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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

domingo, 7 de dezembro de 2014

São Tomé - Imagens de antigas gravuras de eventuais simbolos judaicos em colunas localizadas num extinto cemitério - Fotos cedidas por gentileza de Gerhard Seibert - Muito parecidas às do Monte Fariseu, em V.N. de Foz Côa



Por Jorge Trabulo Marques - 

A descoberta, que julgo ter feito  de eventuais gravuras rupestres em duas pedras, algures próximo  da margem a oeste do  litoral, na presença de dois jornalistas santomenses, e, alguns dias depois, também observadas na companhia do Coronel Victor Monteiro, Diretor do Gabinete da Presidência da República (a que me referi em Descoberta de gravuras pré-históricas no litoral de São Tomé) vieram despertar a curiosidade de vários investigadores – Alguns  dos quais já me transmitiram a sua disponibilidade em integrar uma equipa para um melhor aprofundamento do eventual achado. Mas também foi motivo para ser questionado sobre o assunto por Gerhard Steibert, com a seguinte pergunta: À primeira vista, a ideia que se tratam de "gravuras rupestres" parece-me uma mera especulação. Como consegue determinar a idade destes rabiscos?” -    De cujo interessante diálogo resultaria o envio de várias fotografias sobre eventuais símbolos judaicos em colunas, meio subterradas, num antigo cemitério de S. Tomé.

Gerhard Seibert - Sem dúvida, uma figura respeitada e sobejamente conhecida em São Tomé e Príncipe, aliás, internacionalmente, pois trata-se, com efeito, de um dos estudiosos mais abalizados em "Estudos Africanos, aspectos socioculturais do desenvolvimento, processos de aculturação e crioulização, migração, urbanização, movimentos religiosos, sector informal, etnicidade e identidade - Licenciado em Antropologia Cultural Pela Universidade de Utreque, Holanda (1991) e Doutorado em Ciências Sociais Pela Universidade de Leiden, Holanda (1999). De 1999 a 2008, foi Bolseiro de Pós-doutoramento da FCT no Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) em Lisboa. Desde 2008 E investigador auxiliar do Centro de Estudos Africanos (CEA) / ISCTE-IUL em Lisboa. E autor do Livro Camaradas, Clientes e Compadres.Colonialismo, Socialismo e Democratização em São Tomé e Príncipe (Lisboa: Vega 2001; Versão inglesa: . Camaradas, Clientes e Cousins ​​Colonialismo, socialismo e da democracia em São Tomé e Príncipe . Leiden 1999; 2ª edição Actualizada 2006). Publicou Vários Trabalhos Sobre temas Relacionados com São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Moçambique, Guiné Equatorial e como Relações Brasil - África. -Karl Gerhard Seibert

GRAVURAS DE EVENTUAIS SÍMBOLOS JUDAICOS EM COLUNAS DE UM EXTINTO CEMITÉRIO

De Gerhard Steibert - Caro Jorge  - (…) Conforme a imaginação do padre português (esqueci-me do nome dele) estas gravuras eram estrelas de David associadas às crianças judias deportadas para S.Tomé por Álvaro de Caminha em 1493. 

Contudo, o israelita especialista em judaísmo que avaliou estas fotos em 2007, afirmou que as gravuras não tinham nada a ver com símbolos judaicos.
Noutro e-mail posterior - Conforme informação do padre português antigamente havia neste sítio um cemitério, anterior ao São João de Vargas. Com outras palavras, as colunas podem ser bastante recentes.

Não se sabe a datação, porém, a avaliar pelo estado das colunas,  é presumível que já tenham mais de um ou mais séculos – 

Não se trata da reprodução do hexagrama (ou seja da famosa estrela de Davi) mas de pentagramas, porém, tal não significa que a intenção de quem fez o registo não fosse a de  reproduzir   símbolos judaicos.  Nomeadamente num tempo em que o judaísmo era perseguido, se esbatia e era  forçado à conversação  pelo cristianismo

Até porque, a  história do pentagrama surgiu associada a várias culturas antigas. “O símbolo foi usado no século IV A.C. na Mesopotâmia como o selo de Salomão e da cidade de Jerusalém, para o povo judeu. Os druidas pensavam do pentagrama como um símbolo para a divindade, enquanto no século XII, os cavaleiros templários associavam o símbolo com o cristianismo. O pentagrama pode ter dado uma mão no projeto das pirâmides, já que para os egípcios o símbolo era associado ao submundo”.O que a estrela de cinco pontas simboliza?

