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Entre outros assuntos, falo da escalada ao Pico Cão Grande e das minhas aventuras em canoas – Visam defender a teoria de que antigos povos africanos, podiam ter sido os primeiros povoadores das Ilhas do Golfo da Guiné, antes dos colonizadores – Parti à meia-noite, disfarçado de pescador, ligando a ilha do Príncipe. Para me orientar, uma rudimentar bússola – A canoa era minúscula, à segunda noite adormeci: rolei na escuridão das vagas. No regresso fui distinguido com sopapos da policia salazarista, enviado para os calabouços – Cinco anos depois, numa piroga maior, fiz a ligação São Tomé-Nigéria. Partindo igualmente à noite, 13 dias depois atingia uma praia de Calabar, tendo sido detido 17 dias por suspeita de espionagem. - No mesmo ano, já com São Tomé e Príncipe independente, tentei a travessia São Tomé ao Brasil, usando os mesmos recursos. Além de pretender reforçar a minha teoria, desejava evocar a rota da escravatura e repetir a experiência de Alain Bombard. Porém, quis a ironia do destino que vivesse a difícil provação de um naufrágio de 38 longos dias, tendo aportado numa praia de Bioko (Bococo)onde fui recambiado para a famosa prisão de Black Beach

domingo, 3 de fevereiro de 2019

SÃO TOMÉ – Decorre hoje a comemoração do 3 de Fevereiro de 1953 - Dia dos Mártires da Liberdade - Todos os caminhos vão desembocar a Fernão Dias - Em memória das vitimas do Massacre do Batepá.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e análise  -

BATEPÁ  EM S. TOMÉ - HÁ 66 ANOS  -  HOJE DECORRE A MARCHA DA LIBERDADE  -  RECORDAMOS-LHE A  TRÁGICA EFEMÉRIDE E A CRONOLOGIA DE UM BARCO DE MÁS MEMÓRIAS - QUE PODIA TER DESPEJADO NO ALTO MAR CERCA DE CENTENA E MEIA DE SERES HUMANOS  - A tripulação, maioritariamente negra,  opôs-se, liderada por um corajoso cabo-verdiano, obrigando o comandante a deixar os desgraçados na Ilha do Príncipe - Mais tarde, pagaria por alto preço a sua heroicidade e seria preso no Tarrafal

- O Capitão Salgueiro Rêgo, Comandante da Polícia, naquela altura, contrário às barbaridades, foi expulso pelo Governador.  - Porém, mais infeliz fora ainda o misterioso desaparecimento do inspetor do Banco Ultramarino, um alto brigadeiro, 36 horas depois de ter embarcado, no navio Benguela, de regresso a Lisboa, vindo de uma inspeção algo delicada – É do que lhe contamos falar em próximo post



Imagens de há três anos

Comemora-se, hoje, um  dos acontecimentos mais trágicos da colonização, que,, tradicionalmente, têm inicio pela manhã, com  a grande marcha da liberdade a partir da capital São-Tomé até, a zona de Fernão Dias, distrito de Lobata, no memorial do histórico Massacre-53, local onde decorrem as cerimónias evocativas, com a participação das principais autoridade da Nação e os sobreviventes, que resistiram às enormes sevicias  e brutalidades, ceifando a vida de muitos nativos da ilha de São-Tomé que se oponham as ações do então governador português Carlos Gorgulho, nomeadamente, às rusgas pelo interior da ilha, com o propósito de forçarem, quem encontrassem ao  trabalho forçado nas roças e nas obras públicas

A  data do 3 de Fevereiro,  simboliza, pois,  a determinação, o patriotismo e a coragem de muitos compatriotas  santomenses, visto ter sido na noite do dia 2 para o dia 3, que, na Vila da Trindade e arredores,  foi desencadeada a repressão, mais violenta, por várias milícias de colonos, mobilizados sobretudo nas grandes propriedades agrícolas,  sob o pretexto de que, os nativos estavam a ser instigados por uma “revolta comunista e, cujo triste epílogo,  haveria de culminar no chamado campo de concentração de Fernão Dias, palco  de hediondos massacres, dirigidos pelo criminoso José Mulato, retirado da prisão, onde cumpria longa pena de homicídio, para desempenhar o papel do carcereiro-carrasco. 

ACTUALIZAÇÃO   - Diz noticia da agência STP-Press   "A energia da juventude brilha marcha da liberdade em honra dos heróis de 53 – Sem a presença do PR Evaristo Carvalho, por razões de saúde


São-Tomé, 03 Fev (STP-Press)  – “ Essa energia da juventude é uma espécie de lava que se bruta de um vulcão adormecido” – declarações do primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bom Jesus sobre a forte adesão juvenil esta manhã na marcha da liberdade que partiu da capital até a Fernão Dias, por ocasião de 03 Fevereiro, dia  dos heróis da liberdade que se comemora hoje no arquipélago.



