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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 3 de junho de 2020

São Tomé e Principe – Exportações aumentaram em 134,8%, em valores reais, no Iº trimestre de 2020, - As Ilhas Verdes do Equador, têm na industria transformadora do Cacau e do Óleo de Coco, os melhores exemplos biológicos da defesa do ambiente .- O mesmo já não se poderá dizer da desmatação de áreas protegidas do Parque Natural no sul do Caué na produção de óleo de palma

JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA 


Segundo uma nota do Instituto Nacional de Estatística, INE,  enviada para a STP-Pess, com assinatura da presidente da instituição, Elsa Cardoso, as exportações  de São Tomé e Principe , aumentaram em 134,8%, em valores reais, no Iº trimestre de 2020, devido, sobretudo, a venda de óleo de palma, chocolate e óleo de coco,- de acordo com uma nota do Instituto Nacional de Estatística, INE,  enviada hoje a STP-Pess, com assinatura da presidente da instituição, Elsa Cardoso.

“Os dados provisórios do Comércio Externo, apurados pelo Instituto Nacional de Estatísticas referente ao I trimestre do ano 2020, indicam que em quantidade, as exportações de bens aumentaram em 134,8% devido a exportação de óleo de palma, chocolate e óleo de coco”- lê-se no documento.
A nota acrescenta que “nas exportações, o cacau atingiu um total de 302,9 toneladas correspondendo ao valor de 16,7 milhões de dobras, conhecendo uma diminuição em quantidade na ordem de 36,5% e em valor 37,2% em relação ao período homólogo”

Quanto ao destino das exportações, os países que mais se destacaram foram, designadamente, os Países Baixos, 28,8%, Portugal 17,8%, Bélgica, 15,9% e Angola 14,5%, atingindo o seu total um peso de 77,1% sobre o valor total das exportações.
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(...) Concernente ao País de proveniência das importações, verificou-se que Portugal e Angola foram os mais destacados, com um peso de 43,6% e 15,0% respetivamente.
De Portugal importou-se, principalmente produtos alimentares e agrícolas e de Angola chegaram combustíveis e cimento, – adianta a nota do Instituto Nacional das Estatísticas. http://www.stp-press.st/2020/06/02/exportacoes-de-bens-aumentaram-em-1348-em-sao-tome-e-principe-no-i-trimestre-2020/


Durante a minha estadia, o ano passado, em São Tomé, tive oportunidade de visitar o parque industrial da empresa  “VALUDO”e de trocar impressões com o seu gestor, Guillaume Taufflieb, um francês, que se apaixonou  pelas Ilhas Verdes do   Equador , que teve a gentileza de  me acompanhar , com o jornalista santomense, Adilson Castro,   a alguns departamentos da sua unidade industrial, nomeadamente, o  armazem  e a sala de  amostras dos seus produtos

O nome da empresa,  “VALUDO”,resulta da feliz associação da  palavra "coco seco". Extraída do crioulo de São Tomé.  – É sua intenção, possibilitando a exportação de  produtos da produção de cocos e seus derivados, melhorando a imagem de São Tomé e Príncipe, nomeadamente, óleo de coco, farinha de coco, fibra de coco, coco ralado, carvão de coco virgem com alta responsabilidade social e ambiental. Com um sabor único, a origem é 100% certificada São Tomé e Príncipe.


É também referido na promoção dos seus produtos, que “o  coqueiro é uma planta herbácea, não é uma árvore. Tem um crescimento consideravelmente lento, o que permite ao seu fruto, o coco, encher-se de toda a riqueza que o constitui. Cada parte do coqueiro é utilizável, e é por isso que é chamado de “árvore da vida” ou “árvore dos cem usos”. Por exemplo, bebemos a água do coco, comemos a sua carne e a usamos para produzir óleo, usamos a fibra de coco e as folhas do coqueiro como material de construção, e a seiva como xarope. Os coqueiros dão seus primeiros frutos aos 3 anos, atingem sua produtividade máxima aos 10 ou 20 anos, e podem produzir cocos durante uns 100 anos. Os coqueiros dá uma média de 50 a 150 cocos por ano, dependendo da variedade. Estes precisam de muita água para crescer. Portanto, as chuvas abundantes das ilhas de São Tomé e Príncipe são em parte responsáveis pelos inúmeros coqueiros do país.

