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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

terça-feira, 9 de julho de 2013

S.Tomé e Príncipe – Feira de livros no Instituto Português do Desporto e Juventude, em Lisboa - Num fim-de-semana animado e tórrido: falou-se de literatura e de música (houve espetáculos) debates sobre economia, trajes, gastronomia, costumes e tradições. Sugerimos, através do repórter da TV de S. Tomé, uma regata de pirogas dos países do Golfo da Guiné – o abraço histórico, com partida do Gabão, Ano Bom. S. Tomé - de carácter épico e evocativo mas não competitivo.

Outras postagens neste site - alusivas às comemorações dos 38 anos: independência de S.T.P

12 de Junho República Democrática de São Tomé e PríncipeComemora hoje
 Reportagem do dia 12 .Comemorações do 38º aniversário
 13 de JunhoAuto Floripes e Tchiloli - A Património Imaterial da Humanidade
Reportagem do dia 14 na Quinta das Conchas  Grande Festa da Comunidade

Quem esperava que a feira do Livro, havia terminado no dia 13 de Junho, no Parque Eduardo VII, enganou-se – É que,  noutra zona não menos bonita de Lisboa, o Parque Expo,  estava previsto um outro certame: para os dias 5 e 6 de Julho, já com o sol a pino (e por sinal ainda mais abrasivo que nas Ilhas Verdes do Equador – Tratava-se da 2ª  Edição da Feira do Livro de São Tomé e Príncipe, em Portugal.




II Edição da Feira do Livro de São Tomé e Príncipe em Portugal




Não foi ao ar  livre – pois houve que conjugar o espaço reservado à mostra dos livros   e à Exposição fotográfica “Reencontros em Lisboa” de Alcibiades Pequeno, com  outras iniciativas reservadas para o auditório: espetáculos musicais, conferências e a  Projeção do documentário “São Tomé e o coro das palavras” – de Carlos e Marina Brandão Lucas, seguido de conversa com o autor.

A organização foi da responsabilidade da Mén Non – Associação das Mulheres de São Tomé e Príncipe em Portugal em parceria com a UNEAS - União dos Escritores e Artistas de São Tomé e Príncipe

Missão - Atingir jovens imigrantes e portugueses que queiram conhecer melhor São Tomé e  Príncipe, promovendo um programa de inclusão social através da literatura e da  cultura.

Objetivo - Promover, divulgar e valorizar a cultura de São Tomé e Príncipe, renovar apostas, conquistar novos leitores, fazer a divulgação dos livros, fomentar e estimular sobretudo nos jovens o gosto pela literatura e pela leitura.

SURPRESA CALOROSA QUE NOS ENCANTOU E EMOCIONOU

De facto, não estávamos a contar com tão interessante mostra cultural – Pois, quem diz que, em S. Tomé, não há bons escritores, músicos e poetas? está redondamente enganado!  Aliás, sempre houve – Mas agora ainda há mais . A música é que dificilmente voltará a ser como dantes. O mundo das novas tecnologias, em toda a parte,  trouxe avanços em muitos aspetos mas desvirtuou e provocou grandes roturas noutros – Alterou sonoridades, melodias, ritmos,   tradições que deviam manter-se. Perderam-se e desvirtuaram-se, sons, irreparavelmente! - Muitos desses importantes valores, dessa riquíssima memória, foi pervetida.

Desconhecia-mos  o evento. Foi um amigo santomense que nos alertou - Daí que  só pudéssemos estar na tarde de Domingo – Perdemos um conjunto de iniciativas,  muito enriquecedoras, que ter-nos-iam dado  muito prazer. Em todo o caso, tivemos oportunidade de conviver e de participar, em bons momentos. Ao entrarmos  na sala, onde se encontravam expostos os vários livros, vem junto de nós, um jovem santomense,  a rondar os 30, que inesperadamente nos coloca esta pergunta: O Sr. Jorge, sabe quem eu sou?!... A sua imagem não nos era totalmente desconhecida mas não a conseguimos situar. Vendo o nosso embaraço, responde: “Sou o sobrinho do Marinho Costa! - Claro, não podia faltar o natural abraço.


