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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Guiné Equatorial e adesão à CPLP – Joaquim Chissano, histórico da FRELIMO , destaca efeitos positivos - Em Lisboa, vice-primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Alfonso Nsue Mokuy, acusou Espanha de “denegrir a imagem" do seu pais, descoberto pelos portugueses, em 1471 – E lembrou o golpe de Estado perpetrado pelo filho de Margarete Teshaer e a cumplicidade do antigo país colonizador.



Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e análise 

Nos finais de Nov. de 1975,  fui encarcerado   numa das celas da  Black Beach (Playa Negra ), prisão situada na na ilha de Bioko , capital de Malabo, conhecida também pelo  “Buraco do Inferno”, por suspeita de espionagem, quando ali aportei  após 38 dias numa frágil piroga, depois de ter sido largada em Ano Bom para uma tentativa da travessia do Atlântico – Sim. na mesma prisão onde, em 2007, daria entrada um grupo de mercenários, liderados por Mark Thatcher, por tentativa de golpe de Estado contra o Presidente Teodoro Obiang – Veja mais à frente (no 2º videoa razão pela qual estou grato a este homem, após  ler este meu apontamento de reportagem, sobre o que é a Guiné Equatorial da atualidade e aquela que eu conheci, há 42 anos 

O Presidente da República Portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa: de Cabo Verde ao Senegal para uma visita inédita  espero que um dia possa fazer também outra: à Guiné Equatorial, nomeadamente, Bioko, antiga Ilha de Fernão do Pó, descoberta pelo piloto português com o mesmo nome, para confirmar, com os seus próprios olhos, o desenvolvimento e as liberdades neste país, muito diferentes do tempo em que eu a conheci, nas circunstâncias atrás expostas, governada pelo ditador Macias Nguema  -- 01/11/2016 Marcelo: Impedir Obiang de ir a Fátima seria oposto à ideia de mobilidade .

“Joaquim Chissano destaca efeitos positivos para povo da Guiné Equatorial após adesão à CPLP”
"Há uma mudança de atitude" entre os governantes da Guiné Equatorial, país liderado desde 1979 por Teodoro Obiang Nguema, afirmou Chissano, em recente entrevista à Lusa, em Marraquexe, Marrocos.



Chissano comentou que, nas visitas que tem realizado à Guiné Equatorial, tem observado "uma nova mentalidade, virada para o povo e para os direitos humanos".
Antes, "eles, se calhar, esbanjavam dinheiro", referiu, numa alusão aos governantes, mas agora os recursos petrolíferos são aplicados "para produzir qualquer coisa para o povo, a nível de educação, saúde, infraestruturas, habitação".
Na agricultura têm também havido progressos, constatou o antigo chefe de Estado moçambicano.

"Costumavam importar tudo, ovos, leite, carne. Hoje já produzem no país", referiu, Joaquim Chissano, que defendia a entrada da Guiné Equatorial na CPLP, o que veio a ocorrer em julho de 2014, no culminar de um processo de vários anos, em que foi definido um roteiro de adesão que previa, entre outros pontos, o fim da pena de morte, a introdução do português como língua oficial e a ratificação dos estatutos da organização lusófona.

"Espero que o futuro possa melhorar na Guiné Equatorial, e se isso acontecer eu ficarei satisfeito porque era exatamente o que eu tinha em mente quando disse que era melhor acolher essa gente", assinalou Joaquim Chissano. Joaquim Chissano destaca efeitos positivos para povo da Guiné Equatorial Joaquim Chissano destaca efeitos positivos para povo da Guiné Equatorial 


 ESPANHA - AINDA NÃO DESISTIU DE CONTINUAR A CONSPIRAR CONTRA A SUA ANTIGA COLÓNIA NO GOLFO DA GUINÉ

Em Lisboa, na sede dos PALOP, vice-primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Alfonso Nsue Mokuy, acusou   Espanha, antiga potência colonizadora de “denegrir a imagem" do seu pais, com a cumplicidade dos EUA  –  O responsável da pasta  dos Direitos Humanos, de um dos maiores produtores de petróleo na África subsariana, lembrou o golpe de Estado perpetrado pelo filho de Margarete Teshaer e a conspiração subjacente do Governo espanhol desde a independência.

"Não são anjinhos, mas também não são Lúcifer"Os governantes da Guiné Equatorial "não são anjinhos, mas também não são Lúcifer", afirmou  o ministro equato-guineense, que repudiou relatórios de organizações internacionais que acusam as autoridades de desrespeitar os direitos humanos."Eu não digo que somos anjinhos, mas também não somos Lucífer", declarou o terceiro vice-primeiro-ministro equato-guineense, Alfonso Nsue Mokuy, na recente conferência, que decorreu  no auditório da Sede da CPLP, subordinada ao tema  dos Direitos Humanos, de cuja pasta o responsável.


O governante, acusou os Estados Unidos e Espanha, antiga potência colonial, de quererem denegrir a imagem da Guiné Equatorial "Há uma conspiração do Governo espanhol desde o golpe da liberdade, dizem que matamos pessoas, que há fome", relatou, aludindo à independência do país, em 1968.

Mokuy queixou-se de as autoridades não serem ouvidas nos fóruns internacionais.
"O meu país sempre foi incompreendido, nunca nos ouviram, mas condenam-nos. Tenho de ir a todos os fóruns do mundo, às Nações Unidas, aos organismos, para fazer ouvir a voz da Guiné Equatorial", disse.

"Dizem que no meu país há uma ditadura, que não há liberdades, que não há liberdade de expressão, de movimento, que não se pode fazer política. Um país com um milhão e 14 mil habitantes, tem 15 partidos políticos. Cada um é livre de fazer o que quer", garantiu.

Um dos maiores produtores de petróleo na África subsaariana, a Guiné Equatorial tem grande parte da população na pobreza e é acusada por diversas organizações da sociedade civil de violar direitos humanos. - Lusa - DN

CONFERÊNCIA SURPREENDEU PELA POSITIVA,   ATÉ RECOLHEU MUITOS APLAUSOS  – FACTO INÉDITO NO   CORO HABITUAL DAS ACUSAÇÕES  ORQUESTRADAS PELA COBIÇA DOS SEUS RECURSOS NATURAIS

De um modo geral, quando o nome da Guiné Equatorial, vem à baila, é costume surgirem logo os inevitáveis epítetos ou acusações de  feroz ditadura e de violações dos direitos humanos.