(atualizaçao) Prémio Merecido  - São-Tomé, 26 Jun ( STP-Press ) –  O primeiro-ministro são-tomense  congratulou-se com medalha de ouro conquistada pela empresa “Valudo” num concurso internacional dos Óleos do Mundo, em declarações esta quinta-feira, mesmo dia, em que Jorge Bom Jesus lançou obras para construção de uma fábrica de chocolate no País. http://www.stp-press.st/2020/06/26/jorge-bom-jesus-congratula-se-com-medalha-de-ouro-no-mundial-de-oleos-e-lanca-fabrica-de-chocolate/?fbclid=IwAR21hYlf7Y1jb9KXi_76NjRNGXqMpcL1Cm8CnpOGOEPz3MZOU7j4Qm4NDUo

Produção de chocolate estimula cultivo de cacau em São Tomé e Príncipe
Outro projeto interessante, que vem na sequência de outros, já existentes,  no sector, tem a ver com o  “investimento estrangeiro no cultivo e transformação do cacau, que  tem contribuído  para a entrada de divisas e do emprego de mão-de-obra local
O mais recente, localiza-se nna antiga roça Diogo   Vaz
Como  é sabido, o cacau foi introduzido no século 17 pelos portugueses e foi, ao longo de muitos anos, o motor da economia do arquipélago. Passadas quatro décadas da independência, o produto volta a ser valorizado – Segundo foi noticiado o ano passado, tendo sido referido que  “a roça Diogo Vaz produz uma tonelada de cacau por mês, destinada exclusivamente à produção de chocolate, segundo disse, Paulo Pichel, responsável pela exportação. "O nosso objetivo é exportar um contentor por mês, estamos a falar em 8 toneladas de chocolate".

O português Filipe Almeida, chocolateiro, prepara as primeiras encomendas de 2019, para serem enviadas para França - um contentor de chocolate avaliado em 100 mil euros. Foram cinco anos de preparação para o início da produção a sério do chocolate, que começou em maio de 2018.
"É simultaneamente um desafio e um prazer fazê-lo. É, para mim, uma oportunidade de fazer um produto que eu sempre gostei muito - o chocolate fez-me entrar no mundo da pastelaria - e é poder intervir em todo o processo na plantação e na embalagem do produto", conta.
Com os lucros das exportações para a Europa, a roça Diogo Vaz, que estava votada ao abandono, está a ser reconstruída aos poucos. E a comunidade em redor da fábrica de chocolate também beneficia. Foi instalada uma rede eléctrica e as principais infraestruturas foram reabilitadas.
Com a produção do chocolate, o cultivo do cacau (biológico) foi valorizado na região, como garante Paulo Pichel. "Estamos a trabalhar com eles para que possam ter a certificação biológica. Como as outras empresas que estão presentes nas ilhas, estamos a batalhar para que o cacau são-tomense seja conhecido mundial como cacau biológico. São Tomé e Príncipe já está a competir na qualidade, é isso que nós temos que fazer". https://www.dw.com/pt-002/produ%C3%A7%C3%A3o-de-chocolate-estimula-cultivo-de-cacau-em-s%C3%A3o-tom%C3%A9-e-pr%C3%ADncipe/a-48434112


Téla Nón
De volta e meia surgem as inevitáveis promessas mirabolantes : Em  23-02-2015, era esta a noticia do Téla Nón -  “Maior empresa do país promete 10 mil toneladas de óleo alimentar a partir de 2016” –“São Tomé e Príncipe deverá se transformar em 2016 num dos maiores produtores de Óleo de Palma na Região da África Central. Garantia da administração da empresa AGRIPALMA, que depois de lançar palmeiras em cerca de 1900 hectares de terra no sul da ilha de São Tomé, se prepara para construir a fábrica de produção de óleo alimentar. https://www.telanon.info/economia/2015/02/23/18724/maior-empresa-do-pais-promete-10-mil-toneladas-de-oleo-alimentar-a-partir-de-2016/

