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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Escalada do Pico Cão Grande, em S. Tomé – Agulha vertical basáltica tentada por alpinistas Franceses, Japoneses e italianos - A Desmontagem da encenação da “via mambo italiana” de Matteo Rivadossi e a sua equipa - Que ha realizzato la prima salita assoluta dell’inviolato monolite di Cao Grande, Fotografaram-se no cume do Pico Cão Pequeno, em 2001 a simular que estavam na crista do Cão Grande - As televisões deram destaque ao teatro e foram recebidos como heróis da dança do país do mambo!




Estas duas imagens, com a legenda do Pico Cão Grande, que  Matteo Rivadoss"ha realizzato la prima salita assoluta dell’inviolato monolite di Cao Grande", pelo contrário, foram obtidas na crista do Cão Pequeno.


(22-01-2016) Atualização - Finalmente, o Sr. Matteo Rivadoss, reagiu, através e e-mails, mas de forma grosseira e insultuosa - Mandou-me um filme mas  não veio acrescentar nada de novo - Respondi-lhe que, “a avaliar pelas imagens que faculta na internet e do filme que realizou, poderá convencer quem não escalou aquele pico –  A mim, que o escalei, não me convence. Mas estou certo que não estarei só, quando voltar a este assunto publicamente”  -Jorge Trabulo Marques - Jornalista 
 ---------- Mensagem encaminhada ----------
De: jorge trabulo Marques - Data: 22 de janeiro de 2016 04:59
Assunto: Fwd: Filme não mostra que escalou o Pico Cão Grande
Para:   matteorivadossi@   


         



O Pico Cão Pequeno é inclinado, é mais fácil de escalar. O Cão Grande é uma parede vertical e com vários tetos – E, no lance final de ataque ao cume, de pouco ou quase nada poderão valer os pitons senão a ponta dos dedos e a arte dos macacos na floresta – Cão Grande tem uma configuração no cume muito diferente do Cão Pequeno – Ambos são de origem vulcânica mas, nos últimos 50 metros, a rocha do Cão Grande difere muito da   cor da rocha do Cão Pequeno e também na sua consistência; muito laminada, devido à erosão e lá em cima não crescem ervas mas simples arbustos – E, devido aos raios das tempestades, ao mínimo sopro de vento ou alteração brusca de temperatura, lasca e desmorona. Corremos grandes riscos por esse facto: nem sequer dispúnhamos de capacetes: uma ocasião uma lasca, só não me abriu a cabeça pela diferença de um dedo – E, a um dos meus companheiros, uma pedra ia-lhe cortando o pulso, que ainda hoje o tem com um enorme inchaço



Terão que lá voltar e fazer nova encenação mais aprimorada, porque esta é demasiado mamba! - É por isso que a estes escaladores - de famoso  currículo - nunca faltam patrocínios e reportagens televisivas: basta encenar - É fácil e rápido! Até porque ninguém está lá no topo a fazer o reconhecimento da chegada ou cronometrar a escalada.


 
 





Realizaram um documentário de 40 minutos, que  apresentaram num festival internacional mas, desse documentário apenas mostram um curto vídeo  de paisagens de S. Tomé  - E nenhuma da escalada - Afirmam ter escalado os dois picos mas só mostram algumas fotos que dizem ter sido registadas no Pico Cão Grande mas  são do Pico Cão Pequeno - Cao Grande | AlbatrosFilm. Não perca os pormenores mais à frente


Matteo Rivadossi, nascido em Bréscia em 1970, (precisamente no ano em que eu iniciava a minha longa aventura ao Pico Cão Grande), famoso designer em grande empresa de equipamentos de montanhismo,  atual  Presidente do Grupo Caves Brescia",  é possuidor de um notável currículo,  considerado “ entre os espeleólogos mais experientes do mundo, 

“Ele está entre os espeleólogos mais experientes do mundo, mas sua esportivo varia, com igual experiência e relevância dos resultados, mesmo na prática de canyoning e alpinismo em suas diversas formas de expressão.

È tra i più preparati speleologi del mondo ma la sua attività sportiva spazia, con altrettanta esperienza e rilevanza di risultati, anche nella pratica del torrentismo e dell'alpinismo nelle sue diverse forme di espressione. – Excerto de Rivadossi - Giornale di Brescia …..Traduzir esta página


O autor deste site  - Aos pés, o abismo
  No passado dia 25 de Novembro, na palestra que proferi na Associação Desnível , mercê do honroso convite  que me foi dirigido pelo seu   Presidente, Rogério Paulo, acerca dos 40 anos sobre a Escalada do Pico Cão Grande, pude demonstrar, através da exibição de fotografias, que a tão mediatizada escalada, por  uma equipa italiana, em Agosto de 2001, àquele Pico, é uma rotunda encenação  - Fizeram fotografias no cume do Pico Cão Pequeno e vieram dizer para as televisões e imprensa, que   tinham escalado o Pico Cão Grande
 
MENTIRAM - A equipa liderada por Matteo  Rivadossi, que se deslocou ao Pico Grande e o Pico Cão Pequeno, em Agosto de 2001, e  veio declarar às televisões  (e continua a dizê-lo  ainda no seu site) ter escalado ambos os picos, é falso: apenas escalou o Cão Pequeno.