Eu, que cheguei a conhecer um dos mais sinistros cárceres de África, no regime deposto de Francisco Macias Nguema, pelo seu sobrinho, o atual Presidente, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo,  aproveitei a oportunidade para ali expressar publicamente o meu testemunho e o meu agradecimento, por, em Dezembro de 1975, na sua  qualidade de comandante das Forças Armadas, me ter salvo do enforcamento por suspeição de espionagem, quando ali aportei numa canoa, após 38 dias à deriva, depois de ter sido largado na Ilha de Ano Bom, por força das tempestades, numa frustrada travessia do Atlântico

CORO DE ACUSAÇÕES COM ORIGENS E PROPÓSITOS BEM DEFINIDOS 

E o mais paradoxal  é que, quem entra no jogo das habituais acusações, desconhece a realidade do país,  nunca lá pôs os pés - Este é, pois, um dos graves erros de que enfermam os media da atualidade, a de replicar informações, mesmo sem as confirmar, tomando, como  verdades absolutas,  tudo o que lhe é impingido, não importando de saber a origem e o grau da sua credibilidade: quem faz mais ruido é que é o mais verdadeiro.

" Hoje, muitos dos quadros dirigentes do media vêm do universo empresarial, e não do mundo do jornalismo. São menos sensíveis à veracidade da informação". "O mimetismo é aquela febre que se apodera  de repente dos media (sem distinguir suportes) o que os empurra, com a urgência mais absoluta, a precipitarem-se para cobrirem um acontecimento (qualquer que ele seja). Esta imitação delirante, levada ao extremo, provoca uma bola de neve e funciona como uma espécie de intoxicação: quanto mais  os media falam de um determinado assunto, tanto mais eles se convencem, coletivamente, de que esse assunto é indispensável, central, capital, e que é necessário dar-lhe mais cobertura (...) numa aspiral vertiginosa, embriagante até à náusea" - In Tirania da Comunicação" - Ignacio Ramonet

 Alfonso Nsue Mokuy e Maria do Carmo Trovoada
Questionado sobre relatórios da organização Amnistia Internacional, que aponta violações sistemáticas de direitos humanos no país, Mokuy disse: "Dão uma informação para criar uma má imagem. 80% do que põem nos relatórios, que são editados pela embaixada dos EUA, são falsos". – refere o DN – Um dos jornais portugueses que deu grande relevo à referida conferência de um texto da Lusa.

"Espanha, sempre "quis denegrir a imagem" da Guiné Equatorial."Há uma conspiração do Governo espanhol desde o golpe da liberdade, dizem que matamos pessoas, que há fome", relatou, aludindo à independência do país, em 1968. Mokuy queixou-se de as autoridades não serem ouvidas nos fóruns internacionais."O meu país sempre foi incompreendido, nunca nos ouviram, mas condenam-nos. Tenho de ir a todos os fóruns do mundo, às Nações Unidas, aos organismos, para fazer ouvir a voz da Guiné Equatorial", disse.

"Dizem que no meu país há uma ditadura, que não há liberdades, que não há liberdade de expressão, de movimento, que não se pode fazer política. Um país com um milhão e 14 mil habitantes, tem 15 partidos políticos. Cada um é livre de fazer o que quer", garantiu.

Um dos maiores produtores de petróleo na África subsariana, a Guiné Equatorial tem grande parte da população na pobreza e é acusada por diversas organizações da sociedade civil de violar direitos humanos."

A Guiné Equatorial deu uma aula sobre direitos humanos e a sala aplaudiu”  



Neste video - 1ºParte da Conferência -

Foi este o título,  que o jornal PÚBLICO,  noutro  interessante artigo, assinado por Bárbara Reis, escolheu para se referir à conferência presidida  pelo Terceiro Vice-Primeiro Ministro Responsável pelos Direitos Humanos da Guiné Equatorial,  Alfonso Nsue Mokuy,  no auditório da Sede da CPLP, com uma sala muito atenta e participativa,

E, na verdade, foi justamente o que se passou: quem esperava que, a abordagem deste delicado tema iria embaraçar o alto representante de um dos países mais pequenos do Golfo da Guiné – mas um dos mais ricos de África – justamente por este facto, um dos mais fustigados pela orquestra dos media, com persistentes acusações  de violações dos direitos humanos, enganou-se 

Além de manifestar um grande à vontade, tanto expressando-se em castelhano, como num português com pronúncia  do pais colonizador, provou que vinha preparado para responder às várias questões, que lhe foram colocadas, quer por jornalistas, quer por estudantes   e ativistas  de associações dos direitos humanos e por outros observadores presentes na sala,  o que lhe granjeou constantes aplausos, tendo mesmo ido ao fundo da história, quer sobre o tema, quer lembrando que o seu pais estava representado nos PALOP por direito próprio, uma vez que, duas das principais ilhas, que o constituem (além do enclave continental, denominado Rio Muni ou Mbini),  nomeadamente Fernando Pó (atual Bioko)  e Ano-Bom, ambas foram descobertas pelos portugueses; a mais setentrional do referido Golfo, situada a curta distância do sul dos Camarões e da Nigéria, que herdaria o nome do  navegador, o qual, ainda sob o seu comando, no ano seguinte, no 1º dia do ano de 1472, descobriria   Ano-Bomuma pequena ilha localizada no  Atlântico Sul, a 350 km da costa oeste do continente africano, a  180 km a sudoeste da ilha de São Tomé , as quais deixaram de pertencer à coroa portuguesa, inicialmente, em 1777, pelo Tratado de San Ildefonso, através do qual  Portugal cedia a Espanha aquelas duas ilhas, assim como a exploração do litoral continental entre os Cabos Formoso e o Lopez, acordo esse, ratificado no ano seguinte pelo Tratado d’El Pardo, de 1778, o qual constituiu a base jurídica da presença espanhola no continente africano, nas latitudes da Guiné equatorial..



2ª Parte  - Perguntas e Respostas 


PÚBLICO - "Uma improvável conferência de direitos humanos atraiu esta quinta-feira dezenas de pessoas à sede da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa. Era grande a curiosidade sobre o que teria para dizer Alfonso Nsue Mokuy, terceiro vice-primeiro-ministro da Guiné Equatorial para os Direitos Humanos.

Por três razões. Porque o tema era "Democracia e Direitos Humanos na Guiné Equatorial” e vários governos e observadores garantem que essas são, justamente, duas coisas que não existem no país. Porque três anos depois de ter entrado na CPLP, na cimeira de Díli de 2014, comprometendo-se a abolir a pena de morte, a Guiné Equatorial não executou ninguém, mas também não cumpriu o prometido. E porque dois dias antes, em Guimarães, o mesmo ministro lançara para o debate público um conceito novo: Malabo quer abolir a pena de morte, mas está à procura do "modelo adequado". "O que é isso?", perguntavam alguns diplomatas antes de o ministro chegar.

A explicação veio a seguir. "Na prática, já não existe pena de morte na Guiné Equatorial", disse Mokuy. Mas "antes da abolição completa", Malabo "precisa de conhecer as diferentes experiências dos países da CPLP sobre a pena de morte, tendo em conta a complexidade do problema e a situação excepcional da Guiné Equatorial no círculo de terror da África central".

