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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

sábado, 14 de março de 2015

Dignificação de Histórias no Feminino, em O Comboio das Mulheres, livro de Ana Paula Almeida - - Num acontecimento cultural pouco comum: em que as artes plásticas se acasalam em perfeita sintonia com a literatura - A inauguração da exposição e o lançamento da obra decorreram na Galeria de Arte do Casino Estoril.




Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Há outros dois vídeos editados no Youtube - Veja os linkes no final deste post


 


O acontecimento cultural da semana, decorreu na galeria de Arte do Casino Estoril, ao fim da tarde desta última quinta-feira, com o lançamento de “O Comboio das Mulheres”, editado pela primeira vez   em 1996-

O evento foi bastante concorrido e mediatizado, não só pelo facto de se tratar de uma autora de reconhecido mérito na comunicação social e na literatura,  mas também, por a apresentação da referida obra ser ilustrada com trabalhos de vários pintores e escultores, de grande prestigio, que  também ali inauguravam uma exposição - ou seja: Alba Simões, António Sem, Bual, Edgardo Xavier, Filomena Morim, João Feijó, Francisco Relógio, Gustavo Fernandes, Helena Pedro Nunes, Luís Vieira-Baptista, Manuel Cargaleiro e Rogério Timóteo.



Dignificação de histórias no feminino 


  Num escritório onde haja quatro pessoas a trabalhar, três são mulheres e ganham menos. Está na hora de despertarmos e de nos consciencializarmos” – Palavras de Ana Paula Almeida, ditas na sessão do lançamento da reedição de O Comboio das Mulheres -   E que vinham de encontro às referências  que a imprensa escrevia  da sua obra: 

"Pode dizer-se que se trata de uma singela homenagem à Mulher, com maiúscula, concreta, madura, de carne e osso, sublinhando a necessidade constante da sua luta pela Dignidade e igualdade de direitos no mundo, mas também por vezes pelo reconhecimento, respeito, carinho e amor dos que lhe estão mais próximos."

"Presente de forma transversal em algumas das narrativas está o tema da violência doméstica, o que prova que a mesma já existia há muitos anos, embora infelizmente nunca como agora tenha estado tanto na ordem do dia, com números assustadores de vítimas, isto sem falar dos órfãos que ficam à mercê do destino, da sorte e das situações, como consequência dos actos tresloucados de alguns progenitores." – In Ana Paula Almeida apresenta "O Comboio das Mulheres"

HOMENAGEM AO POETA DAVID MOURÃO FERREIRA

Ana Paula Almeida, dedicou o primeiro conto (que serve   de  título ao  livro), como homenagem ao poeta, escritor e professor David Mourão Ferreira, de quem foi aluna. 

“Penso que ele era um grande amante e muito amado por todas as mulheres" – Estes alguns dos termos com que recordou, na referida sessão, a memória do autor de A Arte de Amar e de um Amor Feliz , um dos grandes poetas contemporâneos do Século XX, autor de mais de duas dezenas de obras de poesia e romance. 

E, de facto, ao começar a  ler-se  "O Comboio das Mulheres", fica-se logo com  a ideia de que, há neste conto, além do  tributo  pela autora  “às pessoas que nunca morrem pela obra que nos deixam” (e, como é sabido, "Morre jovem o que os Deuses amam" - e, David Mourão Ferreira, quando nos deixou ainda tinha muita vida pela frente), sim, existe algo de biográfico, que encaixa perfeitamente no perfil  de David Mourão Ferreira - Que, segundo o que nos foi  dado depreender nas palavras de Ana Paula Almeida,  é  inspirado  numa viagem a Itália, que,  a então aluna,  fizera em companhia do seu estimado professor.

Mas a ficção é isso mesmo: ou a possibilidade de se recriar a realidade ou de a transcender:  Neste caso, fazendo-nos meditar e sonhar: 


António Molina era escritor. Poeta e romancista, iniciado na escrita pelo jornalismo, tinha chegado ao topo da carreira. Onze dos seus livros foram traduzidos em inúmeros países e Itália era, curiosamente, o país que mais o solicitava para colóquios, palestras e visitas a Universidades com departamentos de estudos portugueses. 