 Enganaram até quem lhes proporcionou a estadia e apoio em S. Tomé – o seu compatriota Tiziano Pisoni, atual  presidente da Federação Santomense do Ciclismo, – e proprietário  do mucumbli , que divulgava também esta informação na Internet

Mirante do Mucumbli
"Queria informar que um grupo de alpinistas italianos no passado mês de agosto (2001) subiram os dois picos Cão Grande e Cão Pequeno, a subida ao Cão Grande demorou 3 dias enquanto a subida ao Cão Pequeno foi realizada em 6 horas. Atacaram o Pico Cão Pequeno logo de manhã e para o almoço jà estavam no Ilhéu das Rolas. RTP África e TVS tem algumas imagens relativas a estas 2 subidas. Tive a possibilidade de ver todas as imagens gravadas por eles que são espectaculares.

A via aberta para o Cao Grande, na parede este chama-se "Mambo italiano".
Cumprimentos Tiziano
SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE - Yahoo Groups 
Mais 

Mais à frente,  pormenores da teatral farsa canina

 TENTADA POR VÁRIAS EQUIPAS - SEM ÊXITO

A escalada já foi tentada por   equipas de várias nacionalidades mas, até hoje, nós fomos os únicos que alcançámos o cume - Em 12 de Outubro, de 1975, a minha equipa, conquistava, finalmente, o tão desejado cume do Pico Cão Grande - Dois anos sozinho, e, por fim, de, 73 a 75, com uma equipa de valorosos santomenses - Constantino Bragança, Cosme Pires dos Santos, e os guias, Sebastião e o Chico - conquistávamos a crista de um dos mais difíceis e caprichosos monólitos do planeta. http://www.odisseiasnosmares.com/…/cao-grande-em-sao-tome-g…






Não disponho das imagens de tão auspicioso momento – se bem que, para nós, fosse mais de pesadelo de que de alegria, dada a iminência de uma tempestade e de não termos a certeza se regressaríamos vivos ao sopé - , sim, não disponho de nenhuma fotografia desse dia, porque, uns dias depois, deixava S. Tomé a bordo do pesqueiro americano, Hornet, para ser largado, numa frágil piroga,  a sul da Ilha de Ano Bom, na corrente equatorial –  O meu espólio, até ficou bem guardado, só, que, mais tarde, tendo pedido a um comerciante, que mo fosse buscar a casa da minha companheira para fazer o favor de mo trazer para Portugal, quando aqui voltasse de férias, sim, ele foi lá a busca-lo, mas, até hoje, não se dignou entregá-lo a quem pertence.

EQUIPA PORTUGUESA TENCIONA ESCALAR O PICO CÃO PEQUENO - COMO PRÉVIA PREPARAÇÃO E ESTUDO DA ESCALADA AO CÃO GRANDE - E DESFRALDAR AS DUAS BANDEIRAS DE PAÍSES IRMÃOS. - Se possível com a participação de alpinistas santomenses


 
No decurso da referida palestra, que  proferi na Associação Desnível, tal foi o entusiasmo gerado  à volta da escalada do Pico Cão Grande, associado às maravilhas da paisagem de S. Tomé e Príncipe, que ficou a pairar o desejo de ali se deslocar uma equipa de alpinistas desta associação, com o objetivo  de concretizar a segunda escalada do Pico Cão Grande, depois de quatro tentativas goradas por outras equipas.





Catherine e Rogério



Paula Ferreira
É precisamente,  em parte com este intuito, que uma equipa de alpinismo,  constituída por Catherine De Freitas, Rogério Alpine Morais e Paula Ferreira (a que me associarei, como acompanhante), partirá,  no próximo dia 2 de Fevereiro, a fim de escalar o Pico Cão Pequeno e proceder a um primeiro reconhecimento do Cão Grande. Assim, o permitam as condições meteorológicas.  Além disso, é também intenção destes mesmos desportistas, me  acompanharem na continuação das minhas pesquisas, nalgumas praias, em mergulhos submarinos, na tentativa de se encontrarem eventuais objectos arqueológicos, a juntar a uma antiga espada e um antigo punhal, que  pude localizar durante a minha última estadia em S. Tomé.  - Pormenores em:
http://www.odisseiasnosmares.com/2015/08/em-sao-tome-descoberta-de-uma-antiga.html