Conheço bem a Ribeira Peixe e toda aquela área: trabalhei ali como empregado de mato e, posteriormente, nas várias expedições ao Pico Cão Grande: as plantações de coqueiros e palmeiras de dendém, que existiam naqueles terrenos, não eram tão extensivas e intensivas e constituíam tão ´seria ameaça  ao solos e ao clima – Agora, as palmeiras, por tão juntas que estão, mal deixam passar a sombra ao solo, esgotando-lhe os minerais  e colam-se umas às outras – Além de tornarem o clima mais árido e menos pluvioso .
Mais uma promessa bombástica,  para desviar as atenções do extensivo desmatamento  que devasta a floresta do parque florestal nacional do óbó  ao sul de S. Tomé e contribui para agravar as alterações climáticas das Ilhas – O aviso já foi lançado pelos relatórios da  Greenpeace, denunciando, em  relatório, que “os industriais atacam as florestas africanas, em particular a empresa financeira de borracha (Socfin), parceira do grupo Bolloré: Greenpeace em um relatório divulgado na terça-feira, 23 de fevereiro . "Atualmente, estamos testemunhando uma verdadeira corrida às florestas africanas", explica a organização não governamental (ONG) em um documento de 28 páginas. Lá, os investimentos estão se multiplicando, atraídos pelas condições climáticas ideais e, principalmente, por regulamentações frouxas, não aplicadas ou particularmente favoráveis ​​aos investimentos estrangeiros. "

A ONG aponta para um dos “plantadores mais importantes do continente” , a Rubber Finance Corporation (Socfin), presente nos Camarões, Costa do Marfim, Gana, Libéria, Nigéria na República Democrática do Congo (RDC), São Tomé e Príncipe e Serra Leoa. Se este grupo luxemburguês, que opera mais de   185.000 hectares de plantações de dendezeiros e seringueiras, pouco conhecidas pelo público em geral, não são iguais para seus principais acionistas, figuras-chave no mundo dos negócios na África, o belga Hubert Fabri e os franceses Vincent Bolloré. https://translate.google.com/translate?hl=pt-PT&sl=fr&u=https://youmatter.world/fr/definition/deforestation-definition-causes-consequences-solutions/&prev=search

GOVERNO SANTOMENSE TEM DE SE ACAUTELAR 

Depois de devastarem várias zonas florestais, de se apropriarem das  terras mais férteis e privilegiadas,  em vários países da região centro africana, com apoio do depredador  ex-presidente Francês Sarkozy e outros altos representantes do colonialismo e liberalismo selvagem,   voltaram os seus tentáculos para as pequenas Ilhas de S. Tomé e Príncipe -  De facto,  há necessidade de aproveitar o solo desta ilha, sendo certo que mais de 2/3 estão por cultivar. Mas de modo algum nos moldes intensivos que demonstra o famigerado projeto. Sem o o mínimo respeito pela biodiversidade, pese as afirmações  em contrário

É verdade que, no período colonial, nalgumas áreas da Ribeira Peixe e Novo Brasil,  houve prósperas  plantações de alguns palmares - Trata-se de uma cultura que se dá bem com solos húmidos e aceita relativamente bem a salinidade dos ventos  marítimos. 

 Pessoalmente, ainda participei nalgumas dessas plantações, junto à Praia Grande,  no tempo em que trabalhei como empregado de mato, nestas propriedades da Companhia agrícola Ultramarina -  Mas não foram além de uma área restrita  -  Pois não se compare a cultura do coco ou do dendém  com a do cacau, que requer  árvores de sombra, preservando a floresta, com as plantações dos palmares, que exigem céu aberto e, sobretudo, áreas do litoral.

Então porque não o fazem em Fernão Dias?.. Zona onde, no tempo colonial, existiam excelentes palmares e é a mais adequada, preservando, assim, aquele magnífico parque arqueológico? – Espero, desejo, ardentemente, que o bom senso prevaleça.



FALTA DE ÁGUA – NUMA ILHA EQUATORIAL?

A Empresa de Água e Eletricidade, justifica o racionamento no fornecimento de água à população com a falta de chuva no arquipélago.

O país pode assim estar a ser vítima das mudanças climáticas ou do desinvestimento no setor das águas. (…) “Neste momento para colmatar a situação temos estado a fazer um fornecimento de forma racionalizado, e tem havido algumas reclamações das populações com toda a razãoBrany Cunha Lisboa Falta de água em São Tomé e Príncipe? | Repórter STP ...



