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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 16 de julho de 2011

(2) SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE ANTIGAS ILHAS ASBEN E SANAM - Continuação

  (este post  contém algumas fotos da minha viagem  a esta ilha em 20 de Outu.2014)

São Tomé e Príncipe – antigas Ilhas Asben e Sanam: não existe apenas um mapa mas vários mapas da costa africana, antes dos navegadores portugueses atingirem as Ilhas do Golfo da Guiné - Este estudo é apresentado em duas postagens  - É a  continuação de  SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ILHAS ASBEN E SANAM, POVOADAS POR CANOAS AFRICANAS acerca minha teoria, sobre a origem do povoamento das Ilhas do Golfo da Guiné



 
Foto - à direita - obtida com o auxílio de um barrote e a máquina fixa ao mastro - Pois a máquina fotográfica era rudimentar e não tinha automático)

TERIAM SIDO AS ILHAS DO GOLFO DA GUINÉ
AS ILHAS AFORTUNADAS, QUE HOMERO CANTOU?...


As Ilhas Afortunadas fazem parte da tradição clássica, desde Ptolomeu a Homero, Plínio, Plutarco. São muitas as versões que correm sobre a sua localização. Parece, no entanto, existir um ponto comum: situam-nas no Atlântico, além mediterrâneo e das colunas de Hércules, próximas da costa africana e são apontadas como paraísos terrestres, locais eleitos pelos deuses e heróis míticos. Camões, evoca-as no canto V e Fernando Pessoa, em Mensagem, surgindo-as como local fora do tempo e do espaço onde os mitos do Quinto Império, do Encoberto, do Sebastianismo esperam para se concretizar


Desde o arquipélago da Madeira ao do Golfo da Guiné, qualquer dessas ilhas primam pela sua beleza e exotismo e poderão reclamar o mito atribuído por autores clássicos de Ilhas Afortunadas. Por isso, vários tem sido os historiadores a darem a sua interpretação. Charles Ralph Boxer, associa-se ao arquipélago da Madeira, ilhas encontras pelo cartagineses. Martin Behaim identifica-as com as Ilhas de Cabo Verde. Por seu lado, Pedro Martyr associa as Afortunadas com as Canárias.ILHAS AFORTUNADAS

PODERÁ O MITO IR ALÉM DE MERA FIGURA SIMBÓLICA OU RETÓRICA?!....

O alemão Heinrich Schliemann leu atentamente a Ilíada e concluiu que não havia apenas o lado mitológico, mas também algumas verdades históricas . 
 
"Ao narrar na Ilíada a invasão de Tróia pelos gregos, Homero criou no século VIII a.C. uma das peças imortais da literatura. Nos últimos anos, graças ao trabalho dos arqueólogos, a obra começou a ganhar valor de registo histórico. A possibilidade de a Ilíada conter verdades históricas foi levantada pela primeira vez em 1873. Nessa data, guiando-se por algumas descrições feitas nos versos de Homero, o explorador alemão Heinrich Schliemann conseguiu localizar em território turco as ruínas de Tróia.Objectos de Tróia em exposição -.

.A Expedição Vivaldi Revisitada livro da jornalista Fernanda Durão Ferreira (actualmente esgotado e que teve a colaboração da socióloga Sara Santiago) dá algumas respostas: 

- Cita Schliemann, Homero e o Libro del conocimient - de autoria de um frade anónimo de Sevilha, no ano de 1405, no qual – sublinha a investigação – “além de muita informação correcta sobre toponímia africana, constam as ilhas de Gropis e Quible, situadas na foz do Rio Pampana na actual Serra leoa, assim como as Ilhas de Asben,Susan e Melicum, localizadas na parte oriental do Golfo da Guiné”

Por seu turno, De La Ronciere, Charles; LA DECOUVERTE DE L'AFRIQUE AU MOYEN AGE fez a revelação do antigo planisfério catalão, que agora se encontra também divulgado na Internet e com cópias à venda em alfarrabistas.

O REDESCOBRIMENTO DAS ILHAS DO GOLFO DA GUINE - POR SARA SANTIAGO E FERNANDA DURÃO

Fernanda Durao Ferreira, jornalista e autora de vários livros, no principio desta década, interessou-se pela origem do povoamento das Ilhas do Golfo da Guiné. Fez um estudo aprofundado, a que deu o título A Expedicao Vivaldi Revisitada , através do qual apurou que, antes dos navegadores portugueses, ali terem chegado, já existia o Planisfério Catalão, século XIV, com a costa africana e as ilhas cartografadas

Sabendo do meu empenho pelo mesmo tema, que , nos anos setenta, me levaria a fazer várias travessias solitárias em pirogas para demonstrar a possibilidade das primeiras navegações, entre as ilhas e o continente, terem sido feitas através desses meios primitivos, Fernanda Durão teve a gentileza de me informar das suas conclusões, apresentadas na revista História, edição 71, Novembro 2004 - Num artigo assinado por ela própria e a socióloga, Sara Santiago, cuja cópia me ofereceu.