Falava-nos do nosso maior amigo de S. Tomé, que falecera no princípio do ano – Foi ele o autor da única  fotografia, que deu a volta ao mundo, publicada nas manchetes dos jornais e revistas da imprensa mundial,  em 1974, que fez ao malogrado Rodrigues Pinta de 59 anos, conhecido por Giovani, morto por uma bala perdida (?) durante um tumulto no Riboque

Indubitavelmente, um dos melhores fotógrafos, destas ilhas. Fora um excelente colaborador da revista Semana Ilustrada, de Luanda, durante o período em que ali fomos correspondente.  Além disso, depois de vir para Portugal, foi com ele que pudemos  fazer inúmeros trabalhos fotográficos, no seio da comunidade africana. Tinha o seu laboratório instalado na Cova da Moura - Num bairro algo problemático e complicado - À semelhança de outros moradores, começou por erguer um simples barracão, até que edificou um edifício de dois pisos - Era admirado e respeitado - Nunca ali teve nenhum problema.   

Na sequência da privatização da Rádio Comercial, encontrávamo-nos desempregado, tendo-nos dado uma oportunidade de trabalho – Nomeadamente, nas reportagens de casamentos e batizados ao fim-de-semana, sobretudo por esta altura – Nas  festas de arromba dos cabo-verdianos -   Não olham a gastos, desde a primeira comunhão ao batismo ou casamento, encaram todas estas cerimónias muito a  sério  - Tudo muito aperaltado e festivo. São talvez dos africanos, mais  dados à extravagância e à folia. Os santomenses, amáveis e sorridentes, como talvez não haja outro povo, adoram divertir-se mas são mais comedidos nos gastos. 


Agora, toda a gente já dispõe de máquinas digitais: fecharam as  lojas de fotografia, os fotógrafos casamenteiros, estão em vias de extinção. Marinho Costa, não foi apenas o fotógrafo de estúdio ou de trabalhos particulares, ou o fotógrafo oficial da RDP, mas um autêntico artista fotográfico, tendo sido convidado por várias embaixadas, quer a fazer serviços em Portugal, quer a deslocar-se ao estrangeiro - E também às suas adoráveis Ilhas, onde mantinha um estúdio e manteve colaboração ativa  com as entidades dos vários governos do seu país. Oxalá, um dia, seja recordado à altura do seu justíssimo mérito.

PARABÉNS AAlcibiades Pequeno·A POR ESTE MAGNIFICO VIDEO


ENCONTRO COM A POETA OLINDA BEJA  E COM ALCIBÍADES PEQUENO, O REPÓRTER DE FOTOGRAFIA E DA TELEVISÃO DE S. TOMÉ, ,

 Outra surpresa que não esperávamos foi a da poeta Alda Beja, que tinha acabado de fazer um recital de poesia "Bô Tendê?, com acompanhamento musical  de Felipe Santo e Abnildo Leite  - Falava, na altura, com Alcibides Pequeno, o repórter de fotografia e televisão de S.T.P - Mal nos viu,  chamou-nos para junto do seu marido  e de Alcibiades, que, igualmente surpreendido pela nossa presença,  quis lhe falássemos das nossas aventuras marítimas naqueles mares do Golfo da Guiné. Naturalmente, confrontados que fomos com algumas das melhores recordações,  não tardou que as lágrimas nos aflorassem aos olhos. Falou mais alto o coração: comovemo-nos.  Faltaram-nos as palavras.  Pois, os 12 anos, em S. Tomé, deixaram-nos marcas indeléveis para toda a vida. Aceitamos, pois, com muito prazer, enviar nosso abraço afetuoso ao Povo de S.. Tomé, recordar algumas dessas nossas odisseias, mas só  um pouco depois. Houve primeiro que nos refazermos de tão caloroso encontro - E até porque, do metro até aquelas instalações, ainda apanhámos uma torreira de sol, que nos deixara quase sem  respiração 

SUGERIMOS PARA QUE, OS PAISES SITUADOS NO GOLFO DA GUINÉ DE NORTE  A SUL,  EMPREENDAM A VIAGEM ÉPICA AO PASSADO - LIGANDO O SUL DO GABÃO, ANO BOM E S. TOMÉ.