Encabeçada pelo ministro da Juventude, Vinício de Pina e pelo ministro do Trabalho Adlander Costa Mato, a tradicional marcha da liberdade iniciou esta manhã por volta das 6:30 da capital de São Tomé e terminou na Praia Fernão Dias, onde acolheu o acto central, presidido pelo presidente do Parlamento, Delfim Neves na ausência do Presidente da Republica, Evaristo Carvalho.
http://www.stp-press.st/2019/02/03/energia-da-juventude-brilha-marcha-da-liberdade-honra-dos-herois-53/
 

STP-Press
PRESIDENTE EVARISTO POR RAZÕES DE SAÚDE  - O Presidente da Assembleia Nacional, (Parlamento são-tomense), Delfim Neves presidiu esta manhã o acto central de 3 de Fevereiro, Dia  dos heróis da liberdade, em cerimónia marcada pela ausência do Presidente da República, Evaristo Carvalho conforme estava previsto no programa de comemoração deste 66º aniversário do histórico Massacre de 1953. http://www.stp-press.st/2019/02/03/presidente-do-parlamento-preside-cerimonia-3-fevereiro-dia-dos-herois-da-liberdade-na-ausencia-do-pr/

Jorge Bom Jesus, recordou-se o dia 3 de Fevereiro de 1953, dia do massacre de Batepá e alertou que, caso o povo não trabalhe, poderá perder a liberdade e o pais poderá regressar ao trabalho forçado. https://www.rtp.pt/noticias/mundo/stome-e-principe-recorda-o-massacre-de-batepa_v1127115

Imagem editada hoje pelo Jornalista Adilson Castro


3 de FEVEREIRO DE 1953- 3 de FEVEREIRO DE 2019,-(66 Anos): 
Assim foi a minha caminhada a partir das 6h:30 minutos este domingo 3 de Fevereiro desde a histórica Praça da Independência, na capital de São Tomé, num percurso de 17 Km rumo a Praia Fernão Dias em homenagem aos Mártires da Liberdade Guerra de 53, o chamado, Massacre de Batepá.  - Adilson Castro


Um local pantanoso, infestado de mosquitos, embora a escassos metros da praia, onde muitos presos, ou  eram imediatamente acorrentados e lançados ao mar ou, ainda sob o peso de fortes grilhetas,  obrigados a carregar pesadas tinas de água ou grandes blocos de pedra, por forma a que o seu extermínio ainda fosse mais doloroso, porque física e psicologicamente mais sórdido e lento, quando não sufocados pelo terreno movediço da lama para onde também eram atirados ou mortos vivos em valas abertas pelos próprios prisioneiros, que eram obrigados a cavar a sepultura, sob as prepotências e as arbitrariedades de um contratado angolano, um tal Zé Mulato, um inqualificável verdugo que  que as autoridades foram buscar à cadeia,  onde  cumpria pena de assassínio, para chefiar o dito campo de morte. 

Em 1974, entrevistei algumas das vítimas para a revista Semana Ilustrada, de Luanda, uma das quais ainda  com feridas por sarar numa das pernas, com que foi acorrentada - . Trabalhos jornalísticos esses que me haveriam de custar graves dissabores, violentas reações por parte, de alguns colonos. que me furaram os pneus do meu carro à navalhada, penduraram uma forca na porta de minha casa e me agrediram selvaticamente, tendo sido forçado a abandonar a Ilha numa frágil piroga em direção à Nigéria, viagem que, desde alguns anos, tinha em mete realizar para comprovar que as ilhas poderiam ter sido povoadas por canoas, vindas da costa africana, mas que acabaria por transformar-se numa fuga para não ser morto. 


Escasseava a  mão de obra barata..E o governador planeava construir grandes edifícios à custa do trabalho forçado nas ilhas e  mandou o ajudante de campo armado em soldado nazi a comandar um grupo de milícias para  ordenar o trabalho obrigatório.. Num verdadeiro retorno aos primórdios do ignóbil e duro esclavagismo, até que,  numa remota aldeia perdida no mato,  algures pela Vila da Trindade, alguém se encheu de coragem e reagiu sobre o fogoso e arrogante alferes, que teve a reação popular que merecia  e à altura da leviandade e do desprezo como olhava a  população  e impunha  a sua vontade .

A partir daí o Governador  Gorgulho -  para salvar  a face dos seus desmandos e  prepotências, e, como os grandes erros, nunca vêm sós, para justificar uns cometia outros, cada vez mais graves.  passou acusar os "rebeldes" de comunistas, através da imprensa e da rádio.   E não tardou que os colonos - incentivados  ao ódio à  dita   "hidra comunista", respondessem ao apelo dos muitos boatos propalados

"Há notícias de que foram avistados submarinos soviéticos ao largo e descarregadas armas para apoiar a revolta  dos negros insurretos contra a integridade desta província ultramarina!"  - Foram detidos e presos vários suspeitos. O governo promete firmeza  e mão pesada aos criminosos! . Por toda a ilha mobilizam-se milhares de voluntários."
- E, quilo que  poderia ter sido um caso isolado, depressa é rotulado de rebeldia comunista.

