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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Academia Militar Portuguesa - Anos 80 - Marechal Spínola: – "Recordações da meninice são sempre muito agradáveis a partir de uma certa idade -Primeiro Jantar de Confraternização de Antigos Alunos– "Não é uma conspiração! Mas o significado de tantos estarmos juntos é o de que algo não vai bem" - Reunindo oficiais de diferentes armas, idades e cursos –Entrevistas com o Marechal Spínola, antigo aluno do Colégio Militar - General Galvão de Melo - General Vasco Lourenço; General Ricardo Durão; O então Tenente-Coronel Victor Alves - Coronel Macedo Pinto Coronel Santos Paiva, além de outros oficiais que não foi possível identificar

JORGE TRABULO MARQUES- JORNALISTA 
Academia Militar – anos 80 –-   Registo  para a História do mais antigo estabelecimento de ensino universitário militar, com 230 anos de existência, “onde se cultivam grandes valores”  

Academia Militar, completou 230 anos no passado dia 12 de Janeiro, “a formar comandantes com saber, carácter e liderança, desde a sua fundação como Academia Real de Fortificação, Artilharia e Desenho, por D. Maria I, em 1790, escola onde se formou o Patrono e que constitui a referência da nossa antiguidade como Instituição de Ensino Superior Militar em Portugal e, também soleniza, os 183 anos após a alteração da sua designação para Escola do Exército pelo Marquês de Sá da Bandeira em 1837. ”, referia o anúncio do tradicional Jantar de Confraternização,  âmbito das comemorações do Dia da Academia




Apontamento para a  Rádio Comercial-RDP, com declarações de vários oficiais superiores e generais, registado por mim nos anos 80 - Tendo sido o  único repórter presente. - O convívio, embora anunciado publicamente, através da RTP, porém,  como estava a ser antecedido  de alguma polémica, face aos rumores que corriam de que se tratava de uma manifestação de desagrado, face ao poder politico, cujo PM era então Cavaco Silva, acabou por não ter contado com a presença da generalidade dos media.

 Este, um dos  varriadíssimos registos -  de centenas - em cassetes e algumas bobinas, que guardo ainda no meu arquivo, em memórias de um repórter - É claro, que, quando a estação foi privatizada, obviamente que acabei por levar com a martelada, tendo sido um dos que foram abrangidos  pelo despedimento coletivo.


Diabruras na minha viatura dos inimigos da Liberdade

JORNALISTA HÁ 50 ANOS - De 1970 -a 75- Correspondente da revist Semana Ilustrada de Luanda   - Depois em Portugal    -  ANTIGO MILITAR DO 6º CURSO DE COMANDOS, EM LUANDA - Meu segundo Comandante era então o  General Soares Carneiro, natural do meu concelho - Fui  selecionado, no Huambo, para o curso de oficiais no curso de sargentos milicianos na antiga Nova Lisboa, em Angola, por ter ficado em 5º entre os 700 alunos, o segundo na especialidade de Armas Pesadas, mas preferi voltar a S. Tomé, como furriel miliciano e fazer uma tropa tranquila, depois de ter passado pelo curso de comandos - E,, três anos, depois enveredar pelo jornalismo por via de umas aventuras maritimas  - Os acasos e os destinos da vida, sáo mistérios de Deus.

AMBIENTE DE GRANDE FRATERNDADE  - EM QUE ATÉ O MARECHAL SPÍNOLA - SUGEERIA AO SEU CAMARADA DO LADO PARA SER POR ENTREVISTADO  - E contar-me as suas façanhas desportivas 


Marechal Spínola: – "Recordações da meninice sãos sempre muito agradáveis a partir de uma certa idade;  olhe o significado que lhe atribuo é o de uma reunião de camaradagem, a que eu já estou muito habituado, como antigo aluno do colégio militar, e essa é a primeira aqui
General Galvão de Melo: acho que foi uma ideia felicíssima do atual comandante da Escola! De reunir pessoas de diferentíssimas armas, idades e cursos.. Eu, por exemplo, há mais de 15 anos que não entrava aqui na Academia!... Vim encontrar colegas meus, que já via desde a saída da Academia!

A grande recordação que eu guardo desta casa foi a formação que esta casa me deu! E que me tem aparado e que me tem servido em toda a minha vida:. Hoje sou um reformado mas ainda  sou o Presidente da Revista Militar! Estou sempre ligado ao Exército, porque fiz toda a minha vida sempre no Exército!

Espírito do corpo, a camaradagem” Está aqui bem patente nos 90 aos 20 anos!  Desde generais, coronéis, tenentes-coronéis majores! Alguns civis, que abandonaram a carreira das armas estão aqui muito deles, presentes


General Vasco Lourenço: Questionado de que, esta reunião, só é possível por via de um certo descontentamento, respondeu-me: é uma interpretação! - Entre outras palavras que deixavam depreender a minha observação.

