A 25 de abril de 1974, divulgou um comunicado enquanto pretendente ao trono, onde afirmou: "Vivo intensamente este momento de transcendente importância para a Nação. Dou o meu inteiro apoio ao Movimento das Forças Armadas e à Junta de Salvação Nacional".[9]

Duarte Pio foi o presidente da campanha Timor 87, uma campanha de apoio à independência de Timor-Leste (colónia portuguesa que era, na época, ocupada pela Indonésia) e aos timorenses residentes em Portugal e noutros países. Tal iniciativa deu destaque à causa timorense, unindo personalidades como Maria Cavaco Silva, esposa do então primeiro-ministro de Portugal; João Soares, ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa; o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Portuguesas e os representantes das centrais sindicais portuguesas (a Intersindical e a UGT).[carece de fontes] Com esses e outros apoios, Duarte Pio conseguiu a construção de um bairro de quarenta casas para timorenses desalojados. Através da Fundação Dom Manuel II, a que preside, enviou ainda ajudas para Timor-Leste no valor de várias centenas de milhares de euros https://pt.wikipedia.org/wiki/Duarte_Pio_de_Bragan%C3%A7a

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