Face a tais atoardas e  falsos alarmes, as roças  passam ao ataque: empregados de mato e dos escritórios, feitores e administradores - e até capatazes negros -partindo em jipes de todas os cantos da colónia, concentraram-se na Trindade, e, fortemente armados,  dirigem-se através dos caminhos do mato ao Batepá, descarregando  tiroteio forte e feio, (naquela e noutras aldeias) sobre as populações indefesas e pacíficas - mães com os filhos às costas,  homens,  mulheres e inocentes criancinhas, e até porcos, cabras e galinhas -, tudo é imediatamente alvejado e varrido!

Tudo quanto é vivo e apanhado pela frente,  é vítima das maiores  atrocidades e dos disparos mortíferos das velhas máuseres alemãs hitlerianas - herança do nazismo.  A  fúria assassina só terminou, quando, em escassos cinco dias, rapidamente todas as munições se esgotaram na ilha- Para trás, ficava um autêntico banho de sangue, aldeias totalmente queimadas e destruídas e inúmeros cadáveres estendidos sobre o chão fértil e verde  da luxuriante floresta. E a paz , que ali reinava dantes, dava lugar a um autêntico cenário de horrores: 

 SOBREVIVENTE - A DOR QUE O TEMPO AINDA NÃO APAGOU - ESPANCADA À CRONHADA DEPOIS DE LHE METEREM A CABEÇA NUM TANQUE DE  ÁGUA - Era menina e estava grávida.


Ainda  jovem, e  mesmo grávida, não foi poupada à brutalidade facínora das ordens do então Governador Carlos Gorgulho: arrastada à força de sua casa, levada para um calabouço na então Vila de Trindade, espancada barbaramente, Primeiro deu-se o saque às casas: carregaram o que puderam dos modestos teres e haveres, após o que as incendiaram.






Maria dos Santos, mais conhecida por Mena, agora com 80 anos,  é um  dos rostos debilitados, que ainda hoje espelha o testemunho do incomensurável sofrimento, angústia e lágrimas, por que viveu há 62 anos, - É uma das mártires, ainda sobrevivente dos hediondos massacres de Batepá, que tiveram inicio nos horrores da longa e pavorosa noite de 2 para 3 de Fevereiro de 1953 e que iriam prolongar-se nos ignóbeis espancamentos e torturas,  até à morte, infligidos  a centenas de santomenses, em terríveis interrogatórios, desde brutais choques elétricos, à violenta palmatoada, ao chicote, cacetada e cronhada, a soco e a pontapé,  quer  no afrontoso cárcere da prisão local,  onde os presos, coabitavam  exíguos e afrontosos espaços, em deploráveis e nauseabundas condições higiénicas, quer numa das salas da Fortaleza S. Sebastião (a capitania dos Portos), transformada em laboratório   ao estilo da Gestapo hitleriana, sob a batuta do  famigerado médico Aragão, locais donde partiam para o Campo de Concentração Fernão Dias   

Memórias do hediondo Massacre do Batepá 




Imagens e palavras de um abominável massacre. O pai de Teresa, esposo de Maria dos Santos, , também vitima da mesma barbárie, depois de lhe terem queimado a casa e o carro (que saquearam antes de a incendiarem) ainda procurou refúgio no mato mas foi apanhado, preso e enviado para o Campo de Concentração de Fernão, onde acabaria por embarcar, com mais 120 homens para serem lançados ao mar, no barco António Carlos. Tal porém não sucederia por  a tripulação do navio se ter oposto - Um desses  homens era o cabo-verdiano, Bernardino Lopes Monteiro, pai  do Coronel Victor Monteiro Dias,  




 CRONOLOGIA DE UM BARCO DE MÁS MEMÓRIAS  - NÃO LANÇARAM 12O HOMENS AO MAR PORQUE A TRIPULAÇÃO SE OPÕS  - AS MACABRAS OPERAÇÕES DO NAVIO ANTÓNIO CARLOS NO PERÍODO COLONIAL 

"António Carlos" - navio  de carga e passageiros,  que, durante o fascismo colonial salazarista,  além de ter servido para transportar mercadorias diversas, também chegou a ser usado para transporte de prisioneiros, havendo ainda o  testemunho de que, numa carga humana de 88 prisioneiros,  carregada da colónia penal do Campo do Tarrafal – para ser transportada de volta  à Guiné-Bissau, após vários anos de dura pena, metade dos quais, acabaria por não chegar ao destino: ou seja, foram lançados ao mar, tal como se pode deduzir do testemunho de um tripulante português, que adiante vou aqui transcrever,

Em Fevereiro de 1953, cerca de centena e meia  de santomenses, iam ser largados no mar  por ordem do Governador Carlos Gorgulho, que quis  levar a cabo mais uma das suas macabras operações de liquidação do povo nativo destas ilha, pretendendo lançar ao mar quase uma centena da elite nativa santomense, que apelidara  de “comunistas” 

Tal não ocorreu,  porque, a tripulação liderada pelo imediato Bernardino Lopes Monteiro,  se sublevou, impedindo a consumação do perpetrado e afrontoso crime, ordenado pelo déspota ditador 


Porém, pelo que nos é possível depreender, a  mesma sorte não contemplaria  um punhado de prisioneiros de guerra guineenses, que, anos mais tarde, já no período da  resistência à ocupação colonial, embarcados no Tarrafal, neste mesmo barco,  depois de  engaiolados em sufocantes porões, não lograriam regressar à terra natal - É o que lhe revelo no capitulo seguinte. 