“A forma atual do Escudo de Davi já aparecia em diversas culturas do extremo oriente há milhares de anos, só nas últimas centenas de anos que mudou-se para um símbolo puramente judaico. Este símbolo apareceu primeiramente ligado aos judeus já na Era do Bronze - no século IV a.C. - num selo judaico achado na cidade de Sidom. Também aparece em muitas sinagogas antigas na terra de Israel datadas da época do Segundo Templo e até mesmo em algumas depois de sua destruição pelos romanos. Não lhe era dado, ao menos aparentemente, um significado tão especial ou místico, mas ornamental, assim como muitas Estrelas de Davi foram achadas ao lado de “Escudos de Salomão” (estrelas de cinco pontas ou pentagramas) e, curiosamente, ao lado de suásticas. Estrela de Davi

Tal como já tive oportunidade de referir, noutro contexto, a perseguição e  morte aos Judeus, em Portugal, que culminou com a sua expulsão, é ensombrada por vários episódios negros ao longo dos tempos. - Desde as crianças que foram arrancadas ao colo das mães e enviadas  para S. Tomé, passando pela matança da Páscoa, em Lisboa a outro não menor morticínio, em Vila Nova de Foz Côa. E, todavia,  foram os judeus, desde cartógrafos, cosmógrafos  a banqueiros,  os principais impulsionadores e financiadores  das chamadas descobertas marítimas - Portugal superou as demais nações europeias - Num tempo em que os ingleses se debatiam em lutas internas, matando-se  à machadada, quase como na pré-história, os  navios portugueses eram já considerados os mais rápidos e melhor apetrechados, que até  os da vizinha Espanha - Refugiados na Holanda, seria este país a tirar partido - na sua expansão colonial - através da capacidade de engenho e de ousadia dos cérebros que acolheu.
Muitos dos judeus, expulsos de Espanha, fixaram-se no Norte de Portugal, a que, mais tarde vieram juntar-se outros grupos de famílias judaicas.  Não querendo renegar as suas crenças, e por questões de salvaguarda das suas vidas, demandaram os lugares mais ignorados ou inóspitos do interior do nosso país 

Outros, porém, não logrando refugiar-se, renegar a sua  crença ou pagar as pesadas coimas, foram expulsos à força. Entre, milhares  desses trágicos episódios, conta-se o desterro de várias centenas de crianças judias, sob o pretexto, de que,  separadas das famílias, fosse mais fácil a sua conversão à fé católica, porém, o principal objetivo era forçar uma miscigenação com os escravos africanos, na perspetiva de que os seus descentes (mestiços) mais facilmente branqueassem o povoamento e domínio colonial. 

Esse horrendo episódio, bem como a vinda posterior de mercadores judeus, tem despertado viva curiosidade por parte de historiadores e estudiosos – Uma  das questões que se tem levando é a de se saber que tipo de influência houve na cultura santomense e que vestígios físicos judaicos ainda existem Foi justamente essa a preocupação que teve o investigador no seu aprofundado estudo: Há Vestígios de Meninos Judeus na Cultura Santomense?- citado em ESCLAVOS EN SÃO TOMÉ E também noutro exaustivo trabalho publicado em Seibert, Karl Gerhard. 500 years of the manuscript of Valentim Fernandes, a Moravian book printer in Lisbon. In: Beata Elbieta Cieszynska (ed.), Iberian and Slavonic Cultures Contact and Comparison, págs. 79 a 88, Lisboa: CompaRes 2007

INTERROGAÇÕES QUE PERSISTEM SOBRE A PRESENNÇA JUDAICA E A SUA INFLUÊNCIA NA CULTURA SANTOMENSE
De seguida a reprodução de alguns dos tópicos abordados na conferência, a que atrás me referi, bem como já em postagens anteriores, que teve lugar em São Tomé (11-12 Julho de 1995 - Organizada pelo então embaixador israelita em S.Tomé, a que já me referi em anteriores postagens

 Tradução: (…) “O bispo falou-me do cemitério, perto da catedral, onde foram supostamente encontradas a espada do capitão Álvaro de Caminha e os túmulos de crianças.
A espada desapareceu. Quanto sepulturas, exceto um teste de DNA e evidências arqueológicas, eles permanecem como uma lenda.
 
