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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

São Tomé 39 anos depois: Agostinho Fernandes: “o pais tem futuro, com ou sem petróleo" – Diz o membro da direção da ADI, ex-ministro do 14º Governo constitucional, uma das figuras ministeriáveis do próximo Governo de Patrice Trovoada, que considera o projeto supranacional de uma regata de canoas, no Golfo da Guiné, como “uma ideia muito interessante"

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista Profissional
Como é do conhecimento público, o partido vencedor nas eleições legislativas de São Tomé e Príncipe, foi a Acção Democrática Independente (ADI), ),  conquistando 33 dos 55 assentos parlamentares –– Na véspera do meu regresso a Portugal, na impossibilidade de apresentar os meus cumprimentos ao Secretário-Geral do ADI e ao  líder fundador  do seu partido, o ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada que, em breve, retomará as funções, em cerimónia presidida pelo Chefe do Estado Santomense, das  quais,  há dois anos, fora destituído, através de moção de censura parlamentar, tive o prazer e a honra de ser recebido, em audiência informal, por  Agostinho Fernandes, a quem dei conhecimento de um projeto desportivo, supranacional, sob a égide da Presidência da República, que gostaria que o futuro Governo, apoiasse,  ao mesmo tempo que lhe vinha desejar os votos  dos melhores êxitos para o XV Governo Constitucional, em prol do bem-estar e do progresso do Povo de São Tomé e Príncipe 





QUEM É AGOSTINHO FERNANDES:

 Simpatizante do Porto e do Manchester, tendo como suas figuras de proa e principais referências, Barack Obama, Nelson Mandela (Madiba), Martin Luther King Jr., Svnf-lawyers, e, naturalmente, o partido que abraçou,  ADI - Acção Democrática Independente e o seu líder Patrice Trovoada-

 Agostinho Quaresma dos Santos Fernandes, que estudou na Universidade de Toulouse, embora jovem, é já uma das figuras emblemáticas da ADI e um dos rostos, que se apontam como ministeriáveis para um dos mais altos cargos  do próximo Governo.

  -  Empossado como Ministro do Plano e Desenvolvimento, no décimo quarto governo constitucional, pasta, então criada, para tutelar vários sectores da economia, desde agricultura, pescas, turismo, comércio e indústria, sim, ele que, há quatro anos, era já considerado pelos observadores políticos, como “Um super ministério nas mãos do jovem jurista.(ADI)," naturalmente que não deixará de ser chamado por Patrice Trovoada para o acompanhar no novo projeto governamental.

 PRINCIPAL OBJETIVO DA AUDIÊNCIA - DAR CONHECIMENTO DA REGATA DE CANOAS NO GOLFO DA GUINÉ – À vela e a remos, com pirogas primitivas, unicamente tripuladas por pescadores dos países da região, de caráter supranacional e suprapartidário, sob a égide do Presidente da República de São Tomé e Príncipe - Devidamente apoiada por via maritima e aérea. - Pormenores em:
http://www.odisseiasnosmares.com/2013/08/regata-remos-e-vela-gabao-s-tome.html



Recebeu-me numa das aprazíveis esplanadas do complexo turístico, situada na Praia Emília, de forma simpática e cordial, tendo mesmo esboçado alguns largos sorrisos, na sua impecável  postura diplomática, quando lhe falei, não do jornalista, que também ali estava para registar algumas  das suas palavras, acerca dos projetos do Governo, que o partido vencedor vai liderar, mas, sobretudo,  do homem  aventureiro que partira para o mar em demanda das origens do povoamento destas maravilhosas ilhas, evocando ao mesmo tempo a ignominiosa rota dos barcos negreiros, entre outros objetivos  científicos, humanísticos e desportivos e que não queria regressar a Portugal, sem lhe dar conhecimento do projeto que apresentei a Sua Exa. o  Sr. Presidente da República, Manuel Pinto da Costa, ou seja, da realização de uma regata de canoas, tripulada por pescadores dos países do Golfo da Guiné, e que gostaria que o novo governo, igualmente apoiasse, sim, deixou-me muito satisfeito, pois achou a ideia muito interessante - Apoio que voltou a sublinhar, no momento, em que nos despedíamos, agora já na presença de José Diogo, Vice-Presidente da Assembleia Nacional, que entretanto ali acabava de chegar.

 Isto porque, disse, "eu defendo que é preciso criar alguma coisa que possa unir de facto os santomenses. E, se nós tivermos uma atividade de uma certa envergadura supranacional  e que possa ser algo que aglutine os santomenses e faça  ecoar no mundo o bom nome de São Tomé e Príncipe, eu acho que é uma incitativa excelente e que deve contar  com o Povo e com todos os atores políticos e económicos de São Tomé e Príncipe” - sublinhou, já no termo da breve entrevista que honrosamente me concedeu.


Neste golfo, encontram-se as ilhas de: Bioko e Ano Bom (Guiné equatorial) e as Ilhas da República Democrática de S. Tomé e Príncipe -  Países convidados: Libéria, Congo e Angola


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A FUGA DE ESCRAVOS NAS CANOAS –  Referida por Gerhard
Seibert, numa conferência, em 2009

(tradução) …..escravos fugidos de São Tomé ou do Príncipe, realizaram em suas  canoas pelas correntes marinhas ligações à ilha de Fernando Pó. Em 1778,  o ano da transição do domínio Português ao da Espanha, um grupo de  ex-escravos de São Tomé e Príncipe viveu no sul de Fernando Pó.  (..)Após a abolição da escravatura em 1875, trabalhadores contratados africanos fugidos respetivamente, foram frequentemente devolvidos  pelas Autoridades espanholas para os seus senhores em São Tomé e Príncipe. Outros foram simplesmente entregues aos empregadores locais.