EQUIPA DE MÉRITOS RECONHECIDOS


Rogério Morais - Coordenador  e Presidente da A.Desnível

Rogério Morais, Presidente da Associação de Desportos de Aventura Desnível, alpinista desde 1978, possuidor Brevet de “Instrutor de Alpinismo FFME”, entre outros; Instrutor de dezenas de ações de formação em Montanha, tanto em Portugal como em França (Centre-école CAF de La Bérarde, Grenoble) .E a sua esposa, Catherine De Freitas, de nacionalidade canadiana, mas residente há vários anos em Portugal, trabalha em consultoria de comunicação e design, é também outra entusiasta e ousada alpinista, que tem integrado várias escaladas dirigidas pelo seu marido. Por outro lado,   Paula Ferreira, Engª do Ambiente  é também uma grande apaixonada pela escalada, igualmente em participação de  desafios de grande nível e risco.

EQUIPA DE ALPINISTAS ITALIANOS LIDERADA POR MATTEO RIVADOSSI – NÃO FEZ A ESCALADA DO PICO CÃO GRANDE –    FEZ O REGISTO DE IMAGENS  NO CUME DO PICO CÃO PEQUENO, DIZENDO QUE ERA A DO CÃO GRANDE  - É com estas aventuras que  se faz currículo a granel -


39 anos depois
Não me enganei: O meu sexto sentido, que aprendi a desenvolver na solidão dos mares, devido aos constantes perigos que enfrentava, já me havia dado a entender que, a tão apregoada escalada  de um grupo de quatro alpinistas, liderada por Matteo Rivadossi, ao Pico Cão Grande, me soava a falso, a descarada gabarolice, com fitos meramente promocionais de que desportivos.

  Não é que, a conquista do Pico Cão Grande, pela minha equipa, não possa ser igualável! - Obviamente que  há recursos técnicos, atualmente, que nós não dispúnhamos (o nosso equipamento era muito rudimentar e improvisado), sim,  que poderão facilitar a sua ascensão – No entanto, não tenho a menor dúvida que, quem  se decidir a encarar o desafio, com sucesso,   vai deparar-se com muito trabalho,  com muitos riscos e dificuldades - Não não é façanha  para se fazer em jeito de turismo, ao estilo "mambo italiano"  – Cujos autores, vieram gabar-se de,  em três dias, terem escalado  dois picos e ainda terem tempo de darem por lá numas passeatas, em comedorias e pernoitas, num hotel  e outras veleidades no Ilhéu das Rolas.

Os últimos 50 metros do Pico Grande, são, de facto,  de um extremo risco – Quem o fizer, terá, certamente, que  aprender a técnica dos macacos da floresta – a usar mais as pontas dos dedos de que a ter que socorrer-se de pitons, martelos, ganchos, cordas e de outros apetrechos: o efeito erosivo das chuvas copiosas e constantes, naquela zona,  a mais pluviosa da ilha, tem provocado, ao longo dos tempos, que, os  últimos 50 metros,  quase permanentemente envolvidos por um denso nevoeiro ou grossos novelos nuvens, se estejam a esboroar e a desmoronar - E se encontrem, em muitas áreas rochosas da   superfície do gigantesco monolito basáltico, de origem vulcânica,  como arestas laminadas, que cortam como navalhas, suscetíveis de se desprenderem facilmente,  tanto por súbitas alterações de temperatura,  como  por um simples  sopro de vento . Salvo a face exposta a poente, mais lisa e com menos arbustos, todo o restante perímetro do Cão Grande, na zona mais aprumo, e também com alguns tetos, é um permanente risco de vertigem e audácia - o passaporte a um voo para a morte.

Lá do alto, do cume do Cão Grande, não se desprendem as  avalanches de neves das frias regiões, porque,  o clima é equatorial, é quente e húmido, mas há outras ameaças, não menos perigosas - Pedras que se soltam! -   Por exemplo, o Pires dos Santos, ainda hoje tem um pulso, com um enorme inchaço, devido a um pedra que se desprendeu e o atingiu. A mim, só por um dedo é que uma pedra, que me passou a rasar uma orelha, não me abriu a cabeça.   E o Constantino, também não foi poupado de uma pedra, que o ia atirando para o abismo.  

