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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

domingo, 31 de maio de 2015

Amílcar Cabral assassinado por Nino Vieira – Diz o poeta médico santomense, Tomaz Medeiros, antigo general da guerrilha no MPLA – O autor de A verdadeira morte de Amílcar Cabral" , atualmente cego, afirmou, numa breve entrevista, no final da Homenagem a Cuba e a Fidel Castro, na Casa Internacional de Tomé e Príncipe, integrada nos 40 anos das independências da ex-colónias portuguesas, que o lider do PAIGC "não foi morto por ser bandido ou por ser traficante de droga".

Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - AFINAL, QUEM MATOU AMILCAR CABRAL?

Culpou-se o exército português e a PIDE, não é que vontade não falasse ao regime colonial, e, pelos vistos, até chegou a desencadear  operações nesse sentido, mas, afinal, os maiores inimigos do fundador do PAIGC, estavam no interior das suas próprias  fileiras. E, de facto, se dúvidas existiam acerca da origem do assassinato  de Amílcar  Cabral, na altura em que o atentado se deu, agora, volvidas mais de quatro décadas, tais interrogações vieram a dissipar-se completamente. Bastaria atentar na série de mortes fratricidas ocorridas no seio da classe política guineense – Tal como já alguém referiu, por altura dos 40 anos sobre a morte de Amílcar Cabral, “O pai da Guiné-Bissau não assistiria ao seu nascimento como Nação e desde então os seus ideais têm sido muitas vezes traídos, numa multiplicidade de mortes póstumas “ A segunda morte de Amílcar Cabral ocorreu com o golpe de Estado em que Nino Vieira depôs o então presidente Luís Cabral (meio-irmão de Amílcar) e pôs fim ao grande projecto de fazer da Guiné-Bissau e de Cabo Verde um único país capaz de resistir às pressões dos vizinhos Senegal e Guiné-Conacri. Seria a primeira de muitas mortes póstumas. Quarenta anos após a morte de Amílcar Cabral o que resta 

MAIS  LENDAS DE QUE CERTEZAS – MAS, PARA TOMAZ MEDEIROS,  O ASSASSINO TEM UM NOME

“Há muita lenda acerca da morte de Amílcar Cabral: Amílcar não foi morto por ser bandido ou por ser traficante de droga: Amílcar Cabral foi morto por ser um homem politico  por certas etnias que lutavam contra Amílcar Cabral – Diz Tomaz Medeiro, em declarações à nossa reportagem, no final da cerimónia,  quando o quisemos inquerir a respeito do seu último livro "A verdadeira morte de Amílcar Cabral - Mudar de Vida – – Livro editado em Lisboa, em 2012, no auditório da Fundação Pro Dignitat, depois reeditado em Março de 2014 . A citada obra não  aponta nomes, deixando apenas pistas ou caminhos, mais abertos à reflexão de que um libelo acusatório. Afirmando então:   "não vale a pena procurar assassinos, mas sim estudar a filosofia política de Amílcar Cabral, que punha em causa os interesses das potências ocidentais, os verdadeiros mentores da morte de Cabral" assassinado em Conacri dia 20 Janeiro de 1973, a escassos 6 meses da proclamação da independência da Guiné-Bissau. 

 Entretanto, reeditado em 2014, uma análise à obra refere, que, “no  centro deste trabalho está a contradição de uma política que se quer revolucionária sem assentar no proletariado”, frisando que “na Guiné, mais ainda do que em Angola ou Moçambique, era inevitável a marca de classe pequeno-burguesa no movimento. As fábricas existentes no país contavam-se pelos dedos e quase não havia trabalho assalariado no campo. A exploração colonial não tinha o rosto das grandes plantações de café ou de algodão, e sim o da manipulação dos preços da mancarra (amendoim). E esse rosto tinha contornos menos nítidos e mais difíceis de identificar “A verdadeira morte de Amílcar Cabral - Mudar de Vida

QUEM COM FERROS MATA, COM FERROS MORRE - TOMAZ MEDEIROS  ACUSA NINO VIERA DE TER SIDO O MANDANTE DO ASSINIO DE AMILCAR CABRAL 

Nino Vieira
Amilcar Cabral
Diz um velho ditado popular que quem com ferros mata, com ferros morre. Pelos vistos, assim teria acontecido à trágica morte de Nino Vieira - Assassinado, no inicio de Março de 2009,  por militares depois de  um atentado à bomba ter provocado a morte ao chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié. 

