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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Presidente de S. Tomé e Príncipe, M. Pinto da Costa, em Cabo Verde, 20 a 24 Janeiro – Em resposta à visita do Presidente Jorge Carlos Fonseca, de 10 a 16 Julho, às Ilhas Verdes do Equador - Dois Povos Irmãos, filhos da mesma colonização, agora mais juntos e unidos pelos ideais da liberdade, do progresso, amizade e cooperação

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista  (leia também o que publicámos neste site , após a vista - http://www.odisseiasnosmares.com/2016/01/cabo-verde-exemplo-de-democracia-em_26.html)

O Presidente da República de São Tomé e Príncipe, Manuel Pinto da Costa, vai deslocar-se a  Cabo Verde de 20 a 24 de Janeiro de 2016 para uma visita oficial , com deslocações previstas a São Vicente e Santo Antão – Mas é provável que a visita se estenda também a outros pontos do arquipélago e venha a constituir o acontecimento marcante da atualidade para ambos os países.

Em Julho, passado, ainda não estava calendarizada a visita, mas, finalmente, aí está, a dois dias do seu inicio  -   "Convidei o Presidente Pinto da Costa para uma visita oficial de Estado a Cabo Verde. A data será acertada por vias diplomáticas e nós teremos muito gosto em receber o Presidente Pinto da Costa, um amigo de Cabo Verde, amigo dos cabo-verdianos, é meu amigo pessoal", Estas foram palavras que então se ouviram do Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca., na sua visita oficial a S. Tomé e Príncipe.


Na realidade, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe,  são das antigas colónias portuguesas, aquelas que mais afinidades culturais, sociais e históricas, herdaram do seu passado colonial, pelo que, se espera que, a visita do Presidente Santomense,  seja igualmente assinalada por  uma agenda de encontros,  muito preenchidos e calorosos, tal como sucedeu  com a visita que  o chefe de estado cabo-verdiano fez por ocasião das comemorações do 40º aniversário da Independência  àquelas Ilhas, com deslocações a várias comunidades para lhe "transmitir  um fraternal abraço"




Imagens de uma visita histórica, do Presidente de Cabo Verde, a S. Tomé e Príncipe, que poderão repetir-se, com o mesmo entusiasmo e calor humano, de 20 a 24 do mês de  Janeiro, agora com a deslocação do seu homólogo, Manuel Pinto da Costa - “As relações amigas, entre os governantes,  ajudam muito no reforço das relações “ – Disse o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, na sua visita a S.,Tomé e Príncipe, de 10 a 16 de Julho, por ocasião das comemorações do 40º  aniversário da Independência deste arquipélago – E é justamente, no âmbito desse mesmo espírito, que partilhado por ambos os presidentes,  que agora voltam a reencontrar-se,

A VISITA A S. TOMÉ DE JORGE CARLOS FONSECA - DIAS INTENSOS E CALOROSOS

De facto, foi uma agenda muita intensa, aquela que teve o Presidente Jorge Carlos Fonseca: além da participação nas cerimónias oficiais das comemorações dos 40 anos, sobre a data da independência,  deslocou-se a várias roças onde foi entusiasticamente recebido pelas comunidades cabo-verdianas, com muitos abraços e muita emoção nos rostos de quem não esquece a ilha onde nasceu

E também aproveitou para lançar um livro, de sua autoria, no espaço CACAU em São Tomé, denominado a ‘Magistratura de Influência – Por uma Diplomacia ao Serviço do Desenvolvimento, Ou seja, ’o terceiro volume das intervenções do chefe do estado cabo-verdiano, cobrindo o período que vai de Setembro de 2013 a Setembro de 2014. - Obra então apresentada pela jornalista e poetisa são-tomense Conceição de Deus Lima. Pormenores em  Magistratura de Influência do PR de Cabo Verde ... - Téla Nón.






 O Presidente que escreve poemas e promove a poesia. Fê-lo no dia mundial da poesia, apadrinhando a iniciativa da Câmara de Ribeira Grande de Santiago, em conjunto com a Sociedade Cabo-verdiana de Autores e da Academia Cabo-verdiana de Letras,  com poetas, declamadores e músicos, em arruadas e recitais,  no sítio  histórico Cidade Velha, património mundial, evento que  serviu também para homenagear  Corsino Fortes, um dos poetas vivos mais velhos


As nossas relações com São Tomé e Príncipe são muito boas, são excelentes, dois arquipélagos, dois países de pequena dimensão populacional, que no plano internacional defendem posições muito próximas na defesa de questões específicas dos pequenos estados insulares”, disse Jorge Carlos Fonseca.