E QUE PAÍSES SÃO ESSES: 
NOMEADAMENTE:
LIBÉRIA, COSTA DO MARFIM, GANA, BENIM, NIGÉRIA, GUINÉ EQUATORIAL, S. TOMÉ E PRINCIPE, CAMARÕES, GABÃO, CONGO E ANGOLA,

Na verdade, deu-nos  muito prazer recordar para a televisão de S. Tomé e Príncipe, alguns dos episódios vividos naqueles vastíssimos mares, sim,  mas não menos  agradável  deixou de ser o convívio  estabelecido com   o excelente repórter, que também ali tinha uma fantástica exposição fotográfica de sua autoria - A quem revelámos, em primeira mão, o desejo de que, no próximo ano, por altura da Gravana, houvesse uma travessia em canoa, com partida ao sul do Gabão, aproveitando os ventos alíseos e as correntes. Em que cada país disponibilizasse uma canoa e preparasse a sua tripulação, composta exclusivamente por pescadores das pirogas - Já demonstrámos, através das várias travessias que empreendemos, entre as ilhas, e entre estas e o continente, da possibilidade das canoas fazerem grandes viagens marítimas e, dos povos, do litoral do Golfo da Guiné, terem demandado e povoado as ilhas, muito antes dos árabes e europeus, ali terem chegado.



Uma viagem, envolvendo representações dos vários países, com um passado histórico ligado ao Golfo da Guiné,.para além de poder ser um admirável apelo às raízes de um passado ancestral comum, reforçaria ainda mais essa afinidade cultural e poderia constituir-se como  um evento de repercussão mundial. – Constituindo-se, também, como oportunidade de debate  e reflexão - Sobretudo, numa altura em que, os mares do Golfo,  da Guiné, se deparam com um inimigo comum, a pirataria, em que os países africanos buscam combater a pirataria no Golfo da Guiné. Se promovem conferências e organizam comissões, ao mais alto nível,  com esse objetivo Em evento apoiado pela ONU, países africanos buscam combater a piarariara do Golfo da Guiné  .....Comissão do Golfo da Guiné preocupada com actos de pirataria...Mil marinheiros foram em 2012 vítimas da pirataria no Golfo da Guiné


É NECESSÁRIO ROMPER COM AS MÁS MEMÓRIAS E PACIFICAR O GOLFO DA GUINÉ

Do Golfo da Guiné guardam-se más memórias do passado colonial  mas é importante que, na atualidade, também não seja um mar de piratas  mas um mar de paz  e de tranquilidade, tal como são as suas calmarias, depois dos tornados. Há que saber salvaguardar e  aproveitar os seus imensos recursos naturais, sem ameaças e sem agressões, sejam de que natureza for. Claro que, ao propormos tal abraço épico de pirogas, estamos a contar com o apoio ao longo do percurso. E num ambiente de franca cordialidade - Sem os golpes baixos do mercado – Tal como parece ter sido a recente comercialização do arroz dos Camarões -Governo ordena a retirada imediata do arroz importado dos Camarões... Tendo-se concluido que o que não mata engorda - O mesmo acontecia com o feijoão bichoso, importado de Moçâmdes, no templo colonial -Arroz importado dos Camarões é bom para comer e recomenda-se

 Pois, o importante é o significado do evento e também a demonstração (sem carácter competitivo) de que as canoas eram capazes, são capazes de fazer longas travessias. E foram elas,,  em várias partes do oceanos, as grandes pioneiras do encontro e expansão das civilizações.
...
 Declarei ao repórter  Alcibiades Pequeno, a ideia desse  interessante evento desportivo e histórico, sugerindo para que fossem, os ministérios da cultura e do mar a chamarem a si a sua organização - Dispondo-nos, no entanto, a  colaborar com a nossa experiencia e dar a nossa desinteressada colaboração. Esperemos que a ideia, ora lançada, vingue e encontre o indispensável apoio, não apenas junto das  entidades santomenses, como por parte dos demais países, a que nos referimos, com laços profundos históricos ao Golfo da Guiné - Imenso palco de tráfico de escravos e também de aventuras épicas  dos povos africanos.   