Tomaz Medeiros, o poeta santomense, antigo médico e general do MPLA, no período da guerrilha, acusa Nino Vieira pelo assassínio da morte de Amílcar Cabral





De seu nome, António Alves Tomaz Ribeiro,  filho de José Tomaz Alves de  Medeiros e de Polónia Tomaz de Almeida, nasceu em S. Tomé no dia 5 de Novembro, de 1931. Terminada a instrução primária, aos 13 anos, e, tal como a generalidade dos santomenses, como os  seus pais, não tinham possibilidades económicas, começou a trabalhar numa barbearia, como vendedor de jornais e vendedor de carvão, depois numa loja comercial. 

Porém, nada disso lhe interessava, a sua vocação era outra: destinos ousados o aguardavam. Então os seus pais mandaram-no para Nova Lisboa, Huambo, onde fez o primeiro ciclo liceal, após o que, três anos mais tarde,  parte para a capital do Império  para concluir os dois anos que lhe faltavam e inscreve-se na Faculdade de Medicina - 

De nada lhe valeu: como estava ligado à atividade politica, foi denunciado pela PIDE e por uma organização da extrema direita, como sendo um dos estudantes comunistas mais perigosos em Portugal, o que lhe valeu um mandato de captura – Para não ser preso, fugiu para Moscovo, onde cursa medicina, trabalha como locutor na Rádio de Moscovo, é Secretário-geral dos Estudantes Africanos na Europa,   Secretário-Geral dos Estudantes Africanos na União Soviética, colaborador da Academia das Ciências e investigador numa biblioteca.

Três anos depois parte para Crimeia onde conclui o curso de medicina . Não sendo obrigatório o exercício da profissão para os estrangeiros,  paralelamente faz a cadeira de latim e vários cursos de formação política:  o  Curso de Academia política,  o de História do Partido, de Marxismo Leninismo e o Curso de Medicina Militar  - Volta ao continente africano, a Brazzaville, onde o MPLA tinha a sua sede. Dali parte para Cabinda onde é médico militar e dos refugiados, professor de instrução revolucionária, tendo chegado à patente de General – Oportunidade de alto combatente que lhe deu a possibilidade de privar  com todos os líderes históricos dos movimentos de libertação: desde Agostinho Neto, Amilcar Cabral, Ângelo Cabral,  Francisco Tenreiro, Fernando de Sousa, Marcelino dos Santos, Eduardo Mondlane  - Reconhece que a sua relação, com S. Tomé e Príncipe, era muito estreita, porque, naquela altura, os elementos envolvidos na guerrilha, não tinham possibilidade de viajar, tendo ido lá apenas duas vezes mas em viagens muito curtas. 


Na breve entrevista que me concedeu na Casa Internacional de S. Tomé e Príncipe, acerca do  debate-homenagem  ao papel de Cuba nas independências e consolidação de África,  ele conta-nos  alguns dos passos da odisseia da sua  vida, intensa, de grande generosidade, dedicação  e risco –  Sim, de forma muito sumária, já que a sua vida, daria muitos livros – Além dos que ele já escreveu, desde a poesia, ao romance e aos textos de intervenção



Clike para ouvir a entrevista, depois de alguns sons da música santomense

"Ir a São Tomé!... Sentir o cheiro da terra, sem poder palpá-la, sem poder vê-la!... É muito triste!... Preferia morrer!..."