General Ricardo Durão - Acho que foi uma ideia muito boa ! E, à semelhança do que acontece no Colégio Militar e noutros Estabelecimentos de Ensino! Encontrei hoje muita gente que não via há anos!

O então Tenente-Coronel Victor Alves: acho que é uma excelente ideia do Sr General Bruno! Que nos deu a possibilidade de aqui nos reunirmos. (...) como sabe, todos os anos, há reuniões de cursos, etc. e falta sempre muita gente!-… E hoje dá a impressão que não falta ninguém”… Não é uma conspiração! Mas o significado de tantos estarmos juntos é o de que algo não vai bem

Coronel Macedo Pinto – Vinte e tal anos do Ultramar - Do curso de 1914 – Vejo isto como uma necessidade de nos confraternizarmos mais: acho que isto é uma riquíssima ideia! Que só traz benefícios! E traz saudade e traz tudo! – Estive em África: eu só não conheço Guiné e Timor! De resto, estive em todas elas

 SÍNTESE HISTÓRICA DA ACADEMIA MILITAR

A Academia Militar, como Estabelecimento Militar de Ensino Superior que forma atualmente os futuros oficiais do Exército e da Guarda Nacional Republicana, é herdeira de um património que se estende muito para além da sua antecessora Escola do Exército.
As primeiras escolas militares de formação apareceram na Europa no século XVI, em resposta à evolução da arte da guerra e das importantes inovações tecnológicas no âmbito dos armamentos, o que levou,
especialmente na engenharia militar e na artilharia, a um esforço na instrução e qualificação dos seus quadros.
Em Portugal, as primeiras escolas de oficiais remontam à «Escola de Vila Viçosa», criada no século XVI (provavelmente no ano de 1525) pelo 5.º duque de Bragança, D. Teodósio I, onde se ensinavam não só humanidades, mas também esgrima e equitação, “de grande vantagem para todos os mancebos que se destinassem à carreira das armas”. Alguns anos depois, em 1559, foi criada a “Aula do Cosmógrafo Mor”, sob os auspícios de Pedro
Nunes, considerada antecessora da atual «Escola Naval».

(…) A Academia Militar é diferente das outras universidades no que respeita à formação científica de índole técnica e tecnológica, mas sobretudo na formação comportamental (consubstanciada numa sólida educação militar, moral e cívica) e na preparação física e de adestramento militar. Formar Comandantes com diferentes valências para enfrentarem, com eficácia e eficiência, as adversidades do novo Mundo, é um trabalho árduo e contínuo, mas também criativo e desafiante para todos quantos servem na Academia Militar.
Com cerca de 700 alunos e 130 docentes (entre militares e civis), a Academia Militar vem desenvolvendo um trabalho de (e para o) futuro, o qual não pode, nem deve ser descontinuado, pois a qualidade dos frutos do futuro em muito deverão à exigência, ao rigor, à disciplina, e ao saber incutidos nas sementes de hoje.

Independentemente das contingências que se avizinham, entendemos que a Academia Militar deve continuar a ser: uma Escola de formação de oficiais fiel ao interesse global das Instituições que serve; uma Escola respeitadora das tradições, e construtora de novos caminhos sustentados pela inovação e criatividade; uma Escola de valores (lealdade, honra, dever e sentido de serviço por Portugal) que continue a atrair os jovens portugueses; um espaço aglutinador e integrador da inteligência militar; um instrumento importante para a consolidação de uma visão estratégica para o Exército e a GNR; um “pilar estratégico da cidadania e da civilidade”;  Excerto de https://assets.exercito.pt/SiteAssets/AM/Sintese%20Hist%C3%B3rica%20da%20Academia%20Militar.pdf


Naufrágio Arte portuguesa na Exposição Universal de 1900 em Paris – Várias obras primas, carregadas a bordo do navio Saint André, perderam-se para sempre no fundo das águas

Jorge Trabulo Marques - Jornalista


Naquela época, a arte portuguesa, estava no seu melhor apogeu internacionalna capital francesa, graças  às geniais obras de Columbano Bordalo Pinheiro e Malhoa, entre outros artistas, tendo “Os Oleiros”,  um quadro  deste pintor , sido distinguido com uma medalha de oiro