  QUE AS ILHAS DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE   -E, TAMBÉM, ANO BOM   E  BIOKO (EX-FERNÃO DO PÓ)-  SÃO POSSUIDORAS, NÃO DE CINCO SÉCULOS DE POVOAMENTO E COLONIZAÇÃO MAS DE UMA ORIGEM ANCESTRAL MAIS REMOTA, QUE SE PERDE NA GRANDE JORNADA DA HUMANIDADE.


Existem mapas antigos que atestam pelo menos os contactos e o conhecimento dessas ilhas - Demonstrei a possibilidade dessa ligação poder ter sido feita por povos do litoral africano, através das suas pirogas, antes de quaisquer outros colonizadores, ali aportarem. -

Possibilidade, essa, sempre omitida na historiografia oficial -  Embora vá havendo (à distância de centenas de milhas) quem  diga que, pelo menos uma era habitada, as outras, desde que se formaram, estiveram à espera das boas intenções dos colonizadores europeus e à mercê dos mosquitos: "Das quatro ilhas deste arquipélago equatorial, a única que foi encontrada povoada foi a de Fernando Pó". -Breve história das ilhas do Golfo da Guiné

Canoe, Rivers Province, Nigeria
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A GRANDE EPOPEIA AFRICANA NÃO PODE SER IGNORADA -  - O continente africano é o berço da humanidade: foi daí que irradiou o Homo sapiens . Os seus homens e mulheres, povoaram lugares nunca dantes povoados; atravessaram continentes , criaram civilizações, culturas e formaram reinos - E, mesmo os que nunca dali partiram para a grande aventura da Diáspora, tinham os seus costumes, as suas tradições e  as suas hierarquias - Eram livres à sua maneira.  

O  europeu veio mais tarde para usar e corromper  os próprios comerciantes de escravos, ficando  eles com a fatia de leão: para dividiram territórios, humilharem, dominarem e escravizarem as populações a seu belo prazer, usurpando as suas riquezas







AS CANOAS DE  SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE SÃO MAIS PEQUENAS QUE AS DO LITORAL AFRICANO -  As ilhas são montanhosas e as roças também não permitiam o abate de  grandes árvores - Mas a ligação dos primeiros povos foi  realizada a partir da costa africana para as ilhas à vela e a remos. Actualmente, são frequentes as viagens da Nigéria para São Tomé, com auxílio de motores fora de borda- O regresso é feito à veja e a motor.  VEJA ESTES DOIS EXEMPLARES shippage 5.html - ELDER DEMPSTER MEMORIES.***Praia de Eleko, Lagos, Nigéria Posteres de Zazzle.pt*******THE SAMINAKA COMPASSNigerian Regattas and Saminaka's African

Tal como referi na postagem, em ilhas asben e sanampovoadas por canoas africanas
 as ilhas do Golfo da Guiné,  já haviam sido assinaladas com nomes árabes, em cartas antes da colonização



NA NIGÉRIA HÁ REGATAS EM DIAS FESTIVOS – RECORDANDO O PASSADO ÉPICO DAS GRANDES PIROGAS – HÁ QUE RELANÇAR ESSES EVENTOS E TRANSPÔ-LOS PARA UM CONTEXTO AINDA MAIS AMPLO. ENVOLVENDO OS VÁRIOS PAÍSES COM UMA ANCESTRALIADDE COMUM NO GRANDE GOLFO DA GUINÉ

Enquanto muitas canoas são pequenas, servem para o transporte individual e pesca, as canoas utilizadas para regatas são geralmente maiores. Grandes canoas foram utilizadas para o comércio de longa distância ou de partes de guerra. Eles podem armazenar até 30 pessoas, ou carregadas com gêneros alimentícios, tecidos e outras mercadorias. Regatas desenvolvidas como uma versão social das cavalgadas de soldados e comerciantes, com remadores vestidos iguais, suas canoas decoradas com toldos, galhardetes, e dançarinos em plataformas anexados.