Por sugestão de um funcionário português que trabalha para as Nações Unidas em Malabo, o Centro de Estudos de Direitos Humanos da Universidade do Minho está a terminar um estudo comparativo sobre a pena de morte em vários países. "Isso permitirá à Guiné Equatorial escolher o melhor modelo", disse o ministro.


Esta parece ser a nova abordagem. Para surpresa de alguns convidados, o facto de Portugal ter reinstituído a pena de morte em 1916, depois de a ter abolido em 1867, foi um argumento usado duas vezes para provar "como a questão é complexa". Primeiro pelo embaixador do Brasil junto da CPLP, Gonçalo Mourão; a seguir pelo embaixador Tito Mba Ada, da Guiné Equatorial. "Todos os nossos países têm itinerários diversos. Alguns tivemos recaídas, restabelecendo-a em épocas recentes. Portugal, por exemplo, reinstalou a pena de morte em 1916 e só a aboliu 60 anos depois", começou por dizer o diplomata brasileiro. "No Brasil, foi abolida em 1889, mas reinstalada em 1937, foi abolida de novo em 1946 e estabelecida em 1969. E hoje ainda existe e está prevista para situações em que o país está em estado de guerra", disse, num tom apaziguador, antes de dar a palavra à estrela da sessão. "E a guerra, infelizmente, já é uma pena de morte." Mais tarde, Tito Mba Ada pegou na ponta: "Portugal teve a pena de morte durante muitos anos. A Guiné Equatorial não vai demorar tanto tempo!"

No fim da sua aula sobre o estado dos direitos humanos na Guiné Equatorial, Alfonso Nsue Mokuy foi aplaudido repetidamente e elogiado ao microfone por estudantes, activistas e pelo embaixador de Portugal junto da CPLP, Manuel Santos, que disse que "Portugal não tem dúvidas de que a Guiné Equatorial vai abolir a pena de morte".

A grande pergunta, neste momento, é saber que passos concretos deu Malabo nesse sentido desde que se juntou à CPLP. A resposta do ministro: "Temos uma moratória. Queremos sair desta moratória. Mas para evitar erros, estamos a pedir apoio aos países que já têm experiência em pena de morte. Não queremos abolir hoje e amanhã voltar. Imaginem que amanhã vem alguém que mata duas ou três crianças. O povo vai dizer: 'Matem!'. E nós dizemos: 'Já não podemos.' Queremos evitar isso. Se a Guiné Equatorial está em guerra e um soldado deserta, o que lhe fazemos? Se alguém entrar aqui e nos matar a todos, o que fazemos? O que estamos a pedir é ajuda para saber como fazemos isto. Não temos que nos precipitar quando se trata da vida das pessoas. O meu país tem sido incompreendido. Nunca ouvem a Guiné Equatorial. Não digo que sejamos anjos, mas não somos Lúcifer." A sala irrompeu em aplausos. Todos ali pareciam bem cientes de que as violações de direitos humanos que a Amnistia Internacional descreve não são "meros rumores", ao contrário do que disse o ministro Mokuy. Mas esta era uma audiência de amigos e funcionários pragmáticos que têm como missão ajudar a Guiné Equatorial a avançar.  A Guiné Equatorial deu uma aula sobre direitos humanos e ... -

Presidente da Guiné Equatorial gostava de ver o papa em Fátima

Filho de  Margaret thatcher liderou tentativa de Golpe 
O DN, referindo-se à aludida conferencia, sobre os direitos humanos, reproduzindo um artigo da Lusa, começa por dizer  que o Presidente da Guiné equatorial gostava de ver o papa em Fátima  

"O meu Presidente, o meu Governo está disposto [a visitar Portugal] quando o Governo português o convide", disse o terceiro vice-primeiro-ministro da Guiné Equatorial, Alfonso Nsue Mokuy, que esta quinta-feira participou numa conferência sobre direitos humanos e pena de morte na Guiné Equatorial, na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa.

Questionado pela Lusa se Obiang tenciona deslocar-se a Fátima por ocasião da visita do papa, a 12 e 13 de maio, o ministro respondeu: "Se [esse convite] coincidir com a visita do papa, muito melhor".

O Presidente da Guiné Equatorial, país que aderiu à CPLP em 2014, nunca realizou uma visita oficial a Portugal e é conhecida a sua vontade de se deslocar ao santuário de Fátima.

Em outubro passado, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, convidou os chefes de Estado e de Governo da Cimeira Ibero-Americana para que visitem Fátima em maio próximo, por ocasião do centenário dos acontecimentos de 1917 na Cova da Iria.

Dias depois, na cimeira da CPLP em Brasília, Marcelo Rebelo de Sousa não esclareceu se convidou o Presidente da Guiné Equatorial a visitar Fátima, mas defendeu que impedir essa a visita a qualquer cidadão lusófono "seria oposto à ideia de mobilidade" na CPLP. CPLP - Presidente da Guiné Equatorial gostava de ver o papa em

OBIANG SALVOU-ME A VIDA - GRACIAS PRESIDENTE!




Conheci este homem há  42 anos - No dia 4 de Dezembro de 1975. Chama-se  )Teodoro Obiang Nguema Mbasogo - É o Presidente da Guiné Equatorial. Salvou-me de ser condenado pelo seu tio,  o auto-proclamado Presidente Vitalício Francisco Macias Nguema, que derrubaria em 3 de Agosto de 1979 - 

Ao cabo de 38 penosos dias, ao sabor das vagas, num simples madeiro escavado, acabo por acostar à Ilha de Bioko (ex-Fernando Pó), onde sou tomado por espião e encarcerado numa cela da Cadeia Central – para ser executado, já que este era o destino de quem ali era condenado: entrar vivo e sair cadáver. Considerada, naquela época, a prisão mais tenebrosa que os famigerados campos de concentração nazis



Felizmente, havia de ser uma mensagem,  autenticada pelo MLSTP, escrita expressamente  para saudar o Povo Brasileiro - admitindo que pudesse fazer a travessia de : Tomé ao Brasil -  que   haveria de  contribuir para me salvar a  vida. 

Mesmo assim, dada a  persistente desconfiança do então Presidente Macias, que nem depois de  enviar o seu barbeiro pessoal (o santomense, Sr. Bandeira) se convencera, nem da veracidade da referida mensagem, nem dos meus argumentos,   quem  acaba por ordenar a minha soltura é o seu sobrinho, o então comandante das Policias e das Forças Armadas, o atual Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, a quem fico a dever a vida. A ele, pois,  um caloroso abraço de gratidão.