Além das várias tentativas, que foram feitas, nos anos 60 por várias equipas estrangeiras, de que não há registo, sabe-se, no entanto, que, após a independência de S. Tomé e Príncipe, há pelo menos   conhecimento público, de quatro tentativas:

1 – A tentativa de uma expedição francesa, em 1980
2-  A tentativa de uma expedição japonesa , em 1985
3- A tentativa de uma expedição italiana, em 1992
4-  A apregoada escalada italiana, a que deram o nome de Via Mambo Italiano, face sul, liderada por Matteo Rivadossi, mas o que esta equipa escalou foi o Pico Cão Grande
DESMONTAGEM DE UMA FARSA

Realizaram um documentário de 40 minutos, que  apresentaram num festival internacional mas, desse documentário apenas mostram um curto vídeo  de paisagens de S, Tomé  - E nenhuma da escalada - Dizem ter escalado os dois picos mas só mostram algumas fotos que dizem ter sido registadas no Pico Cão Grande mas  são do Pico Cão Pequeno

Está na crista do Cão Pequeno  - Não é Cão Grande
 



Minha escalada ao Pico Cão Grande











A foto em que, Matteo Rivadossi, surge com os braços abertos, o cume não é o do Pico Cão Grande, visto este ser todo coberto de fendas e de arbustos mas do Pico Cão Pequeno – E logo atrás das suas costas a orla marítima - Ora, do Pico Cão Grande, tal imagem fica muito distante. 

De resto, se se confrontarem as cartas ou mapas de S. Tomé, é fácil a identificação daquele contorno. 


Porém, o paradoxal das suas afirmações, assenta também ainda no facto de que, das duas escaladas, que dizem ter realizado, apenas mostram, na galeria de 14 imagens,  6 fotos referidas como sendo do Pico Cão Grande, sendo  as restantes: uma das  quais num caminho deste Pico no  palmar do Caué, três do aspeto geral do Pico Cão Grande, uma delas com vista da estrada, outra panorâmica de uma praia: outra com o carregador; outra  de uma de uma mulher com filho nas costas  - Não mostram nenhuma imagem identificada como sendo do Pico Cão Pequeno 

Na imagem em que aparece a equipa dos alpinistas, que é legendada na galeria de imagens como sendo no Cão Grande, como é que isso é possível se surge o Cão Grande, no horizonte ao fundo?...  - Confrontem-se as duas imagens: a foto em que se vê todo o perfil do Cão Pequeno, com a equipa dos alpinistas a  vitoriarem a suposta conquista do Cão Grande - Atente-se no relevo à direita, no horizonte, se não é o mesmo das duas fotografias

Ao fundo o Cão Grande - compare o perfil lado direito
Cão Pequeno - compare perfil do horizonte lado direito
Noutra imagem do site - que julgo também ser a descida do Cão Pequeno - igualmente identificada como sendo no Cão Grande - Nota-se perfeitamente a inclinação que caracteriza do Pico Cão Pequeno, com menos arbustos  e  menos saliências de que a do Cão Grande 

Veja as imagens em galleria - Odissea naturavventura

ENGANARAM A TELEVISÃO DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE, RDP -ÁFRICA, A SUA "PROEZA" TEVE HONRAS DE ABERTURA NOS TELEJORNAIS  - o Líder da escalada, famoso em Itália, até já  teve honras de Una serata con Matteo Rivadossi –


CAO GRANDE spedizione alpinistica che nell’estate 2001 ha realizzato la prima salita assoluta dell’inviolato monolite di Cao Grande, la misteriosa guglia basaltica alta 700 metri simbolo del minuscolo arcipelago africano di Sao Tomé e Principe, per altro già tentatada diverse spedizioni e quella del Cao Paqueno (388m). Il film è stato presentato ai principali festival internazionali. 

 CAO GRANDE spedizione alpinistica che nell’estate 2001 ha realizzato la prima salita assoluta dell’inviolato monolite di Cao Grande, la misteriosa guglia basaltica alta 700 metri simbolo del minuscolo arcipelago africano di Sao Tomé e Principe, per altro già tentatada diverse spedizioni e quella del Cao Paqueno (388m). Il film è stato presentato ai principali festival internazionali.


 ALPINISMO NÃO É PARA ENCENADORES

De facto, o  alpinismo é um dos desportos mais arrojados e nobres, entre as várias modalidades desportivas, por isso mesmo, não só exige preparação técnica adequada, de molde a evitarem-se riscos desnecessários, como também,  qualidades humanas  de elevada craveira  - coragem, equilíbrio mental  e determinação, sentimento de lealdade e companheirismo para com os elementos da equipa, porque, a escalada, é sobretudo, um desporto de equipa. -  mas ao mesmo tempo de um grande desprendimento  e humildade - É dos tais desportos que não encaixa  no perfil dos vaidosos, desonestos ou batoteiros. 




Não se faz uma escalada, para competir seja como quem for. Não se luta contra ninguém, nem para agredir a  própria  Natureza mas para  se ir ao encontro da sua harmonia ou do  que ela tem de mais belo e  aparentemente agreste e desafiador  - Buscar o prazer  da superar o grau  de dificuldades, que a mesma se nos apresente. Não se escala uma parede aprumo   como quem  joga futebol e procura meter um golo na baliza do adversário - Mas há, no entanto, quem ouse fazer escalada, não para melhor conhecer e desafiar as suas próprias capacidades ou pelo gosto que tem pelo contato estreito  com a natureza, mas unicamente para exibir a sua vaidade e comercializar - E, então aí, vale tudo: até a batota, a desonestidade e a mentira.


