expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

Quem sou eu

Minha foto
Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 29 de novembro de 2014

São Tomé 39 anos depois: Em Mucumbli, distrito de Lembá. Neves – À descoberta de um pequeno paraíso alcandorado sobre o oceano equatorial da mais bela Ilha Paradísica do Mundo


Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista


 
Mucumbli  é nome de uma árvore de grande porte, a que foi atribuída a designação científica de  Lannea Welwitschii com os seus 50 metros ou mais  de altura, usada na medicina tradicional, de cuja seiva os curandeiros nativos extraem os seus “milongos”, com propriedades curativas e mágicas, nomeadamente  para os meninos começarem a andar com o seu pé mais cedo e se libertarem do colo ou das  costas das suas mães . 

 


É também o nome que,o apicultor italiano, Tiziano Pisoni ao radicar-se, há uns anos na Ilha, com a sua esposa, a  Mariangela Reina, deram a um magnífico recorte da zona litoral dos distrito de Lembá, próximo da localidade das Neves, em Ponta Figo, a 27 Km a oeste da  cidade de São Tomé.

Muitas foram as mais belas supressas, no meu regresso a S. Tomé, 39 anos depois, com que tive o reconfortante prazer de me maravilhar - E, como já tive ocasião de referir, tantas foram, que o mais difícil é descrever todas as emoções que pude viver, a ordem a dar a qualquer delas – Hoje vou recordar a minha passagem pelo pequeno aldeamento turístico de Mucumbli, outra das áreas costeiras de uma Ilha Paradísica, que, só por si, é também um fantástico recorte paradisíaco,  de um exotismo e de uma beleza, verdadeiramente aprazível e surpreendente.

 Oportunidade que pude desfrutar graças ao Coronel Victor Monteiro, Diretor de Gabinete do PR que teve a amabilidade de me levar na sua viatura a vários pontos maravilhosos da sua Ilha, alguns dos quais vistos por mim pela primeira vez, tal foi o caso deste encantador empreendimento turístico, onde o saudável e reconfortante convívio com a natureza, não é mero slogan. – A curta distância da estrada marginal, mas onde o asfalto é deixado lá atrás – Dir-se-ia  que é o mesmo que partir  à descoberta da floresta virgem, em estado primitivo mas onde o homem pode  sentir-se perfeitamente integrado.
  
Indo através de estreitos caminhos, ora de terra batida ou empedrados com a pedra basáltica do sítio, sempre lada a lado  por frisos de luxuriantes folhas ou cachos de bananeiras,  disseminadas por entre jaqueiras, mangas, fruta-pão, safuzeiros, o pau marapião, pau gogó, coqueiros, palmeiras, pequenas hortas, num lugar povoado de  muitas outras espécie arbóreas e arbustivas, sim, perante uma diversidade de espécies de flora endémicas, que incluem buganvílias e tantas outras flores exóticas, árvores de fruta, ervas aromáticas  e plantas medicinais, no manto do qual, mas já sobre a falésia voltada para o mar, surgem, espaçadamente, como que a lembrar a mítica cabana do marinheiro solitário,  pequenas casas típicas de madeira, os vários bungalows, sempre em perfeita harmonia com o meio ambiente , debruçados com as suas varandas sobre o vasto oceano, rodeados por um deslumbrante jardim tropical, decoradas com peças de artesãos locais, a que foram dados nomes dos frutos da terra, nos quais não falta o indispensável conforto, casas de banho privativa e água quente, redes de isolamento à prova de mosquitos ou de outros insetos, tudo inserido num conjunto arquitetónico  harmonioso, sugestivo e muito bem enquadrado.

- E, para quem não queira ficar nos bungalows, o sítio dispõe de áreas para instalação das suas tendas, com acesso aos serviços sanitários  e área para grelhados. E, se não quiser confecionar a comida em casa, tem ainda, naquele espaço turístico,  um belíssimo restaurante, também todo ele em madeira local, com varandas de sonho, onde pode saborear dos melhores pratos típicos, a que o Chef  - ou não fossem italianos os seus proprietários - associa alguns ingredientes e sabores da cozinha italiana. - Deliciando-se com autênticos manjares, ao mesmo tempo que ouve o canto do ossobó ou de outros passarinhos, tal foi esse o privilégio que ali desfrutei.

Como é de conhecimento público, as ilhas de São Tomé e Príncipe, são as que possuem uma maior riqueza na flora, encontrando-se aqui  cerca de 100 espécies vegetais endémicas das ilhas do golfo da Guiné, sendo ambas classificadas como a 17ª área protegida a nível mundial– Justamente por esse facto, é que este empreendimento turístico rural, tem como  principal preocupação o encontro com Mãe Natureza, a salvaguarda, a proteção  do seu património natural.