OUTROS INDÍCIOS HISTÓRICOS DO BARCO “ANTÓNIO CARLOS” VÃO AO ENCONTRO DA MONSTRUOSIDADE PERPETRADA  PELO GOVERNADOR CARLOS ORGULHO

Procurei ver nos arquivos o que se podia saber do passado “histórico” deste barco mas apenas deparei com informações técnicas e das viagens que fazia, entre a “metrópole” e as colónias

Todavia, através de uma pesquisa na Internet (que cada vez mais se vai revelando o maior arquivo informativo planetário) pude também ficar a saber que não foi apenas o cabo-verdiano, Bernardino Lopes Monteiro, que ali chegou a prestar  serviço como imediato, houve outros seus patrícios, que também por lá andaram na estiva. 

De resto, depreende-se que talvez tenha sido por esse facto, que,  juntamente com outros cabo-verdianos da mesma generosidade  e valentia, haja conseguido sucesso  com a sublevação a bordo,  levando o  comandante a demovê-lo de tão macabras intenções, obrigando-o a alterar a rota: em vez de se dirigir para sul, rumo a Angola (e despejar os pobres desgraçados), logo que perdesse a ilha de vista e quem sabe se mesmo a horas mortas,  a passar primeiro pela Ilha do Príncipe, e a deixá-los ali.

Atente-se neste comentário no blogue  FINISTERRA – acerca do barco “António Carlos”

Anónimo disse... 

Há muito tempo queria conhecer este navio, foi dali que veio o meu nome de nascimento, Em 20 de Dezembro de 1966 quando o meu pai trabalhava como estivador, no cais de Pedra de Lume - Ilha do Sal Cabo Verde, e prometeu que se eu nascesse naquele dia e se fosse um homem , o meu nome seria António Carlos, hoje tenho grande orgulho deste nome http://cabodofimdomundo.blogspot.pt/2008/03/navio-de-carga-antnio-carlos.html

NOUTRO BLOGUE O COMENTÁRIO   AINDA É MAIS RELEVANTE

Ou seja, a confirmação de que o barco era também usado para transporte de prisioneiros e que deixara atrás de uma das suas viagens  uma gravíssima onda de suspeição:

Pois é dito o seguinte: “Foi a bordo deste navio que melhor conheci Bissau, e o seu "Tanque de água" onde registei um dos inesquecíveis momentos na vida de um marinheiro. Foi ainda a bordo deste mesmo navio que nos deslocámos de Bissau a Cabo Verde (Tarrafal, na Ilha de Santiago) para ali embarcar supostamente 88 ex-prisioneiros de guerra, mas por razões que nunca cheguei a saber apenas 44 voltaram para a Guiné (***).

Era então Comandante do António Carlos o conhecido e odiado pelas gentes da outra banda, o  "Herói do Barreiro"... Estou a falar-vos do longínquo ano de 1964
.

"Navio de carga e passageiros a motor, construído de aço, em 1946-1947. Nº (…)no Estaleiro Naval da A.G.P.L. em Lisboa, pela CUF - Companhia União Fabril (construção nº. 120), para a Sociedade Geral de Comércio, Indústria e Transportes. (…)  quilha do ANTÓNIO CARLOS foi assente a 14-02-1946 e o navio foi lançado à água a 27-07-1946 pelo Presidente da Republica António Óscar Fragoso Carmona. Entregue ao armador a 24-11-1947 e registado em Lisboa a 6-01-1948. Saiu de Lisboa na primeira viagem a 12-01-1948, para Leixões (13-01/ ) e Casablanca (21-01/ ), regressando ao Tejo a 1-02. Em 14-02 largou de Lisboa na primeira viagem a Cabo Verde e à Guiné. A 31-08-1950 teve a arqueação rectificada para 1.814 toneladas de arqueação bruta e 985 toneladas de arqueação líquida. Em 1959 o navio esteve fretado ao ministério do Exército para transporte de tropas e material de guerra (portaria nº 17.299 de 18-08-1959). A 10-12-1969 sofreu uma colisão com o navio holandês BOVENKERK (8.670 TAB/1960) no rio Elba, quando seguia viagem de Lisboa para Hamburgo, registando-se avarias graves a meio navio. – mais pormenores em DICIONÁRIO DE NAVIOS PORTUGUESES

 CORONEL VITOR MONTEIRO, FILHO DE BERNARDINO LOPES MONTEIRO - ELE CONTA O QUE LOGROU APURAR DE SEU PAI - OUÇA AS SUAS PALAVRAS  E NÃO  DEIXE DE REFECTIR 





Nascido na Ilha do Fogo, em Cabo Verde,  mas foi em S. Tomé que, Bernardino Lopes Monteiro,  pai do Coronel Victor Monteiro, acabaria por viver a maior parte da sua vida, tendo falecido em 1971, com 63 anos de idade, como que ostracizado  na enfermaria geral do Hospital Central, devido a problemas de saúde, contraídos pelos muitos trabalhos e vicissitudes por que passara, sobretudo quando esteve preso no Tarrafal e também por nunca  virar a cara às adversidades, às  constantes labutas e revezes da vida. 
O Dr. Leão, seu amigo, que conhecera em Cabo Verde, ainda diligenciou para que fosse internado   na enfermaria onde ele prestava assistência, na da 2ª classe, mas não foi autorizado, com alegação de que, “esse senhor tem a cor branca mas não é branco e trabalhou na roça.”  