 

António tinha 45 anos. Era um homem alto e anguloso, com ombros largos, suficientemente musculado para compor uma bela figura masculina. Tinha um queixo saliente e um nariz proeminente, com um sinal; o cabelo estava já grisalho e duas entradas na testa mostravam que a calvície vinha também a caminho, nesta fase em que António estava a passar por transformações.

António vestia-se sempre elegantemente e não dispensava um cachimbo a condizer com a toilette ... Tinha-os às dezenas. O aroma do "Mayflower" que fumava desde sempre era, na Faculdade, o primeiro sinal de que ele vinha a caminho do Anfiteatro ou que acabara de passar pelo corredor, fazendo vénias e cumprimentos aos alunos que unanimemente gostavam dele e o admiravam." - Excerto do primeiro conto

 O Comboio das Mulheres, de Ana Paula Almeida, visto por Francisco Moita Flores

“É um livro reportagem! É um livro de fotografias! É um livro de sonho! De mistérios! É um livro sobre mulheres ou são muitos olhares sobre as mulheres? Eu desconfio, estou convicto, hoje, que este Comboio das Mulheres, não passa da mesma mulher pela forma poliédrica com que a mulher e a condição feminina devem ser olhadas. E, aí, a Ana Paula, faz este percurso de uma forma muito bonita, com muito talento, com contos muito bonitos, sobretudo o primeiro: sobre as mulheres da sua vida ou as mulheres das quais ela recebeu o tributo para a sua condição de hoje” Afirmações de Francisco Moita Flores, acerca da reedição do livro de Ana Paula Almeida, na sessão de lançamento que decorreu na Galeria de Arte do Casino Estoril, espaço onde a autora chegara a trabalhar, antes de enveredar pelo jornalismo e pela literatura. Francisco Moita Flores figura sobejamente conhecida: escritor, dramaturgo, conferencista, político e comentador, autor de uma vasta  e polifacetada obra literária - Homem de televisão, de teatro e cinema,  de cujos guiões de ficou a dever o êxito de muitos filmes e telenovelas. 

Francisco Moita Flores, aproveitou ainda a ocasião para elogiar  Nuno Lima de Carvalho e Mário Assis Ferreira – Dizendo que   conseguiram transformar um Casino de Sorte e Azar num espaço de cultura de referência no país. 


Referindo-se  ao homem que, durante 28 anos exerceu a liderança   da administração  na Estoril-Sol, disse que “nunca é demais sublinhar a importância deste homem na cultura portuguesa e do contributo que ele deu.

FOI, EM 1996, QUE UM LINDO SONHO COMEÇOU


O Comboio das Mulheres foi o primeiro livro de Ana Paula Almeida, jornalista da SIC desde o momento da sua  fundação.

Estava-se em 1996 – Prefaciava a obra, Nuno Lima de Carvalho, Diretor da Galeria de Arte do Casino Estoril, que começava por dizer: 


Para quem se inicia na escrita, o conto é o melhor atalho para entrar no mundo das Letras. Muitos escritores portugueses, antes desconhecidos, escolheram esse percurso, iniciando-se uns, através dessa modalidade e nela permanecendo ao longo da sua carreira literária, optando outros pela escrita do romance, por de mais fôlego e, consequentemente, maior riqueza de recursos e valores literários.”

E, de facto,  a avaliar pelo êxito  alcançado, não apenas com esse seu primeiro livro, agora reeditado,  mas pelas obras que se seguiriam -   “Códigos de Silêncio” e “Sabes, Meu  Amor”; “Corações Re-partidos”, dir-se-ia que, Ana Paula Almeida, teve um bom começo e tem sido sempre bem sucedida nos temas e nos géneros que tem desenvolvido: desde o conto, a crónica  ao romance. 

Ainda retomando  o prefácio de Nuno Lima de Carvalho,   que  viria igualmente a contemplar a segunda reedição, tomamos a liberdade de aqui transcrevermos mais um excerto de outro passo desse mesmo texto, escrito numa altura em que a jornalista estava também a revelar o seu talento na literatura - Diz o seguinte:  "O aparecimento de um novo escritor, como de um músico ou de um pintor, através de um primeiro livro, uma primeira composição, ou um primeiro quadro é sempre uma decisão carregada de interrogações, de alguns medos e angústias, como alguém que está de partida para a primeira longa viagem ou a mãe a quem está para nascer o primeiro filho. A escrita literária, talvez mais do que qualquer outro género de criação artística, é a forma do seu autor se afirmar diferente daqueles com quem trabalha e convive e entrar no registo dos que não morrem para além da morte.
Quando a Ana Paula Almeida me pediu, na timidez e inquietude de quem se interroga se é ou não de experimentar o caminho fantástico da escrita literária e me confiou centena e meia de páginas de contos, li nos seus olhos a ansiedade de quem pretende uma resposta muito rápida e quer saber se por aquele caminho segue bem e "tem pernas para andar".



