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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Quem matou Eduardo Mondlane? - Herói moçambicano recordado na Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, por Alberto Paulino Alface, antigo combatente da FRELIMO, no debate: “Fevereiro antes de Abril”; assim como os massacres do Batepá, em S. Tomé, por Rufino Espirito Santos e o “ Inicio da Luta Armada de Angola, evocada no poema “Renúncia Impossível, de Agostinho Neto, lido por Marília E. Santos

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista

QUEM MATOU O FUNDADOR DO NACIONALISMO MOÇAMBICANO? 

Eduardo Chivambo Mondlane,  nasceu em Gaza, 20 de Junho de 1920,foi um dos fundadores e primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), a organização que lutou pela independência de Moçambique

No passado dia 3 de Fevereiro, de 2015, completaram-se 46 anos sobre a sua morte – Perpetrada por agentes do colonialismo Português – A data e a figura desse grande herói da resistência moçambicana, foi outro dos temas recordado na Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, com uma interessante intervenção de Alberto Paulino Alface, antigo combatente da FRELIMO e 1º Secretário do Comité da FRELIMO em Lisboa, o médico que  se fixou,em Portugal,  há 28 anos, devido, devido aos conflitos fratricidas pós independência




Muito se tem falado das circunstâncias em que decorreu a sua morte, pelo que era inevitável que esta importante questão, ali fosse exposta, entre outros aspetos singulares da figura de um homem que sacrificou  a vida em prol da libertação do seu país

(..)”Eduardo Mondlane morreu a 3 de Fevereiro de 1969 ao abrir uma encomenda que continha uma bomba, na casa de uma ex-secretária sua, Betty King. Suspeita-se que a encomenda teria sido preparada em Lourenço Marques, pela PIDE, a polícia secreta portuguesa, mas como chegou às suas mãos e por que foi ele a abri-la nunca ficou esclarecido.”

“Mondlane deixou viúva, Janet Mondlane, que foi a primeira Directora Nacional de Acção Social de Moçambique independente e a primeira presidente do Conselho Nacional contra a SIDA, já nos anos 2000-2004, e três filhos. Mais importante, deixou um livro, "Lutar por Moçambique", que só foi publicado alguns meses depois da sua morte, onde detalha como funcionava o sistema colonial em Moçambique e o que seria necessário para desenvolver o país.” http://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Mondlane

“Fevereiro Antes de Abril” – Tema de um debate promovido pela Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, que pretendeu recordar o 3 de Fevereiro, o dia do mês, embora em anos diferentes, em que se deram os massacres do Batepá, em S. Tomé (3 de Fev. 53); em que morreu Eduardo Mondlane (3 de fev.69) um dos fundadores e primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO);  o4 de Fev. de  Fev. de 1961, Inicio da Luta Armada – “Um caminho para a Dignidade”,   acontecimentos, esses, considerados importantes para o desencadear  da Revolução do 25 de Abril em Portugal

Houve momentos para recordar tragédias e atos de heroicidade, mas também de poesia e cântico, além de agradáveis  momentos de debate e convívio. Já nos havíamos referido a este tema no Facebook e  em video do Youtub - Todavia, entendemos que se justificava neste site um maior destaque





O 4 DE FEVEEIRO DE 1961, EM ANGOLA


Com o  assalto à Cadeia de S. Paulo, para libertação dos presos políticos – Dava-se o início da luta armada 4 de Fevereiro 1961: Início da luta armada em Angola  já lá vão 54 anos – Uma das figuras mais emblemáticas da resistência  foi Agostinho Neto – Evocado num dos seus belos poemas por Marília E. Santos



Não creio em mim
Não existo
Não quero eu não quero ser



Quero destruí-me
- Atirar-me de pontes elevadas
e deixar-me despedaçar
sobre as pedras duras das calçadas


Pulverizar o meu ser
desaparecer
não deixar sequer traço de passagem
pelo mundo.