Sem pressas e deixando como que intuitivamente que o tempo se encarregasse de cimentar ainda mais o seu estudo, e também o florescer do espírito que presidiu a essas minhas arriscadas experiências (pois não há boas iniciativas que não produzam os seus frutos) constato, pois, numa pesquisa pela Internet, graças às maravilhas das novas tecnologias, onde os vários saberes e contributos vão sendo publicados para que não fiquem apenas condicionados às prateleiras das bibliotecas ou aos arquivos dos museus, que não existe apenas um mapa, mas vários e ainda mais antigos.
 ........
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - ANTIGAS ILHAS: ASBEN E SANAN

Anglo-Saxon World Map


Mapa de .Eratóstenes (285 - 194 a.C.) ,....
..
.Mapa de Eratóstenes...
.
 .
Karte_Pomponius_Mela Pomponius Mela (c. 43 CE)
Pyramidales: Pyramides d'Égypte : le mini-texte de Pomponius Mela......



«
Procuradas durante séculos, a antiga cidade de Tróia foi finalmente descoberta há cerca de cem anos. Heinrich Schliemann decidiu ler " com outros olhos o texto da Ilíada, seguindo à letra a descrição de Homero. Afinal o arquipélago de S. Tomé e Príncipe já era conhecido dos navegantes que desde o séc. XIII viajavam do litoral de Marrocos até ao Golfo da Guiné»

(...) «E foi sobre um oceano destes que Pero Escobar e João de Santarém navegaram pelo Golfo da Guiné à procura desta ilha de Asben que, conforme afirma Duarte Pacheco Pereira, " a mandou descobrir o sereníssimo rei D.João II
" . Quis a sorte que ela fosse achada no ano de 1470, a 21 de Dezembro, dia do santo descrente que só acreditava no que via e palpava.Mais confiantes que o apóstolo,devem ter navegado os dois navegadores portugueses à procura desta ilha pois se o rei a mandara descobrir, é porque sabia de antemão da sua existência. Chamaram-lhe São Tomé e zarparam à procura de outras duas. Sanan e Melicum foram encontradas a seguir, sendo baptizadas de Santo Antão (passando depois a Santo António, sendo mais tarde Príncipe) e Ilha Formosa, redescoberta por Fernão Pó, conhecida hoje por Malabo, capital da Guiné Equatorial.».

NEM TODAS AS ILHAS ERGUERAM ESTÁTUAS COMO A ILHA DA PÁSCOA.
E APRESENTAM VESTÍGIOS ARQUEOLÓGICOS VISÍVEIS OU IMPONENTES - MESMO ASSIM, JUSTIFICA-SE A SUA INVESTIGAÇÃO

As duas investigadoras, já estiveram em São Tomé: são de opinião de que "no imaginário de em cada santomense, paira a opinião( sou da mesma opinião),  de que estas ilhas já eram habitadas antes do período colonial." E avançam com a seguinte pergunta: " Se a história do descobrimento das ilhas de S. Tomé e Príncipe não merecia voltar a ser estudada a fundo pelos historiadores portugueses e investigada pelos arqueólogos. Mesmo que não se consiga chegar a uma conclusão, podia ao menos levantar-se o problema e deixá-lo em aberto."

Salientam o facto dos jovens "estudantes, manifestarem um crescente interesse " de saberem tudo sobre o seu passado, muitos estudantes frequentam assiduamente a biblioteca do Centro Cultural Português onde se destaca em lugar de honra em lugar de honra um cavalete suportando o monumental Atlas do Visconde de Santana!

Há que ter a coragem" - sublinham - de informar esses jovens que, apesar do mérito do trabalho desenvolvido, o visconde historiador fez batota ao não incluir no seu Atlas, o planisfério Catalão. Datado de 1444, este mapa está guardado na Biblioteca de Modène, Itália e foi reproduzido por Charles de la Ronciére na sua obra la Découverte de l'Afrique au Moyen Age. Dele constam as já citadas ilhas do Golfo da Guiné, bem como os seus nomes árabes. A ocultação da verdade é uma forma de obscurantismo como qualquer outra e, neste caso particular, é mais um contributo para a continuação dos Tristes Tropiques..." - frisam

"Se nada for mudado, corremos o risco de, a médio prazo, ao consultar um moderno mapa de África para ver a localização do antigo Arquipélago Português de São Tomé e Príncipe, depararmos com novos nomes como: Ilha de Asben, ex-São Tomé. Ilha de Sanan, ex- Príncipe" - Este o alerta deixado no termo do artigo «O Redescobrimento das Ilhas do Golfo da Guiné»

Sem dúvida, um interessante estudo que, inclusivamente, teve o cuidado de se debruçar sobre questões de semântica e derivações de ordem toponímica, de origem árabe, sobre nomes locais e até com semelhanças no continente africano. Só essa criteriosa análise - lida com atenção - já bastaria para convencer os mais incrédulos.