O "número dois" do partido que Obiang, de 73 anos, fundou em 1986, defende que "nestes 36 anos, foi instaurado um sistema democrático inicialmente monopartidário, mas atualmente pluripartidário: na Guiné Equatorial convivem pelo menos 13 partidos da oposição, alguns dos quais muito críticos do sistema político vigente e do Presidente".


Travessia - S. Tomé - Nigéria 
Depois de ter sido encarcerado numa  das mais tenebrosas prisões de África, por ordens expressas do seu tio, o então jovem Obiang, confessava-se extremamente intrigado com o  insólito desembarque clandestino de um português numa canoa e  quis inquirir-me pessoalmente.  A referida cadeia  fora mandada construir no tempo colonial espanhol.  Chamavam-lhe, naquela altura,  a Cadeia Central e situava-se junto à Praia Negra, da cidade de  Malabo,  capital da Guiné Equatorial  Tratava-se, efetivamente, da famigerada   Black Beach

Quando um prisioneiro, ali dava entrada, era o sinal dado à sua família de que tinha de preparar  o caixão para o ir buscar. Uns dias depois de ali ter sido encarcerado, fui conduzido ao edifício do Comando da Polícia e das Forças Armadas (aliás, contiguo à cadeia) onde se encontrava, Teodoro Obiang, sendo ele, então, o supremo  comandante,  que me mandou chamar ao seu gabinete - Foi o primeiro gesto de cortesia que eu encontrei a nível das autoridades policiais - Estou ainda hoje persuadido de que foi ele que me salvou de ser condenado.



"Durante o chamado "reinado do terror", o ditador macias Francisco Macías Nguema liderou quase um genocídio  (...) Nos últimos anos de seu governo,  a Guiné Equatorial, chegou mesmo a ser conhecida como a "Auschwitz da África" - In Malabo 
"Guineans believed their first president had supernatural powers. Using the knowledge of witchcraft he inherited from his sorcerer father, President Francisco Macias Nguema built a huge collection of human skulls at his homestead to beat his subjects to submission" In FRANCISCO MACIAS NGUEMAThe mad man from Equatorial


Sei, que este meu gesto, não vai ao encontro do chamado “politicamente correto”, do sectarismo imposto por certos analistas, que fazem tábua rasa do colonialismo europeu, que transformou o continente africano, numa manta de retalhos, não se importando da sua ancestralidade cultural e étnica, escravizando, retalhando, deportando, sem dó nem piedade, milhões de negros, fazendo deles párias nas suas terras de origem – Sim, omitem essa  tragédia, desviando as atenções da opinião pública mundial, desses hediondos crimes contra a humanidade – Por meu lado, não vou nessas modas, nesse juízo fácil e ao correr das modas, porque também fui uma das vitimas do colonialismo: não me mataram, porque não calhou - E aponte-se-me qual o governante, completamente  de mãos limpas e cofres vazios na Europa, na América, Ásia ou  Oceania?  - Só em África? - E o que se diz do atual liberalismo selvagem, neocolonial e  global?...

DEPOIS DE TANTAS INCERTEZAS, PELAS NOITES NEGRAS E ASSOMBRADAS DAS TEMPESTADES, AINDA TER QUE SUPORTAR TAMANHA INSTABILIDADE EMOCIONAL - Mas vá lá que prevaleceu o bom senso e a humanidade de quem era suposto dar a última ordem de Macias.







Canoa fundeada  - Bioko
Mal me arrastava de fraqueza mas sentia-me como se estivesse a viver as aventuras de um inesperado Robinson Crusoe - E, mesmo ainda hoje, não sei se sentiria vontade de sair dali tão cedo. Porém, quando me apercebi de que havia um carreiro, muito batido, que ali desembocava e que poderia ser sinal de que a praia não era totalmente selvagem (de resto, pouco depois do nascer do sol e antes de a abordar, já ali tinha visto, na pequena língua do negro areal, um homem à cata de ovos de tartaruga) pelo que não tive outro remédio senão seguir aquele mesmo careiro, que me levaria a uma finca  - à sede de uma plantação de cacau.  Tal facto, ia-me custando a vida. Tomado por espião e depois de ter passado a primeira noite nos calabouços de uma esquadra, fui transferido algemado para Punta Fernando, onde ainda hoje se "encontra a famosa prisão de Black Beach também conhecida como prisão de Blay Beach onde foram encarcerados e torturados em numerosas ocasiões líderes políticos proeminentes

OS FAMIGERADOS ANOS DE TERROR DE MACIAS NGUEMA 

Nov - 1975 - OUVIA DA MINHA CELA NAUSEABUNDA, OS GRITOS LANCINANTES DE EXECUÇÕES E ESPANCAMENTOS  – ONDE APENAS TINHA UMA LATA PARA FAZER AS NECESSIDADES E UM BANCO COMPRIDO PARA ME DEITAR


"Dizer Black Beach é dizer a morte. Quando um prisioneiro chega a essa prisão, sua família começa a preparar o caixão""

"A realidade de Black Beach é conhecida fora de suas paredes. A Anistia Internacional elaborou vários relatórios alertando sobre as condições terríveis da prisão e da existência de tortura e assassinatos dentro, enquanto o Ministério das Relações Exteriores tenha incluído na sua lista das piores prisões do mundo e, claro, aquele com o pior reputação na África.

"Havia todos os tipos de tortura. Eles penduravam os presos pelos tornozelos, amarraram-los em posições improváveis, vencê-los sem aviso prévio e em qualquer momento que eles queriam. Os guardas Black Beach tinham apenas a tarefa de espancar os prisioneiros",  Outro problema era a comida: muitos prisioneiros morreram de fome. "E o cheiro. As células foram eram tão  estreitas que uma pessoa não se poderia esticar, estavam sempre no escuro, e seu cheiro era muito forte, insuportável. Às vezes cheguei a pensar  em me matar."


 







A MENSAGEM SALVADORA DO MLSTP - com data de 27 de Setembro de 1975 - 67 dias depois haveria de me poupar a vida


 A canoa foi carregada a bordo do pesqueiro Hornet, em 15 de Outubro, ao largo da Baía Ana de Chaves.  No dia 18, de manhã,  o pesqueiro fundeou  ao largo da Ilha  de Ano Bom- Próximo daquela que era a Ilha mais esquecida do Mundo. Apenas com uma ligaçãp anual com Bioko  
Ao pôr do sol, inesperadamente,  a canoa foi arreada por ordem do comandante, alegando que a canoa estorvava a pesca e que já não podia deixar-me na zona da grande corrente equatorial, que me arrastaria a oeste ao longo do oceano. Penso que, àquela hora, com a noite prestes a cair, o fez mais para me atemorizar e me convencer a desistir.