Crítico que não sou, a primeira reação foi recusar, mas logo a obrigação que tantas vezes tenho sentido e praticado de, em outras Artes, dar a mão a artistas que começam, me levou a aceitar o desafio, credenciado por hábitos antigos de leitor de muitos livros e, assumindo o papel sempre ingrato do juiz que se quer imparcial, li e reli os textos desta profissional da Comunicação, primeiro de uma assentada, logo, com mais vagar e cuidado, não me tendo sido difícil concluir que os contos apresentados, especialmente "Sara", "O Delfim" e "O Comboio das Mulheres" (que rico título para a coletânea!), retinem todos os ingredientes dos bons escritos de ficção, corretos na estrutura, com acerto na fluência narrativa, como também no desenho das personagens e da sua maneira de estar e agir, na construção e desenrolar do enredo e no jeito de prender o leitor, elementos fundamentais na criação literária convencionalmente designada por conto. -Excerto do prefácio de autoria de Nuno Lima de Carvalho


Opinião de Marcelo Revelo de Sousa – “Gostei imenso da facilidade da escrita. Dir-se-ia natural, sem enfeites nem retoques, nem demasiada reponderação e correcção. Como se de um filme, de imagens corridas, impressivas, aceleradas se tratasse.
Gostei imenso da capacidade de ouvir, ver, captar várias histórias e saber encontrar nelas o essencial para transmitir aos leitores.”


“Ana Paula Almeida é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi professora do ensino secundário, tendo iniciado a carreira de jornalista aos 18 anos, no Diário de Notícias, tendo posteriormente trabalhado nos jornais O Jornal, Sete, Jornal de Letras, Jornal de Notícias, Correio da Manhã e A Capital, onde escreveu sobretudo sobre espetáculos e literatura, e desde a sua criação faz parte da SIC. Ler mais: http://jregiao-online.webnode.pt/products/ana-paula-almeida-apresenta-o-comboio-das-mulheres/



Abstraia-se do ambiente de fundo, vindo do público que enche a Galeria de Arte  do Casino Estoril, e também de algum modo da letra, que decilmente a percebe, pois é cantada em italiano e as condições acústicas também não o facilitam, durante a sessão do lançamento do livro O Comboio das Mulheres, de autoria de Ana Paula Almeida, que teve lugar ao fim da tarde do dia 12 de Março, e concentre-se na magnifica voz do cantor lírico ceciliano, Geovanni D’Amor, que lhe enche a alma de alegres e inexprimíveis emoções, considerado internacionalmente como um tenor de voz quente e aveludada e que, há mais de uma década, veio a Portugal para  um concerto, por cá casou e se fixou – Apaixonado pelos fados de Amália, pelas maravilhas da terra portuguesa. e das suas gentes 

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DE PINTURA E  ESCULTURA.


No duplo acontecimento literário e artístico, além de termos tido a  oportunidade de falar  com Ana Paula Almeida, na sessão de autógrafos (que já conheciamos desde o  tempo em que trabalhou nesta Galeria de  Arte), pudemos ainda fazer alguns registos fotográficos e trocarmos algumas breves impressões com alguns dos pintores, ali presentes, nomeadamente com   Gustavo Fernandes : ….António Sem -…. Luís Vieira Baptista . a pintora Alba Simões , o escultor Rogério Timóteo ...-......---João Feijó
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 Francisco Relógio e Artur Bual já não  fazem parte dos vivos. Porém, em sua vida, tivemos o prazer de conviver com ambos. E sabemos que o tema de "a mulher" era recorrente na sua obra. E também foi, na década de 80, que pela primeira vez falámos com Manuel Cargaleiro - Além destes pintores, havia também obras de Edgardo Xavier e de Filomena Morim

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