 
(…) Em minhas visitas a São Tomé  encontrei vestígios físicos da presença judaica. Na pequena escola paroquial de plantação-Água Izé roça eu encontrei uma grande estrela de David num  mosaico do piso da igreja. No Cemitério de São Tomé, em São João da Vargem, construído em 1868, foram localizadas no canto esquerdo duas sepulturas judaicas com inscrições hebraicas Arão Gabai e Abraham Cohen, nascido em Tânger, Marrocos e morreu, respectivamente, em 1871 e 1890.
- Na literatura, bem como costume local fala-se da influência de crianças judias em folclore e tradições locais. Um dos participantes da conferência santomense, Professor Lucio Lima Pinto Viegas admite influências nos costumes locais, presumivelmente deixados pelos judeus na ilha.
 
Gerhard Seibert examinou se "vestígios dois Judeus Meninos Ha na Santomense cultura?" Seibert estabeleceu uma separação entre as crianças judias do século XV, que não podia, por causa de sua idade e situação precária, deixando uma tradição, e a influência provável do proprietários plantação-roças e comerciantes judeus chegaram à ilha no século XIX.
 
(…) - Pode ser atribuída a pele mais clara ou parda, a descendentes de crianças judias? Os pesquisadores acreditam que isso é impossível depois de 25 gerações de cruzamentos.
 
Os autores Tony Hodges e Malyn Nevitt escreveu em seu livro São Tomé e Príncipe - que a partir de Plantation Colony para microestado: "A população da ilha não pode ser definida etnicamente depois de 500 anos de mistura racial, há 25 gerações" e, em seguida:

(..) Durante a nossa primeira reunião, o bispo Ribas mencionou costumes judaicos, que Hodges e Nevitt discutiu  em seu livro: "Clérigos europeus sempre duvidaram da sinceridade da fé cristã nos habitantes da ilha ...


(…) houve um bispo de São Tomé, que fugiu em 1621, alegando que o judaísmo era galopante na ilha e ele viu com seus próprios olhos uma meia-noite procissão, carregando um bezerro de ouro .... "

Em uma visita a São Tomé, em 2007, ele foi informado pelo Dr. Seibert que um padre católico lhe afirmou ter descoberto uma estrela de David gravado em uma coluna de mármore. Quando enviei a foto, eu percebi que isso é uma estrela com cinco ângulos agudos, o que é uma inscrição em vez de origem árabe, enquanto a estrela de David tem seis ângulos iguais. ESCLAVOS EN SÃO TOMÉs…….. Traduzir esta página

GRAVURAS PARECIDAS ÀS LOCALIZADAS NUMA GRUTA DO MONTE DO FARISEU - EM VILA NOVA DE FOZ CÔA - Em que também um Rabino nos veio dizer que, símbolo judaico, é somente aquele que reproduz o hexagrama.  Pois, mas no passado nem sempre foi assim. Além de que nem todos judeus eram letrados – Sobretudo num período em que a sua crença era fortemente reprimida: para se lembrarem se se tratava de uma estrela com cinco ou seis pontas.  A que me referi noutro site, de que passo a reproduzir alguns excertos



Não é fácil subir as encostas do Monte Fariseu, é o que  se pode dizer um autêntico e penoso calvário bíblico.

 Mas vale a pena, já que a magnífica panorâmica compensa todos os esforços.    