Mas enganava-se: eu já havia enfrentado  vários tornados, noites escuras e tempestuosas e, na minha mente, havia uma ideia longamente amadurecida e bem determinada: - Ir novamente ao encontro da imensidade atlântica! Ir ainda mais longe, custasse o que custasse!... Ninguém podia demover-me desse propósito e do significado que lhe pretendia atribuir. -  Estando o mar calmo, não havendo vento, dada a proximidade da Ilha, havia pois o risco de poder  ser assaltado... Praticamente, não consegui sair do mesmo sítio e sempre com os olhos na pequena ilha que tinha ali bem próximo, receoso que alguma canoa saísse de lá.  Até porque as últimas palavras que ouvira do alto do convés, foram bem esclarecedoras: "escapa-te daqui o mais depressa que puderes, senão te roubam!!"... Já com as primeiras sombras do curto crepúsculo e após um  giro em torno do horizonte, o referido barco aproximou-se de mim e voltou a carregar-me a piroga, prometendo largar-me no dia seguinte. Às tantas da noite, já com o pesqueiro de novo fundeado ao largo e envolvido por enorme agitação, varrido de  proa à popa,  pela já habitual tempestade noturna da época das chuvas, que o assolara já nas anteriores noites, sim, depois de muitos dos tripulantes virem junto de mim, tentando persuadir-me a  ficar a bordo com eles ("Jorge! Não vês, como está o mar?!... Vais morrer!!.. Fica connosco!.." ) o imediato veio falar comigo para me apresentar na cabine do Comandante: quis dissuadir-me a desistir da viagem,  convidando-me a trabalhar a bordo.  Não tendo aceite a sua proposta, obrigou-me assinar um termo de responsabilidade.

Junto a Ano Bom
Na manhã seguinte, a  "Yon Gato", é  finalmente arreada ao largo de Annobón, com rumo de retorno a São Tomé - Mal o  sol equatorial  raiara, como que emergindo do fundo do vasto manto azul circular: à voz de "canoa ao mar"! Lá fui sozinho à minha vida, rumo ao Norte, munido apenas de uma simples bússola! Desiludido por não ter sido largado um pouco mais a sul e a oeste, lá parti, de regresso a São Tomé, pelo desconhecido oceano a fora, a pensar em refazer nova viagem e com o apoio marítimo  de alguém que não me traísse! - . Após um dia de navegação normal, com vento pela popa e à vela - mas sempre perseguido por duas canoas  para me roubarem os alimentos, dada a extrema penúria vivida naquela ilha - surge o inevitável temporal: um violento tornado, ao princípio da noite, vindo do sudeste,  uma súbita rajada de vento seguida por uma enorme vaga, apanha-me desprevenido e ainda com a nova casca de noz,  mal acabada de experimentar,  solta-me o leme (que lhe adaptei - e só por milagre também eu não fui atirado, com a cana do leme, para o seio daquela escurissima confusão, que só a curtos espaços os relâmpagos iluminavam) deixa-me a piroga atravessada à vaga e desgovernada, varrendo-me os apetrechos e forçando-me alijar da maior parte de viveres para aliviar o lastro e não ir ao fundo




- Lá foram mandados ao mar três bidões de água potável  e  as latas de conserva  oferecidas a bordo do Hornet. Apressei-me a enrolar a vela e a colocar o mastro (suplente) de través para lhe conferir alguma estabilidade e a lançar o 4º bidão de plástico, meio de água, preso a uma corda para fazer de âncora flutuante de modo a forçá-la a estar de proa à vaga.. O colchão insuflável, coloquei-o à proa com a lanterna, sobre o estrado) para o que desse e viesse, sim, era a única boia que dispunha e eu não sabia ainda muito bem como a canoa iria resistir e se comportar.. Escusado será dizer que a noite fora pavorosa!...Não há palavras para a descrever..De manhã improvisei um remo com um barrote e uns bocados que arranquei da cobertura, junto à popa..Sim, nunca cruzei os braços, nunca me dei por vencido: foram infinitos os momentos em que a vida esteve sempre presa  por um fio. Mas havia que lutar.


Era o começo de um longo e exaustivo tormento . Encontrava-me no Atlântico Sul , em pleno mar alto,  a 350 km da costa oeste do continente africano  e 180 km a sudoeste da ilha de São Tomé. As chuvas constantes da primeira semana, com o horizonte sempre encoberto, impedir-me-iam de avistar São Tomé. Mais tarde avistei a Ilha do Príncipe e Ilhéu das Tinhosas, mas, a falta de remo adequado, não me permitiram a aproximação. Por fim, a 27 de Novembro, acostei numa praia de Bioko (ex-Fernando Pó) .Onde fui preso e encarcerado por suspeita de espionagem.

"MENSAGEM DO POVO DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, PARA O POVO BRASILEIRO" - Que não chegou ao destino (dois meses após a independência) mas continua perfeitamente actualizada.



"A recente independência  nacional de S. Tomé e Príncipe, e a consequente libertação do nosso povo do domínio colonial português, reforça a afinidade dum passado histórico comum com o Povo Brasileiro, e daí, a razão de ser de uma irmandade que importa  reviver, sempre que possível, para se reforçar" -

Assim, aproveitando a travessia  atlântica do camarada Jorge Trabulo Marques, que servindo-se de uma simples canoa, vai percorrer  o mar, de S. Tomé ao Brasil, evocando a rota por que, na era retrógrada, os escravos eram conduzidos  para as plantações  da cana do açúcar, o povo de S. Tomé e Príncipe, representado pela sua vanguarda revolucionária,  o MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE (MLSTP), saúda fraternal e calorosamente, o povo irmão do Brasil" - Excerto
No dia 3 de Dezembro de 1975, quatro anos antes de Teodoro Obiang Nguema Mbasogo,  ascender ao poder., havia-me chamado ao seu gabinete para saber a razão pela qual me havia metido num "canuco" e desembarcado ilegalmente numa das praias, pois o seu tio suspeitava que eu fosse um espião ao serviço do imperialismo americano para recolher secretamente informações e me juntar aos inimigos do povo - Claro, que na cabeça de Macias, não encaixava a ideia de que um europeu pudesse meter-se numa piroga para fazer uma aventura, que não fosse a de ter  sido largado (nas proximidades) por um qualquer navio de guerra inimigo do seu regime.

Se não se desse a circunstância de possuir uma mensagem do MLSTP ao Povo Brasileiro, mas sobretudo graças à   generosa e humanitária compreensão de seu sobrinho, Teodoro Obiang, sim, dificilmente teria  escapado ao fuzilamento. Mesmo quando fui libertado, o seu sobrinho autorizara-me a permanecer na Ilha e até a aceitar o convite (que me havia feito o seu Comissário) para trabalhar nas fincas, dado ser técnico agrícola e ter experiências das roças.  E ele gostar "muito do trabalho que os portugueses, ali haviam desenvolvido nas fincas" - Só que, o ditador Macias, continuava desconfiado e ordenou a minha imediata expulsão - Estava autorizado a sair mas não podia permanecer 

 No passaporte ficaria escrito que tinha quinze dias para partir de qualquer fronteira, mas não foi isso que sucedeu. E a minha sorte foi que nesse dia havia o avião da Ibéria, quando não teria que sair a nado - O pior é que ninguém queria pagar-me a viagem. E  o avião não podia levantar voo sem mim. Foi um dilema para o comandante, que só foi resolvido duas horas depois da hora prevista da partida - Mas isso dá outra história.