Concerto de Amadores  - Obra completa - Columbano

Obra de Columbano


Idêntica distinção foi atribuída a uma natureza morta de Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929),  "Soirée chez lui", tela realista pintada em Paris, representando um grupo de melómanos num salão burguês, adquirida  pelo o Museu d'Orsay
Mas a exposição termina com uma catástrofe: todas as obras apresentadas estão reunidas no mesmo navio, o Saint-André, que naufragou no regresso a Portugal - Uma "meia dúzia de obras-primas", incluindo um retrato de Eça de Queiroz, por Columbano, afundaram-se assim ao largo de SagresPormenores mais à frente
Exposition Universelle de 1900, mais conhecida como 1900 Paris Exposition, foi uma feira mundial realizada de 14 de Abril a 12 de Novembro de 1900, para celebrar as realizações do século passado e acelerar o desenvolvimento para o próximo. A feira, visitada por cerca de 50 milhões de pessoas, apresentou muitas inovações tecnológicas, incluindo a roda gigante Grande Roue de Paris, a calçada em movimento, motores diesel, filmes falantes, escadas rolantes, e o telefone (o primeiro gravador de áudio magnético). Chamou também a atenção internacional para o estilo Art Nouveau. Além disso, mostrou a França como uma grande potência colonial através de numerosos pavilhões construídos na colina do Palácio do Trocadero. As principais estruturas que restam da Exposição incluem o Grand Palais, o Petit Palais, a Pont Alexandre III, a estação ferroviária Gare d'O

O local da Exposição cobria 112 hectares ao longo das margens esquerda e direita do Sena desde a Torre Eiffel (construída para a Exposição de 1889) e Champ de Mars até à Esplanada de Les Invalides. Também incluiu o Grand Palais e o Petit Palais na margem direita. Uma secção adicional de 104 hectares para exposições agrícolas e outras estruturas foi construída no Bois de Vincennes. A área total da Exposição (216 hectares) era dez vezes maior do que a Exposição de 1855[4].
Países de todo o mundo foram convidados pela França para mostrar as suas realizações e culturas. Dos cinquenta e seis países convidados a participar, quarenta aceitaram, mais um número adicional de colónias e protectorados de França, Holanda, Grã-Bretanha e Portugal. Os Estados Unidos, Alemanha, China, Sião, Japão, México, Rússia e República da África do Sul tinham todos pavilhões[4]. https://en.wikipedia.org/wiki/Exposition_Universelle_(1900)
O dia em que as obras-primas portuguesas foram por água abaixo
O naufrágio do Saint André, que transportava a arte portuguesa exposta em Paris, foi o culminar de uma participação nacional envolta em casos e polémicas - Refere Cristiana Vargas, no seu blogue, O Sal da História. https://osaldahistoria.blogs.sapo.pt/o-dia-em-que-as-obras-primas-39804

Recorda que “dezenas de obras de arte – as melhores e mais ilustrativas do génio de Portugal na viragem para o século XX - mas também documentos insubstituíveis, desapareceram para sempre no dia 24 de janeiro de 1901, numa catástrofe que, curiosamente, pouco  eco teve nos jornais da época, ocupados que estavam com a morte da Rainha Vitória. Tudo se deveu ao estranho naufrágio do vapor Saint André, um colossal desastre cultural chorado até hoje, mas que acabou por ser encarado como mais uma das polémicas de maior ou menor dimensão que rodearam a participação de Portugal na grande Exposição Universal de Paris, em 1900.

Efetivamente, devido a adversas condições climatéricas e de mar ou à muito apontada pouca solidez, o navio naufragou e, com ele, todo o precioso carregamento, pois havia sido fretado pelo governo português para trazer de França as obras-primas que haviam estado patentes no certame.
As dificuldades de navegabilidade acompanharam toda a viagem, desde o porto Le Havre, mas foi já junto à costa portuguesa que, enfrentando maiores perigos, o Saint-André foi abandonado pela tripulação.
De Lisboa, para tentar o resgate, ainda foi enviado o arrastão Berrio, mas em vão.
Deixado à deriva, o vapor foi arrastado e terá afundado algures a Sul de Portugal, à vista de Sagres.
 Parte do casco, um barril de óleo mineral e um remo foi tudo o que foi encontrado. Da preciosa e inigualável carga, nem sinal.
Belíssimos quadros de Malhoa; Columbano; Carlos Reis; Alfredo Keil; Alberto Pinto; Sousa Pinto; Veloso Salgado; Carneiro Júnior e muitos outros, entre os quais o próprio rei D. Carlos.
Concerto de amadores Columbano Bordallo Pinheiro .
Esculturas de [António] Teixeira Lopes; José Teixeira Lopes (pai e filho); Tomás Costa; António Alves Pinto- Cerâmica e azulejaria de grande qualidade e beleza, nomeadamente da Real Fábrica Vista Alegre, Fábrica das Devesas (Vila Nova de Gaia); Cerâmica do Carvalhinho (Porto), Faianças das Caldas da Rainha, Fábrica de Louça de Avelino António Soares Belo, e também azulejos antigos pertencentes a coleções particulares.
Só se salvaram as poucas que seguiram para Portugal por outra via ou se desviaram da sua rota destrutiva, como o quadro “As padeiras”, de José Malhoa, que rumou para outra exposição, na Rússia.- Mais pormenores em https://osaldahistoria.blogs.sapo.pt/o-dia-em-que-as-obras-primas-39804


terça-feira, 28 de julho de 2020

Cantora Mariza – A escultural e divinal Mariza – Um caso singular de beleza e de génio - As melhores venturas e êxitos

Jorge Trabulo Marques - Jrnalista 






A escultural e divinal Mariza - A cantora de origem moçambicana, que canta e encanta com a sua elegância e formosura sublimada pelos sois tropicais de África, a sua mestiçagem com a velha Europa e o timbre dos fados de Amália - Imagens que recordo numa noite de luzes, aplausos e brilhos

Era noticia, em Abril  passado, que Mariza, era  a estrela de um anúncio televisivo, no Brasil, que  motivou uma onda de comentários, nas redes sociais,  dos seus admiradores e admiradoras, tem sido alvo de muitos comentários e outros tantos rumores, em que se falava de “a conhecida fadista terá feito alguma intervenção plástica ou tratamento estético.