A face voltada a poente é a mais suave   - e vai lá qualquer pessoa - as voltadas para os Piscos e Côa,  são a pique, caracterizadas  por acastelamentos xistosos, formando uma autêntica barreira acastelada   

Amite-se que  o vertinoso monte teria sido palco da heroica resistência dos "filhos de Israel", que viviam em Vila Nova de Foz Côa, no principio do século IXX – Atualmente é propriedade dos donos da quinta da Canameira (que vem reclamando  a expansão da vinha,) e é também onde se situam dois dos mais importantes  núcleos das gravuras do Côa, o núcleo do   Fariseu (Muxagata.)  e o da  Ribeira de Pisco -   
Consta teria sido o reduto de residência dos judeus que puderam escapar-se ao selvático massacre  de 1808, que se saldou por centenas de mortes.  - Fariseu é nome  dado a um grupo de judeus devotos  à Torá, surgidos no século II a.C" "mas a que fora dada conotação pejorativa por força do ódio cultivado por quem não professava a mesma religião

De lembrar que, fariseus, era também a forma pejorativa como eram chamados os judeus em Foz Côa (mesmo já cristianizados); pois assim o traduz esta quadra (mais tarde) na guerra civil entre Liberais e absolutistas - "Os Marçais andam na guerra,/ Revoltaram-se os judeus,/ Deitaram-lhe fogo às casas,/ Renegados fariseus!"

DUAS GRAVURAS NA MESMA GRUTA QUE PODERÃO INDICIAR TEREM SIDO DESENHADAS POR JUDEUS QUE SE REFUGIARAM NO FARISEU PARA ESCAPAREM AO MASSACRE DE 1808
(atualização) Referia eu, ao editar este post, que numa das grutas, do Monte do Fariseu, e onde é quase necessário fazer escalada, existe a   Estrela de David gravada, que fotografara, há uns anos, conjuntamente com Adriano Ferreira, na sequência das  pesquisas que fizemos em conjunto nas veredas deste monte.
Ao pensar fazer um trabalho sobre o Monte do Fariseu, e não encontrando o negativo no meu arquivo, e por residir em Lisboa, perguntei a este amigo se ele tinha alguma das imagens que então fizemos. Respondeu-me que sim, tendo tido a amabilidade de me enviar, entre outras fotografias, duas imagens da gruta (vista do interior para o exterior e vice-versa), bem como a imagem que era suposto ser o hexagrama, que associávamos  à Estrela de David.


Rabino Eliezer Shai Di Martino, teve a amabilidade de me comunicar por e-mail de que  “A única imagem que vejo na tal gruta é a dum Pentáculo e não dum Maguen David que tem seis pontas.” Sim, numa análise mais atenta, também constato tratar-se de um pentáculo - Todavia, a questão não pode ficar por esta interpretação, pois existe lá outra, como explicarei adiante


 

DESCOBERTA NOVA GRAVURA NA MESMA GRUTA - Estive lá, na gruta o ano passado, por altura do Verão, juntamente com o jovem Dr. Luís Pereira, filho do meu amigo, Abílio Pereira,  ambos entusiastas pelo estudo das origens judaicas em Foz Côa, constatei que  o chão (onde eu supunha estar a referida gravura)se encontrava coberto de pedras.

Ao voltar lá de novo (21-04/2014),  além da gravura (acima editada) acabei por localizar outra gravura,  que, de facto, não é no chão: -  ambas se encontram igualmente nas faces da mesma gruta.

 O desenho desta última gravura, agora por mim descoberta,    é mais dificil de analisar - Parece-me que não é fácil de saber  se se trata  também de um pentagrama ou de um hexograma - Conto voltar ao assunto, numa das próximas postagens e com novas fotografias.

Seja como for, há que admitir que,  a maioria das pessoas que se refugiaram no cume e grutas do Monte do Fariseu, em 1808, eram homens simples, iletrados, ainda com o anátema da origem judaica mas já cristãos-novos, forçados há muito assumir o cristianismo, tendo talvez apenas uma noção vaga do símbolo judaico. Desenhar a estrela com cinco ou com seis pontas, não é a mesma coisa e têm hoje simbologias muito especificas mas quase se confundem - Em qualquer dos casos,  é uma estrela: uma é a de Salomão e a outra de David

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