Nunca confessou ou pretendeu gabar-se  publicamente do seu feito heróico, pois é da simplicidade que geralmente é feita a gesta dos grandes espíritos  - Além disso, sabia que era um risco que poderia incorrer, quer na Roça, quer por parte das autoridades coloniais. No entanto, nem assim se livrou de estar sob a lupa da PIDE-DGS, por evidenciar um nível acima da generalidade dos contratados, o que era sempre motivo de desconfiança, num regime que pretendia dominar através da submissão e da ignorância 

Tais histórias, que poderiam ser motivos épicos das aventuras do pai para contar aos seus filhos, estes apenas vieram a saber, quase de surdina, quando ele recordava essa façanha (passada a  bordo do barco António Carlos), a sua mãe, a grande confidente e amor da sua vida,  que namorara  no Tarrafal, onde as suas vidas se haviam cruzado.

 No entanto, havia um grande amigo, que era também seu primo, por parte da sua esposa, a   quem confidenciara, tais atribuladas aventuras, foi  ao Sr. Domingues Martins,  conhecido por "Pômpi"quando ambos se encontraram  no Tarrafal

Mesmo assim, pese o facto do segredo ter ficado  restringido aos  seus familiares e amigos mais íntimos, ainda chegou a estar sob mira das autoridades coloniais, nomeadamente a repressiva PIDE-DGS, que, por via da vasta rede de bufos que dispunha, lograra saber, que, além de evidenciar uma personalidade afável mas não a de escravo submisso, sim, que haveria algo no seu passado, não inteiramente grado ao regime

E, pelo que pude apurar, só  não o prenderam ou não mandaram de  volta ao Tarrafal, graças aos bons ofícios do coração generosos do médico português, Dr. Boticas e da médica santomense, Dr. Julieta.

 REVELAÇÕES DE DOMINGOS VAZ MARTINS - CONHECIDO POR PÔMPI" - A que já me referi neste site, em 1 de Fevereiro de 2015 - E cujo texto, vídeos e imagens passo a transcrever 




Atualmente a morar no Pantufo, onde me foi apresentado pelo Coronel Victor Monteiro, aquando do meu regresso a S. Tomé, 39 anos depois. 

E é realmente espantosa a revelação, que me fez no surpreendente e amável dialogo que tive oportunidade de ter com ele e de o poder gravar em vídeo,  pois estou certo que o seu testemunho poderá contribuir para um mais aprofundado esclarecimento, sobre a cruel brutalidade, os bárbaros desígnios, com que,    em Fevereiro de 1953, o então Governador, Carlos Gorgulho,  pautara a sua criminosa conduta,  quer  no campo de concentração de Fernão Dias e  nos brutais interrogatórios, com os presos algemados e submetidos choques elétricos na Fortaleza de S. Jerónimo, quer ordenando para que,  cerca  centena  e meia de  filhos da terra, a pequena elite nativa, mais destacada, fosse  embarcada para ser atirada ao mar e afogada.

Dizia-me ele o seguinte, referindo-se  às confissões que lhe fizera o seu amigo e compatriota, Nhô Novo:

"Ele disse-me que o branco queria jogar os presos no mar. Então ele não aceitou. Nhô Novo  não ficou contente com aquilo”, opôs-se: “Disse que é gente como nós. Não pode atirar ao mar, é pecado! Talvez seja por isso que puseram na cadeia de castigo. Discutiu e disse-lhe que não podia jogar os homens ao mar dessa maneira
 

Nhô Nôvo – Estava preso no Tarrafal com outros presos, na construção de estradas 

Domingos Vaz Martins, 75 anos, com habilitações muito acima da esmagadora maoira Natural da Ilha de Santiago. Veio para S. Tomé, como contratado para trabalhos nas plantações da Roça, nos porões do navio Ambrizete e por cá ficou.  Conheceu o Nhô Nôvo na colónia Penal do Tarrafal, no local onde iam “apanhar água”, Soube, então, como ele era mais instruído de que outros presos africanos, com os quais trabalhava na construção de estradas, que lhe deram o posto de cantoneiro. Mais tarde, reencontraram-se, ambos  na Roça Rio do Ouro.