 CONFIRMARAM-SE OS MEUS RECEIOS   PARA NÃO APORTAR NAQUELA ILHA


7 de Novembro, 1975 - Ao 18ª dia, de facto, não tinha a menor dúvida: eu via perfeitamente os contornos de uma grande ilha – E só podia ser Bioko , antiga colónia espanhola, “descoberta” , em 1471, pelo navegador português, Fernando Pó -  Pareceu-me que não estava muito longe desta ilha, e, talvez, se eu naquela tarde, erguesse a vela, possivelmente os ventos e as correntes me arrastassem para lá, mas tive medo que me prendessem e hesitei – Tendo, porém, acabado por ali acostar, 20 dias depois, ou seja, ao 38º dia, já no limiar da minha resistência física, onde fui tomado por espião, algemado e preso. Antes de  transcrever o que registei no pequeno gravador, referente ao 18ºdia, vou aqui recordar o drama que ali vivi.

Na verdade, após ali ter ido parar, depois dos longos 38 dias de solidão no mar, muitos dos quais sem comida e bebendo água das chuvas ou água salgada,  só vim a saber que era a Ilha de Bioko (ex-Fernando Pó), quando me pus a caminho  pelo mato adentro, até à sede de uma Finca (roça). Ali fui bem recebido, porém, quando o sargento da Polícia chegou, tudo mudou de figura - Este desatou logo aos berros a incriminar o funcionário da Finca por me ter acolhido e dado de comer. Seus Traidores! Seus encobridores! - "Amanhã quero que se apresentem no meu gabinete! " mas o encarregado, acabou também por ir no mesmo jipe. Embora, já noite, obrigou-me a ir mostrar-lhe a canoa, que já estava toda desfeita pelo impacto das ondas na areia, e também dado o estado em que já se encontrava; então mais raivoso e desconfiado ficou, pensando que fosse eu que a tivesse destruído e   queria saber onde eu tinha escondido as armas

De regresso à Finca, forçou-me a manter-me  de pé, a ficar em sentido, frente a uma secretária, durante várias horas: às vezes eu caía, pois eu mal podia andar, quanto mais estar de pé, mas ele imediatamente me  puxava pelos cabelos ou berrava - Ponha-se de pé! Respeite a autoridade!! - E lá tinha eu que apelar às forças que me restavam, durante  o tempo em que durou o longo e exaustivo interrogatório e  revistou minuciosamente os poucos trapos que me restavam. Ainda hoje me custa a crer como não me confiscou os rolos e as cassetes - 

  - Eis algumas passagens do pesadelo vivido naquela ilha, descrito mais tarde: "Serão 10 horas da noite, chega finalmente o esperado carro da polícia. Dentro dele saem  dois indivíduos que imediatamente se dirigem para o interior da casa onde me encontro. Entram e limitam-se apenas a dar as boas noites num tom frio e meramente formal. Não estendem as mãos a quem quer que seja.Mostram-se sisudos e com ar de muita importância.Não vêm fardados. Têm, apenas, sobre o bolso da camisa a esfinge do Presidente Macias.Mas o seu aspeto não ilude ninguém.Têm modos duros e a sua presença provoca um certo ar intimidativo e de gravidade nos circunstantes, que .subitamente param de falar e se entreolham como que alarmados. Os que estão sentados têm que se levantar. (...) Reina um ambiente de severa circunspeção. Tudo leva a crer que se vai proceder a uma espécie de julgamento sumário. Sou olhado com manifesta suspeita e desconfiança. Como se acaso se tratasse de um perigoso criminoso.(...)

Sobre a mesa está a relação das minhas coisas e toda a minha documentação pessoal. Começam as primeiras inquirições. Um deles, que presumo ser o chefe, deita-me uma vez mais um olhar severo e principia a mexer na papelada que tem à sua frente. Analisa-a e revolve-a várias vezes, depois volta-se para mim: Que atrevimento foi o teu de vires aqui espionar a nossa ilha?!!...Que barco te largou?!!...Que abuso foi o teu de entrares clandestinamente na República da Guiné Equatorial?!!...Não sabes que te podemos matar?!!...Ou não tens consciência da gravidade do crime que cometestes?!...Vá! Responde!!...

Chefe! Não cometi crime nenhum! Não venho espionar a vossa Ilha.Sou um náufrago!... (...) Não vê que estou com o corpo fraco; já há muitos dias que não como nada e necessitava que me prestassem a vossa assistência, fossem misericordiosos  para comigo  ou me levassem para um hospital.-Não mintas!! Não sejas fingido e mentiroso!!!...Daqui a bocado, já te digo onde é o hospital.

A relação das minhas coisas já havia sido conferida e descriminada  pela Comissão Administrativa da finca, estava tudo anotado. No entanto, ele faz questão de conferir tudo.As cassetes são escutadas uma por uma. Os meus papéis, inspecionados até ao mais ínfimo pormenor. Faz anotações sobre anotações. Verificando que faltam algumas coisas(que havia oferecido aos trabalhadores da finca),ordena ao encarregado que quer o resto das coisas e a presença de todos os indivíduos que as aceitaram.

(...)Passa já da meia-noite. Todos se encontram já deitados em suas casas. São acordados e obrigados  a comparecerem, com o blusão de oleado, a lanterna, duas camisolas e os bidões de plástico. (...) Seus canalhas!! Seus encobridores!... Seus patifes!. Seus traidores! À manhã, pelas 9 horas,quero-os no meu gabinete!"

(...) 
São quatro da manhã. À nossa frente sobressai uma mancha de luzes. Vejo que é  um centro  urbano.Tem aspeto de ser vila ou cidade (presumo  que tenha sido Luba): "Que lugar é este? - indago."¿Por qué?! .. ¿Qué te importa saber eso! - Responde o chefe da polícia. Fica situado à beira-mar, e, pelos barcos pesqueiros que estão fundeados na baía que o ladeia, denota ser um razoável centro piscatório. Após algumas voltas pelas suas artérias, eis que o jipe abranda e sou imediatamente conduzido ao interior de um edifício. É uma esquadra, não tenho a menor dúvida. À porta está uma sentinela e a inscrição: Policia Nacional de Seguridad

Entro para o gabinete do chefe da esquadra, para onde também são encaminhadas as minhas coisas.Fico de pé frente à sua secretária. Momentos depois manda-me descalçar, passam-me as mãos pelos bolsos e ordena que seja conduzido a uma cela.Aberta a porta, sou empurrado de rampelão lá para dentro.Entorpeço e caio.No chão estão algumas pessoas deitadas que não vejo. Debruço-me e tacteio para tentar descobrir um espaço onde possa deitar-me.Mas só toco em corpos, quase amontoados, estendidos lado a lado como se fossem sardinhas enlatadas.De pé não consigo ficar porque me sinto demasiado fatigado.Necessito de dormir de qualquer maneira nem que seja sobre espinhos.Por fim,lá me deito.De lado e com as costas voltadas para a parede.No chão apenas uma esteira a separar a frieza do cimento.Mesmo assim adormeço que nem uma pedra.