Stanley observou uma exposição de canoas de guerra em Uganda século 19: "A maior canoa visto por mim neste frota medido 72 pés de comprimento, 7 pés de três centímetros de largura ... Havia provavelmente mais de uma centena de canoas entre 50 e 70 metros de comprimento e cerca de 50 entre 30 e 50 metros de comprimento ... a maior classe - 100 em número - exigiria, em média, cinqüenta homens cada um deles para o homem ". As diferentes frotas de nigerianos foram comparáveis - Excerto de Nigerian Regattas and Saminaka's African Festival!!! 

QUEM SOMOS?

O mar chama por nós, somos ilhéus!
Trazemos nas mãos sal e espuma
cantamos nas canoas
dançamos na bruma

somos pescadores-marinheiros
de marés vivas onde se escondeu
a nossa alma ignota
o nosso povo ilhéu

a nossa ilha balouça ao sabor das vagas
e traz a espraiar-se no areal da História
a voz do gandu
na nossa memória...

Somos a mestiçagem de um deus que quis mostrar
ao universo a nossa cor tisnada
resistimos à voragem do tempo
aos apelos do nada

continuaremos a plantar café cacau
e a comer por gosto fruta-pão
filhos do sol e do mato
arrancados à dor da escravidão

Olinda Beja

OLINDA BEJA - A POETA COM O CORAÇÃO DIVIDIDO ENTRE A SUA AMADA ILHA DE S. TOMÉ ONDE NASCEU E A SUA BEIRA ALTA PARA ONDE VEIO VIVER DESDE CRIANÇA

Outra surpresa, que não estávamos  à espera, era  o amistoso e adorável dialogo  com a poeta Olinda Beja. E até de lhe ouvirmos de viva voz alguns dos seus belíssimos  poemas, que registamos para vídeo - Sem dúvida, uma das maiores poetas da atualidade de S. Tomé e Príncipe -Se é verdade que ser-se poeta é um dom, dado por divinas inspirações, não menos verdade é que são as vidas , os acasos, os lugares onde se nasce ou por onde se passa que determinam a condição de um poeta. Se, Luís de Camões, não tivesse andado embarcado pelos mares do Atlântico ao Índico, não tinha escrito os Lusíadas, mesmo que escrevesse uns versos, dificilmente o consagrariam para a posteridade. O mesmo teria sucedido a Fernando Pessoa, senão tivesse percorrido o atlântico de Lisboa a Pretória e depois regressado. Jamais a sua alma teria sido iluminada por tanta força poética e por tanto mar. 

Olinda Beja, à semelhança de Almada Negreiros, nasceu em S. Tomé,  na Vila de  Guadalupe em 1946, filha de mãe santomense  e pai natural da Beira Ata, tendo partido  para Portugal, com apenas dois anos de idade.

Se não se tivesse dado esse curioso ou profético acaso, talvez não fosse a poeta que é hoje, sim, se lá tivesse ficado - Por um lado, porque, as imagens de criança, são marcantes para toda a vida, por outro, porque, ao sentir que perdia o elo à sua terra de origem,  houve como que o apelo intrínseco, instintivo,  a essas mesmas raízes, aparentemente perdidas.  Que, de resto, Olinda, ao longo da sua vida, tem procurado  reforçar, através de várias viagens a essas suas ilhas amadas. Lendo poetas e escritores da sua terra natal, convivendo com as suas gentes, com a sua cultura e a sua luxuriante paisagem.  Não foi o caso de José Almada Negreiros, que nunca lá regressou. Mesmo assim, que influência!...  Mas, olhando para aquele rosto, sorridente, expressivo, onde os traços da mestiçagem, da miscigenação africana,   não escondem a sua origem, vê-se, logo num primeiro contato, nas primeiras palavras, que o seu coração fala a linguagem dos trópicos. Das pátrias irmãs, unidas  pela mesma língua e história, pertencendo ambas à mesma comunidade   da CPLP. - E, de que, Olinda se orgulha, e tem sido a militante apaixonada. 