O SORTILÉGIO DE S. TOMÉ – FASCINARA NHÔ NOVO 

Nnhô Novo, quando passou pela primeira vez por S. Tomé,  disse que “conheceu um país onde se mete uma mandioqueira e três meses depois tira-se  a mandioca” – Nas ilhas de Cabo Verde, chove muito pouco e a fertilidade e a exuberância de S. Tomé, fascinou-O desde logo. 
AS VOLTAS QUE A VIDA DÁ 

O destino a Deus pertence, determinado e espelhado, certamente,  nos mistérios dos longínquos astros, mal se abram os olhos à luz do dia

E, de facto, os caminhos pelos quais haveria de seguir ou de trilhar ao longo da sua existência, haveriam de ditar que, um humilde filho de cabo-verde, mas já muito esclarecido e instruído para a época, estando  embarcadiço no navio António Carlos , determinariam que  visse a ser o salvador de mais de uma centena de vidas, que, se não fosse a sua determinação e coragem,  iam ser vitimas de infame crueldade

Cumprido a pena de quase dois anos no campo do Tarrafal, pois quis o destino, que, em 1955, voltasse a esta maravilhosa ilha e que  que  acabasse por se fixar até ao resto da sua vida

Inicialmente, na  Roça Rio do Ouro (atual Roça Agostinho Neto), onde também o conheci, quando ali trabalhei, como entregado de mato. 

E, na verdade, nunca mais me esquecerei  daquele homem magro, alto,  quase com perfil de europeu mas, contrariamente à frieza de quem recebia as ordens, ele transmitia outra humanidade - sempre  muito aprumado (postura que certamente  herdara da Marinha) mas evidenciando uma expressão de simpatia para com toda a gente com quem falava ou o abordava. Era o leiteiro da roça, que tomava conta da vacaria e das cabras. 

Contudo, muito embora o não quisesse demonstrar ) ele era mais culto de que o patrão e de que outros empregados, já que aprendera a falar várias línguas – E foram esses conhecimentos que lhe possibilitaram a entrada como imediato do navio António Carlos.


(a linda assoalhada

Porém, 13 anos depois de trabalhar na roça grande, um dia o patrão descobriu que  ele tinha “um sobrado” na cidade, mandou-o chamar  e disse-lhe:  - “Sr. Bernardino! O Sr. vais ser transferido para Fernão Dias”
 Não, Senhor Patrão! Eu não vou para Fernão dias
 -Porquê!?
 -Porque lá tem muito mosquito e não tem luz
- Diz o patrão: olhe Sr. Bernardino! O Sr. parece branco mas não é branco
Nisto, após um curto silêncio, responde:  - pergunta o patrão:
– Então que eu faço consigo?
- Olhe, Sr. patrão: trabalhei durante 13 anos, a dizer, sim senhor. Pois, eu hoje, digo  não Senhor! Ponha-me fora da roça !
- É mesmo isso que vou fazer: e só queria duas coisas. Uma camioneta da roça que me levasse as minhas bagagens para a cidade….
- Diz  o patrão: “Eu sei que o senhor tem um sobrado na cidade”. E outra coisa que o senhor quer?

- Que levasse as minhas limárias – os seus  animais – a  Guadalupe para ali ser vendidos
Responde o patrão: lá não vais vender nada. É tudo vendido a mim por 23 escudos cada peça, seja porco, galinha, vaca ou peru.  

Seu pai deixou lá tudo e veio para cidade. E, quando seu pai, vem para a cidade, lembra-se de que ele queria comprara Roça de Santarém e Cantanhede por 380 contos (1968) e até uma pequena lojinha mas os colonos, não lho permitiram"
Morreu ainda novo porque, embora nunca voltasse a cara ao trabalho, mesmo com a pele clara, como são muitos cabo-verdiano, para o regime colonial ele era negro – E estes, salvo um caso ou outro, eram escravizados.

 CORONEL VITOR MONTEIRO, FILHO DE BERNARDINO LOPES MONTEIRO - ELE CONTA O QUE LOGROU APURAR DE SEU PAI - OUÇA AS SUAS PALAVRAS  E REFLITA


 Desde há muito que, Victor Monteiro (cujo pai  perdeu ainda rapaz, assim como seu irmão, Vital Monteiro, falecido em 1974, em Portugal,)  tem procurado recolher  dados mais aprofundados para comparar ou associar aos que recorda, lá de casa.   No entanto, mesmo tendo pedido colaborações a várias pessoas amigas e a estudiosos,  não tem sido fácil. Por um lado, porque o  seu pai, não gostava de se gabar do seu valoroso gesto, pois certamente  terá compreendido que,  ao defender aquelas indefesas criaturas, rebelando-se contra o seu comandante, não fez mais que um dever de amor ao próximo; por outro, porque, também, se revelasse o que fez, podia novamente  ser preso.

 Pelo que pude constatar, através de seu filho, tem  sido uma quase obsessão. Sempre reconheceu nele um grande lutador, amigos dos filhos e  muito estimado por quem o conhecia - É, de facto, para ele o grande herói da sua vida - E quem é que, tendo-o o conhecido, em vida, como foi o meu caso,  tem dúvidas da sua generosidade, da sua coragem e altruísmo?