"Eu sou um combatente” É assim como ainda hoje se classifica Tomaz Medeiros, autor de várias obras contra o colonialismo, de poesia e prosa em prospetos, autor do romance “O Pseudo-socialismo em Angola e uma novela, dedicada ao mesmo tema a S. Tomé e Príncipe. A sua última obra, foi publicada em 1012, com o título A Verdadeira Morte de Amílcar Cabral 

A  impossibilidade de contemplar a luz do dia, é um drama terrível para qualquer ser humano – sobretudo para quem a perdeu na curva na vida -  Mas especialmente para um  poeta, e também o era, desde que cegou por completo,  o antigo combatente que andou  pelas  densas florestas do Norte de  Angola – Sim, era  o  drama de Tomás Medeiros, nascido em S. Tomé,  em 05-11- 1931 que, além de um extraordinário escritor e poeta, era também uma das mais importantes figuras histórias, na luta de Libertação de Angola

ELE FOI GENERAL EM CABINDA  - PRIVOU COM COM OS LÍDERES HISTÓRICOS DE TODOS OS MOVIMENTOS DE LIBERTAÇÃO


Tomaz Medeiros, que a PIDE  chegara a classificar como o estudante comunista mais perigoso, quando desempenhou  a coordenação de estudantes africanos, uma corrente anticolonial à frente da Casa de Estudantes do Império, tendo sido obrigado a exilar-se nem Moscovo, pôde,  desde esses recuados tempos, privar com as mais importantes figuras históricas dos movimentos de libertação, entre as quais as duas figuras mais emblemáticas da Guiné e de Angola,  Agostinho Neto e Amílcar Cabral – Com este, nomeadamente, em diversas conferências internacionais – Oportunidade aproveitada para um diálogo, amistoso e aprofundado,  entres dois grandes marxistas convictos. Medeiros, porque vinha com sólidas formação  de vários cursos de marxismo na Cremeira, e, Cabral, porque era a linha que pretendia impor para uma verdadeira libertação da Guiné e Cabo Verde, sob o jugo colonial.

ANGOLA REJUBILOU COM O LEVANTAMENTO DO EMBARGO A CUBA

“Apesar dos graves problemas, com que  o mundo ainda se debate,  em várias paragens, há um sinal de esperança com as novas notícias”: a do “ levantamento do embargo a Cuba, que causou enorme júbilo aos angolanos”. Disse Estevão Alberto, conselheiro de imprensa, da Embaixada de Angola, em Portugal   Palavras proferidas na Casa Internacional de São Tomé e Príncipe,  durante um debate-homenagem  ao papel de Cuba nas independências e consolidação de África, bem assim como o reconhecimento ao líder histórico Cubano Fidel Castro e ao seu povo pela atenção e dedicação à África –- Que aproveitou para recordar “aqueles que foram os grandes fundadores desta irmandade histórica, entre Angola e Cuba,  Agostinho Neto e o comandante Fidel castro, que muito fizeram para que Angola e Cuba, fossem países amigos, países irmãos, frisando que é para nós, também, gratificante saber que estas figuras são sempre lembradas quando se fala da história de Angola, porque, na verdade, são os pais da irmandade e cooperação bilateral entre os dois povos 




Este evento contou com as presenças da Embaixadora de África de Sul Matthews, Embaixadora de Argelia Fatiha, Embaixadora da Venezuela, Katiusca, 1º Secretária da Embaixada da Venezuela, Katiuska, Embaixadora de Cuba, Johana, pela Embaixadora da Guine Bissau Carlos Balde. Por Estevão Alberto que esteve em representação do seu embaixador de Angola – E ainda por representantes de Timo-Leste, de Moçambique e Frente Polisário.  S.Tomé e Príncipe,  representando, em nome  da sociedade civil, pela figura do herói nacional de Angola Tomaz Medeiros, nascido em S. Tomé mas cuja vida, a partir dos 13 anos, haveria de ficar fortemente ligada ao MPLA, onde chegou ao posto de general. Uma curta intervenção emocionada, muito aplaudida pela assistência e distinguida com um forte abraço pela embaixadora cubana, ali presente,