Nove horas da manhã. A cela é aberta e somos acordados. Todos me olham estupefactos e surpresos. A minha surpresa também não é menor. Entre os meus companheiros de infortúnio há duas crianças, duas mulheres e quatro homens (trabalhadores nigerianos. As crianças são ainda de peito.Isto impressiona-me, meu Deus 

Ainda no período dessa manhã,   meteram-me numa carrinha, que fazia de transporte público, ladeado por dois polícias armados de metralhadoras, os quais, após ter chegado a  Malabo, me conduziriam à cadeia da morte - Mal transpus o portão, vi logo que estava metido num grande sarilho. O ambiente era de facto sinistro. Ouvi logo gritos de prisioneiros a serem inquiridos e torturados. Os dois policias (que, de resto, até tinham sido simpáticos, tendo-me até comprado umas bananas pelo caminho, por se terem sensibilizado com o meu estado de fraqueza) quando me entregaram aos carcereiros, foi como se me tivessem lançado às feras: agarraram-me pelos braços e  levaram-me aos empurrões até à cela,  visto eu mal poder andar - e ainda para mais algemado.  Aberta a porta de ferro, fui de novo empurrado: as algemas só mais tarde mas retiraram, tendo entretanto urinado nas calças: ou seja,  só me desalgemaram  depois de ter sido submetido a mais um longo e exaustivo interrogatório, após o que voltaram a  encarcerar-me na dita cela de alta segurança, de reduzidíssimas dimensões, na qual dispunha apenas de um balde para as necessidades e de um banco para me deitar, que não tinha mais de metro e meio de comprimento.  Mesmo assim eu era um felizardo: a maioria das celas, só se fosse a esteira que o próprio condenado levasse.

PIOR DE QUE CELA, AUTÊNTICA LIXEIRA DE RATOS E DE CHEIROS NAUSEABUNDOS

Quem fornecia a comida aos prisioneiros, eram os familiares. Lá dentro não havia cozinhas nem refeitórios. Ao lado da minha cela, situava-se a casa de banho dos guardas prisionais,  que me mandava um pivete insuportável, mas que eu não podia utilizar. Havia baratas e percevejos por todos os lados. As ratazanas entravam na minha cela, chegavam a passear-se por cima de mim e a morder-me nos dedos dos pés, quando me deitava - Por vezes no chão, pois não conseguia estender-me e segurar-me no  banco. Também nem sequer dispunha de uma torneira ou de um lavatório. Para beber um copo de água tinha de  o implorar aos guardas, que só mo levavam quando lhes apetecesse. Por outro lado, também tinha de levar com o cheiro das minhas fezes, pois, só de manhã eram recolhidas. Como se não bastasse o estado de desnutrição, que quase me arruinara, tinha agora que levar com os suores e cheiros do meu corpo, pois não tinha onde me lavar. Daí que, quem ali desse entrada, não tardasse a que, ao fim de alguns dias, tivesse a sensação de que, em vez do prisioneiro se sentir um ser humano, se identificasse como um pária e ficasse assim mais propenso a aceitar a condenação como um castigo justo e inevitável. Felizmente, nunca me deixei abater, porque, as adversidades do mar, me haviam  preparado para todo o tido de dificuldades, no entanto, a passagem por aquela prisão (breve é certo) constitui uma marca negra nas minhas recordações da Guiné Equatorial e na minha vida.

MAS QUE MAL TERIA FEITO EU, PARA, APÓS OS 38 DIAS DE SOFRIMENTO  NO ALTO MAR, DAR ENTRADA NUM PRESIDIO DOS CONDENADOS À MORTE?!... - CHEGUEI MESMO A PENSAR SE NÃO TERIA VALIDO MAIS A PENA TER FICADO NA BARRIGA DE UM TUBARÃO.





Naquela altura, o pior que me poderia acontecer era acostar em qualquer ponto da Guiné Equatorial, ou nalguma das suas Ilhas ou no continente. Eu sempre pensei que os maiores riscos, não eram tanto as dificuldades no mar, mas a grande incerteza das condições em que poderia ser recebido onde fosse aportar. Quando fiz a viagem de São Tomé à Nigéria, depois de 13 dias solitários no mar, eu não fui maltratado mas não me livrei de ter sido privado da minha liberdade durante 17 dias, após o que me repatriaram para Portugal -  Na viagem dos três dias de São Tomé ao príncipe, fui preso e espancado pela PIDE - Ó sorte macaca! Que no mar me protegeste  e em terra me abandonaste!

"QUE ATREVIMENTO É ESSE!!" - QUASE ME IAM MATANDO QUANDO HASTEEI A BANDEIRA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Na viagem à Nigéria, levei as duas bandeiras: a de São Tomé e Príncipe e a de Portugal Mas, nesta viagem,  apenas levei o pavilhão do jovem país independente aonde regressei sem um centavo na algibeira, onde encontrei todo o apoio que precisei para mandar construir a canoa e para a aparelhar.- Sim, e donde parti para grande aventura.  No meu cárcere, em Bioko, um de dia resolvi hastear a  Bandeira Nacional de São Tomé e Príncipe,  - Quando o carcereiro, que, de volta e meia vinha  espreitar a minha cela, topou, mas que heresia!... Foi buscar imediatamente a chave da cela e, ao entrar lá dentro, deu-me um empurrão contra a parede, e, ao mesmo tempo que agarrava nela e a amachucava, levando-a, berrava: Su mercenário! ¿Qué descaro!! Qué falta de vergüenza!! - Não posso dizer que fosse  agredido fisicamente, mas humilhado e submetido a uma incerteza psicológica terrível. É que, após ter dado entrada naquele maldito presídio de condenados à pena capital, contava sempre com o pior: de resto, os presidiários que me visitaram pela janela e me levaram comida, avisam-me logo, com esta pergunta: "És político?!..- A que eu respondi: "Não!" Diz um deles: "Então talvez te safes. Mas não digas mal do Presidente, senão... podem decapitar-te!