Eduardo Madeira também já se juntou a esta polémica ao publicar um bocadinho do vídeo do referido anúncio nas suas redes sociais. Como legenda escreveu: "Assusta-me muito a Mariza no novo anúncio. Serei só eu?".

Desejo que se encontre bem e pronta a proporcionar a continuação dos seus melhores êxitos attísticos.https://www.hiper.fm/anuncio-com-mariza-alvo-de-criticas-nas-redes-sociais-ja-ninguem-aguenta-isto/

VENTURA  - PELO POETA E DECLAMADOR EUCLIDES CAVACO


Ventura

poema e voz de Euclides Cavaco

Há quem diga que a ventura
Anda no mundo perdida
Mas vem a quem a procura
Com veemência na vida.

Ventura é felicidade
Que alguns têm ao nascer
Outros nem por veleidade
A chegam a conhecer.

A ventura nos transcende
Não se estuda nem se ensina
Não se compra nem se vende
Nem se sabe onde origina.

Se há um destino traçado
Que o ser humano emoldura
Que outorgue ao desventurado
Ventura de ter ventura !...

Euclides Cavaco

É sublinhado na sua biografia que, em menos de doze anos, Mariza passou de um fenómeno local quase escondido, partilhado apenas por um pequeno círculo de admiradores lisboetas, para uma das mais aplaudidas estrelas do circuito mundial da World Music.
Álbum Fado em Mim
Tudo começou com o seu primeiro CD, Fado em Mmim, editado em 2001, que depressa conduziu a numerosas apresentações internacionais de grande sucesso – o Festival de Verão do Québec, em que recebeu o Primeiro Prémio (Most Outstanding Performance), o Central Park de Nova Iorque, o Hollywood Bowl, o Royal Festival Hall, o Festival Womad – e que acabou por lhe conferir o prémio da BBC Rádio 3 para o Melhor Artista Europeu na área da World Music. Fado em Mim era um primeiro álbum entusiasmante, mostrando uma jovem cantora com uma voz cheia e vibrante e um a forte personalidade artística. Cantava ainda vários sucessos do repertório de Amália, mas a sua abordagem à herança da grande diva do fado era já tão pessoal que podia facilmente afastar de si qualquer sugestão de mera imitação. E no seio do seu repertório original Ó Gente da minha Terra, do jovem compositor Tiago Machado, depressa se converteu num enorme sucesso, por direito próprio. https://www.mariza.com/pt/biografia




Benfica - Glórias e Legenda dos anos 40 e 50 - Francisco Moreira - 29-04-1915 – 11-11-1991 –“O Pai Natal” - Figura de proa e das mais velhas das hostes benfiquistas “Eu ganhava dois contos e quinhentos; agora estão a ganhar 700, 800 e mais contos. Deixei de ver a bola, não me interessa a bola – Declarava-me, desapontado, em 1986, numa rara entrevista, que hoje aqui recordo, concedida num café do Barreiro, donde era natural e onde iniciara a brilhante carreira, ao mesmo tempo que trabalhava na Lisnave como operário

13 anos a médio de defesa central -  Jogou na seleção Nacional e participou na conquista  seis campeonatos e uma Taça Latina para o Benfica

Foi uma das principais figuras  no ciclo dourado de 1947, quando Portugal bateu a Espanha pela primeira vez e se estreou a vencer na condição de visitante, na República da Irlanda. Reconhecido como um “Médio com enorme disponibilidade para a luta, fazia tudo em esforço sem preocupações de ordem estética. Em nome da paixão pelo jogo e do amor pelo Benfica.

Começou a jogar aos 14 anos no futebol de praia. E, mesmo quando jogava, no Barreirense,  trabalhava na Lisnave, “com um “revolver” nas mãos ( máquina de cravar rebites nos barcos)
Tinha 71 anos quando o entrevistei – Confessou-me que ainda podia até ter jogado mais tempo mas os adversários, nomeadamente do lado dos Sportinguistas, apodavam-no do Pai Natal, pois o que desejavam era vê-lo fora das quatro linhas: não tanto pelo seu desmérito ou redução das suas capacidades físicas mas por ser um dos mais talentosos jogadores, a meio-campo, um dos mais categorizados distribuidores de jogo, que mais contribuía para as vitórias benfiquistas
“Lá vai cavilha nas pernas” .- Era este, de algum modo, o lema dos pioneiros tempos do futebol, naquela altura, em que valia tudo; o que contava não eram as técnicas, as fintas ou os dribles artísticos , a disciplina mas marcar golos: De uma vez levou oito pontos.

