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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

domingo, 16 de novembro de 2014

São Tomé 39 anos depois: Roça Saudade, Casa de Almada Negreiros, de ruinas a Casa das Artes e Museu – Um dos momentos mais comoventes a um mítico lugar, dos mais luxuriantes e altaneiros da Ilha

Finamente, pude revisitar a casa onde nasceu Almada Negreiros – Foram momentos de particular emoção. 
É que, desta vez, não fui ali encontrar uns muros em ruínas, cobertos de trepadeiras e de ervas, onde não se descobria nem a mais leve miragem do próspero e belo solar que, em tempos ali existira, mas em curso  uma luminosa ideia, concretizando um projeto cultural e turístico, muito interessante. A edificação de uma casa de madeira, alpendrada, ainda não completamente acabada mas já em adiantado estado de construção, assente nalgumas colunas e rebocos do antigo solar. 

Não deixe de ler a última postagem editada em 29-12-2014 -
http://www.odisseiasnosmares.com/2014/12/sao-tome-museu-almada-negreiros-na-roca.html

A casa, onde nasceu Almada Negreiros, que estava em ruinas, finalmente está sendo recuperada  - No meu site,  em  8 de abril de 2013, havia chamado atenção para este mítico lugar, http://www.odisseiasnosmares.com/2013/04/almada-negreiros-comemoracoes-dos-120.html - mas, pelo que constatei, temos finalmente uma casa,  cujo projeto visa ir ao reencontro de recuperar memórias do passado, de Almada Negreiros, considerado uma figura ímpar no panorama artístico português do século XX.




Situada na antiga Roça Saudade, a cerca de 800 metros de altitude, próxima da antiga Pousada Salazar, e também relativamente perto de uma das mais belas cascatas de São Tomé, a cascata de São Nicolau e do Jardim botânico  - Trata-se, com efeito,  tal como seu autor o afirma, de um projeto de vida de Joaquim Cabangala Victor, Guia turístico, natural de São Tomé. Transformar as ruinas da casa onde nasceu Almada Negreiros, numa Casa de Arte .O terreno tem uma área  de aproximadamente 500.00 m2. A área a afectar  à construção para efeitos de cálculos de índices urbanísticos é de cerca de 200.m2 

A partir de Dezembro, o espaço destinado ao restaurante vai passar a funcionar. Entretanto, ainda no decorrer deste ano, Joaquim Victor, projeta viajar a Portugal  a fim de conseguir, junto de amigos e admiradores da vida e obra de Almada, alguns “instrumentos” (livros, pinturas ou até cópias de quadros) para aqui serem  expostos permanentemente, num espaço  que lhe vai ser especialmente dedicado.

Na minha peregrinação a São Tomé, tinha previsto deslocar-me à Roça Saudade, assim fiz, graças à colaboração de Manuel Gonçalves, um amigo que viajara comigo no mesmo avião e que alugara um jipe para vários passeios ao interior da Ilha e no litoral, dando-me a possibilidade de o acompanhar 

– Por um lado, já não conduzo, desde que dali parti, há 39 anos, por outro, eu ia na mira do turismo económico, o que ali é possível, pois há muitas alternativas por onde escolher – E eu optei pela mais acessível – E, de facto, podem desfrutar-se dias maravilhosos, nesta Ilha, a preços tentadores. A restauração é diversificada e há muito onde comer bem e  barato, com apenas alguns euros, atendendo à diferença cambial – Um euro equivale a 25 mil dobras e, com esta quantia, compra-se o que era impensável comprar em Portugal. 

Tal como referia, na referida postagem, a Roça Saudade, fica a 17 Km de S. Tomé, cidade, voltada a nordeste. Numa das mais belas áreas da Ilha. Quando trabalhei na Brigada de Fomento Agro-pecuário, passava lá, durante a semana, relativamente próximo. Porém, só mais tarde,  soube, através de um artigo do Padre Ambrósio,  publicado na revista Semana Ilustrada, de que era correspondente, o segredo que esta casa guardava. Foi vendida à Roça Santa Margarida, que a integrou com a dependência Vista Alegre. – Um dos lendários lugares que vale a pena visitar ou rever.