NÃO RETIRAMOS UMA PALAVRA AO QUE JÁ DISSEMOS NESTE SITE 

 desflorestação no sul de São Tomé -– Pela .Agripalma, uma empresa com capitais da sociedade belga Socfinco, parte do grupo Francês Bolloré, e com uma pequena participação do Estado Santomense,  numa antiga roça colonial onde a pequena comunidade a viver em miseráveis cubatas

Agripalma:  promete 10 mil toneladas de óleo a partir de 2016  - Mas a que preço?


É certo que S. Tomé e Príncipe precisa de desenvolver a sua agricultura, e creio que essa tem sido uma das precauções dos vários governos, todavia  sem grande êxito: a fertilidade do solo e as condições climatéricas são das mais propícias do Globo às  mais diversas culturas tropicais ou mesmo subtropicais e zonas temperadas.

Em S. Tomé existem cinco zonas climáticas distintas, que vão desde a árida, até às super-húmidas, desde de níveis de  queda pluviométrica dos 300mm anuais aos 5.500 mm,  que podem propiciar a plantação de uma alface ou de um pé de couve,  em níveis de altitudes, onde na Europa, eram  impensáveis.
Porém, o que este pequeno país, seguramente deve dispensar, é tornar-se  presa fácil de grupos multinacionais, sem escrúpulos, que outra coisa não visam que  apoderar-se das suas riquezas a troco de umas miseráveis migalhas. 

AGRIPALMA, que no fundo é a capa  do  grupo privado belga SOCFINCO, veio anunciar que São Tomé e Príncipe deverá se transformar em 2016 num dos maiores produtores de Óleo de Palma na Região da África Central. Garantia da administração da empresa AGRIPALMA, que depois de lançar palmeiras em cerca de 1900 hectares de terra no sul da ilha de São Tomé, se prepara para construir a fábrica de produção de óleo alimentar...São Tomé e Príncipe. Agripalma quer produzir 10 .....Maior empresa do país promete 10 mil toneladas de óleo
...
Esta noticia seria relevante, se o comportamento da  empresa, em causa, não oferecesse mais dúvidas e suspeições de que motivos de confiança,  tanto noutros países, onde se instalou, como nestas Ilhas -  Quem começa torto, com atropelos ambientais e sociais, em  nome de um grande projecto agro-florestal, gerando, desde logo, forte contestação, dificilmente pode ser tomado a sério

- Há tantos terrenos a noroeste, com óptimas condições para o cultivo de palmares, sem ser necessário desmatar o apetecivel obó

Quando voltei a S. Tomé, 39 anos depois ( de 20 de Out. a 10 de Nov.) uma das minhas visitas obrigatórias era deslocar-me ao sul de S. Tomé, nomeadamente, Ribeira Peixe, Praia Grande e Caué, pois trabalhara ali, como empregado de mato, e, onde, ainda mais tarde, empreendera, com uma equipa de santomenses, a escalada do Pico Cão Grande.

Felizmente, acabei por lá me deslocar por três vezes, graças à colaboração de bons amigos -  Da primeira, a minha intenção era a de aproximar, o mais possível, daquele imponente momento basáltico, que emerge do coração da floresta vigem., e assim procedi, apesar de um dia chuvoso e do o chão enlameado e encharcado – Fui muito além da rodeira donde o jipe de Manuel Gonçalves, me deixou. – Na companhia do Zeca, um santomense que trabalha na Roça de S. João dos Angolares  

De facto, confesso que fiquei profundamente chocado pela extensa desflorestação levada a cabo pelo Grupo Socfinco), que em S. Tomé se disfarça de Agripalma, seguindo os mesmos atropelos ambientais  que vem cometendo nos vários países onde se tem instalado, desprezando  os interesses das populações locais.

A mesma multinacional, que, em 2011, na Serra Leoa, se instalou associada a uma empresa fantoche local, sob a designaçãSocfin Companhia Agrícola Serra Leoa Ltd. (Socfin SL), num país setenta vezes maior que S. Tomé e Príncipe, selando  um acordo de 100 milhões dólares para garantir 6.500 hectares de terras agrícolas para a borracha e plantações de dendezeiros. Mais uma vez o investimento é lavrado à revelia da população local, expropriando os seus melhores terrenos de cultivo, sob proteção de obscuros interesses  – Com  o Chefe maior e autoridades da Chefia.