Os valores mais importantes  não são as coisas mas as pessoas, disse a Embaixadora de Cuba, em Portugal, ao recordar o papel de Cuba nos movimentos de libertação do colonialismo.  Cuba enviou médicos para África, para mais de 40 países – E ainda quando estes faltavam às suas populações -  “As coisas boas se devem repetir e as coisas más também se devem também lembrar para que nunca mais aconteçam. Essa história de África, com Cuba, é uma história linda e recíproca”. – Por isso mesmo, a homenagem era de reconhecimento à solidariedade da revolução cubana para com a libertação e independência os países africanos, sob o domínio colonial, razão pela qual – depois da embaixadora ali proferir, também uma intervenção muito calorosa,  receber um excelente quadro artístico, oferecido pela direção  da Casa Internacional de STP, para que fosse entregue ao grande comandante líder histórico, Fidel Castro






Entretanto, recebi de Nuno Rebocho – jornalista, escritor, poeta, organizador de vários eventos de poesia, atualmente a viver em Cabo verde, que me transmitiu a seguinte opinião:  Meu caro, esta tese corresponde ao que eu, em grande parte, penso. É preciso ver como a destrinça de classes no seio do PAIGC determinou tudo isso (os cabo-verdianos, mais cultos, iam para a liderança ou para as universidades do Leste, enquanto os guineenses iam puxar o gatilho; o crioulo - de origem cabo-verdiana - era uma espécie de "esperanto", ou "minderico", para as muitas etnias se entenderem sem o portuga perceber, etc). Há toda uma série de factos que apontam nesse sentido. Essa história de Amilcar ter sido morto pela PIDE é um mito que não resiste às análises e não acreditei nela desde o início. Lembro-me que, então, preso em Peniche discuti largamente o assunto com o Francisco Martins Rodrigues...
Um abraço




quinta-feira, 21 de maio de 2015

Abate de Gaivotas - crime lesa-natureza - Não matem o voo gracioso dos sonhadores e poetas - Persista a maldita praga impossível de controlar ou a insensibilidade vesga dos poderosos senhores do betão armado e das luxuosas vivendas das grandes patuscadas. - Não exponham a céu aberto o lixo que conspurca e poluiu a sagrada natura – Perante esse manjar envenenado as frágeis e graciosas aves não fazem mais de que limpar, dos ares o cheiro pestilento das lixeiras, aquilo que os humanos deviam fazer.

O crime foi praticado em 1994, no Ilhéu das Berlengas, em que milhares  de gaivotas foram envenenadas - Estivemos no local e nem queríamos acreditar no que víamos: às  tantas havia gaivotas mortas por todas as vertentes do ilhéu. .Porém, apesar do monstruoso ato ter sido duramente criticado por amigos de natureza de todo o mundo, ainda há quem defenda tão macabra barbárie ou persista à socapa na mesma selvajaria
Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista



.Não cessam os instintos de malvadez, a  matança  promovida pela praga da peste egoísta dos defensores do cimento  armado, que facilmente se  apavoram com  o voo poético das gaivotas –  E até das inofensivas pombas, antigos símbolos da paz – Dizem que  estas aves são uma praga -Não haverá quem possa calar ou cortar o bico de raiz de vez a esta famigerada  casta de peste de suínos? - Uma certa mentalidade burguesa e hipócrita não se importa de passear os cães pelos jardins para ali irem deixar as carraças e os cocós   e de por lá até andarem a ladrar ou mesmo morder o pacifico cidadão mas incomodam-se  com o piar de uma gaivota, alegando razões de sujidade e de comportamento agressivo.  Porto luta contra gaivotas ...Praga de gaivotas persiste na Berlenga - Depois escudam-se através destas medidas radicais. Alimentar cães dá multa

De volta e meia levantam-se umas certas vozes sibilinas de rostos redondos e barrigas fartas  e avantajadas, a vociferarem contra o que consideram a praga das gaivotas, como se estas aves não tivessem direito à vida e à liberdade de procriarem – e até aumentarem a sua população – Ou será que o número de seres humanos no planeta Terra, da atualidade, é o mesmo que a um ou dois séculos?