OUTROS ESTUDIOSOS NÃO VÊEM SENÃO NO MAPA CATALAN A FORMA CURIOSA COMO MOSTRA ÁFRICA E NÃO DESCARTAM QUALQUER LEITURA 

O texto, que passo de seguida a reproduzif,  revela uma profunda ignorância, pois refere que "não aparece nenhum nome de lugar, o que é falso: clike e veja se há ou não há várias legendas.246A Catalan-Estense Map, 1450-60.
.
Diz ele que "A característica geográfica mais curiosa é a forma da África: no limite do Golfo da Guiné, um rio ou estreito liga o Oceano Atlântico com o Índico e uma grande massa terrestre surge para completar a base do mapa. Não aparece nenhum nome de lugar e não está claro se trata-se de uma parte da África ou de outro continente.-Mapa-múndi Catalão
 ....
COMPREENDO QUE A QUESTÃO CONTINUE A SUSCITAR DÚVIDAS OU INTERROGAÇÕES - POIS O PASSADO DISTANTE É SEMPRE ALGO DIFÍCIL DE INTERPRETAR - 

HÁ PORÉM UMA CERTEZA - A EXISTÊNCIA DE MAPAS ANTIGOS QUE ATESTAM QUE AQUELES MARES JÁ HAVIAM SIDO SULCADOS E MAPEADOS, ANTES DAS DITAS DESCOBERTAS -

A ABERTURA ÀS NOVAS FONTES DE INFORMAÇÃO, ACABARÁ POR FAZER RUIR MUITOS DOS FALSOS MITOS E REPOR A VERDADE HISTÓRICA NOS FACTOS QUE FORAM FORJADOS, OCULTOS OU ADULTERADOS.

O Infante D. Henrique, deveria estar informado das terras que ia descobrir., tendo contratado um dos maiores cartógrafos da época, Jafuda , filho do Mestre Abraão Cresques, da Maiorca, autor do célebre mapa-mundi catalão de 1375 , cujo original que se conserva em Paris - In A IMAGEM DO MUNDO E AS NAVEGAÇÕES IBÉRICAS

Que razões terão levado a essa inadmissível omissão?... -A resposta talvez possa ser compreendida, por um lado, pelo secretismo que envolvia as Cartas de Marear, por outro, porque sempre seria mais enaltecedor para a coroa portuguesa, e arvorarem-se os plenos direitos da sua posse, falar-se de ilhas desabitadas e desconhecidas, de que aludir-se ao seu prévio conhecimento e ao seu anterior povoamento.
 ..............
A ORIGEM DO POVOAMENTO DAS ILHAS DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, É POIS MUITO MAIS ANTIGA DO QUE A DESCRITA PELA VERSÃO COLONIAL  -  AINDA CONTINUA A SER REFERIDA, NÃO OBSTANTE AMBAS CONSTITUÍREM UM PAÍS SOBERANO E INDEPENDENTE, VOLVIDAS MAIS DE TRÊS DÉCADAS São Tomé e Príncipe...Hist.Descobrimentos e Exp.Portug.....

É certo, que, até hoje, não foram descobertos monumentos ou vestígios arqueológicos perenes em qualquer das ilhas do Golfo da Guiné, que pudessem dar-nos indicações para a existência de antigas civilizações. Não porque não possam existir, mas talvez mais pelo facto de nunca ter sido encarado a sério um estudo aprofundado.

Essa investigação deveria fazer-se. Acredito que não faltariam surpresas interessantes. Porém, existe uma prova que continua igual há de milénios atrás: a sua tradição marítima. Haverá elo mais genuíno, com as suas antigas origens, que a arte de navegar em tão frágeis meios primitivos? ....- Canoas frágeis e toscas, é um facto, mas capazes de resistirem aos mais violentos vendavais
Demonstrei-o,  por três vezes, ao ligar as ilhas com o continente. E assim o haviam igualmente demonstrado as enormes canoas que foram utilizadas para transporte de escravos, nomeadamente do Gabão, mesmo depois da alforria, cuja lei muito custou a aceitar aos proprietários nas grandes roças.

Pessoalmente, ainda vi o fundo de uma dessas enormes canoas, junto ao velho cais daPraia Fernão Dias , quando trabalhei como empregado de mato na Roça Rio do Ouro, da Sociedade Agrícola Vale Flor. Pois, em São Tomé não se construíam canoas daquele tamanho. As grandes árvores estão pouco acessíveis às praias e estavam sob o domínio das roças. A costa africana está mais ao nível das praias e oferece mais vastas possibilidades. De resto, depois da independência, muitos nigerianos faziam comércio, com São Tomé, servindo-se de grandes pirogas.

PIROGAS - AS EMBARCAÇÕES MAIS PRIMITIVAS DE TODOS OS TEMPOS

Construídas sem pregos e metais, apenas escavadas em toras - Actualmente, com recurso a machins e a inchós, mas que, noutras épocas, bem poderiam ter sido talhadas com a intervenção de simples machados de pedra. Não se pense, que, ilhas tão formosas, estavam ali à espera, ao longo das eras, até que um punhado de marinheiros-colonizadores, ali fundeasse as suas caravelas. Sim, foram aventureiros corajosos, mas não eram deuses, aos quais fosse dada a divina graça de serem os primeiros seres humanos, a pisar as suas maravilhosas praias e a fascinar-se com sua espantosa beleza! - Reza a história, que não viram ninguém.A matriz africana no mundo

- Um manto de verdura reveste completamente a orla das praias até aos cumes das mais altas montanhas e picos, dando a impressão de se aportar a uma terra de ninguém.