Veja-se a cronologia: Um ano depois, "em 1º de dezembro de 2012, donos de terras lesados em 36 aldeias na Chefia, reagem enviando uma carta, através da sua associação local (MALOA), à Comissão de Direitos Humanos de Serra Leoa, denunciando abusos aos direitos humanos, como assédio permanente, agressões e intimidação. Eles declaram na carta que “… não vamos mais permitir que os funcionários da empresa agrícola Socfin e suas máquinas entrem nem operem em nossa terra.” Eles se opõem ao negócio de terras que a empresa fez com o Chefe maior e autoridades da Chefia.

A Socfin Agricultural Company S. L. Limited (SAC) é uma subsidiária da belga Socfin. A SAC arrendou mais de 6.500 hectares de plantações de dendê e seringueira na chefia de Malen, distrito de Pujehunt, por mais de 50 anos, com possibilidade de prorrogação por 21 anos. Apenas metade da indenização de 5 dólares por hectare vai para os donos da terra, enquanto as mulheres simplesmente não são indenizadas. Só são oferecidos empregos não qualificados, por um pagamento muito baixo de 10.000 Leones (cerca de 2,30 dólares) por dia. A expansão das plantações a outros 5.500 hectares em condições semelhantes está em andamento.

Pesquisas feitas por ONGs locais confirmam as denúncias das comunidades e acrescenta que essas comunidades não foram consultadas, não deram seu consentimento sobre as plantações e perderam terras agrícolas. As autoridades locais estão cientes da situação, inclusive de uma reclamação das comunidades de que os funcionários da Socfin destruíram suas plantações de árvores. Apesar das várias iniciativas das autoridades para tratar da situação, as queixas não foram resolvidas.Serra Leoa: plantações de óleo de dendê da Socfin violam .

Artigo Traduzido - " Em 2011, o governo assinou um contrato de arrendamento de terras de 50 anos com a empresa agro-industrial Socfin Agriculture Company Ltd., uma subsidiária da empresa belga Bolloré, para produzir óleo de palma em 6500 hectares de terra no sudeste da Serra Leoa de Pujehun Malen chiefdom.  -Murmúrios de protesto e agitação estão surgindo entre as populações locais, que estão descontentes com a forma como os negócios são feitos sem qualquer transparência  Land deals stir discontent in Sierra Leone as ... - The Progress Report....Traduzir esta página

ACORDO TRAÍDO COM AS AUTORIDADES SANTOMENSES

Admito que quem esteve de boa fé terão sido as inexperientes autoridades santomenses, que se deixaram enrolar nas promessas falaciosas de uma empresa, cujo currículo parece não ser dos mais abonatórios. 

Foi então noticiado, em 10710/2012 . que “O governo de São Tomé e Príncipe assinou um contrato com a Agripalma, cedendo-lhes 5000 ha, ou seja, terra suficiente para que o negócio de venda de óleo de palma se torne rentável. O problema é que a decisão foi inegavelmente mal pensada e agora parece que não há maneira de voltar atrás... Toda a zona corresponde ao local onde se pode encontrar o Ibis, uma das três espécies de aves Criticamente Ameaçadas de São Tomé, e provavelmente a que corre maior perigo de desaparecer  São Tomé & Príncipe: Desflorestação Ameaça Biodiversidade

Movimento contra a desflorestação no sul de São Tomé e Príncipe« Petição pede suspensão da desflorestação em São Tomé 

"Pequenos avisos como a erosão costeira já começam a ser visíveis. Entretanto para reverter a situação e precaver o futuro, o país vem ao longo dos anos, tomando parte em diversas conferências ambientais e ratificando documentos diretores extraídos destas, como são os casos do protocolo de Kioto, Joanesburgo 2002 ou a mais recente cimeira ambiental Rio + 20. Contributo para o Desenvolvimento de São Tomé e Príncipe .