Apelidado  também de "Chico da Badana"  e pelo alcunha de Pai Natal – Por ser o jogador mais velho na equipa da luz - Quando deixou o Benfica, aos 37 anos, fizeram-lhe uma festa  de solidariedade – Com os fundos angariados  pôde então comprar uma casa.


Eu jogava “choco a choco” com a bola – Mas o jogo era aduro e, num jogo, em Coimbra -   Académica – Benfica , levou uma valente biqueirada, que lhe deixou maracas numa das pernas para o resto da vida

 Numa final da Taça de Portugal, Benfica- Sporting, o jogo terminou empatado a 4x4 – Dizia que “era bola para lá bola para cá. Nas penalidades, a equipa da Luz teve mais sorte, ganhou por 5x4

Depois de abandonar o futebol emigrou para a Holanda trabalhando para a KLM no aeroporto de Amesterdão.

Regressado a Portugal foi contínuo num Grémio onde se reformou.
Faleceu em Novembro de 1991,sendo sepultado em Vila Chã.
Nasceu no Barreiro Velho em 29 de Abril de 1915. E faleceu aos 76 anos, em 11 de Novembro de 1976

O QUE É DITO DA HISTORIA DO  BARREIRENSE – “No início do século XX, um grupo de aprendizes das oficinas dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste fundaram uma agremiação a que deram o nome de Sport Recreativo Operário Barreirense, que foi crescendo e beneficiando da extinção de outras coletividades para aumentar o número de sócios. No entanto, dificuldades financeiras levaram o clube a proceder a uma profunda reorganização interna e, em assembleia geral realizada a 11 de abril de 1911, foi decidido que tendo como base esse clube nascesse o Foot-Ball Club Barreirense.

Hoje nos campeonatos distritais, o Barreirense já foi um dos clubes mais importantes do futebol nacional. Na década de 1930, foi duas vezes finalista do Campeonato de Portugal, perdendo em 1930 para o Benfica no prolongamento e em 1934 para o Sporting.

Na I Divisão também foi presença assídua nos anos 1950, 1960 e 1970, tendo como melhor classificação o quarto lugar obtido em 1969-70, que valeu a qualificação para a Taça das Cidades com Feiras, precursora da antiga Taça UEFA e atualmente Liga Europa, em que defrontou o Dínamo Zagreb: 2-0 no Barreiro, 1-6 na Croácia.

Se olharmos aos craques que se formaram e passaram pelo Barreirense, dava para construir um plantel histórico de fazer inveja a muitos clubes portugueses. As faces mais visíveis foram o guarda-redes Bento, o médio Carlos Manuel, os extremos José Augusto e Fernando Chalana e mais recentemente o lateral direito João Cancelo. Mas há mais: Adolfo Calisto, Carlos Gomes, Frederico, Nelinho, Neno ou Arsénio. O treinador Paulo Fonseca também fez grande parte da formação e da carreira de futebolista profissional no clube, assim como o atual capitão do Belenenses SAD, Gonçalo Silva.

Em 24 presenças na I Divisão, foram mais de duas centenas os futebolistas que jogaram pelo Barreirense no primeiro escalão. Vale por isso a pena recordar os dez que o fizeram por mais vezes. https://davidjosepereira.blogspot.com/2020/04/barreirense-jogadores-faneca-bandeira-silvino-mira-vasques-jose-joao-faia-correia-pinto-ricardo-vale.html?spref=fb


sábado, 25 de julho de 2020

António Variações – “Visto-me da maneira como me sinto bem!... Mais nada! …Tenho preocupações estéticas mas nunca de modas!...” Declarou-me no final de um espetáculo na discoteca Trumps em 1982 para angariar fundos para uma associação de idosos – Onde fez a antestreia Voz-Amália-de-Nós, “Nostradamus” e “O Corpo é Que Paga” – Além do ator Gilberto, da telenovela Cabocola, do pintor e poeta, Jorge Rosa, dos jornalistas Manuel Neto e Carlos Castro e top models - Registos de cassete de reportagem para a Rádio Comercial-RDP



 JORGE TRABULO MARQUES - JORNALISTA  - As fotos de António Variações foram extra~idas da Net, onde nem sempre é fácil saber-se quem fez os registos.  - Outras dos álbuns  - Os meus agradecimentos aos seus autores


JTM - ANTÓNIO VARIAÇÕES,- Você que é cabeleireiro e também artista: por que é que não envereda pela carreira artistica? - - Eu quero!..... Isso, para mim, está cima de tudo! 
Agora, que se está a desenhar uma carreira, vou agarrá-la o mais que eu puder, claro!- 