Sim, Olinda Beja, embora, bem cedo deixasse o clima quente e húmido do equador, passando a viver nas terras frias da Beira Alta (em cujos horizontes e espaços rurais, já se inspirou para escrever alguns dos seus mais belos poemas e livros de ficção, como seja " A Casa do Pastor") não tardou a que, um dia, respondesse ao  mágico canto do Ossobó. Aqueles sons que teria ouvido em menina. Quando o seu pai e a sua mãe negra, viviam lá pelo interior da roça - Sons inconfundíveis das lindas aves do paraíso que povoam  as florestas que ensombravam e cobriam  as plantações dos cacaueiros.  

"Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Português/Francês) pela Universidade do Porto, Olinda Beja é docente do Ensino Secundário desde 1976. Ensina também Língua e Cultura Portuguesa na Suíça, é assessora cultural da Embaixada de São Tomé e Príncipe e dinamizadora cultural. Publicou os livros de poemas 'Bô Tendê?', 'Leve, Leve', 'No País do Tchiloli', 'Quebra-Mar' e 'Água Crioula', os romances 'A Pedra de Villa Nova', '!5 Dias de Regresso' e 'A Ilha de Izunari' e ainda livros de contos.



Olinda Beja, autora de 16 livros  de poesia e ficção, distinguida pelo Prémio Literário Francisco José Tenreiro, atribuído à obra “ A Sombra do Ocá, tem sido  uma autêntica embaixatriz da divulgação  da lusofonia, da cultura das Ilhas de s. Tomé e Príncipe e de Portugal, deslocando-se, frequentemente, a estabelecimentos de ensino do universo lusófono, dando  a conhecer as ilhas do cacau e fazendo  aproximação  dos dois povos através da riqueza cultural que une os dois povos.







O AMOR PROIBIDO - DE ORLANDO PIEDADE

 Alguns dos autores, já haviam estado no dia anterior. Foi pena termos perdido essa extraordinária oportunidade. Ainda pudemos falar com Orlando Piedade, que ali foi apresentar o seu romance,  O Amor Proibido -O enredo decorre em São Tomé e Príncipe séculos XV-XVIII.  Trata-se de "Um amor proibido entre um negro, filho de escravos, e uma mestiça, filha de uma fazendeira rica e um branco pertencente às elites colonizadoras, numa sociedade complexa, dominada pelo racismo, interesses económicos, jogos de poder e vicissitudes públicas das mais diversas ordens. O Amor Proibido retrata a chegada dos portugueses, o povoamento das ilhas através do tráfico de escravos e os degredados provenientes da metrópole, bem como, a fundação das cidades de São Tomé e de Santo António. Retrata ainda a evolução económica, a criação de uma sociedade crioula complexa, diversificada e especialmente propensa às conflitualidades. Os escravos, os angolares, a vida dos foragidos, a vida nas roças, o papel das mulheres naquela sociedade, as mulheres casadas, o casamento e as ligações económico-sociais são aspetos também focados, assim como a formação de uma elite crioula, culturalmente europeizada mas com características particulares, tendencialmente nacionalistas e com grande mobilidade social.

O AUTOR: Orlando da Glória Silva Piedade nasceu em São Tomé, em 1974. Mestre em Engenharia Informática pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa e Licenciado em Informática de Gestão pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Desenvolve a sua atividade profissional como Analista Programador na Inter Partner Assistance - Portugal, empresa do grupo AXA.

TÓPICOS DAS INTERVENÇÕES DA MANHÃ E TARDE DE SÁBADO, 4 DE AGOSTO  




Depois das palavras de abertura por Mén Non – Maria Maomé Smith,  foi a vez  de  Albertino Bragança, falar do tema “Ser São-tomense, quem somos nós? Já pelo fim da tarde, coube a Carlos Almeida,  musicólogo da SPA, natural de S. Tomé,  falar  da música-santomense –  A seguir, a Profª. Inocência Mata, dissertou  sobre “Literatura feita em S.T.P, após o que, Olinda Beja, fez apresentação do seu mais recente livro “Histórias da Gravana”  - Antes do encerramento do programa que terminaria por volta das nove da noite, ainda houve tempo para Armindo de Ceita do Espírito Santo, ele também autor de várias obras, dissertar sobre o “Estado da Economia de São Tomé e Príncipe  - E também um espaço para  momentos de poesia, uma abordagem  à “História dos trajes tradicionais de São Tomé e Príncipe, por Aldina Dias. E, por fim, culminar com um debate, orientado por Nén Nom - Ednilze Luiz,  sobre a “Gastronomia São-tomense, Hábitos e Costumes –

DOMINGO, 5 DE AGOSTO

A manhã e tarde reservada à Feira do Livro – Com o  recital de poesia "Bô Tendê?" por Olinda beja, com acompanhamento musical  de Felipe Santo e Abnildo Leite.