Quem, de bom senso,  acredita que os povos, que lá viviam, mal avistavam os invasores, corriam imediatamente para junto deles?!.. Fizeram-no, mais tarde, mas com persistentes e violentos ataques: é porque estavam organizados e tinham o sentimento de posse da sua terra; queriam bater-se pela sobrevivência das suas vidas, do que lhes eram querido e estava ameaçado.
 
Antigo Mercado Municipal de São Tomé - foto do autor deste blogue

 
A história nem sempre é um relato fidedigno dos factos. E a navegação portuguesa, é um desses exemplos. "Se o Infante D. Henrique e os dirigentes portugueses que se lhe seguiram proibiram a venda de caravelas ao estrangeiro, mandava a lógica que se opusessem igualmente à saída de capitães, pilotos, cosmógrafos(...) e com eles dos roteiros para as novas terras, das cartas de marear e de tudo que ensinasse a nova ciência da posição e da direcção do navio e, mais que tudo, da do sol ao meio dia." - In Dúvidas e certezas na história dos descobrimentos portugueses de Luís de Albuquerque


"Temos de encarar esta verdade de um modo corajoso e decidido," diz Luís de Albuquerque, no seu livro "Dúvidas e Certezas na História dos Descobrimentos Portugueses, distinto e desassombrado historiador já falecido) que me deu o prazer de o entrevistar em sua casa. Refere o conhecido historiador que temos de "reconhecer que a culpa da situação nos cabe na maior parte senão inteiramente a nós, portugueses, por continuarmos a criar "factos históricos", sem alicerces documentais sérios e completos, em vez de desenvolver um trabalho aprofundado para erradicar de vez interpretações sem a mínima verosimilhança e deixar cair no lixo todos os sonhos irresponsáveis (e ninguém é responsável dos seus sonhos...) com que se quer fraudulentamente alimentar ou fortalecer um acrisolado amor pátrio de gente crédula" - Luís de Albuquerque queria referir-se especialmente a "quem sustentou com teimosia a ideia de um descobrimento da América por compatriotas nossos antes de 1424."
 
Pelo que depreendi, através da leitura do seu livro, ele estende a sua crítica a outras questões. Salvo raras excepções, que ele próprio aponta, é muito cáustico para com os nossos historiadores. Logo no início do estudo sobre
Dúvidas e certezas na história dos descobrimentos portugueses frisa que, das “ largas experiências acumuladas no decurso de mais de quarenta anos, através dos contactos com historiadores de todos os quadrantes e de um grande número de países” confessa que teve “oportunidade de verificar que a credibilidade da historiografia portuguesa dos descobrimentos nunca foi tão grande; mas bem pior do que isso; no decurso de tal lapso de tempo pude avaliar também como o nosso crédito de historiadores tem vindo a diminuir progressivamente, e de modo acelerado.".Figuras - Luís de Albuquerque.

Entendo o desabafo de Luís de Albuquerque, como a consequência de acaloradas polémicas a que alude no livro. Pareceu-me uma excelente pessoa, muito competente e culto, incapaz de denegrir fosse quem fosse. Aliás, ainda não há muito o seu nome foi lembrado e homenageado. Nós temos maus e bons historiadores, como em todas as profissões; daqueles que se esforçam em se documentar o melhor que podem e fazem-no com rigor e seriedade e outros que apenas se limitam atirar o barro à parede ou a dar seguimento a velhos conceitos ultrapassados.

COMO JÁ ERA AVANÇADA A CARTOGRAFIA EM 1502 - ESTE É O FAMOSO PLANISFÉRIO DE CANTINO
Cantino planisphere (1502), Biblioteca Estense, Modena, Italy.Cantino planisphere is the earliest surviving map showing Portuguese Discoveries in the east and west. It is named after Alberto Cantino, an agent for the Duke of Ferrara, who successfully smuggled it from Portugal to Italy in 1502

"PRESENÇA DO ARQUIPÉLAGO DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE NA MODERNA CULTURA PORTUGUESA" - DE AUTORIA DE AMÂNDIO CÉSAR, PUBLICADA EM 1968

Presumo que tenha sido, uma das antologias, que até hoje  reuniu um maior número de autores nos diferentes géneros literários. Está esgotada. Falei com ele em São Tomé e, posteriormente, em Portugal. Era uma personalidade extremamente extrovertida, revelando um grande eruditismo mas ultra-nacionalista-conservador e Salazarista quanto baste. Num dos textos compilado, lê-se o seguinte:

"
É questionável entre os sábios o facto da descoberta das Ilhas de S. Tomé e Príncipe, Ano Bom e Fernando Pó, por antigos navegantes Egípcios, Fenícios, Gregos e Cartaginses. Alguns querem que a primeira, segunda, e quarta sejam, as que receberam o nome de Gorgónias, Górgadas, Gorgatas, ou Borcadas; outros dizem que as Gorgónias ficavam ao Sul, e pouco distantes do Cabo Ocidental, agora conhecido pelo nome de cabo Verde. Talvez sejam as ilhas dos ídolos. Não falta quem afirme que as ilha de São Tomé etc. , nunca foram visitadas pelos navegadores, por ser provável que Hannon, general cartaginês, não chegou a elas na sua expedição ao longo da costa ocidental da África.No meio desta incerteza contento-me de apontar aquilo que encontrei em vários registos da provedoria, e em outras obras a respeito da descoberta."