Creio que que terá sido esse o espírito de uma equipa de alpinistas, que, já na primeira década deste século, veio gabar-se, para as televisões, ter sido a primeira e a única a escalar o Pico Cão Grande - Mas não é verdade.   A documentação, que exibem publicamente, além de escassa, é manifestamente contraditória. Dirigi-lhes o convite para  se fazerem representar na minha palestra - ao mesmo tempo pedindo-lhe mais informação - mas nem sequer se dignaram responder.


DUAS MENSAGENS ENVIADAS AO LÍDER DA EQUIPA ITALIANA  - SEM RESPOSTA

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: jorge trabulo Marques >
Data: 5 de novembro de 2015 02:17
Assunto: Matteo Rivadossi e o Pico Cão Grande, em S. Tomé – A primeira escalada não é da sua equipa
Para: ggb@ggb.itmontura@montura.itinfo@odisseanaturavventura.it

Exmo Senhor
Matteo Rivadossi
Chamo-me Jorge Trabulo Marques, sou jornalista e autor da primeira escalada ao Pico Cão Grande,  em S. Tomé, iniciada  em  meados de 1970, e concluída em 12 de Outubro de 1975
Só agora tomei conhecimento, através da galleria - Odissea naturavventura de algumas imagens sobre a expedição que liderou, em 2001, ao Pico Cão Grande e ao Pico Cão Pequeno, cujos picos dizem ter escalado.
Embora tivesse ouvido falar da vossa deslocação a estes picos, no entanto, por mais   buscas que tentasse no motor  da Google, não encontrava a vossa informação, que finalmente pude obter, graças à prestimosa colaboração da Associação de Desportos de Aventura Desnível 

Antes de mais, aproveito para felicitar-vos pela vossa iniciativa, todavia, venho comunicar-vos o seguinte: - Que a primeira escalada ao Pico Cão Grande, não é da vossa autoria, mas da minha equipa, concluída em Outubro de 1975 conforme poderão ver na página do meu site, em (..cão grande em são tomé - a grande escalada ao pico vertical..) E, qualquer pessoa que faça investigação acerca do Cão Grande, imediatamente tem essa  informação disponível desde Fevereiro de 2012, aliás, já exposta uns anos antes noutro site, da qual foram retiradas imagens por vários utilizadores da Internet

Por outro lado, pedia-vos o envio de mais imagens, sobre as duas escaladas que dizem terem sido vencidas pela vossa equipa  - Mostram algumas fotografias, que dizem ter sido feitas no Cão Grande, uma das quais dizendo que é registada no cume deste pico, como assim? Na crista do Cão Grande ou do Cão Pequeno?... Seguramente que, no  Cão Grande, não é.

 E, então, onde estão as fotografias do Cão Pequeno? Ou será que esta escalada não teve  qualquer importância para a vossa equipa?

NO PAPEL É FÁCIL ENCENAR
Além disso, no vídeo que apresentam, publicamente, na Internet, em Cao Grande | AlbatrosFilm. não mostram sequer uma única imagem da vossa escalada?  Pedia-vos, pois, a gentileza do envio de mais documentação fotográfica ou de filmes,   a fim de a puder juntar  à história destes  picos.

Sei que, Matteo Rivadossi, nascido em Bréscia em 1970, (precisamente no ano em que eu iniciava a minha longa aventura ao Pico Cão Grande), famoso designer em grande empresa de equipamentos de montanhismo,  atual  Presidente do Grupo Caves Brescia",  é possuidor de um notável currículo,  considerado “ entre os espeleólogos mais experientes do mundo, È tra i più preparati speleologi del mondo ma la sua attività sportiva spazia, con altrettanta esperienza e rilevanza di risultati, anche nella pratica del torrentismo e dell’alpinismo nelle sue diverse forme di espressione.”prestigio que, certamente, terá alcançado, sobretudo a partir do relevante destaque, que os media lhe deram, com a escalada ao “pináculo intocado Cão Grande, em São Tomé”.