Os nossos dois países fizeram o caminho comum para a obtenção da independência nacional e estão ligados por uma grande presença de uma comunidade cabo-verdiana que está aqui (em são Tomé e Príncipe) sediada há longos anos e já com muitos descendentes originários de São Tomé e Príncipe e portanto com laços de amizade e culturais muito fortes”, Palavras ditas à sua chegada e que podiam perfeitamente repetir-se na hora da  despedida.


 AMBOS FIGURAS DE PROA DO NACIONALISMO  E FUNDAÇÃO  DO SEUS PAÍSES  - TANTO O PRESIDENTE JORGE CARLOS FONSECA, COMO O PRESIDENTE ,MANUEL PINTO DA COSTA

Qualquer deles esteve envolvido na luta de libertação dos seus povos, desde os tempos da clandestinidade:

  "Manuel Pinto da Costa, nasceu a 5 de Agosto de 1937 em Água Grande    Doutor em economia pela Faculdade de Berlim, antiga República Democrática Alemã, Manuel Pinto da Costa, membro fundador do Comité de Libertação de São Tomé e Príncipe, primeira organização independentista são-tomense, acabou por ser figura de consenso no seio dos nacionalistas radicados no estrangeiro, para dirigir a nova organização política o MLSTP e consequentemente o novo país independente.
Uba-Buda 2014


Foi um dos primeiros líderes africanos a implementar reformas com vista a mudança do regime mono partidário para a democracia pluralista. Em 1989 sob Presidência de Pinto da Costa o povo foi chamado para referendar a nova constituição política. - Mais pormenores em  Pinto da Costa novo Presidente de São Tomé e Príncipe a ..


FIGURA HISTÓRICA DE CABO VERDE  - Jorge Carlos Fonseca, nasceu a 20 de Outubro, no Mindelo  foi um dos promotores da transição democrática em Cabo Verde. Licenciado em Direito pela Universidade Clássica de Lisboa, Fonseca é Mestre em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, escritor, advogado e jurisconsulto. Foi ministro dos Negócios Estrangeiros entre 1991 e 1993, logo após a abertura do país ao multipartidarismo.


Jorge Carlos Fonseca conta que tem o “bichinho da política” desde muito cedo, tendo começado a militar na política pela independência de Cabo Verde, aos 17 anos, em Coimbra (Portugal), na clandestinidade.

Além da política, é obcecado pela leitura: “Gosto muito de estudar, investigar Direito, nomeadamente o Direito Penal e o Direito Constitucional. É o que tenho feito praticamente desde 81/82. Gosto de ensinar. Também fui professor universitário em Lisboa, em Macau, agora em Cabo Verde. Mas gosto de estar com os amigos e gosto muito de ler. É obsessão, quase. Claro que hoje em dia leio sobretudo livros e estudos jurídicos, mas sempre que posso leio sobretudo poesia”, diz o candidato presidencial.
 
Jorge Carlos Fonseca fala o crioulo, português e francês fluentemente e um pouco do inglês, alemão, espanhol e italiano. Jorge Carlos Fonseca

 SÃO TOMÉ TERRA DE PROMISSÃO - O PARAÍSO ONDE OS FRUTOS SE PODEM COLHER À MÃO TODO O ANO - MAS A COLONIZAÇÃO APENAS OLHAVA MAIS PARA A EXPLORAÇÃO DOS FRUTOS DE QUE PARA AS PESSOAS



Não há outro lugar no mundo, fora do seu país onde as comunidades cabo-verdianas, se encontrem tão tipificadas e  tão aglomeradas, senão nas antigas roças de S. Tomé e Príncipe -  São os cabo-verdianos e os seus descendentes, que ocupam as antigas senzalas e outras instalações, que, no tempo colonial, eram também ocupadas por serviçais de Angola e Moçambique - Muitos desses antigos trabalhadores, não regressaram aos seus países, mesmo após a independência, porém, a maioria da mão-de-obra era cabo-verdiana, sendo, por esta razão, também a maior comunidade das antigas colónias, que ainda vive nas Ilhas Verdes, em condições muito precárias.