No tempo da era da pedra, o homem vivia exclusivamente da natureza e com a natureza – Nos tempos que correm, vive-se contra a Natureza: as agressões ao meio ambiente são uma constante. Há cidades na China, irrespiráveis, onde tem que se andar de máscara. 
Veja-se o que acontece no Brasil - É que poderá vir a suceder em S. Tomé e Príncipe

“Um dos problemas mais graves do Brasil são os impactos ambientais, visto que o Brasil é beneficiado com a maior biodiversidade mundial. A natureza sofre desde o inicio da colonização, quando nosso litoral foi devastado pelos colonizadores. Matas foram derrubadas, animais foram mortos. Estes estragos se estenderam ao interior rompendo o equilíbrio ecológico com atividades como mineração e criação de gado.sImpactos ambientais em biomas brasileiros -

 “A seca está cada vez pior. Até para para construir as cisternas temos que comprar água porque não tem onde pegar em hipótese alguma. Se a gente não comprar, para de construir. Nunca vi na isso na vida, é negócio impressionante”, contou o presidente da ASA (Articulação do Semiárido), organização que congrega mais de 700 instituições do sertão nordestinoSem chuva no inverno, seca se agrava e falta água no Seca, corrupção e incompetênciac.Seca, corrupção e incompetência - Isto

De nada poderão valer as ajudas monetárias se  a desflorestação e as queimadas prosseguirem – Esse panorama persiste e agrava-se a cada dia que passa. Em queimadas, a noroeste e, em desmatação, selvagem a sul.

Ao aproximar-me do aeroporto de S. Tomé, quando ali desembarquei, em  20 de Outubro de 2014, a panorâmica que eu esperava se revelasse  de um verde tenro, no litoral do Ilhéu das Cabras a Fernão Dias, mostrava-se-me de um verde seco e torrado, com alguns trechos a fazerem-me lembrar as manchas negras e ardidas de Angola – Diz-se que é por  causa do carvão. Fazem-se derrubadas e queimadas,  de qualquer jeito, sem a menor preocupação ambiental. 


Sabia de notícias que davam conta de que “O manto verde que cobria toda a zona sul de São Tomé, incluindo vastas áreas do Parque Arqueológico do Obõ, santuário de pássaros e árvores endémicas, estava  a desaparecer com o avanço dos caterpílares da empresa 



Algumas das praias poderão desaparecer até ao fim do século –O aquecimento global, atividade vulcânica dos Camarões, exploração dos carbonetos, as principais causas de uma catástrofe à vista e de imprevisíveis consequências.  Mas, a desflorestação em S. Tomé, além de propiciar alterações climatéricas na Ilha, também pode contribuir para o agravar destes riscos.  

O que sucedeu, no dia 31 de Maio - 2014, numa zona costeira a norte da ilha de S. Tomé poderá repetir-se em qualquer altura  - «Nunca vimos coisa igual. Ondas com cinco a seis metros de altura. Apanhou-nos desprevenidos, engoliram os nossos porcos, cães, galinhas, destruíram as nossas casas e o produto do nosso trabalho», disse a agência Lusa, José Ribeiro, um dos moradores no local» - Lusa Mar invadiu vila de Santa Catarina, em São Tomé, e ...
 Não se chegou a apurar se se tratou dos típicos tornados que assolam o Golfo da Guiné ou, porventura, dos reflexos de alguma turbulência sísmica nesta região:  

NÃO SE PODE FICAR INDIFERENTE  ESTA DESFLORESTAÇÃO  DESMEDIDA - Justiça trava devastação da zona sul de S.Tomé -  Mas será que travou mesmo?

Já conhecia a desflorestação através de vídeos e de fotografias - Porém, longe de imaginar que a sua dimensão  fosse tão  extensiva - Pelo que me foi dado observar,  a área devastada, ao sul da ilha de S. Tomé,  pareceu-me duplicar ou mesmo triplicar os tais 4000 hectares que  foram concessionados  pelo Estado santomense a um grupo privado 

 Troços de estradas onde a maré cheia invade o asfalto

Vi que existem graves ameaças ambientais, tanto à beira mar como no interior. 

Por exemplo, onde está o recife (ilha), que se situava frente à praia lagarto, que  há 40 anos ficava completamente descoberto? - Sim, no qual os pescadores iam buscar o isco  para a sua pescaria e os veraneantes  se estendiam ao sol. Não só não descobri os menores sinais desse recife espalmado, como, ainda bem pior: vi uma baía, quase  sem margem, com a maré cheia a invadir a estrada e, nalgumas áreas,  com mais cascalho de que areal.  

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