Precisamente, por esse facto,  tendo em conta tão relevantes méritos, espero ser atendido   no pedido que ora lhe dirijo
Desde já os meus agradecimentos e as melhores saudações
Jorge Trabulo Marques
Jornalista e investigador - Navegador solitário e autor da primeira escalada ao Pico Cão Grande em S. Tomé

 Matteo Rivadossi 
 
In Corriere della Sera

"E' nato a Brescia nel 1970 e abita a Nave, con Sonia e i piccoli Luna e Nadir. Consulente di un'importante azienda di materiale alpinistico, da una ventina d'anni vive la montagna a 360 gradi. Speleologo professionista, è anche e forse soprattutto un esploratore, determinato e fantasioso anche quando arrampica o si cala nei canyon.
Ha iniziato la sua attività giovanissimo nelle grotte della sua provincia, per diventare in breve uno dei protagonisti della scena esplorativa italiana. Notevole è l'attività condotta anche all'estero, in occasione di una ventina di spedizioni effettuate tra Europa, Messico, Sud-Est asiatico e Africa. E' tra i pochissimi speleologi al mondo ad aver firmato oltre 150 chilometri di nuove esplorazioni, raccogliendo vari primati mondiali anche in solitaria. Corriere della Sera


Sir Matteo Rivadossi

Junto do Coronel Victor Monteiro
Com o Ministro Olinto Daio

I have the honor to invite you to participate in my talk of 40 years of climbing Dog Great in St. Thomas, on 25 November at the Conference: 40 Years on the Peak Climbing Great Dog,  Palestra: 40 Anos sobre a Escalada do Pico Cão Grande  which takes place in the Associação Desnível

 

My name is Jorge Trabulo Marques, Portuguese, I'm a journalist and author of the first climb to the Pico Big Dog in St. Thomas, started in mid-1970 and completed on 12 October 1975.
Further to my previous message, I come to renew her request to send me a few more images of your expedition - I wish I had more photographic and documentary information to Pico Big Dog and Little Dog Pico - have consulted the galleria -  galleria - Odissea naturavventura  but are few images.

Also viewing the film inCao Grande | AlbatrosFilm but did not see any of your expedition photo

cordially
Jorge Trabulo Marques
 Exmo Senhor
Matteo Rivadossi


Tenho a honra de  convidá-lo a participar na minha palestra dos 40 anos da escalada Cão Grande, em S. Tomé, no dia 25 de Novembro, na Palestra: 40 Anos sobre a Escalada do Pico Cão Grande. que se realiza na Associação Desnível
Chamo-me Jorge Trabulo Marques, nacionalidade portuguesa, sou jornalista e autor da primeira escalada ao Pico Cão Grande,  em S. Tomé, iniciada  em  meados de 1970, e concluída em 12 de Outubro de 1975.
No seguimento da minha anterior mensagem, venho renovar-lhe o pedido de me enviar mais algumas imagens da vossa expedição – Gostaria de ter mais informação fotográfica e documental ao Pico Cão Grande e ao Pico Cão Pequeno  -  Já consultei a  galleria - galleria - Odissea naturavventura  mas são poucas as imagens

Também já visionei o filme em Cao Grande | AlbatrosFilm  mas não vi nenhuma fotografia da vossa expedição 

Cordialmente
Jorge Trabulo Marques 




CÃO GRANDE É TAMBÉM UM DOS SÍMBOLOS MAIS EMBLEMÁTICOS  DA GEOGRAFIA DE S. TOMÉ 


O que dizia, em 1908,  do Pico Cão Grande e do Pico Cão Pequeno, Ezequiel Campos

O Cão Grande é  uma agulha gigantesca com mais de 350 metros de altura; é uma pedra mais alta que a Torre Eiffel!



Teríamos de multiplicar por 11 a altura do maior obelisco que saiu do Thebas, dando-lhe pouco mais de 200 metros  de diâmetro na base e 80 metros junto ao topo, de arredondar-lhe as arestas, colar-lhe uma trepadeiras nas rugosidades, dar-lhe umas asperezas na base e na superfície cilíndrica, continuar a deixá-lo bem de prumo, e teríamos mais ou menos pronto o Cão Grande. Havíamos de dobrar altura do monumento de Washington, e depois ainda fazê-lo maior, para o colocarmos a par do Cão Grande .


 
Esta agulha é d’uma pedra só! Quantas vezes, olhando para ela ,eu não cismei ao arranco brutal da natureza para assim a adelgaçar através do terreno, e no conjunto de forças  que sobre este e aquela  foram atuando até que a deixaram com a forma que hoje tem. - Quem me diria a mim que havia de vê-la, como enorme para-raios, fustigada pelas faíscas das terríveis tempestades do Sul da Ilha! O topo do monólito tem 673 metros de altitude. Muito mais  alto que  a serra de Sintra; a mais de um terço de altura da nossa Serra da Estrela.

É uma bela coluna. Não há menhir, nem chaminé de fábrica para se lhe pôr ao lado.
E para que a Ilha seja verde por toda a parte, até a pedra tem vegetação em grandes manchas.Apresenta-se sempre mais ou menos cilíndrica: é porém das terras do centro da Ilha, a caminho de Vila Verde, que ela é mais regular. De S. José da Praia Grande, do Novo Brasil, isto é, de sudeste da Ilha, apresenta-se com a base um tanto dilatada e com o topo mais adelgaçado.