Infelizmente, por pouco tempo: morreu há 36 anos - No dia 13 de Junho de 1984, em consequência de uma broncopneumonia bilateral grave 

UMA VIDA BREVE MAS INTENSA E CHEIA DE EMOÇÕES  - Chamou a si o apelido artístico de António Variações - De seu nome completo,  António Joaquim Rodrigues Ribeiro, filho de camponeses minhotos  – Nascido na  aldeia  Lugar do Pilar, freguesia de Fiscal em 3 de Dezembro de 1944, tal como muitas crianças da sua  em 1957, partiu para a capital  para se lançar na vida  - Tal como sucedeu  a quem não tinha posses para estudar ou não era aceite no seminário - Donde fui exluido ao cabo de 2 meses depois de uma dura experiências de marçano em Lisboa-


PERDEU-SE  DA  CANÇÃO PORTUGUESA,  UM LEGÍTIMO SUCESSOR DA AMÁLIA RODRIGUES  - AOS 40 ANOS 

A sua voz era calorosa e genuinamente Lusa, com as tonalidades da alegria minhota  - Se a morte, o não tivesse levado tão cedo, poderia ter hoje a projeção de Amália Rodrigues, de que se confessava  grande admirador tendo-lhe dedicado um dos seus mais populares temas musicais

Conheci-o, pela primeira vez, num espetáculo noturno do Ritz Club, na Rua da Glória, quando ainda ensaiava os caminhos da fama  -  E também o visitei na sua barbearia, tendo aproveitado para cortar o cabelo, que, geralmente, me era cortado por outro famoso cabeleiro, o Zé Carlos, numa loja do Hotel Sheraton, Metro de  Picoas, em Lisboa - Sim, porque, antes cuidar da imagem que desbaratar o salário em álcool ou em pópós - Que não tenho.

Era mais velho um ano, que eu - Falámos da nossa adolescência: ambos fomos marçanos  nas velhas mercearias de Lisboa - E, pelos vistos, ainda crianças - Tal como recordo neste ideo e em   http://www.odisseiasnosmares.com/2019/10/lisboa-dos-anos-50-marcano-aos-12.html

O tópico amolador na Calçada de Santana, onde aos 12 anos ali ouvia vários pregões.

ANTÓNIO VARIAÇÕES -  A  GRANDE ATRAÇÃO DE UMA "NOITE TROPICAL", EM NOITE FRIA DE DEZEMBRO DE 1982 -  Num ambiente de personagens burlescas, entre a alegoria ultramoderna e o fantasgórico: onde predominavam as cores brancas e negras - Algumas assumidamente dráculas ou travestidas de  andorinhas - Mas, onde a sua presença ainda mais se  destacava, tanto pela voz como pela sua imagem simpática, sigular e que nunca descaía para a banalidade e o trivial  rídiculo.  

Do lado direito  - O  Busto na terra natal de António Variações   - Foto registada pelo poeta e declamador Euclides Cavaco, quando ali fez a apresentação dum livro na terra Natal do Variações



 António Variações, o artista convidado para a abrilhantar a festa na discoteca Tramps, naquela noite destinada angariar fundos para uma instituição de caridade. “Questionado, no fim do espetáculo, se gostava deste ambiente noturno, respondeu-me:
"Gosto!...   Não tanto como gostaria, porque tenho outras atividades durante o dia e um horário a cumprir, que não dá para grandes noitadas!... Tenho de estar de manhã acordado!..  

JTM – António Variações: você apresentou aqui alguns temas que ainda não foram apresentados em disco

A. V. - Três temas que hoje aqui apresentei vão ser incluídos no meu próximo álbum em 3 de Fevereiro de 83: é o tema que eu dedico a Amália, que se chama  Voz-Amália-de-Nós, outro que se vai chamar “Nostradamus”  e outro tema, que se chama “O Corpo é Que Paga

JTM - Você que é cabeleireiro e também artista: porque é que não envereda pela carreira artista”

A.V. - Eu quero!  Eu queria! Isso, para mim, está cima de tudo! Agora que se está a desenhar uma carreira, vou agarrá-la o mais que eu puder, claro!

JTM – Você é um homem moderno!  Prá indumentária que enverga!... Considera-se mesmo um homem moderno?!
A.V. – Não, não! Eu não tenho preocupações para parecer uma figura moderna!... Eu arranjo-me para mim!.. Visto-me para mim!...Da maneira como me sinto bem!... Mais nada! …Tenho preocupações estéticas mas nunca de modas!...