Sem dúvida, trata-se, com efeito, de uma belíssima aldeia turística, perfeitamente integrada num espaço de atividade agrícola e florestal, de pecuária, de proteção. propiciando o íntimo convívio com o meio ambiente, alcandorada sobre uma alta falésia, da qual se avista uma impressionante panorâmica: -  quer a que se espelha, lisa e calma na superficie líquida (para lá do recorte verde de palmeiras e outra vegetação tropical), ora deserta ora salpicada de pequenas canoas a remos ou à vela,  quer a que se estende  ao longo do litoral, em ambos os sentidos, ou a que se ergue pelo manto verde negro e multicolor acima, a derramar a sua luminosidade exuberante,  sim, desde  a densa cobertura dos contrafortes do maciço vegetal, até às fímbrias mais altaneiras do famoso Pico de São Tomé, onde se descobrem as eternas  neblinas, que ora parecem confundir-se com os céus, ora, diluindo-se, nos remetem a um autêntico éden de maravilha e de sonho, transportando-nos a um outro mundo, que não  propriamente o dos homens, o térreo,  mas a visão irreal, que extasia e deslumbra,  como a mais generosa e profícua dádiva divina,  sobrenatural! 






(vídeo) São Tomé – Mucumbli – O sonho do paraíso ao alcance do turista - Este vídeo foi registado na visita que fiz a aldeia turística de Mucumbi, distrito de Lembá,  na companhia do Coronel Victor Monteiro

– Ao deixar de descrever o cenário que tinha perante os meus olhos e na sequência de uma breve pausa de silêncio, de entre os vários sons das aves na floresta e do  mar, que se desfruta do alto da falésia, surge, inesperadamente, o canto  do ossobó, da ave do paraíso – Xuva! Xuva! Xuva Xuva!” , que normalmente costuma anunciar a chuva – Distingue-se perfeitamente dos chilreios e dos cantos de outros passarinhos. Pouco depois era o Coronel Victor Monteiro, a chamar-me a atenção para o seu canto, numa árvore ali em frente da esplanada do restaurante. Ainda o tentei filmar mas,  como estávamos muito próximos, o nosso falar silenciou-o. Confesso, porém, que só,  mais tarde,  ao visionar o registo, me dei conta de  que, afinal, sem querer, já o tinha gravado.

O MAR TÃO PERTO,  AZUL SUAVE E CONVIDATIVO..
.
Do alto da falésia, onde o mar parece ao mesmo tempo tão perto como inacessível, há, no entanto, a possibilidade de acesso direto a uma praia de areia basáltica (5 minutos de distância) frequentada por tartarugas marinhas (espécie “mão branca”), que aí vêm desovar. 
 
 Sugestões de passeios acompanhados por guias de Mucumbli 

  A observação de cetáceos com a ONG MARAPA, partindo da Praia de Mucumbli, também conhecida por Praia das Furnas,  em excursões marítimas acompanhadas por agentes formados em técnicas de observação e de aproximação  dos animais no seu meio natural

A descoberta da imponente Cascata de Angolar, atravessando os túneis da conduta de água da central hidroelétrica, desfrutando de magnífica paisagem de montanha. Visitas às Roças da Ribeira Palma, Rosema, Bindá e Ponta Furada, por caminhos que oferecem uma vista panorâmica  sobre a cidade das Neves. E, para  os mais aventureiros, um passeio à volta da Ilha, ligando a zona norte à do sul da Ilha, que não  é acessível a veículos, atravessando o interior do Parque Natural do Obó de São Tomé, por entre riachos, rios, pântanos e manganal

Outros passeios atraentes: ir ao encontro  do colorido e do canto das  aves, da descoberta da flora endémica, ao longo da floresta secundária ou  subindo ao majestoso e sempre desafiador Pico de São Tomé.

 Dizem os folhetos turísticos  - e com plena justificação -  sim, “mais de que um agradável espaço turístico, o Mucumbli é um verdadeiro jardim tropical, onde todas as atividades são realizadas com o envolvimento da população, contribuindo para a criação de emprego e a fixação da população no distrito de Lembá, considerado entre os distritos com o maior índice de pobreza de São Tomé e Príncipe e com menos oportunidades de trabalho. Só por esse falto é, pois, de louvar e de enaltecer.



Nenhum comentário :