ISTO PASSAVA-SE EM 1948 MAS EM 1953 E NOS  ANOS SEGUINTES ERA A MESMA COISA

Leia-se o que disse um alto funcionário da Administração do Ministério do Ultramar, nos finais dos anos 40: (...) “Este assunto merece, porem, uma particular observação, em face de leis gerais que condicionam o trabalho nas colónias. Assim os trabalhadores cabo-verdianos foram transitoriamente colocados sob a fiscalização da Curadoria Geral dos Serviçais e Indígenas por comodidade da administração, em face de trabalharem nas roças em igualdade de circunstâncias com os Indígenas serviçais  sujeitos á tutela curatorial, o que pode acarretar algumas complicações no meio dos agregados  trabalhadores. Por outro lado os nativos de S,Tomé  foram considerados sob a lei do europeu, isto é, retirados de sob a tutela curatorial, quando perante a Carta Orgânica do Império Colonial Português, al'tigo 2462, § Único, devem estar sujeitos ao regímen de índigenato, na sua acepção legal. 

111 - Várias razões têm levado a manter-se este estado de cousas, mas parece-nos necessário saÍr dele, pois que com a evolução civilizadora do indígena, que é o próprio progresso· de colonização, podem estes arranjos de conveniência administrativa, concluído! á margem da lei, acarretar dificuldades e dissabores, se com o adiantamento to dos povos vierem, como é previsível, os agitadores sociais. No caso dos cabo-verdeanos isto não tem importância de maior, dado que a sua permanência em massa na colónia é sempre temporária'.

112 Mas quanto aos nativos já assim não é, trata-se de um povo em adiantado estagio de crescimento na civilização do colonizador a quem não pode impor. Não é um regresso a estágio anterior, desmentindo-se com isso o objetivo máximo da nossa obra de colonização. Afigura-se-nos que a via mais adequada para resolver este problema, e a mais legal, será a promulgação de medidas destinadas a reconhecer ao nativo, individualmente, a sua capacidade de cidadania portuguesa, e nessa cidadania fazer entrar logo de início a grande maioria da população, impondo-lhe a satisfação de certos mínimos de sociabilidade , em especial, a comprovação de meios da vida e de trabalho, admitindo de entrada uma minoria, maia ou menos reduzida, de nativos que ficariam sujeitos á tutela curatorial e regímen e indigenato, até comprovação para entrada no grémio do civilizado. Isto seria o caminho para a situação nítida, perante a lei. 

(…) 120 - ouvi também referências á execução de trabalho compelido para serviços públicos, imposto aos nativos, do que não há conhecimento na Inspecção Superior dos Negócios Indígenas, nos termos do artigo 295• do Código do Trabalho do Indígena , de 6 de Dezembro de 1928.( Do c , 3.4 -, ) 

Constou-me também que na execução desses trabalhos e do trabalho correcional os trabalhadores são entregues á condução de outros preso, muitas vezes criminosos de nomeada, que sobre os trabalhadores exercem grandes violências, 0 que já provocou a intervenção dos médicos do hospital em vista de ali aparecerem gravemente feridos ou contusos dos naus tratos e até por esse estabelecimento correu um processo por estupro na pessoa de uma menor de 11 ou 12 anos, presa ou filha de uma presa, que obrigou a tratamento hospitalar da vitima, praticado por um desses capatazes, preso por assassinato de um filho, tendo o processo sido mandado arquivar, sem qualquer procedimento”

AINDA HÁ MUITO POR DESVENDAR

Dos hediondos episódios,  que ocorreram a partir do dia 3 de Fevereiro de 1953, que ficariam conhecidos por  “Massacres do Batepá, ainda há muito por contar! – Muita matéria  a necessitar de atenção por parte de estudiosos e historiadores, que, de modo algum,  pode ficar no esquecimento.

  E é, pois, também a razão deste artigo, a dois dias da triste data histórica, sobre a qual passam, depois da amanhã,  62 anos – Sim, este o motivo pelo qual trago  ao conhecimento público, o gesto abnegado e corajoso de   Bernardino Lopes Monteiro, que, com a colaboração de outros tripulantes, por se ter oposto a que,  quase centena e meia de homens, fossem selvaticamente lançados ao mar, acabaria  por pagar cara a sua heroicidade, com uma humilhante e duríssima pena de trabalhos forçados (como calceteiro) no temível campo de concentração do Tarrafal, também conhecido pela “frigideira” – O presidiu para onde o regime fascista-colonialista de Salazar enviava os presos políticos

TARRAFAL – OUTRO CAMPO DA MORTE LENTA – NÃO MENOS ESCABROSO QUE O DE FERNÃO DIAS, CRIADO PELO FASCISMO COLONIAL


Do qual  - diz-se - “Os presos, quando não estão na Frigideira, estão nas celas. Estas são separadas, também elas, por portões de ferro, que tudo têm semelhante entre si. Carregam sobre o dorso do metal a dor de seres humanos que transportam a liberdade no seu espírito. Alguns pagam o elevado preço da liberdade com a vida. A morte abraça-os. A frigideira é construída a uma distância considerável de qualquer outro compartimento da “casa da morte”, para que a sombra não proteja os seus habitantes do calor infernal que lá se faz, ficando permanentemente exposta ao raio solar durante o período diurno. No seu interior, só há dois companheiros: a solidão e o silêncio. Campo de Concentração do Tarrafal - Nós Genti Cabo Verde