É evidente que, muitas das nossas aldeias, estão a ficar desertas. ´´É verdade que, a população portuguesa está a regredir – E porquê? Porque o liberalismo selvagem, que odeia o voo poético das gaivotas, promoveu a precaridade  no trabalho, aprovou leis que favorecem os despedimentos e a liberalização das rendas de casa, dando azo à ganaãncia desmedida de usurários senhorios, ao mesmo tempo que   reduz os ordenados ao nível da malga de arroz asiático – Por isso mesmo, quem é que pode casar e ter filhos? Os ricos, que cada vez são mais ricos e pobres mais pobres. –Sim, só a extravagância dos  milionários é que pode dar-se ao luxo de comprar quadros de Picasso por valores astronómicos, ao mesmo tempo que a esmagadora maioria dos artistas não consegue vender um único quadro, já que, quem lhos podia comprar, era a classe média e esta está a desaparecer.




IMPOSSÍVEIS DE CONTROLAR SÃO OS ESCRIBAS DESTES TEXTOS

E qual o problema!. - “Em 20 anos a população de gaivotas quase triplicou em Portugal e o mesmo aconteceu em Inglaterra, França, Itália e Espanha. Os programas de controlo populacional destas aves no nosso país limitam-se, por agora, à Reserva Natural das Berlengas e a alguns municípios, como Peniche, Lagos e Área Metropolitana do Porto. Também a nível europeu, pouco tem sido feito, reclama Peter Rock, ornitólogo inglês que estuda o “fenómeno” das «gaivotas urbanas» há quase 30 anos. Gaivotas "urbanas": uma praga (im)possível de controlar ...



Inteiramente de acordo – Dos Açores chegam porém estas vozes sensatas, a quem fora pedida a opinião : “Associar “oficialmente” o controlo populacional de uma espécie, através do abate, a um produto turístico “ex-líbris” de uma ilha, que deve ter uma conotação o mais ecológica e “limpa” possível, é contraproducente ética, social, turística e economicamente. É colocar uma “sombra negra” sobre um dos produtos que mais “dá brilho” a Sta Maria e que alguns agricultores levaram vários anos a “construir”. Daí que, sabendo o que está em causa,  alguns desses agricultores já tenham expressado a sua discordância". 

"Quem não se lembra da grande polémica que se gerou à volta do abate de gaivotas nas Berlengas em 1994, com várias reclamações de ONGAS nacionais e internacionais; escritos condenatórios na comunicação social; contestação das comunidades e de operadores turísticos? Aqui houve aprendizagem e, desde então, o  efetivo populacional das gaivotas é feito controlando-se a sua natalidade,  através da destruição de ovos.   – Excerto NATURMARIENSE: Agosto 2014


PICASSO PROLETÁRIO PROMOVIDO A ÍCONE DOS MULTI-MILIONÁRIOS 

Picasso, foi, indubitavelmente, um grande artista e  lutador dos valores sociais e democráticos, opondo-se à tirania e à ditadura franquista. Por certo, dificilmente imaginou que os seus quadros iam satisfazer os caprichos da burguesia endinheirada e extravagante - Sim, porventura a mais insensível e egoísta  da Terra, em disputas desgarradas  de senhores endinheirados milionários leilões. Claro que não é por amor á arte que o fazem mas tão só para exibir o seu ego ultra individualista  De uma luxuria  vaidosa e parasitária, que  precisa de dar largas às suas vaidades comezinhas e aos seus mitos frívolos que lhe lhes desvairem ainda mais a suas fantasias, , enquanto o grosso do comum dos mortais, nem sequer logra arranjar uns trocados para a buxa.

VEJAM SÓ...



"A obra prima de Pablo Picasso, “A Senhora de Algiers”, foi leiloado pelo valor recorde de 59,3 milhões de euros. Ao que o IP apurou, foi Maria Luís Albuquerque que o comprou para pendurar na parede e assim esconder o famoso cofre cheio do Estado. Maria Luís Albuquerque limitou-se a tirar os 159,3 milhões de euros do cofre onde, como diria o Joe Berardo, há “billions” de euros. Ainda assim, o Iva vai subir 0,5% para cobrir a despesa com o Picasso. VE Quadro do Pablo Picasso leiloado por 159,3 milhões de ..