Raimundo José da Cunha Mattos, citado por Amândio César , reconhece a lacuna mas é pena que não tenha aprofundo a questão. E persiste em admitir a dúvida como uma certeza:
"graves autores dão por incerto o ano do descobrimento desta ilha pelos portugueses, e o nome do seu descobridor; entretanto não falta quem diga, que foi achada a 21 de Dezembro de 1471, em que se venera o apóstolo de S. Tomé , de quem recebeu o nome; posto que também se refere, que o primeiro, que lhe deram, foi o de S. Tomás, em memória de S.Tomás de Cantuária, a quem é dedicada a capela-mor da igreja de Tomar, cabeça da Ordem de Cristo, de cuja jurisdição dependiam todos os países novamente descobertos."

"O nome do descobridor é tão incerto, que já disso se queixava o grande João de Barros, mas há quem diga que fora Fernão Gomes, e, outros com mais credibilidade, atribuem esta honra a João de Santarém e a Pero Escobar no reinado do senhor rei Dom Afonso V"

A MINHA MAIOR DÚVIDA NEM SERÁ TANTO EM SABER SE AS ILHAS DO GOLFO DA GUINÉ ERAM OU NÃO JÁ CONHECIDAS E HABITADAS, MAS QUEM FORAM OS MARINHEIROS PORTUGUESES QUE APORTARAM, PELA PRIMEIRA VEZ, NUMA DAS SUAS ENSEADAS OU BAÍAS

Tudo não passa de pressupostos - O único relato fidedigno existente, foi escrito
por um piloto português (século XVI), que descreve a Viagem de Lisboa à Ilha de São Tomé. Noutra postagem, farei a sua transcrição. Para já, eis um dos excertos sobre a descoberta das duas ilhas, que extraí da antologia,"Presença do Arquipélago de S. Tomé e Príncipe na Moderna Cultura Portuguesa", de autoria de Amândio César.

"Ignora-se, ao certo a data do descobrimento da ilhas de São Tomé e Príncipe e o nome dos seus descobridores.Julga-se, porém, que devem ter sido descobertas pelos anos de 1471-1472, quando da viagem de João de Santarém e Pedro Escobar às costas da Mina, de Benim e do Gabão, aí enviados por Fernão Gomes que obtivera, em 1469, do Rei D. Afonso V o arrendamento do comércio da Guiné, por cinco anos, sendo uma das condições o descobrimento de novas terras. Pedro de Sintra atingira, entre os anos de 146o-1463, o bosque de Santa Maria, avanço máximo dos portugueses até aquela data. João de Barros (Ásia. Década I, Liv.II, cap.II) associa a esta viagem o nome de Soeiro da Costa"

"Começou por se chamar de Santo Antão.
A designação do Príncipe ligou-se primeiro a D. João, filho primogénito de D. Afonso V, o futuro D. João II. D. Afonso V foi o primeiro filho mais velho dos réis que se chamou Príncipe"

"
A Ilha de São Tomé começou a ser povoada em 1486 pelos colonos de João de Paiva, aos quais o Rei D. João II, concedera privilégios, no ano anterior; porém a era da sua prosperidade começou em 1493, quando foi criada a capitania da ilha e dada a Álvaro de Caminha" - Mas esta ou outras versões do género, podem ser igualmente consultadas na Internet .História de São Tomé e Príncipe

A PRIMEIRA BARBARIDADE DA COLONIZAÇÃO COMEÇOU PELO ENVIO  DE CENTENAS DE CRIANÇAS JUDIAS, ARRANCADAS AOS LARES DOS SEUS PAIS
Quando as crianças foram colocadas nos navios, na presença do Rei, os seus choros e gritos eram terríveis. Quem nunca viu nem ouviu os choros e gritos dessas mulheres jamais chegará a entender o que significa desconsolo ou preocupação - Vale a pena ler o resto em:O 'PROGRAMA DE DEPORTAÇÃO' DE EXILADOS HISPANO-LUSITANOS À ILHA DE SÃO TOMÉ (1492-1496)........sao tome : Message: Cristovão Colombo e as crianças judias.

O SENTIMENTO GERAL DAS POPULAÇÕES DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE CREIO QUE SEMPRE FOI O DE QUE A SUA TERRA É ÁFRICA E POVOADA POR AFRICANOS

O QUE O REGIME COLONIAL FEZ (ONDE SE IMPLANTOU) FOI LEVAR PARA AS COLÓNIAS MAIS BARCOS CARREGADOS DE ESCRAVOS, EXPLORÁ- LOS E OPRIMI-LOS - 
PASSOU A NÃO RECONHECER, NEM AOS QUE LÁ ESTAVAM, NEM AOS QUE PARA LÁ LEVOU, QUALQUER HUMANA IDENTIDADE OU DIREITO DE CIDADANIA.