JTM - Aliás, de uma forma original!... Será para chamar atenção  o é o esse o seu estilo?
A.V – É para me sentir bem comigo
JTM – Tivemos muito gosto! E votos para que continue a brilhar na sua carreira

 “SOU UMA CORUJA” - Disse o Gilberto, ator de telenovelas brasileiras 

O espetáculo  foi aprsentado pelo  ator brasileiro, Gilberto, então muito conhecido por ter participado na telenovela Cabocla, que me declarou ter  sido “uma brincadeira que a gente fez papeis de travesti burlescos e cómicos para angariar fundos de caridade para um asilo de velhinhos: eles me convidaram e eu participei numa boa – Confessou-me que adora a noite: de dia durmo! Sou uma coruja!

Também o poeta e pintor, Jorge Rosa, se declarava “um amante da noite e desvendador dos seus mistérios”: “A noite diz-me tudo!... A noite conversa comigo! Segreda comigo! Namora comigo!... Faz amor comigo!... J
Jorge Rosa, artista plástico multifacetado, com uma obra invulgarmente extensa, considerando os variados campos da arte a que se dedicou, nasceu a 8 de Março de 1930 e morreu a 9 de Agosto de 2001https://salfino.blogs.sapo.pt/2506.html

Para o jornalista, Manuel Neto, “a noite diz-me mais que o dia!” Questionado se tivesse que descrever o ambiente da noite, como faria, respondeu: “diria que é um ambiente de negro ou funeral para comemorar um aniversário” – De facto, muitas das vestimentas da noite, eram ao estilo de dráculas”, se bem que também houvesse roupagens inspiradas no mais avançado glamour da moda
Experiências de um jornalista com pincel  Desde pequeno que gosta de pintar. Seguiu carreira como jornalista, mas recentemente descobriu que precisava de algo mais. Foi assim que, aos 53 anos, Manuel Neto trocou a caneta e o bloco de notas pelo pincel e pelo acrílico. .https://www.jn.pt/arquivo/2006/experiencias-de-um-jornalista-com-pincel-562146.html

Carlos Castro, ainda longe de sofrer o brutal homicídio em Nova Iorque, era outra das habituais presenças na mais famosa discoteca lisboeta, confessando que tinha tempo para estas festas e outras coisas. Como a cassete, estava no final da fita, foram escassas as palavras mas o bastante para fazer passar a sua mensagem.

 Carlos António Castro (Moçâmedes, 5 de Outubro de 1945[1] - Nova Iorque, 7 de Janeiro de 2011) foi um jornalista, escritor e cronista social português.[2] - No dia 7 de Janeiro de 2011, foi encontrado morto, sem roupa, com sinais de ter sido agredido na cabeça e sexualmente mutilado.[7] A defesa de Renato Seabra (10 de Setembro de 1989) alegou perturbações psiquiátricas, uma estratégia rara nos Estados Unidos e que não teve êxito - Excerto de https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/carlos-castro-foi-assassinado-brutalmente-ha-oito-anos




 ANTÓNIO VARIAÇÕES  - INEGUALÁVEL  NA SONORIDADE DA VOZ CALOROSA E  ENÉRGICA
" É P'ra Amanhã" ou "O Corpo É Que Paga"? Durante o Verão de 1983 Variações é muito solicitado para espectáculos ao vivo, sobretudo em aldeias por este país fora. Em Fevereiro do ano seguinte, António Variações entra em estúdio com os músicos dos Heróis do Mar para gravar o seu segundo longa duração que se intitulará "Dar e Receber". O tema mais conhecido deste disco é, sem sombra de dúvidas, "Canção De Engate" que, posteriormente, se tornará um imenso sucesso numa versão dos Delfins. Em Maio desse mesmo ano dá entrada no Hospital e, no dia 13 de Junho de 1984, morre em consequência de uma broncopneumonia bilateral grave. Será sepultado, dois dias depois, no cemitério de Amares (Braga), perto da sua aldeia natal, com a presença de poucos músicos acompanhando o funeral. Com a sua morte desaparece um dos maiores renovadores da canção portuguesa das últimas décadas. No entanto o seu espólio musical foi sendo aberto e Lena d'Água edita, em 1989, o disco "Tu Aqui" que inclui cinco composições inéditas de António Variações.


Em Janeiro de 1994 é editado um disco de homenagem a António Variações que reúne, em torno de versões do cantor, os nomes de Mão Morta, Três Tristes Tigres, Resistência, Sitiados, Madredeus, Sérgio Godinho, Santos e Pecadores, Delfins, Isabel Silvestre e Ritual Tejo. Isabel Silvestre incluirá no seu disco de 1996 "A Portuguesa" o tema "Deolinda de Jesus" de Variações. Este tema, uma sentida homenagem de Variações à sua mãe (que se chama exactamente Deolinda de Jesus) é o contraponto de qualidade a todas as "Mães Queridas" e quejandos deste país. Em 1997 é editado o CD "O Melhor de António Variações", o qual recupera material editado em todos os seus discos. Em 2006 é editada a compilação "A História de António Variações - Entre Braga e Nova Iorque https://www.fnac.pt/Antonio-Variacoes/ia6976/biografia