Portugueses mais ricos ganham dez vezes mais que os mais pobres

"Fosso entre ricos e pobres é o pior dos últimos 30 anos. OCDE diz que isso está a arrasar o crescimento das economias.
Portugal tornou-se nos últimos anos um país mais desigual em termos de distribuição de rendimentos e isso danifica seriamente o crescimento da economia, assinala a OCDE, num conjunto de estudos hoje divulgado. Por exemplo, o rendimento dos 10% mais ricos é hoje dez vezes superior ao dos 10% mais pobres. Portugueses mais ricos ganham dez vezes mais que os





quinta-feira, 14 de maio de 2015

Escritor Jorge Amado – Lisboa, 1988 - Em desacordo com o acordo: “os acordos ortográficos feitos até hoje, têm resultado em nada!... E porquê?... Não atendem aos interesses, à realidade da língua falada e escrita nos diversos países (..) como escritor, não me atinge em nada…


Por Jorge Trabulo Marques -  Jornalista e Investigador -  Poderá também ouvir o registo da entrevista sobre Glauber Rocha e do seu livro Sumiço de Santa, em http://www.odisseiasnosmares.com/2016/05/jorge-amado-os-filmes-de-glauber-rocha.html


Lisboa, 1988 – Jorge Amado:  

"Eu não sou um apaixonado pela unidade ortográfica. Eu acho, como não há uma unidade literária de todos os elementos que formam as diversas nações, eu não vejo porquê esta tendência de unidade ortográfica compreende?...Porque, se vocês dizem facto, não podem escrever como nós escrevemos fato. O fato para vocês é uma peça de roupa e facto é  um acontecimento, não é!.” – palavras do um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros,  numa entrevista que me concedeu, na qualidade de repórter da então Rádio Comercial-RDP, acerca do Congresso de Escritores Portugueses, que decorreu naquele ano, em Lisboa


Com obras publicadas em 55 países e vertida para 49 idiomas - Biografia | Fundação Casa de Jorge Amado





PORTUGAL - ROTA OBRIGATÓRIA DAS VIAGENS DE JORGE AMADO


Depois do 25 de Abril. Jorge Amado, deslocou-se várias vezes a Portugal: vindo, nomeadamente, de Paris, onde passava algumas temporadas, sobretudo na década de 80, numa fase, literáriamente,  ainda muito ativa – Não era que gostasse mais de viver na Europa de que no Brasil; o motivo não era esse mas a falta de privacidade e o necessário isolamento, que não conseguia encontrar na sua cidade natal, onde era constantemente solicitado     - Nascido em Tabuna,  a 10 de Agosto de 1912, Estado da Baía, e, em cujas terras,  havia também de falecer:  Em Salvador, 6 de Agosto de 2001

Confessou-me que adorava o nosso país:   deliciar-se com a sua gastronomia, admirava o artesanato do Minho  (nomeadamente o da cerâmica),  as belezas naturais, o nosso sol,  nosso clima, a simpatia das nossas gentes, onde contava com  bons amigos, alguns dos quais, fonte de inspiração, como personagens nas suas obras: é o caso, por exemplo, de Nuno Lima de Carvalho, diretor da Galeria de Arte do casino Estoril

Tanto ele, como Zélia Gattai, sua esposa, deram-me o prazer de me concederem várias entrevistas, que aguardo no meu arquivo. Uma das quais feita por ocasião do Congresso de Escritores Portugueses, em 1988 (creio que o 2º), ou seja, dois anos antes da assinatura do então já  polémico acordo ortográfico – Obviamente, que o tema não deixou de vir à baila,  gerando acaloradas discussões, tal como, de resto, ainda hoje continua a suscitar, agora sobre uma data em que termina o  período de transição.. e entra definitivamente em vigor,  depois de adiado, há 3 anos, pela  presidente Dilma Roussef , Polêmico, o Novo Acordo Ortográfico só entrará em vigor em 2016

Naturalmente, que, ao entrevistar Jorge Amado,  temas como a língua portuguesa e a questão do acordo ortográfico, eram das tais perguntas incontornáveis, logo para começar  – E, assim, decorreu a entrevista: - Encetado o diálogo, muitas outras perguntas se seguiram. 