Foi precisamente nessa tenebrosa prisão, onde esteve desterrado,  Bernardino Lopes Monteiro,  (pai do coronel na reserva, Victor Monteiro, Director do Gabinete do Presidente da República Manuel Pinto da Costa) – Curiosamente, anos depois, quis o destino que  viesse para S. Tomé, na condição de contratado, onde se fixaria até ao seu falecimento, em 1972. Não perca mais à frente os pormenores

BATEPÁ OU MATA-PÁ – A MAIOR NÓDOA DO COLONIALISMO NAS ILHAS VERDES DO EQUADOR

Quando o Governador de S. Tomé e Príncipe, Carlos Gorgulho, e os seus acólitos inventaram a tenebrosa história da conspiração dos negros contra os brancos, que apelidara “ de indivíduos desafectos à atual situação política, conhecidos como comunistas”, principiava uma das maiores tragédias, do período colonial, que vitimaria várias centenas de naturais destas Ilhas – Era como que o macabro epílogo que  surgira na sequência da morte do seu ajudante-de-campo, o qual,  numa atitude provocatória, viera juntar-se às  famigeradas rugas conduzidas por soldados armados e lideradas por  um dos presos de delito comum, um tal facínora Zé mulato, rusgas essas que,  todas as manhãs, deixavam a cidade e partiam para o mato para cercaram esta ou aquela pacata e pacifica povoação,  arrastando à força quem encontrassem, fora ou dentro de suas humildes casas de madeira, obrigando os nativos a trabalhos forçados nas obras do Estado ou para serem enviados para as roças, a onde a mão-de-obra dos contratados, vindos de outras colónias, escasseava –  Todavia, o local para onde imediatamente eram conduzidos, eram os miseráveis barracões imundos da cadeia, junto à  cidade, onde os pobres santomenses eram presos nas condições mais humilhantes e degradantes

"A forma como o Governador durante o tempo do meu Comando tratava e dirigia a sua obra, "com dinamismo - que o tinha -sob os aspectos de desenvolvimento material e económico era, sendo bem observado, em vários detalhes, como um ditador à maneira da gestapo no tempo de Hitler na Alemanha. Era ele e só ele quem tudo mandava. 


(...) Como ir arranjar- trabalhadores?!...Muito  facilmente pá: como já do antecedente: forma que era já do tempo em que ele tinha tomado posse daquela Grande Propriedade que era do Estado mas que .ele governava à sua maneira de conseguir homens para  trabalho, E como era ? Por meio de RUSGAS! Tratando-me por TU, como aliás a toda a gente daquela terra, dizia-me abrindo o mapa, a planta, da Ilha. Tratas de cercar com os teus soldados a zona' tal e tal ... e de manhã vais apertando o cerco e trazes-me para a Cidade essa gente que for saindo de suas casas. Assim se fazia e se entre as mulheres vinha alguma cachopinha bonitinha em isca para o homem grande"– Estas palavras são Capitão Salgueiro Rêgo, que serviu, Carlos Gorgulho, que, por não concordar com os seus procedimentos, acabaria por ser castigado disciplinarmente. Tendo depois, no seu regresso a Portugal, a seu pedido, escrito dois livros de memórias, onde denunciava os abusos e arbitrariedades do referido Governador, a cuja obra conto vir a referir-me, mais detalhadamente.

VICTOR MONTEIRO. UMA FIGURA SINGULAR E UM HOMEM BOM

Victor Monteiro, é um caso singular de relacionamento humano e de infundir simpatia à primeira vista. O ex-Ministro da Defesa e Ordem Interna, atualmente promovido a Coronel na reserva,  logrou merecer a confiança de dois Presidente da Republica, em S. Tomé - Pois foi, igualmente, Ajudante de campo e Chefe da Casa militar do actual Presidente da República nos anos 1985-1988, Assessor para Defesa e Ordem Interna de Fradique de Menezes  de 2003- 2008

 “Nasceu na Roça Agostinho Neto(Lobata), em 1957 e passou a sua infância e juventude no Bairro do Hospital, no distrito de Água Grande, fez toda sua trajetória juvenil e politica na JMLSTP, encabeçando a revolta dos estudantes em 1974, o próprio MLSTP, ingressando posteriormente na vida militar, onde optou pela especialidade de Artilharia Missilística e Estratégia Militar, nas Forças Armadas de São Tomé e Príncipe”.

Foi recordista nacional dos 1500 metros, capitão da seleção nacional de basquetebol. Fez a primeira classe em Guadalupe, a segunda na Escola Infante D. Henrique, hoje conhecida por Atanásio Gomes. Diz que deveria ser hoje economista, pois tirou o curso da Escola Comercial
Mas há um destino traçado na vida e ele tinha de vir um dia a conhecer outra  profissão e outras responsabilidades. Quando estava para fazer o curso de treinador de Basquetebol, um dos seus professores de política, era então o Chefe do Estado Maior, Raúl Bragança, que o levou para as Forças Armadas  e ficou lá até hoje. Fez a Escola de Sargentos em Angola, em cuba academia e na Ucrânia 

Ex-Diretor do Gabinete do Presidente da República Manuel Pinto da Costa, de ascendência cabo-verdiana, uma pessoa muito querida e muito estimada em São Tomé, onde nasceu – Atento observador e participante na vida pública

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