Um século mais tarde, em 1975, Jorge Trabulo Marques, partiu sozinho desta ilha numa canoa em uma tentativa de atravessar a Atlântico. Em vez disso, depois de uma odisseia de 38 dias, ele desembarcou em Fernando Pó. Ele era detido e interrogado pelas autoridades locais e depois repatriado  - Excertos de ]Equatorial Guinea's External Relations: São Tomé e ..











Regata de Canoas do Golfo da Guiné – Com a participação: Libéria, Costa do Marfim, Gana, Benim, Nigéria, Guiné Equatorial, S. Tomé e Príncipe, Camarões, Gabão, Congo e Angola



Como já tive ocasião de sublinhar, não vim a São Tomé, 39 anos depois,  com o propósito de me envolver nas questões políticas internas mas tão somente para matar saudades da maravilhosa Ilha Verde, do imenso mar azul que a envolve, coroando-a  de marulhos de alva espuma e  por um infindo  azul marinho, só possível à  luz dos trópicos, de tal modo tão sedutor e atraente que me fez ir ao seu encontro por três vezes, nas frágeis pirogas dos pescadores, sim, e também rever velhos amigos, relembrar memórias – E muitas são essas memórias, desde que desembarquei na Baía Ana Chaves, a bordo do paquete Uíge, num já distante dia de Novembro de 1963 - a Out de 1975 – Porém, conquanto, não fosse minha intenção inicial ir além da condição do simples peregrino, a verdade é que, ao ser reconhecido por vários amigos, era difícil passar despercebido e não corresponder aos amáveis afetos, aos muitos gestos de amizade e cortesia, que se estenderam desde o cidadão anónimo, a dirigentes históricos do MLSTP , incluindo o seu fundador, Manuel Pinto da Costa, além de outros ocasionais encontros com diversas personalidades.

 Agostinho Fernandes, começou por considerar que "estas eleições permitiram que o Povo Santomense se expressasse no seu mais profundo sentimento, em relação à estabilidade política no nosso país"

 Afirmando que, de facto, o Governo foi derrubado por uma moção de censura mas, dois anos depois, o Povo voltou a recolocar o governo no seu lugar, demonstrando, claramente, a todos os políticos, que essa vontade do Povo é que deve prevalecer"

 Por isso, diz o ex-ministro da Economia: "é um ponto de partida interessante, que, se for respeitado por todos os atores políticos, permitirá ao nosso país ter uma estabilidade nos próximos quatro anos e permitir que o Governo possa trabalhar e ir ao encontro dos anseios da população"

ESTABILIDADE GOVERNAMENTAL DE MODO A  "PÔR COBRO À POBREZA"

 Uma das preocupações do próximo Governo - diz, Agostinho Fernandes - "é pôr cobro a uma situação de pobreza bastante aguda" em que vivem os santomenses - "Infelizmente os governos não têm tido  estabilidade suficiente para poder trabalhar no sentido de pôr cobro a essa pobreza. Portanto, para nós essa é a primeira preocupação:  lutar para que nós possamos diminuir o sufoco da pobreza que ainda existe na nossa população, agindo, digamos,  nos mais variados sectores da nossa economia, atraindo o investimento privado estrangeiro, de modo que nós possamos criar mais e melhores postos de emprego, aumentar o poder de compra dos santomenses e permitir, de facto, que os santomenses possam respirar e ir ao encontro dos seus anseios próprios, tendo novas oportunidades de trabalhar, de satisfazer as necessidades da sua família e serem empreenderes, e por aí fora."

 TURISMO,  AGRICULTURA E PESCAS -  ESTAS AS SOLUÇÕES PARA O DESENVOLVIMENTO DO PAÍS  - Independentemente do petróleo vir ou não vir. 

O ex-Ministro do Plano e Desenvolvimento,  Agostinho Fernandes, que, durante a curta governação do 14º Governo constitucional,   havia inaugurado, no centro pesqueiro de Neves, uma unidade, com vista a  melhorar um pouco a questão do tratamento do pescado, criando condições para uma pesca semi-industrial com vocação para abastecer o mercado interno e também para exportação, voltou a referir que, São Tomé e Príncipe, tem futuro, independentemente do petróleo nomeadamente no sector das pescas, turismo e agricultura

 "O turismo, se for bem explorado, pode dar  rendimentos suficientes para poder marcar o  desenvolvimento e satisfazer as necessidades do país. Mas nós sabemos que também temos outros recursos: o mar é uma grande potencialidade, que nós  temos, e, se for devidamente explorado, também podemos tirar de lá rendimentos para melhorar as condições de vida do nosso Povo, sem desprimor para outros sectores como a agricultura – Embora, tenhamos um país limitado em termos de superfície territorial mas nós podemos apostar em certos sectores específicos e partir daí catapultar este país"

 Quanto às relações com Portugal, reconhe que continuam boas, como sempre, disse-nos o ex-governante e possível figura ministeriável, sublinhando que "Portugal,  é um parceiro do desenvolvimento de São Tomé e Príncipe. Desde a primeira hora esteve connosco e continua, dentro das suas possibilidade, em tudo o que possa permitir o desenvolvimento e o bem-estar do nosso Povo"


Nota -Agradecimento ao jornalista Adilson Castro, do Jornal Transparência, que nos acompanhou ao local e a quem confiámos o registo das imagens


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