Vê-se de todo o Sul da Ilha. É muito curioso do Cabbombley, na perspetiva da Praia Grande: são duas pontas de terra por mar  dentro, a coluna levata-se alterosa a projetar-se no mar, como se fosse um farol altíssimo.



João Alves - Cão Pequeno, São Tomé, Fevereiro 2003
O Cão Pequeno – É outra coluna de pedra  levantando-se oblíqua nos montes do Portinho. Tem 390 metros de altitude. Sem as dimensões imponentes e regulares do Cão Grande, não deixa de ser muito interessante: e um óculo de alcance regular nota-lhe uma pequena pedra apoiada no topo. É a marca natural das minhas referências  topográficas. Dista do Cão Grande cerca de 4.160 metros. 



ESCALADO TRÊS MESES DEPOIS DA INDEPENDÊNCIA DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE - CINCO ANOS DEPOIS DA PRIMEIRA ESCALADA


Eis algumas linhas do que cheguei a escrever na revista Semana Ilustrea, de Luanda, da qual era correspondente  (…) A nossa maior dificuldade, não é a altura. Tão pouco a rocha ser ou não mais  perpendicular, mas a ausência de fendas em certas faces deste pico para a colocação  dos necessários  apoios que nos permitam prosseguir. E, numa rocha  vulcânica como  a do Cão Grande, a perfuração  é impraticável, a menos com auxílio de fortes berbequins elétricos (manuais, nem pensar, era toda a vida) o que, além de ser pouco desportivo,  é ainda demasiado embaraço, senão mesmo inacessível .

Então qual o processo já utilizado para fazermos os progressos que temos feito? Sim, de facto, que as tais passagens onde as fendas não existem ou pelo menos não se encontram  nos lugares mais convenientes, têm-nos  custado bastante sacrifícios e o recurso a inúmeros processos. Porém,  os quatro anos de tentativas sem conta, das maiores canseiras e de  insucessos sobre insucessos, felizmente para alguma coisa têm servido.  É que o aperfeiçoamento de uma técnica, o emprego de material mais apropriado (não o  melhor, claro), pois todo ele tem sido improvisado por nós e nem sequer com a possibilidade  de adquirirmos o que nos pareça mais útil), é coisa que leva o seu tempo. E a verdade é que, durante este tempo,   nós só tivemos oportunidade de irmos descobrindo o material que nos pareceu o mais adequado e aperfeiçoarmos a nossa técnica. Talvez muitos montanhistas,  estejam longe de supor, como podemos aprender muitas outras coisas quanto à arte de escalar, independentemente, claro, da riquíssima experiência  humana adquirida. E, já agora, a título de curiosidade, sobre o material que temos levado, podemos adiantar que, pequenas passagens houve, que nos ficaram bastante caras, não só em sacrifícios, como mesmo em dinheiro, quantia que, incluindo outras despesas e na sua totalidade, deve ir à vontadinha para além dos 30 contos.

Estas, pois, algumas das razões que, de volta e meia, me atiram para aquela rocha. Rocha esta que ainda não consegui  escalar totalmente, mas que, por esse motivo, de modo algum poderei aceitar como impossível 

Independentemente de qualquer material a que temos recorrido, os nossos pequenos êxitos, os pedaços de rocha sucessivamente conquistados, têm dependido, sobretudo,  mais no nosso querer, da nossa enorme força de vontade e  determinação, digamos assim, e  a um bocado  de sangue frio perante o precipício, que de outros factores que se possam imaginar. Predicados esses que é necessário possuir,  visto os obstáculos  serem de facto enormes e bem variados. 

Desde a rocha escalvada, escorregadia e perpendicular, a faixas a desmoronar em ou as saliências do sexto  grau, verdadeiras plataformas  ou abismos fora da vertical, as quais tem sido, como se depreende, o nosso principal quebra-cabeças. 

Da  última  vez que lá  fomos, foi precisamente uma passagem destas que não nos permitiu o acesso ao cume,  donde ficámos maís ou menos a cerca de vinte e poucos metros. 

E nada mais penoso é para um montanhista do que, depois  de subir uma rocha em quase toda a sua extensão (sobretudo com as características  como as do Cão Grande) vencer inúmeras dificuldades e obstáculos, sujeitar-se a constantes  riscos e, por fim, já muito pertinho da sua crista, por um imperativo de força maior, ser obrigado a regressar, quando pensava que afinal já nada lhe impediria, para de novo ter de lá voltar, pelos mesmos caminhos, conhecer  as mesmas dificuldades  e obstáculos, experimentar  a sensação dos mesmos riscos, e, depois de ter estado tão pertinho, do cume das suas ambições, dizíamos,  sofrer a amarga decepção de aguardar o prazer dessa efémera vitória ( sim, porque ao fim ao cabo de efémera  se trata) para outra oportunidade. 