O “Amor Proibido” de Orlando Piedade, foi apresentado  por Abílio Neto – Seguiram-se leituras da  “ Carta pá Apolinária” de Conceição Deus Lima por Ângelo Torres. Após o que foi feita a projeção do documentário “São Tomé e o coro das palavras” – de Carlos e Marina Brandão Lucas, seguido de conversa com o autor.

Ao declinar da tarde,  espaço para “Animação Cultural – Projeto Dombó, englobando os principais géneros musicais da cultura Santomense: Socopé, Rumba, Dêxa, Ússua, Stleva, Puíta, Bulauê, entre outros. Com a participação dos músicos: Açoriano – Voz/percussões, Filipe Santo- Guitarra/baixo/Voz, Leoníldo Barros –Guitarra/Voz, Jojó Pinho – Percussão/Voz, Mick Trovoada- Percussão/Voz, Juju RodriguesBateria/Voz




Carlos de Almeida, um especialista da música, na Sociedade Portuguesa de Autores,  mais conhecido por Camucuço, o  santomense que se radicou há já alguns anos em Portugal, mantendo, todavia, um vínculo muito forte às formosas Ilha Verdes do Equador --  É dos estudiosos mais entendidos em questões da música africana, dos PALOP - Claro, melhor de que ninguém, da investigação musical das maravilhosas ilhas do seu país..Mas também da música portuguesa -- Daí a razão de ser um dos quadros qualificados da SPT -- Foi um dos conferencistas na II Edição da Feira do Livro de São Tomé e Príncipe em Portugal, tendo falado da Música São-tomense, origem e influências -- A que nos referimos em http://www.odisseiasnosmares.com/2013/07/stome-e-principe-feira-de-livros-no.html



PARABÉNS SÃO TOMÉ E PRINCIPE - 38 ANOS DE INDEPENDÊNCIA À VISTA

Já lá vão 38 anos que deixámos as maravilhosas Ilhas de S. Tomé e Príncipe. E tão ansiosos andamos de lá voltar!  - Estamos  a fazer esforços para lá irmos ainda este ano. Desde, aquele dia distante, que me propusemos atravessar o Oceano Atlântico, numa piroga, muita coisa já mudou: o  modelo das roças coloniais,  sabemos que deixou de existir - Ou, por outras palavras, e está irreconhecível – Teria sido preferível que  se mantivessem, tal como sucedeu em Bioko, ex-Fernando Pó. De facto, é levantável estarmos assistir a episódios desta natureza .Matagal e vândalos consomem o “castelo” que foi atribuído à...


Mas, por cá, nomeadamente, pelo Alentejo, durante o período revolucionário, também se cometeram enormes erros e excessos.  Mas acreditamos que não mudou a cordialidade e a generosidade do Povo destas ilhas -. A população, que, na altura, creio não ia além dos 70 mil habitantes, cifra-se, atualmente, para cima 160 mil – Isto só por si é significativo. Dá-nos a indicação de  que deixou de haver menos mortalidade infantil, que houve progressos no combate ao paludismo  e que algo também melhorou no bem-estar das pessoas, pese o facto das tremendas vicissitudes inerentes aos novos desafios que se têm colocado ao jovem país – Em  todo o caso, deve ser dos únicos lugares de  África, onde a natureza é pródiga e não se morre de fome. No dia 12 de Julho, comemora-se o 38º ano da sua independência, aqui expressamos os nossos sinceros votos para que seja um maravilhoso dia de Festa, mas também uma oportunidade de reflexão:  de se pensar, seriamente, nos melhores rumos, com vista a um verdadeiro progresso e bem-estar das suas populações. 
Jorge Trabulo Marques


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