O facto da situação ainda ter piorado, em certas circunstâncias,
depois dos povos acenderem à independência (dizem que as roças estão irreconhecíveis) , isso deve-se, em boa parte, à pesada herança colonial: ao facto de não se haver apostado na cultura e não se terem preparado quadros. 

E  não se  ter começado por reconhecer (sem qualquer espécie de conflito ou subterfúgio)o seu direito à independência. Claro que tem havido erros, qualquer país os comete - Mas é a tal coisa, como diz a letra de uma canção do cantor angolano, Rui Mingas, as novas gerações têm também que começar aprender como se conquista a liberdade e uma bandeira

- Vale a pena consultar. A questão da orígem dos angolares de São Tomé Gerhard Seibert, CEAD, Lisboa - SEIBERT, Gerhard, "A questão da orígem dos angolares de São Tomé"


A LEITURA DA CÉLEBRE EXPEDIÇÃO DE THOR HEYERDAHL – KON-TIKI - INCENDIARAM A MINHA IMAGINAÇÃO. - Thor Heyerdahl é uma das minhas referências e um dos meus míticos heróis .

Os relatos da expedição do norueguês Thor Heyerdahl no seu livro "A Expedição Kon-Tiki -, verdadeiro clássico da literatura de viagens , exerceu em mim um profundo fascínio .Não apenas pelo ousado espírito de aventura, mas sobretudo pelo realismo e consistência científica, com que pretendeu demonstrar as suas investigações.

Numa jangada de pau-de-balsa, reprodução exacta às das jangadas índias feitas na América do Sul desde os tempos da pré-história, Heyerdahl partiu de Callao, no Perú, com uma equipa composta por seis homens para as ilhas Tuamotu da Polinésia , percorrendo mais de 8000 Km, ao longo de três meses..

"Quando os primeiros europeus se aventuraram a atravessar o maior dos oceanos, descobriram com espanto que, exactamente no meio dele, existiam ilhotas montanhosas e recifes de coral liso, em geral, segregados uns dos outros e do mundo por vastas áreas de mar. Cada uma destas ilhas já era habitada por povos que aí haviam aportado antes dos europeus"

"Sabemos, com absoluta certeza, que a primeira raça Polinésia deve ter vindo em alguma época, espontaneamente ou não, ao sabor das águas ou com a força das velas de uma embarcação qualquer, até essas ilhas longínquas" diz o autor da Kon-Tiki, no seu livro

"(...) "De onde podiam ter vindo essas levas tardias de emigrantes?" (...) Falavam uma língua que nenhum outro povo compreendia” (...) Como e quanto teriam erguido as suas pirâmides e estátuas?!. Do livro A Expedição Kon-Tiki

Estas foram as questões que levaram Heyerdahl a organizar a célebre expedição Kon-tiki, . Com esta expedição buscava provar que as ilhas do Pacífico poderiam ter sido povoadas a partir da América do Sul. Fez um estudo das correntes marítimas e dos ventos dominantes e de alguns aspectos culturais similares, concluindo que o povoamento da Polinésia só poderia ter sido feito a partir do leste, contrariamente à clássica teoria que defendia as migrações a partir do sul da Àsia, uma vez que, as 5000 milhas que supostamente teriam que navegar, sendo contra as correntes, constituiriam uma façanha pouco provável


Pena que  os dois corajosos investigadores optassem somente por jangadas e nenhum deles realizasse a expedição numa piroga - 

Claro, que, navegando num madeiro, com uma tripulação, completamente exposta às intempéries, sem cabana no meio (neste caso dois madeiros: - naqueles mares é habitual a piroga ir apoiada ou por um casco fino duplo ou dois flutuadores laterais para manter o equilíbrio), não seria muito confortável a pessoas do século XX

Em todo o caso, ambas as travessias, conquanto não tenham sido realizadas em qualquer piroga da polinésia, foram demonstrações de extraordinárias aventuras - não só pelos riscos a que se expuseram, como pelas conclusões científicas que delas puderam extrair
Quando os portugueses chegaram às Ilhas dos Oceanos Indico e Pacífico, nomeadamente às Celebes, viram uma grande número de canoas de casco fino duplo ou monocascos com um ou dois flutuadores laterais para manter o equilíbrio ou formando catamarans de diversos tipos. Os cascos eram frequentemente escavados numa só árvore e as pequenas canoas moviam-se quase sempre à vela enquanto que as grandes ostentavam um importante aparelho vélico. As primeiras seriam as que o cronista e historiador náutico português chamou de “balanços que se remam de pangaio”. Diogo do Couto também refere aos “balanços” com dez a doze homens cada".In .Piroga Polinésia...