A maioria dos desportos, quaisquer que sejam, implicam competição. No caso do alpinismo, os princípios são bem outros: numa escalada, da segurança de um depende a do companheiro ou· de todos os elementos que compõem a expedição. Porque a pratica do alpinismo é forçosamente perigoso e todo o cuidado que se põe  é pouco. Por isso, agora foi a rocha que não nos deixou passar, mas, noutras vezes, tem sido o mau tempo ou um de nós adoecer: - sabemos que, numa circunstância difícil - por mais perto que esteja o cume ambicionado - , é preferível voltar e continuar noutra ocasião, Foi o que fizemos da última vez. Para a próxima, creio que iremos mais bem apetrechados e talvez até com um pouco mais de coragem.

Entretanto, seguindo um ritual montanístico, para garantirmos a nossa presença num pedaço de rocha onde nunca ninguém  foi, temos levado connosco a bandeira nacional para a fincarmos no  ponto cimeiro deste pico. Como este objectivo tem estado demorado, já é a terceira bandeira  que levamos. Devido às intempéries,  foram-se desfazendo e tiveram sucessivamente de ser substituídas. Esperamos que à terceira seja de vez: a  ser desfraldada  no topo do Cão Grande.

CONQUISTA DO CUME COM SABOR AMARGO

Em 12 de Outubro, de 1975, a minha equipa, conquistava, finalmente, o tão desejado cume do Pico Cão Grande  - Dois anos sozinho, e, por fim, nos dois anos seguintes, 73 e 75,  com a participação de dois valorosos santomenses, o Cosme Pires dos Santos e o Constantino Bragança, além da valiosa colaboração dos guias e carregadores, do  Sebastião e do Chico, atingia-se a crista de um dos mais difíceis e caprichosos monólitos do planeta. 

Foto um pouco baça e danificada mas é um belo testemunho
Não disponho das imagens desse auspicioso momento – se bem que, para nós, fosse mais de pesadelo de que de alegria, dada a iminência de uma tempestade e de não termos a certeza se regressaríamos vivos ao sopé - , sim, não disponho de nenhuma fotografia desse dia, porque, uns dias depois, deixava S. Tomé a bordo do pesqueiro americano, Hornet, para ser largado, numa frágil piroga,  a sul da Ilha de Ano Bom, na corrente equatorial –  O meu espólio, até ficou bem guardado, só, que, mais tarde, tendo pedido a um comerciante, que mo fosse buscar a casa da minha companheira para fazer o favor de mo trazer para Portugal, quando aqui voltasse de férias, sim, ele foi lá a busca-lo, mas, até hoje, não se dignou entregar-mo.

  LONGO PESADELO DE 38 DIAS À DERIVA 

Transportado no referido pesqueiro, o comandante, querendo  demover-me da minha aventura, e depois de eu ter  recusado o trabalho a bordo,  deixa-me a Norte desta ilha – Impossibilitado de atingir a corrente que me levaria para oeste, decidi o regresso a S. Tomé, aproveitando a direção dos ventos alíseos e das correntes,  que ali convergiam, ainda unicamente  para Norte do Golfo da Guiné.  




Porém, nesse mesmo dia, já noite escura, um violento tornado, faz-me perder o leme, os remos principais, e, para evitar que a canoa se afundasse,  arranquei as duas varas dos mastros, enrolei as velas e coloquei-os de través, sendo obrigado a alijar-me  da maior parte dos viveres e a lançar  ao mar os quatro bidões de água, um dos quais meio de água, mas bem arrolhado e preso a uma corda para fazer de âncora flutuante e  forçar a canoa a ficar de proa à vaga e não de lado, evitando ser voltada  – Mesmo assim,  arrastada e fustigada  por vagas alterosas,  sob o estrondo de  fortíssimos  trovões e o rasgar de sinistros relâmpagos, as longas horas noturnas, da tão pesada e dramática tormenta, foram  verdadeiramente infernais   - Ao amanhecer, já não se  ouvia a sinistra orquestra, porém, o mau tempo prolongar-se-ia por várias dias seguidos e com o horizonte, continuamente cerrado por neblinas ou densas nuvens.  Vindo, pois,  a conhecer uma longa e penosa deriva de 38 dias, até acostar a uma remota baía da Ilha de Bioko, Guiné Equatorial, onde acabaria por ser detido e encarcerado por suspeita de espionagem. 

O meu espólio, até ficou bem guardado, só, que, mais tarde, tendo pedido a um comerciante, que mo fosse buscar a casa da minha companheira para fazer o favor de mo trazer para Portugal, quando voltasse de férias a Portugal, sim,  realmente ele foi lá a busca-lo, mas até hoje não se dignou entregar-mo.
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