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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

domingo, 8 de março de 2015

Surfe em Tomé e Príncipe O convite tentador em qualquer altura do ano nas encantadoras águas quentes equatoriais - Encontro com o genial Jéjé, campeão 2014 do Mochecst Surf


São Tomé, 15 de Junho de 2014 - O jovem surfista Jéjé (...), aos 15 anos de idade, campeão nacional de surf de São Tomé e Príncipe, Jéjé vence edição 2014 do Mochecst Surf de São Tomé e Príncipe

Este é o genial surfista Jéjé, que, com apenas 15 anos, se sagrou “campeão nacional de surf de São Tomé e Príncipe, no culminar das várias eliminatórias que constituíram a edição 2014 do Campeonato MocheCST Surf. "O evento foi realizado na Cidade de Santana, tendo sido esta a 1ª edição patrocinada pela Mochecst a marca e tarifário dedicados aos jovens estudantes lançado pela CST, Companhia Santomense de Telecomunicações” Surfe em Tomé e Príncipe 




A breve entrevista ocorreu por um feliz acaso, junto à praia de Santana, donde é natural, momentos depois de um dos seus habituais treinos. Longe ainda de saber que estava perante uma das mais talentosas promessas do surfe nas ilhas Verdes do Equador. Só, mais tarde, já em Portugal, instado pela minha curiosidade jornalística, querendo, através da Internet,  recolher mais informação da prática desta modalidade desportiva, nestas ilhas, é que me apercebo, que, afinal havia estado perante um verdadeiro campeão. Simples, simpático, desprendido, comunicativo e humilde. São assim os grandes talentos: modestos e sem vaidade, sem necessidade de exibir prémios ou galões.

O agradável encontro, ficou a dever-se a uma curta paragem  de um passeio  que estava a fazer ao sul de S. Tomé, na companhia do meu compatriota Manuel Gonçalves. Ao passarmos de jipe  por esta localidade, pedi-lhe para que ali parássemos por uns momentos para relembrar velhos tempos e registar algumas imagens. Lá estava a linda igreja, o cruzeiro, um pequeno aglomerado de casas, umas em cimento outras ainda de madeira,  na sua arquitetura típica,  mas sobretudo aquela baía tranquila voltada a nascente, ornada de vegetação e no vaivém eterno das suas águas azúis, quentes e espumosas. Sem dúvida, dispondo de excelentes condições para os amantes do surf, que, pelos vitos, já começa a despertar o interesse não só local como internacional.

Jéjé diz que nestas águas não há o perigo do tubarão e que as águas quentes são propicias à prática do surfe em qualquer altura do ano . Aprendeu com uma tábua de acácia e com o Marley

A este breve registo, em vídeo – e para ficar a conhecer um pouco  melhor o perfil do Jéjé - aproveito para  tomar a liberdade de juntar uma interessante entrevista concedida ao SURFE PORTUGAL

Jéjé confirmou o estatuto de mais talentoso surfista da ilha de São Tomé. Foto: MocheCST
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Foi há pouco mais de um ano que começou a surfar em cima de uma verdadeira prancha de surf, mas na realidade já o fazia há mais tempo com os seus colegas de São Tomé, aproveitando qualquer pedaço de madeira para fazer espumas. Jéjé faz parte de um grupo especial de jovens são-tomenses que partilham com uma alegria única as ondas de Santana, na ilha de São Tomé, sendo descrito por muitos dos que já conviveram com ele como o mais talentoso de todos.

Depois de ao longo do tempo o surf ter sido introduzido na vida destes adolescentes através de portugueses que vivem na ilha e outros que por lá passam, no mês passado todos tiveram a oportunidade de competir pela primeira vez. A vitória acabou por sorrir a Jéjé, de apenas 15 anos. Fomos falar com o primeiro campeão nacional de São Tomé e Príncipe e perceber como começou a paixão pelo surf e até onde pensa ir em cima de uma prancha, sendo que no ano passado já teve o privilégio de visitar o nosso país e dividir treinos com alguns dos mais talentosos surfistas nacionais. Respostas genuínas de um surfista que há bem pouco tempo nem sabia que esta atividade se fazia noutros pontos do globo
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SURFPortugal - Como começou esta paixão pelo surf em São Tomé, sendo que o contacto que tinham com a modalidade praticamente não existia?