Na manhã do dia 3 de Dezembro, quando menos esperava, um carcereiro chegou à porta da minha cela e disse-me que tinha de me levar ao Senhor  Alto Comissário da Polícia - E foi  por intermédio dele que fui conduzido ao gabinete do então supremo comandante das policias e das forças armadas, que me recebeu,   inicialmente de forma austera e desconfiada,  após o que, ao sentar-se na sua cadeira de vime(enquanto eu permanecendo sempre de pé e à sua frente) o fez de forma mais descontraída e simpática: "que se passa contigo?!... Porque te meteste num canuco e que vieste aqui fazer?!" - Bom, lá tive que voltar  a repetir o que já havida dito várias vezes, que não era espião e as razões pelas quais me havia metido na canoa e ido ali parar - Mas quando o vi soltar uma gargalhada e pedir-me para que lhe contasse mais alguns pormenores dos meus longos dias no mar, disse cá para os meus botões: este é dos meus!... Estou a ver que está a gostar da minha aventura.  Por volta do meio-dia, depois de me ouvir, ordenava ao Comissário para me soltarem.

POUCOS  DIAS DE CATIVEIRO, MAS AUTÊNTICAS ETERNIDADES - QUEM NÃO RECEBESSE COMIDA DO EXTERIOR, MORRIA DE FOME

A cadeia não fornecia  alimentação: tinham de ser os familiares. Nos primeiros três dias, quem me passou alguma comida (massa de mandioca, regada com  óleo de palma, que mais das vezes a vomitava para a lata das necessidades, pois eu estava magríssimo e, o meu estômago, já não estava habituado a comer alimentos sólidos, há muitos dias), sim, quem me deu alguma comida,   foram os próprios condenados, que trepavam curiosos à minha janela gradeada, durante o curto recreio que dispunham, num átrio para a qual a  minha cela estava voltada. Creio que, naquela altura, devia ser o único europeu preso. Agora, depois que houve por lá uma tentativa fracassada de Golpe de Estado, em Março de 2004, estão lá presos alguns dos implicados. Mas nada que se compare às tenebrosas condições daqueles tempos.  

Nos dias seguintes, passei a receber uma cestinha, com frutos e outros alimentos, por parte  do barbeiro do Presidente Nguema, um amável são-tomense, que era também o representante diplomático e que ali tinha ido a seu mando para  recolher informações a meu respeito - E, se não fosse o facto de ter comigo uma mensagem autenticada pelo MLSTP, que lhe entreguei para a mostrar a Nguema, dificilmente de lá sairia vivo - A mensagem  destinava-se a saudar o Povo Brasileiro,  viagem que não consegui realizar, pelo facto do comandante do pesqueiro americano se ter recusado a deixar-me na corrente equatorial, mas junto à Ilha de ANO BOM, onde os ventos e as correntes tomavam a direção Norte, tendo, nessa mesma noite, sido surpreendido por um violento tornado, que me fez perder a maior parte dos alimentos e apetrechos 


Quem entrasse naquela cadeia, entrava para a lista da morte. 

Eu bem me apercebi dos gritos lancinantes e de terror dos  pobres infelizes, que, depois da meia noite, eram executados, não pelas balas (que isso fazia demasiado barulho e ficava caro, pois, naquela altura, o petróleo, ainda não tinha ali feito jorrar milhões de dólares, sendo então considerado o país mais oprimido e miserável de África) mas por garrotes de asfixiamento!. Dessa sina, felizmente, lá me safei, graças a Teodoro Obiang  - Quando ele veio a Lisboa, por ocasião de uma Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que decorreu no Centro Cultural de Belém, eu dirige-me lá para lhe agradecer pessoalmente o seu gesto. Estou convencido, que, por vontade do seu tio, eu era fuzilado, dado o estado demência e de paranóia, como Macias dirigia o seu país. Bastava-lhe sonhar que um ministro o queria trair, para o mandar logo matar.

Não é seguro que aquela minha hesitação, ao 18º dia, fosse a causa de eu vir a ter que enfrentar mais duas dezenas de dias de um longo e penoso calvário, quando, afinal, tinha ali a Ilha à vista. Fosse como fosse,   levar-me-ia a ser balanceado pelos tornados para todos os quadrantes, que,  sobretudo na época das chuvas – fustigam aquela turbulenta zona do Golfo da Guiné, logrando apenas ali aportar após uma exaustiva luta de sobrevivência – E, ironia das ironias, supondo tratar-se de algum pacifico recanto da costa africana.  Mas era realmente Bioko, conhecida, naquele tempo, por Ilha do Paraíso nas Mãos do Diabo.

DÉCIMO OITAVO DIA – MAIS UM BARCO PASSOU A ESCASSA DISTÂNCIA DA MINHA CANOA E ME IGNOROU 

Diário de Bordo 1 - Hoje perfaz 18 dias que ando na canoa “São Tome” (Yon Gato) . Estou próximo da Ilha de Fernando Pó. Vejo-a perfeitamente. Estou a evitar, tudo por tudo, para não ir dar lá. Aliás, se pusesse a vela, o vento arrastar-me-ia, inevitavelmente. Também as correntes me estão a puxar na mesma direção. Vejo lá um barco próximo. Estou aí a umas 15 milhas, possivelmente.

De noite, não choveu mas o mar esteve muito agitado. E eu tive de estar muito atento para evitar ser abalroado por algum barco ou para ver se me aproximava de terra - Dada a extensão deste post, os pormenores, relativos ao 18º dia, foram transcritos para  a postagem seguinte  NÁUFRAGO - 18ª DIA 



 NEO-COLONISMO NÃO DESARMA - AS ILHAS DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE TAMBÉM ERAM O ALVO DA GULA NEOCOLONIALISTA

 "O Sunday Times de Joannesburgo noticiou (...) a tentativa dum golpe de estado em Guiné Equatorial era só uma parte dum plano maior para tomada de poder neste país, em São Tomé e  Príncipe e Príncipe e no  DR Congo". São Tomé alvo de ataque por Espanha?

Mais uma vez, as potências externas  em vez de  contribuírem para o desenvolvimento do processo democrático dos países africanos, optarem pelos jogos de poder. Foi assim que começou a guerra do Biafra. Muitos dos mercenários, que tomaram parte no fracassado Golpe de Estado, encontram-se ainda detidos na prisão da Praia Negra, conhecida Black Beach prison

"Convém enfatizar que a avaliação  do governo de Obiang não pode ser feita, como pretendem alguns, comparando-os com os 11 anos de governo de seu tio, Francisco Macías Nguema, primeiro presidente do país centro-africano, logo após sua independência da Espanha, em 1968. A sangrenta ditadura de Macías foi de um horror e de uma crueldade indescritíveis"....Guiné Equatorial, apreciada pelo petróleo e criticada pela ditadura 

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