"Terão os polinésios sonhado em colonizar ou povoar os continente? - A esta questão, Eric de Bisschop respondeu com uma viagem em sentido contrário à de Thor Heyerdah .Ou seja, ele concebia um verdadeiro périplo: indo com umas correntes e regressando com outras


Em 1956, a bordo de uma jangada da polinésia, com uma equipa de cinco elementos, parte de Tahti  para o Chile , e quase logrou alcançar a costa sul americana. .A jangada estava em tão mau estado que teve de abandoná-la e construir outra. Porém, ao homem de uma vida quase inteiramente dedicada ao mar e ao estudo das origens dos povos do Pacífico, uma vez mais a sorte lhe foge, já próximo do destino - E agora com a perda da vida.

Perto das marquesa, o Tahiti-Nui II é arrastado por uma tempestade.Encalha e naufraga.. Bisschop foi a única vítima do naufrágio. Ao tentar saltar para seco, escorregou e partiu uma perna. Por falta de meios e tratamento, a mesma gangrenou e em pouco tempo causou-lhe a morte .

TANTO  Eric de Bisschop COMO  Thor Heyerdahl FORAM GRANDES AVENTUREIROS DO MAR E GRANDES DEFENSORES DAS MIGRAÇÕES CIVILIZACIONAIS ATRAVÉS DE MEIOS PRIMITIVOS -

Indubitavelmente, os pioneiros das demonstrações de que era possível fazer grandes travessias oceânicas através de simples jangadas ou barcos de papiro e que as correntes marítimas e os ventos favoráveis foram determinantes nas primeiras ligações de povoamentos e civilizações.



Thor Heyerdahlhor após ter atravessado o Pacífico, voltou-se para a antiga civilização egípcia. "Detectando um padrão nos achados arqueológicos, nas técnicas e na arte dos incas, dos polinésios e dos egípcios, o autor começa a considerar a hipótese de viagens transoceânicas entre o Mediterrâneo e o Atlântico,

Concebe então, para testar essa sua teoria, um novo e audacioso projecto - o de atravessar o atlântico numa das antiquíssimas embarcações do país dos Faraós, a que dá o nome de Expedição Rá," o Deus sol.  Expedição RA .

Os Lusíadas (a obra magistral de Camões) foi o primeiro estímulo à minha imaginação. Mais creio que a leitura da A Expedição Kon-Tiki..,.Thor Heyerdahl. , espevitou ainda mais o meu gosto pela aventura

O livro, editado em vários países, era o sucesso do momento. Havia na cidade de S. Tomé, uma pequena livraria-papelaria - O seu proprietário (o Sr. Dias) era também barbeiro. Quando ali fui cortar o cabelo, numa das poucas vezes em que nos era permitido sair da roça, foi ele que mo recomendou.

Contei-lhe que me tinha metido num "charuto" até ao Ilhéu das cabras.  Emprestado pelo fotógrafo com o laboratório em frente à sua papelaria. Então se você gosta de aventuras no mar, leve este livro, - Tenho aí uns poucos que acabei de receber" A vida na roça era muito dura e não havia grande disposição para a leitura. Mas foi o primeiro livro que comprei.

Nessa obra, já não era apenas o lado maravilhoso da aventura, mas a curiosidade que começava a apodera-se de mim, que me levava a reflectir se não teria acontecido o mesmo com o povoamento das ilhas de São Tomé e Príncipe 
Naturalmente, que houve outros factores que contribuíram para a minha paixão, pelo mar: em despertar o meu espírito de aventura, ir mar fora em demanda de algumas pistas das antigas navegações marítimas(através das grandes pirogas) no Golfo da Guiné. - Eu sentia um certo apelo, algo inexplicável, que me impelia a ir ao encontro do misterioso oceano, do desconhecido

Porém, a imagem, simultaneamente, aventureira e romântica, mítica e histórica, que as viagens de Thor Heyerdahl me transmitiram, creio que terá sido a influência mais decisiva para me aventurar sozinho em tão frágeis embarcações. E partisse em demanda das mesmas respostas às interrogações levantadas pelo bravo explorador, zoólogo e geógrafo norueguês.



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Tal como o navegador norueguês,  também eu acreditava que, as ilhas do Golfo (à semelhança das distantes Ilhas da Polinésia), poderiam ter sido povoadas através de meios primitivos, em que os seus navegadores se aproveitaram das correntes e dos ventos favoráveis


Tinha a convicção de que a origem dos povos das duas ilhas, ia muito para além da colonização.

Julgo que não me enganei - conforme pude demonstrar através das várias travessias que empreendi, cuja veracidade e fundamentos da minha teoria, poderão, finalmente, ser comprovados nos antigos mapas - Mas eu recuo ainda mais longe - No entanto, esses mapas, pelo menos, já atestam que o povoamento poderá ser muito mais antigo, de que o início da colonização há cinco séculos.

  O meu desafio, além de ser extremamente arriscado, só poderia ser feito clandestinamente - pelo menos assim teve de ser nas duas primeiras viagens. Se eu manifestasse os meus propósitos, as autoridades coloniais, impedir-me-iam imediatamente essa veleidade.