De seu nome, José Sobral de Almada Negreiros, nasceu na Roça Saudade, freguesia da   Trindade, na Ilha de São Tomé, que, em 7 de Abril de 1893, embora sendo já o segundo centro urbano, mais populacional, depois da capital, não passava de um pequeno aglomerado de casas-  Órfão da mãe, aos 2 anos, é transportado para Lisboa, em 23 de Abril de 1895, passando a viver em Cascais, entregue aos cuidados dos avós e tios paternos, da família Freire Sobral. Frequenta o colégio de Campolide e, depois, frequenta um liceu de Coimbra.  Faleceu, em Lisboa, 15 de Junho de 1970)   

“A mãe, Elvira Freire Sobral, morreu na Ilha de S. Tomé, ano e meio depois, a 29 de Dezembro de 1896. O pai, António Lobo de Almada Negreiros, zeloso funcionário  e escritor fecundo, sendo Administrador do Concelho, continuou em S. Tomé, totalmente devotado à administração colonial. Deixou finalmente a Ilha de  S. Tomé, a 22 de Dezembro de 1899, e seguiu para Paris, quase sem passar por Lisboa. O mesmo vapor Loanda levou o pai e filho para a Europa” – In Almada Negreiros Africano.


Almada Negreiros, considerado "uma figura ímpar no panorama artístico português do século XX. Essencialmente autodidata (não frequentou qualquer escola de ensino artístico), a sua precocidade levou-o a dedicar-se desde muito jovem ao desenho de humor. Mas a notoriedade que adquiriu no início de carreira prende-se acima de tudo com a escrita, interventiva ou literária. Almada teve um papel particularmente ativo na primeira vanguarda modernista, com importante contribuição para a dinâmica do grupo ligado à Revista Orpheu, sendo a sua ação determinante para que essa publicação não se restringisse à área das letras. Aguerrido, polémico, assumiu um papel central na dinâmica do futurismo em Portugal: "Se à introversão de Fernando Pessoa se deve o heroísmo da realização solitária da grande obra que hoje se reconhece, ao ativismo de Almada deve-se a vibração espetacular do «futurismo» português e doutras oportunas intervenções públicas, em que era preciso dar a cara"Almada Negreiros


Arquiteto José Afonso de Almada Negreiros - Filho de José de Almada Negreiros e de Sarah Afonso  

Imagens registadas no ano de sua morte - em 2009
COMO O TEMPO PASSA...

  Penso que foi justamente no ano em que ele faleceu, que  lhe fiz estas fotografias. Talvez um mês ou dois antes. Mas até parece que foi ontem, que  eu e o meu amigo, o pintor João Neves, tomávamos um café com ele na Calçada do Combro, na Pastelaria Oreon,  com vista a combinar a sua deslocação à Roça Saudade - Era a terceira vez que falava com ele, depois que o conhecera nos habituais convívios do  Botequim  de Natália Correia  situado no Largo da Graça, em Lisboa. 

"Se Almada filho pudesse, hoje, dialogar com Almada -o mestre -, que problemas lhe colocaria?

Os mesmos. Porque sempre falámos das grandes preocupações à volta da comunicação, do entendimento do Homem e do espaço.
Eu nunca vi o meu pai velho. Soube sempre vencer o tempo e viveu intensamente até estoirar – Excerto de José de Almada Negreiros - Casal das Letras © MARIA AUGUSTA SILVA 


Dizia euu, neste site: segunda-feira, 8 de abril de 2013



 OPORTUNIDADE PARA SER RECORDADA, TAL  COMO, EM CUBA, A "FINCA LA VIGIA" DE ERNEST HEMINGWAY

Mesmo que só existam ruinas, talvez irreconhecíveis. Já o eram, quando  ali me desloquei, há mais de 40 anos, nesta altura, dificilmente alguma parede continuará erguida. As chuvas, ali constantes, contribuem para a degradação das habitações. Mas, obviamente,  se as ruinas estiverem cobertas de vegetação, que ao menos se limpem e se deixem algumas pedras à mostra - E porque não reconstrui-la?!.. - É que, ali, ergue-se  a mais bela e exuberante  paisagem do interior da Ilha, com todos os seus encantos e surpresas, com todos os seus múltiplos verdes e espécies tropicais: desde a flora às aves mais belas e exóticas aos canoros cânticos"  -

De facto, não podia ter mais reconfortante surpresa

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