“ERA UM SELF MADE MAN” –
Escreve Miguel Cadete – Diretor  do Blitz - Expresso

(..) “Faleceu na noite de Santo António, em 1984, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, onde estava internado no serviço de doenças infecto-contagiosas. A certidão de óbito dá como certa uma broncopneumonia bilateral extensa como a causa da morte, mas os cuidados postos na selagem do caixão levam a crer que era seropositivo e que foi uma das primeiras vítimas de sida em Portugal, o que não foi confirmado pelos médicos. Teresa Pinto Couto alternava com Jaime Ribeiro as noitadas passadas no hospital e o irmão ofereceu-lhe uns auscultadores para que pudesse ouvir as suas novas músicas tocarem na rádio. Os Heróis do Mar levaram-lhe as provas da capa do álbum. Ele só pedia, confirmou Carlos Maria Trindade, "que o tirassem dali".es-

(...) Jaime Rodrigues Ribeiro é um dos nove irmãos de António Variações. Sete anos mais novo do que o cantor, tem escritório de advocacia em Lisboa e é um dos principais interessados na recuperação da memória de Variações. Defende o Variações "fiel às suas raízes rurais, religiosas e educacionais", mas compreende a transição de cariz urbano. "Como ele veio cedo para Lisboa, começou a cultivar outros gostos, outras formas de estar e atitudes. O António só tinha a 4ª classe mas era um 'self-made man'. Apenas tinha a instrução primária."

Chegado à capital aos 12 anos, António Joaquim Rodrigues Ribeiro foi acolhido em casa de uns primos e empregou-se como marçano ("distribuía mercearias em casa dos clientes") e mais tarde, depois de tirar um curso de tipografia, como escriturário. Mas não era isso que mais ambicionava, pois nas férias da Páscoa ou do Natal, quando subia ao Minho para rever a família, demonstrava o seu interesse pela música, o fado em particular. "Passou a ser amante do fado, sobretudo da Amália, o grande ídolo. Quando ia ao Minho, levava revistas onde se falava da Amália, foi ele que nos cultivou o gosto do fado, coisa que não se ouve no Minho. Cantava fados da Amália lá no quintal, o que para nós era desconhecido. O que é certo é que gostávamos de ouvir", continua Jaime Ribeiro quando discorre sobre o gosto pela música que então a família descobria em António.

Recordo-o também, quando ele já tinha vinte e tal anos, numa dessas férias, a compor uma canção relacionada com a aldeia. Lembro-me da letra - 'todas as manhãs, bem antes do sol na montanha despontar; era acordado pelos camponeses que passavam a cantar; sempre a mesma animação; e eu senti então uma vontade louca de os acompanhar'. Este é um quadro muito próprio da nossa aldeia, pois próximo da nossa casa existia uma quinta para a qual se dirigiam ranchos de jornaleiros que passavam muito cedo, cantando enquanto se dirigiam para o trabalho. Isto é um paradoxo porque hoje vivemos num mundo de tristeza em que as pessoas têm tudo mas andam sempre cabisbaixas." António Variações nunca viria a gravar esse tema.

Depois do escritório veio a tropa. Em 1964, António foi destacado para Angola, durante a guerra, onde veio a operar na retaguarda, como especialista em mensagens cifradas. Cumpriu a comissão de três anos e quando regressava a Portugal, mesmo depois de cumprir o serviço militar, não podia sair do país sem autorização da polícia política dado estar em posse do sistema de descodificação de mensagens confidenciais do Exército. É com um certo enlevo que o irmão mais novo descreve as fotografias que António enviava do Ultramar, em situações diversas como quando estava a banhos num rio ou, "o que me espanta muito - porque ele quando veio para Lisboa deixou de praticar a religião católica -, rodeado de meninos negros a dar catequese".
Cumprida a comissão, António regressou a Lisboa e começou a viajar para Londres - onde ainda hoje se encontra outro irmão, José, que também seguiu o ofício de barbeiro - e Amesterdão, onde viria a aprender essa arte. Nessas viagens "desenrascava-se a lavar pratos para arranjar alguns trocos" e quando chegou a Lisboa foi trabalhar para os salões de Isabel Queiroz do Vale, no Centro Imaviz, primeiro, e no Centro Comercial Alvalade, depois, onde trabalhou com Zé Carlos.
"Para a família foi uma surpresa ele enveredar por essa profissão - barbeiro, pois não admitia que lhe chamassem cabeleireiro", prossegue Jaime Ribeiro. Foi nessa altura que António comunicou ao irmão o seu gosto pela composição de canções. "Soube mais tarde que ele até tinha assinado um contrato com a Valentim de Carvalho, em 1977 ou 1978. Não sei em que contexto, penso que enviou uma maqueta e eles acharam que aquilo tinha pernas para andar." Mais pormenores em https://blitz.pt/principal/update/2019-08-22-Quem-era-afinal-Antonio-Variacoes-