Pois, se para testar as minhas capacidades, numa viagem em volta da Ilha, eu não fora autorizado, quando mais para tais ousadias!... Lograra apenas iludi-las, em 20 e 21 de Dezembro de 1970, numa curta viagem da Baía Ana Chaves, à pequena Baía de Anambó, onde se encontra o Padrão, a João de Santarém e Pero Escobar, na altura em que se comemoravam os 500 anos da sua "descoberta" -HISTORIA CONTEMPORÂNEA -

Naquela altura, a minha iniciativa a Anambó  (em que ali cheguei de canoa com a bandeira portuguesa) merecera grande relevo na imprensa local e até mandaram lá um fotógrafo - mas já o mesmo não sucedera com a viagem clandestina ao Príncipe, que tivera apenas meia dúzia de linhas.

Fui preso pela polícia do regime!... Ah!... mas se a PIDE soubesse as minhas verdadeiras intenções, então é que ia recambiado imediatamente para o Tarrafal, tal como chagara a estar previsto. Foi o próprio inspector Nogueira Branco, quem mo afirmou: A ele não lhe saía da cabeça que eu queria ir para o Gabão. "Você é amigo dos pretos e ia juntar-se aos cabecilhas.
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"Nós sabemos como você se porta na roça. Desta vez não o mandamos para o Tarrafal. Pode agradecer à D. Alice Nunes" -  Esta senhora era enfermeira e irmã da esposa de um primo meu e gozava de muita .popularidade nos meios coloniais - e até junto da população. Fazia parte da tertúlia da elite colonial - onde também se reunia o homem forte da PIDE - Foi a sua cunha que me salvou Havia sido através dela que eu embarca a bordo do Huige para a roça Uba Budo. da Companhia Agrícola Ultramarina, para ali fazer o meu estágio do curso de Agente Rural. Mas onde não encontraria o mínimo de condições. Não passava de um simples empregado de mato, com a mesma categoria de qualquer analfabeto branco.

O Administrador chamou-me um dia à Casa Grande. E disse-me: "Já o avisaram de que não pode dar confiança aos pretos." (..) Vá imediatamente ao chalet e prepare a sua mala, que já ali tem no terreiro um jipe à sua espera para o levar para a Ribeira Peixe" - Passei a fazer o mesmo trabalho dos serviçais que eram para ali enviados de castigo, num autêntico degredo: andava eu e um cabo-verdiano a contar cacaueiros velhos numa plantação abandonada, na zona da cobra preta - Não vou contar mais pormenores, pois, só isso, dava uma grande história. - Ficará para próxima postagem
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Após as minhas navegações solitárias, na senda das origens dos povos das Ilhas do Golfo da Guiné, não é que também já me envolvi noutras investigações! - É o caso das descobertas, no principio desta década, de dois imponentes calendários solares pré-históricos, que localizei no Maciço dos Tambores, arredores da minha aldeia - O assunto é tratado (entre outros temas) no meu site Os Templos do Sol -

 IRONIA DO DESTINO - O QUE NO TEMPO DAS CARAVELAS, FIZERAM AOS NEGROS, NO  GOLFO DA GUINÉ, FAZEM ELES AGORA COM AS CANOAS AOS NAVIOS QUE DEMANDAM AS COSTAS DO NÍGER E BENIN 

Dir-se-ia que formam autênticas frotas de guerra: "A onda de ataques tem-se concentrado no Golfo da Guiné, na costa da Nigéria e do Benin e conduziu naturalmente a preocupação crescente na indústria do transporte. Em Agosto de 2011, as seguradoras marítimas em Londres adicionou as águas da Nigéria e do Benin para uma lista de áreas de alto risco, como resultado de ataques de piratas aumento no Golfo Piracy on the Rise in the Gulf of Guinea as Niger Delta ..




TENHO  IMENSAS SAUDADES DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE:  DAS SUAS BELEZAS NATURAIS E   DA SUA BOA GENTE - DESDE AQUELA VIAGEM DE CANOA,  NUNCA MAIS LÁ VOLTEI . POIS VIVI LÁ 12 ANOS - E ERA JOVEM . MAS NÃO DO COLONIALISMO  - POIS TAMBÉM FUI AFECTADO E PERSEGUIDO POR ELE  - E ATÉ PRESO PELA PIDE, AQUANDO DA TRAVESSIA DE PIROGA, ENTRE AS DUAS ILHAS, EM 1971  ..

MAS NEM POR ISSO DEIXO DE ADMIRAR A CORAGEM DOS MARINHEIROS PORTUGUESES QUE ALI APORTARAM, HÁ CINCO SÉCULOS - E QUE EU PRÓPRIO HOMENAGEEI, NUMA VIAGEM DE CANOA, DA BAÍA ANA DE CHAVES,  AO LOCAL ONDE SE ENCONTRA O PADRÃO DO SEU DESEMBARQUE.  SÓ QUE EU ACHO QUE HÁ MUITO POR DECIFRAR - OU ATÉ OMISSO OU OCULTO - ANTES DE ALI TEREM APORTADO -  E FOI POR ESSA RAZÃO QUE EU ME FIZ AO MAR LARGO, SOZINHO E POR TRÊS VEZES.


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