1949 - o dinheiro do trabalhador ficava nas cantinas da roça
1965 - Empregado de mato
 Se se disser que a situação é pior que no tempo  do "patrão da Casa Grande", penso que não é inteiramente verdade - 

De facto, as instalações encontram-se muito degradadas, os antigos hospitais, que existiam em  todas as roças, não passam de esqueletos de ruínas, a produção do cacau, café e do cacau desceu para níveis baixíssimos - Pena que não tivessem tido outro apoio e orientação, com o processo da .nacionalização que se lhe seguiu.  É uma verdade que se passou da opressão ao abandono -  Mas, em Portugal, no Alentejo, também se passou do grande latifundiário a uma certa anarquia. São contrariedades próprias das revoluções - enquanto não se acerta um rumo.

Uba-Budo 2014
No entanto nós que fomos empregado de Mato, nas Roças Uba.-Budo, Ribeira Peixe e Rio do Ouro, atual Agostinho Neto, a lembrança que temos é a de que, aqueles tempos, eram realmente tempos de submissão, de prepotência e de escravatura  -  Claro, que, para tudo funcionar, para  se extrair produtividade da mão-de-obra escravizada, da carne para canhão, era preciso assegurar-lhes algumas condições de sobrevivência - Era tal qual como o lavrador que alimenta o seu cavalo ou seu macho.Tem que lhe dar alguma beberagem para ser servir dele.  Sim,  a preocupação colonial era apenas essa: não a de zelar pelo  bem-estar e a justiça social dos trabalhadores mas mantê-los vivos, explorá-los o máximo  possível. 

CABO-VERDIANO – O AFRICANO QUE APRENDEU A VIVER COM MUITO ESFORÇO E SACRIFÍCIO E NÃO À SOMBRA DA BANANEIRA

Costuma dizer-se que a fome aguça a inteligência e desperta o engenho – E foi justamente isso que fez dos cabo-verdianos, um povo muito lutador ao longo dos tempos. E a ter que deixar a sua terra e a emigrar 

Milhares de  cabo-verdianos partiram para S.Tomé e Príncipe, em regime de contratos, para as roças de cacau  e café, que regaram com o suor do seu rosto, muitos dos quais nunca mais puderam regressar à sua terra amada - Não obstante a vida ali também ser dura.

Sim, em Cabo Verde, no tempo colonial, as populações sofriam intensamente devido ao flagelo das secas -. A proximidade dos ventos do Saará, ainda hoje é um fenómeno devastador, nalgumas ilhas – Em São Tomé e Príncipe, não faltam chuvas, e as ilhas são férteis: até nos mais altos e aprumados penhascos, despontam ervas e arbustos. Por isso mesmo, aqui a tendência é mais para o “moli-móli”  - Pois os frutos, são abundantes e colhem-se sem muito esforço. Há muitas carências na população - e a vários níveis - mas não há rostos marcados pela fome, barrigas de crianças desnutridas em forma de  bola, como se veem nos demais países africanos.  

Roça Uba-Budo 2014
Como é sabido, os  trabalhadores cabo-verdianos eram a mão-de-obra mais apreciada na roças, pese o facto de muito deles ali chegarem em estado de extrema magreza  - Nunca viravam as costas ao trabalho  - O facto de irem encontrar uma terra  fértil, pujante de verdura e de abundantes frutos, só isso era o bastante para lhes encher a alma de ânimo – De um modo geral, não obstante as grandes restrições impostas pelas roças, de lhe dar as miseras rações, muitas das quais com o famigerado peixe seco (podre) vindo de Moçâmedes e umas quantas doses de fuba e feijão, que também vinha de Angola (já atravessado pelo bicho), sim, apesar de não poderem colher os cachos de bananas, que quisessem, lá iam tendo a sua hortazinha, junto da sanzala para suprir as carências alimentares, que não podiam inteiramente satisfazer  - Atualmente, embora vivam em habitações muito degradadas, ninguém lhes cerceia a liberdade de poderem aproveitar-se de todos os frutos da terra. Pena que, a exploração e o aproveitamento daqueles que são exportados, nomeadamente o cacau e o  café, não esteja sendo feito como devia ser – Este é realmente o maior problema, que carece de resolução.  

Referem estudos que “Embora não existam estatísticas precisas, aponta-se que a maior parte dos contratados partiu das chamadas ilhas agrícolas (Santiago, S. Antão, S. Nicolau e Fogo) que seriam as primeiras a sofrer com a escassez de chuva que afectou Cabo Verde nas décadas de 40/50 do Séc.XX
O Consulado de CV em STP encontram-se inscritos um total de 8.160 pessoas (dados de Novembro de 2014, número que pode alterar tendo em conta que muitos dos descendente não estão aí inscritos OMUNIDADE CABO-VERDIANA EM S. TOMÉ E

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