BATEPÁ, 3 DE FEVEIERO DE 1953
"Anoite que me envolve
Essa vagabunda alma penada"
(ouça este  belo poema, que editamos no Youtub)

Rufino Espírito Santos – também é poeta e, como todo o santomense da sua geração, os massacres do Batetá,  fizeram mágoas e chagas em muitos corações. Pelo que,    a verter tais sentimentos em forma poética, vai um passo: que é o de, simplesmente, pegar-se na caneta (como foi o seu caso) e começar a escrever, acerca de tão trágica  datata de 3 de Fevereiro,  de 1953 – 

Mesmo à distância dos anos, há ainda emoções, silêncios dolorosos ou lágrimas, que só a  poesia consegue exprimir em palavras. Creio ter sido o caso do belo poema que leu na Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, subordinado ao tema, “Fevereiro antes de Abril”, através do qual se pretendeu realçar quanto os acontecimentos, que decorreram neste mês, no período colonial, contribuíram para o 25 de Abril em Portugal 
Muito embora em anos diferentes, todos os oradores reconheceram a sua importância no reforço do nacionalismo de cada um dos seus países, a consciencialização e o sentimento do desejo de libertação do jugo colonial


Os acontecimentos do massacre do Batepá, de 3 de Fevereiro de 1953, organizados pelo Governador Carlos Gorgulho, que visavam liquidar a elite santomense e, sob pressão dos roceiros, submeter também, a restante população ativa a trabalho escravo, a pretexto de um alegado golpe de estado, por “comunistas”, de cuja barbárie resultariam várias centenas de mortos, contrariou os desígnios colonialistas da época.

Comemorações, de 3 de Fevereiro, em Fernão Dias ou no Museu nacional?  -Esta questão também foi aborda, e está registada noutro vídeo editado no Youtub

Na opinião de Rufino Espírito Santo, reforçou o sentimento nacionalista e o desejo de libertação do jugo colonial - Aliás, foi justamente essa onda de repressão, então desencadeada, que haveria de contribuir para o despertar da luta e organização do movimento independentista – Assim o reconheceu, em recente entrevista, Leonel Mário d’Alva, um dos fundadores do Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe (CLSTP), juntamente com outros patriotas http://www.dw.de/massacre-de-batep%C3...

FEVEREIRO UM MÊS COMPLETAMENTE DISTINTO DOS OUTROS - ONDE SE MISTURAM AZIÁGAS MEMÓRIAS – SALVO O INÍCIO DA LUTA DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA




Rufino Espírito Santo, natural da Ilha de S. Tomé, foi um dos oradores no debate promovido pela Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, subordinado ao tema, “Fevereiro antes de Abril”, através do qual se pretendeu realçar quanto os acontecimentos, que decorreram neste mês, no período colonial, contribuíram estes acontecimentos para o 25 de Abril em Portugal

Muito embora, em anos diferentes, todos os oradores reconheceram a importância no reforço do nacionalismo de cada um dos seus países, a consciencialização e o sentimento do desejo de libertação do jugo colonial – quer o 3 de Fevereiro de 1953, com os massacres do Batepá, em S. Tomé, quer o 4 de Fevereiro de 1961, em Angola,” Inicio da Luta Armada - Um caminho para a Dignidade, tema escolhido por Marília E. Santos ou o 3 de Fevereiro de 1969, Dia do Herói Nacional, em Moçambique, data da morte de Eduardo Mondlane - Um Símbolo das Independências, a que se referiu, Alberto Paulino Alface, antigo combatente da FRELIMO e 1º Secretário do Comité da FRELIMO em Lisboa 

Relativamente ao local, se a comemoração do 3 de Fevereiro devia ser na Fortaleza (Museu Nacional) ou em Fernão Dias, Rufino Espírito Santo disse desconhecer o espírito que esteve por detrás da decisão da mudança de local - "Eu não sei bem qual o espírito que estava por detrás daquela decisão – Mas também é verdade que houve pessoas que foram interrogadas e torturadas na fortaleza". Reconhecendo, porém, "que não tem aquele simbolizo de Fernão Dias, que  o Campo de Concentração, onde se deram as maiores atrocidades. Além disso tem a tradição de ser comemorado no local". Mas há um pormenor que eu não gostei nos protestos. Pelo menos nas entrevistas que eu vi na televisão, é que as pessoas queriam a comemoração para fazer ali a festa – Referindo que, se na realidade for esta a ideia de que se tem do 3 de Fevereiro, não vale a pena fazer em Fernão Dias, mas é mantendo o respeito e o simbolismo que representa este local” 

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