O  objetivo deste acordo é  do  de “criar uma ortografia unificada para o português, a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa. Foi assinado por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe em Lisboa, em 16 de Dezembro de 1990.1 Depois de recuperar a independência, Timor-Leste aderiu ao Acordo em 2004. O processo negocial que resultou no Acordo contou com a presença de uma delegação de observadores da Galiza" Acordo Ortográfico de 1990 


JORGE AMADO E GLAUBER ROCHA





“Ele estava recolhido em Sintra, trabalhando, num projeto de um filme (…) Infelizmente, neste momento, ele está enfermo: com uma pneumonia, que o levou ao leito, ao hospital, mas todos nós, seus amigos, seus admiradores, que o queremos, que o admiramos, que o amamos, enormemente, esperamos que, dentro em pouco, ele retomará o seu trabalho de cineasta e de intelectual, de brasileiro que é, um amigo dos portugueses” -

Entrevista concedida por Jorge Amado, em 6 de Agosto de 1981, a escassos dias do seu aniversário e da morte do seu grande amigo, o cineasta, Glauber Rocha, um dos cineastas mais notáveis do chamado Cinema Novo Brasileiro, iniciado no começo dos anos 60. – Esta entrevista, feita no dia em que se completavam 36 anos sobre o lançamento da bomba atómica sobre Hiroxima, assunto que também é colocado ao escritor Jorge Amado, foi transmitida na então Rádio Comercial – RDP e escutada por Glauber, então enfermo no Hospital da CUF, a quem telefonei, dando-lhe conhecimento, a pedido de Fernando Namora, com o fim de lhe dar ânimo.


Jorge Trabulo Marques – Jorge Amado, falou de irmão: irmão no sentido de grande amizade, é isso que quer dizer?
Jorge Amado – Sim, Veja: nós somos baianos, brasileiros ambos, escritores, intelectuais, pois que, Glauber é um grande escritor! Um admirável escritor! … Eu conheço-o, quase desde menino!... Eu vi quando ele começou o seu trabalho de cineasta, sei quanto o cinema brasileiro lhe deve: grande figura do nosso cinema


 MAIS PORMENORES EM  da entrevista sobre Glauber Rocha e do seu livro Sumiço de Santa, em http://www.odisseiasnosmares.com/2016/05/jorge-amado-os-filmes-de-glauber-rocha.html

JORGE AMADO NÃO CHEGOU APAIXONAR-SE PELO ACORDO ORTOGRÁFICO -

Como é compreensível, a linguagem é um fenómeno vivo e evolutivo. Se assim não fosse, o mundo era uma babel de dialetos primários. E, na verdade, quanto mais pessoas falarem a mesma língua mais essa língua evolui e ganha importância no contexto das nações. Saudamos a sua entrada em vigor – aliás, já o adotámos, há algum tempo – Há, porém,        quem tenha opinião contrária - perfeitamente respeitável. Era também essa  a posição de Jorge Amado, que, antes do acordo assinado, já discordava dele.

CONGRESSO DE ESCRITORES DE LÍNGUA PORTUGUESA, COM PARTICIPAÇÕES QUE SE ESTENDIAM DESDE DA EUROPA., GOLFO DA GUINÉ, ÁFRICA, AMÉRICA E OCEANIA.

Jorge Amado - Eu não estou apaixonado pela unidade ortográfica. Eu acho, como não há uma unidade literária de todos os elementos que formam as diversas nações, eu não vejo porquê esta tendência de unidade  ortográfica, compreende?...Porque, se vocês dizem facto, não podem escrever como nós escrevemos fato. O fato para vocês é uma peça de roupa e facto é que é um acontecimento.. Então,  não vejo  porquê essa ansiedade de fazer uma ortografia que será sempre artificial.