Jéjé - A paixão pelo surf começou quando eu vi um português chamado Pedro Almeida a surfar. A partir daí dei a minha vida para aprender. Achei que era impossível o que estava a ver... Ele parecia que flutuava nas ondas. Comecei com uma tábua de madeira a correr na espuma, mas não sabia o que era e nem que isto do "surf" existia em outros países.

SP – Que sentimentos te transmite e como defines a experiência de surfar?

J - O surf faz-me sentir liberdade total. O surf é uma maneira de estar na vida e faz-me sentir maravilhoso. A palavra que eu uso para descrever o surf é que é a melhor coisa da vida e enquanto surfar vou estar sempre feliz. Como diz o Saca (Tiago Pires), enquanto eu estou dentro de água já não me lembro das maldades, só me preocupo com as ondas.
SP - Em que picos habitualmente surfas?
J - Santana, Voz da América, Água-Izé e 7 Ondas.

SP - Recentemente foste campeão de São Tomé e Príncipe. Como foi esta primeira abordagem à competição?
J - Estava nervoso e tive medo de perder. Mas competi a pensar que o Kelly Slater era o meu adversário para conseguir dar o meu máximo e consegui vencer esta competição. Este campeonato foi incrível! Agradeço à MOCHE Cst e à Xcult pela excelente organização e pelos prémios.
 (imagem do lado direito - da competição)
SP - Pensas que há muito talento por explorar em São Tomé e que num futuro próximo poderiam competir fora do país e, quem sabe, em Portugal?
J - Sim, acho que existe muito talento em São Tomé por explorar porque há muitos bons surfistas, muita vontade e muito gosto pelo surf. Seria lindo e maravilhoso se alguns destes talentos pudessem ir a Portugal para poder aprender e evoluir mais com os surfistas portugueses.
SP - Quais são as tuas grandes referências a nível mundial?
J - As minhas grandes referências a nível mundial são o Andy Irons e o Joel Parkinson. Eles são os maiores. Apesar de o Andy Irons já ter morrido, gosto muito do estilo e das manobras dele e do Joel também.

SP - Sabemos que já estiveste em Portugal. Como foi a experiência? Sentiste que regressaste com uma maior evolução para São Tomé?
J - A experiência foi maravilhosa. Gostei muito de conhecer Lisboa e Cascais. Surfei em várias zonas desde o Guincho, passando pela Costa de Caparica, Praia Grande e até na Ericeira. A minha primeira surfada foi no Guincho e quando entrei na água o meu pé ficou bem pequenininho do frio que estava (risos). Estou habituado a água quente, mas como fui com fato fiquei rapidamente acostumado e a vontade era tanta que já nem sentia o frio.
A minha experiência e aprendizagem em Portugal foi bastante positiva, pois aprendi a remendar pranchas com o pessoal da Xcult e regressei com várias novas manobras, que aprendi muito com a Surftechnique. Aproveito para agradecer a toda a família Xcult e à Guincho Surf House pela oportunidade que me deram. Grandes amigos que eles são!

SP – Há comparação entre as ondas de São Tomé e as portuguesas?
J - As ondas de São Tomé são muito boas e perfeitas. Há poucos surfistas dentro de água e há muitas ondas e a água é muito quente. Em Portugal há muitos surfistas dentro de água e em algumas praias há muito vento e a água é muito  fria, mas as ondas são perfeitas.

SP - A ex-campeã nacional Teresa Abraços tem visitado São Tomé várias vezes e tem partilhado algum tempo com vocês. Como tem sido essa experiência?
J - A experiência foi muito boa. Gostei muito da Teresa e do Pedro [Quadros; marido da Teresa Abraços] e de estar ao lado deles porque são muito simpáticos e corrigiram o meu surf. Aprendi muitas manobras com eles. Espero que voltem novamente a São Tomé, já estamos com saudades. – In http://www.surfportugal.pt/revista/entrevistas/5140-jeje-competi-a-pensar-que-o-meu-adversario-era-o-kelly-slater-entrevista


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