JTM – Mas, perante as instâncias internacionais, nos congressos, por vezes a língua portuguesa é um pouco esquecida ou marginalizada!,,Não acha importante que houvesse uma acordo que desse alguma unidade?..

JA -  É possível… Se bem que eu pense   que a língua portuguesa não é discriminada por isso. Eu acho que a importância da língua portuguesa, que é uma língua muito importante, falada por uma enorme quantidade de milhões, centenas de milhões de pessoas, uma língua na qual se desenrola uma vida de países importantes, uma língua que projeta literaturas igualmente importantes,  eu acho que a sua importância, a sua presença no mundo se tornará mais sensível na proporção, que é economicamente, que os nossos países pesem  na  vida mundial,  pelo que a ortografia é secundária..
.
Em todo o caso, o argumento que você dá é um argumento que tem certo peso..


JTM – Nomeadamente na UNESCO onde o Português tem sido posto, de algum modo, de lado, por falta dessa unidade. Em que interpretam o português falado de uma maneira, o português falado aqui, em Portugal, de outra… Isso tem dado, a que, em certos congressos internacionais, português não seja utilizado como língua oficial…
JA – Eu não sei… É possível… Eu não vou diminuir o peso do seu argumento que é válido… Porém, o que eu noto, que os acordos ortográficos feitos até hoje, têm resultado em nada!... E porquê?... Não  atendem aos interesses, à realidade da língua falada e escrita nos diversos países, me parece…

JM – Acha que os especialistas se esquecem de contatar os escritores ou ter outros contactos, enfim, de outra ordem!... Evitando, assim, polémicas desnecessárias.
..
JA – Eu não sei!... Não estou tão a par que pudesse ser.... Como lhe digo,  pessoalmente, o acordo, como escritor, não me atinge em nada…. Eu continuo a escrever. Inclusive, na minha vida de escritor, que é bastante longa – é quase  60 anos de trabalho de escritor, eu vi tanta ortografia, quando eu comecei a escerver com dois “pês”, com dois mm, de forma que o que, o  posso dizer é que eu não sei nada de ortografia!... cada vez eu sei menos, porque cada vez é mais complicado




PORTUGAL - ROTA OBRIGATÓRIA DAS VIAGENS DE JORGE AMADO


2ª  PARTE DA ENTREVISTA A JORGE AMADO PARA A HISTÓRIA DA LITERATURA –LUSO BRASILEIRA – 2ª parte - Nesta segunda parte: fala do  seu livro Sumiço de Santa: uma história de feitiçaria, que só podia ocorrer na Baía,  com personagens portuguesas; refugia-se em Paris, porque “é difícil para mim poder escrever no Brasil”, onde “tenho muito pouca privacidade e  pouco tempo livre” – Situação no Brasil: A divida externa é imensa!... É a maior do mundo!... Uma inflação terrível!... “; Os valores materiais,  pertencem a uma minora muito pequena da população!... 

"A Amazónia sofre os atentados desde que ela existe!... Desde que os portugueses, lá chegaram…”  “Agora, o que eu acho é que, cabe a nós brasileiros, decidir sobre a Amazónia!..”  Da Gastronomia Portuguesa: “Chego aqui… começo a comer… Faço um esforço para emagrecer!... Mas não é possível!...” De  Fernando Namora:  “um grande amigo de Jorge Amado: uma perda muito grande para a língua portuguesa!”... Da condenação por irão a  Salman Rushdie– É a forma mais violenta, que houve, até hoje no mundo!.. Você escreve um livro e o Chefe de Estado!... Decreta que ele deve ser morto e oferece uma quantia enorme em dinheiro para o assassinar!... É uma coisa, nunca vista!... Você tem a impressão. Que, de repente, o mundo, andou para trás!...”  Sou contra qualquer espécie de censura: “ Tive os meus livros proibidos! E queimados em praça pública!... Em Portugal, os meus livros, durante anos e anos, não puderam ser publicados, aqui… E eram vendidos às escondidas!.. E no Brasil, também!... “ – Jorge Trabulo Marques – Jornalista